Vivemos em sociedades em que o envelhecimento é olhado muitas vezes como um problema económico, tanto para os estados como para as famílias, de abandono e da quebra de laços que têm como consequência a destruição de redes de solidariedade e de suporte que foram apoio durante a vida ativa. Na verdade, o envelhecimento daqueles e daquelas que nos precederam põe à prova a nossa humanidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos.
O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o sétimo depoimento do total de vinte e cinco. Pode ler aqui os depoimentos já publicados. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

“Sou urbana, mas vivo nas margens da grande cidade entre animais e hortaliças.” Foto © Tatiana Zanon / Unsplash (tratada)
Beatriz, 89 anos
Quero continuar a envelhecer como até aqui. Tive de construir a minha vida sozinha e foi assim que criei e eduquei as minhas filhas.
Mas estive sempre ligada à família, aos amigos, à pequena horta e aos meus animais de estimação: cães, gatos, galinhas e pássaros vários.
Como tenho uma boa saúde, e já com 89 anos, posso tratar todas e todos que me são indispensáveis. Sou vegetariana e bastam-me os ovos das minhas galinhas. Sou urbana, mas vivo nas margens da grande cidade entre animais e hortaliças.
É com naturalidade que procuro concretizar os meus planos. Como tenho uma má relação com o dinheiro a minha pensão não me dá para tudo… Por isso corto onde tenho que cortar.
Preciso de campo para respirar e sair com os meus cães.
Preciso dos almoços e jantares com a família e os amigos e, de preferência, com festa e dança…
O envelhecimento é a continuação do viver como até aqui.
O resto não sei, o futuro muito menos. Não penso muito nisso. Sou uma privilegiada…










