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E Jesus, estaria ele no Tik Tok?

| 19 Jun 2024

Martim Sousa Tavares, música, Antena 1

Maestro Martim Sousa Tavares, na entrevista ao 7MARGENS/Antena 1, dia 6 Junho 2024. Foto © António Marujo/7MARGENS

Falar Piano e Tocar Francês é o título do livro do maestro Martim Sousa Tavares, publicado há poucas semanas pela Zigurate. Arte, música, cultura, paixão e mediação são temas do livro e pretextos para a conversa no programa 7MARGENS, da Antena 1. Que começa por uma pergunta repetindo uma outra, feita no livro: e Jesus, estaria ele hoje no Tik Tok?

Martim Sousa Tavares é natural de Lisboa, onde nasceu em 1991, e formado em Ciências Musicais e direcção de orquestra. Estudou ainda em Itália e nos EUA. Fundou a Orquestra Sem Fronteiras num sítio improvável, Idanha-a-Nova, e afirma que há público para ouvir música, e música clássica, no interior do país. O maestro e a sua orquestra tocaram já em igrejas e pequenos auditórios cheios, em sítios onde havia dez pessoas porque eram todas as que habitavam na aldeia e ouviram pessoas a pedir-lhes que voltassem.

“A orquestra serve para, em primeiro lugar, apoiar os jovens músicos que são dali, e tentar fixá-los, mas também para disseminar o amor pela música e de facto tocar em todo o lado. E quando eu digo todo o lado, é mesmo em todo o lado”, afirma, durante a entrevista.

Ao longo da conversa, Martim Sousa Tavares fala da mediação e da paixão como fundamentais para se falar da arte e da música, ou da relação da estética com a ética: “Há dois valores que determinam a nossa relação perante uma obra de arte e não são universais nem consensuais: são o gosto e a moral”, que determinam a reacção perante a estética ou perante os valores.

“Que planeta vamos ter daqui a 80 anos, em que condições”, pergunta também o maestro, que aponta a questão da emergência climática como uma questão que o preocupa.

O Novo Testamento bíblico é uma inspiração importante: “Os quatro evangelhos são fundadores de quem nós somos, enquanto sociedade, enquanto comunidade. Estão ali valores, está ali uma certa afirmação de uma nova humanidade”, em quatro textos “simples”, mas complexos, que explicam “muito da nossa sociedade”.

A frequência de uma escola religiosa afastou-o da fé religiosa, mas sem deixar de se desinteressar pela questão e considerando-se como São Paulo a caminho de Damasco mas ainda sem ter caído do cavalo. “Jesus foi uma pessoa irrepetível e absolutamente perfeita. Se de facto seguíssemos os ensinamentos de Jesus, de certeza absoluta que viveríamos num mundo muitíssimo diferente e muitíssimo mais feliz. Valores de compaixão, valores de amor incondicional, a negação do eu em prol dos outros é quase o contrário do mundo em que vivemos.”

E o Tik Tok? Essa foi precisamente a sugestão de Martim Sousa Tavares para o texto que leu no 7MARGENS: o artigo “Da discoteca para o altar: o padre genovês que fala aos jovens e é um fenómeno do TikTok”, de Marta Pinho, leva o maestro a dizer que, tal como Jesus, se há uma mensagem para transmitir, e “se as pessoas estão no Tik Tok”, é preciso “conseguir levar a sua mensagem ao Tik Tok”.

Como sugestão cultural, Martim Sousa Tavares propõe o Festival de Sintra, que encerra nos próximos dias. No domingo, 23 de Junho, às 11h, o pianista András Schiff tocará um concerto de carta branca:; depois de deambular por Sintra, sentar-se-à ao piano e tocará a peça que a inspiração lhe trouxer.

A entrevista pode ser escutada na íntegra em https://www.rtp.pt/play/p12257/e776018/7-margens

Martim Sousa Tavares, música, Antena 1

Martim Sousa Tavares: “Jesus foi uma pessoa irrepetível e absolutamente perfeita.” Foto © António Marujo/7MARGENS

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