
O escritor Daniele Mencarelli e o padre Antonio Spadaro na noite desta quinta-feira, em Lisboa. Foto © António Marujo/7MARGENS
E a palavra é?… “Encontro”, responde o escritor Daniele Mencarelli, autor de Tutto Chiede Salvezza (“Tudo pede salvação”), adaptado já à ficção televisiva pela Netflix. O autor italiano, 49 anos, participa nesta sexta-feira, entre as 18h e as 19h30, numa mesa-redonda sobre “Literatura e cristianismo – A palavra em comum”, na qual estará também o padre jesuíta Antonio Spadaro, que tem editado vários textos do Papa Francisco, ambos à conversa com o escritor português Jacinto Lucas Pires.
“Creio que a palavra é encontro, não ter medo de encontrar os outros, de encontrar em todo o lado o que nos torna humanos”, diz Mencarelli, respondendo por meios digitais a uma pergunta do 7MARGENS. O autor de A Casa dos Olhares, cuja edição em Portugal (Paulinas Editora) é um dos pretextos para esta iniciativa, aborda, nos seus livros, as questões da fragilidade e da vulnerabilidade humanas, mas vistas numa perspectiva de redenção dos próprios. “Muitas vezes estes encontros, estas fraternidades instantâneas, nascem com aqueles que parecem não ter nada para oferecer, mas que têm do seu lado a autenticidade do sofrimento e a nudez do homem que não tem nada a esperar do mundo. Uma liberdade para ser olhado com respeito”, acrescenta.
Na obra agora editada em Portugal, o autor conta a história de uma espécie de alter-ego (os seus livros incluem, por vezes, referências autobiográficas): Daniele, o protagonista, é um jovem poeta que vive uma angústia desconhecida, “uma doença invisível no coração, ou no cérebro” que o leva a refugiar-se nos estupefacientes, primeiro, e no álcool, depois. Recusando entrar na lógica de ter um emprego e constituir família, o vazio em que cai, “com a precisão de um mergulho olímpico”, também não o satisfaz. Nessa medida, Daniele é uma evidente “testemunha representativa da contemporaneidade”, que mostra como se vai da “espiral de solidão, prostração e vergonha daqueles anos sombrios” até uma “progressiva libertação do sofrimento” e “um extraordinário renascimento”.
Com o leigo “aspirante a crente”, como se define o próprio Mencarelli, estará um jesuíta conhecido, de quem a Paulinas acaba de publicar Uma Trama Divina. Jesus em contracampo. Spadaro dirigiu durante 12 anos a consagrada revista La Civiltà Cattolica (concluiu o mandato em Setembro) e desempenha agora o cargo de subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação, do Vaticano, presidido pelo cardeal português José Tolentino Mendonça. Teólogo, crítico literário e escritor, Spadaro leva o Papa, através deste seu novo livro, a lançar “um apelo apaixonado aos artistas, crentes e não crentes”: “Com o vosso talento, fazei-nos ver Jesus.”
A editora portuguesa, responsável pelo convite aos dois autores italianos, recorda que estas publicações surgem quando “um grande realizador como Martin Scorsese (…) começou a realizar um guião para um novo filme sobre Jesus”.
Uma vídeo-mensagem do cardeal Tolentino Mendonça completa o programa da sessão. A conversa entre Jacinto Luas Pires e os dois autores italianos decorre no Anfiteatro 1 da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Com entrada livre, e apoiada pelo Instituto Italiano de Cultura em Lisboa, a sessão terá tradução simultânea e será moderada pelo padre Alexandre Palma, vice-director da Faculdade de Teologia e director do Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião (CITER). João Maria Carvalho, que cantou o Cântico das Criaturas na Praça de São Pedro, durante a vigília de oração ecuménica que precedeu o início do Sínodo de Outubro, no Vaticano, cantará de novo aquela peça durante a sessão. [ver 7MARGENS]










