“Quem, como e onde se pensa a escola?” é a pergunta que orienta o mais recente episódio do podcast Entre o Quadro e o Mundo, conduzido por Luís Francisco Marques. Num tempo em que a escola é chamada a responder a múltiplos desafios sociais, o programa propõe uma reflexão sobre o risco de a educação perder de vista a sua missão fundamental perante o crescimento da burocracia e da lógica da gestão.
Ao longo do episódio, o autor argumenta que a escola contemporânea se tornou uma espécie de “estrutura de compensação” para problemas que extravasam o campo educativo. Entre projetos, plataformas, relatórios, avaliações e indicadores, as instituições de ensino encontram-se cada vez mais ocupadas, mas nem sempre dispõem de tempo ou condições para pensar criticamente o seu próprio papel.
“O excesso de gestão e o défice de reflexão” constituem uma das ideias centrais da conversa. Segundo Luís Francisco Marques, que publicou já vários textos no 7MARGENS, a linguagem administrativa tem vindo a ocupar um espaço crescente na vida escolar, substituindo frequentemente o debate sobre os fins da educação por preocupações ligadas à monitorização e à medição de resultados.
A situação dos professores ocupa igualmente um lugar relevante na análise. Apesar do aumento das exigências e responsabilidades, Luís Francisco considera que os docentes dispõem de cada vez menos tempo para a reflexão pedagógica e para a construção coletiva de pensamento sobre a escola. O resultado poderá ser, afirma, um progressivo “empobrecimento simbólico” da profissão e da própria instituição escolar.
Este programa, que pretende ser um convite à reflexão num mundo cada vez mais polarizado e automático, está a ser transmitido às sextas-feiras na Rádio Regional do Centro, e é cedido pelo autor e pela RRC ao 7MARGENS.
A reflexão completa pode ser escutada a seguir.













