E o que dizem os jovens?

| 17 Jul 20

Desafia-te a viver Positiva(mente) – II

 

Mas o que têm os jovens a dizer sobre um encontro que os desafia a viver positivamente?

É interessante verificar que este tempo tem tido reflexos profundos na maneira de viver dos nossos jovens, aumentando-lhes os normais receios do amanhã, numa fase da vida em que a incerteza é um fator de grande ansiedade.

Os jovens manifestam também a necessidade de ouvir vozes que lhes transmitam segurança e apontem caminhos de esperança no futuro, sem alarmismos, mas com clareza e verdade. Afinal palavras e ideias “que nos permitam ter uma visão mais esclarecida sobre o impacto das escolhas do presente no tipo de sociedade que vamos ter no futuro: mais positiva e otimista” (André Rodrigues), ou que nos ajudem “a entender as mudanças que estão a acontecer, dentro e fora de nós, relacionadas com o que estamos a viver, a incerteza que isso gera e as expectativas face aquilo que não somos capazes de vislumbrar” (Andreia Gonçalves).

Nas suas reflexões, os mais novos realçam esta maneira positiva de encarar a nova realidade ao afirmarem terem sido levados a “compreender assuntos com uma visão totalmente diferente, num espírito bem mais positivo, pelo conhecimento que nos trouxe e pelos desafios que nos lançou para podermos encarar a vida de uma forma diferente” (Ana Fernandes), “dando-nos algumas dicas para conseguirmos todos passar por este período difícil e novo na vida de todos nós, demonstrando como lidar melhor com esta situação protegendo-nos do vírus em si e também do vírus que nos afeta um pouco a todos: o vírus do receio de tudo e todos, do afastamento e da saudade” (Andreia Gonçalves).

O contacto humano, a importância das relações, “a ausência de contacto físico e proximidade dos amigos é algo difícil de suportar, ainda que as tecnologias sejam uma preciosa ferramenta no que respeita à comunicação (…). Como lidar com esse distanciamento, transformando as adversidades em oportunidades? Entusiasmou-me o facto de o ser humano ter a capacidade para se adaptar a todas as circunstâncias e ser capaz de enfrentar as maiores adversidades, valorizando mais as relações humanas e impedindo que os laços se quebrem”. (Beatriz Pires)

Cultivar a resiliência, na afirmação de que “os nossos medos podem tornar-nos mais fortes; mas se os deixarmos dominar-nos podem tornar-se uma doença, tendem a alastrar e torna-se mais difícil combatê-los. Contudo, quando os combatemos tornam-nos sobreviventes, fortalecem-nos” (Beatriz Sobral).

E alimentar a coragem “para enfrentar os desafios árduos com os quais nos deparamos diariamente. Coragem para sermos melhores, para sorrirmos, para alegrarmos o dia do nosso próximo. Coragem para viver num mundo onde a cor cinzenta predomina” (Maria Silva).

 

Resiliência, otimismo, felicidade, familiaridade, gratidão, sobriedade, bem comum, bens relacionais e espiritualidade foram algumas das palavras que, no decorrer do próprio encontro, foram consultadas no dicionário do viver positivo e figuram entre os reptos pedagógicos potenciadores da ação transformadora. Mas, como é imperioso pormo-nos a caminho, este é um desafio que já se encontra em marcha!

Porque não olhar para cada dia deste tempo que, para muitos, é de paragem e de reflexão, para fazer o exercício de substituir as reticências colocadas no título deste artigo, por cada uma das palavras deste novo dicionário, ou por experiências que nos fazem mergulhar num novo sentido de humanidade?

 

“A experiência de hospitalidade foi uma das mais enriquecedoras que eu já vivi. Sentir que a minha presença transmitia às pessoas a quem eu me entregava alegria e felicidade, fez-me ver que devemos dar aquilo que temos de melhor a quem nos rodeia e, desta forma, seremos todos muito mais felizes. Dei tempo, dei carinho, dei o coração! Não dei com o objetivo de receber de volta… mas o que recebi foi tanto! Aqueles a quem eu me dei valorizam tanto a comunicação, apesar de alguns mal conseguirem comunicar! Mas procuram fazer-se entender e isso revela a coragem e autenticidade dessas mesmas pessoas! Parto com o anseio de um dia voltar, para recordar o quão valiosas são as lições que esta experiência me proporcionou!” (testemunho e foto de Soraia Silva, no âmbito da iniciativa Carnaval Hospitaleiro, fevereiro 2020, que levou jovens a apoiar doentes das instituições das Irmãs Hospitaleiras de São João de Deus).

“Dei tempo, dei carinho, dei o coração!”.Foto © Soraia Silva

 

E porque o momento é feito de escolhas e é necessário avaliá-las, desafio-me a olhar para o presente e o futuro com sentido de missão e fazer do ato educativo um espaço de aprofundamento, crescimento e discernimento, de escuta e de diálogo, de acompanhamento e de descoberta das âncoras que permitam viver mais positivamente, tornando a própria tarefa de ensinar um verdadeiro hino de gratidão.  Bem-haja a quem me acompanhou em cada um destes desafios! Que Deus a todos proteja e abençoe!

 

Dina Pinto é professora de Educação Moral e Religiosa Católica no Agrupamento de Escolas Abade de Baçal, de Bragança.

 

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