
A maioria das pessoas tem uma doença ligeira a moderada que evolui espontaneamente para a cura. Foto: Direitos reservados.
A pergunta que me foi colocada foi: “Como podemos melhorar o nosso quotidiano comum com pequenos gestos, escolhas, adaptações?”
Olhemos para o que nos ensina a pandemia: a doença covid-19 grave é causada não pela acção directa do vírus no nosso organismo, mas sim pela resposta exacerbada e descontrolada que vai provocar no nosso sistema imune – o sistema de defesa que preserva a nossa integridade. A maioria das pessoas tem uma doença ligeira a moderada que evolui espontaneamente para a cura. São os que têm maior tolerância ao vírus SARS-CoV-2.
Há uma pequena percentagem em que a intolerância imune é tão acentuada que pode levar a doença grave, muito grave e morte por reação inflamatória intensa e descontrolada. Não conseguimos prever em quem pode ocorrer este tipo de reação. Está provavelmente associada a determinados traços genéticos que nascem connosco e determinam maior intolerância a componentes deste vírus.
Então como podemos melhorar este estado de coisas?
A tolerância é que nos salva.
O vírus vai-se adaptando aos humanos (vide a variante Ómicron, muito mais transmissível, mas causando menos doença grave) e as pessoas vão tolerando melhor o vírus SARS-CoV-2 e aprendendo a conviver com ele, como fizemos com muitos outros vírus respiratórios anteriores.
É a tolerância que nos salva.
A tolerância imune.
A tolerância humana interpessoal.
A tolerância ao que nos é estranho na forma, na língua, nos hábitos e na cultura.

Laura Marques
Acolhamos este Natal com a maior tolerância possível e convivamos em paz e alegria com estas condições diferentes em que vamos receber o Menino que nasceu para nós, o filho que nos foi dado.
Amen.
Laura Marques é pediatra com interesse especial nas áreas da Infecciologia e Imunologia.










