Mariam, Nurjaha, Aisha, Shahista, Nesrine, Taslima, Mariama, Rucssana, Zohra, Fátima, Amrin, Vera, Cristina, Haula, Shahina, Soraia, Zeinab, Francelina, Sarika, Joana, Sara. Esta lista de nomes, sim, é pública e pode ser partilhada. São nomes de mulheres que se definem como “portuguesas, muçulmanas, livres”, e que decidiram dar a cara para mostrar algo que para elas sempre foi claro: “é possível viver plenamente a identidade portuguesa e a fé islâmica, sem que uma anule a outra”.
Juntas, acabam de criar o projeto Alma Portuguesa Fé Islâmica e protagonizam um vídeo que já está a circular nas redes sociais, em que dão o seu testemunho. “Sentimos que estava na hora de mostrar com naturalidade aquilo que já somos — mulheres ativas, conscientes e presentes na sociedade. E o nome ‘Alma Portuguesa Fé Islâmica’ não é um manifesto político, é um reflexo da nossa vivência. É a expressão de uma realidade que existe, mas que nem sempre é reconhecida”, explica ao 7MARGENS Sarika Karim, uma das protagonistas do vídeo e co-fundadora do projeto.
Quanto aos objetivos da iniciativa, resume-os em três verbos: representar, normalizar e fortalecer. “Queremos quebrar os moldes que continuam a limitar a forma como a mulher muçulmana é percecionada em Portugal. Não somos um ‘grupo à parte’. Somos estudantes, trabalhadoras, mães, cidadãs — com responsabilidades, opiniões e sonhos. Este projeto pretende dar espaço a essas vozes, criar pontes com a sociedade e oferecer novas referências às gerações mais jovens, para que possam crescer sem medo de conciliar quem são com o que acreditam”, sublinha.
Natural de Lisboa, casada e mãe de quatro filhas, Sarika Karim, 45 anos, é gerente de residências sénior. Lado a lado consigo, no vídeo, surgem mulheres com diferentes idades, percursos e áreas de atuação, “mas todas têm algo em comum: estão profundamente inseridas na sociedade portuguesa, como qualquer outra mulher”, destaca. Com ou sem hijab, querem mostrar que a fé não as limita, nem afasta. “Faz parte de quem somos, mas não nos distingue em nada no nosso papel como cidadãs, profissionais, estudantes ou mães. A mensagem é simples: estamos aqui, com fé e com presença. Com alma portuguesa e voz ativa”, assegura.
Dois dias após a publicação do vídeo, que corresponde à primeira ação pública deste projeto, as reações que têm recebido são “muito positivas, tanto de dentro da comunidade muçulmana como de fora. Muitas mulheres disseram sentir-se, finalmente, representadas”, partilha Sarika Karim. “Também recebemos mensagens de pessoas que nunca tinham parado para pensar nestas questões e que se sentiram tocadas pela simplicidade e força do vídeo”, acrescenta, ressalvando que “nem todas as reações foram consensuais, e isso confirma que ainda há muito trabalho a fazer. Mas o mais importante é que estamos a abrir conversas que precisam de acontecer”.
Para um futuro próximo, estão a preparar novas ações, “tanto no espaço digital como presencial”, nomeadamente círculos de escuta, ações educativas, formações e vídeos temáticos que abordem questões como pertença, liberdade religiosa e cidadania. “Mais do que iniciativas pontuais, queremos que o ‘Alma Portuguesa Fé Islâmica’ se torne uma plataforma viva de partilha e representação. Este é só o começo — o objetivo é criar um movimento contínuo que inspire outras mulheres a assumir o seu espaço com orgulho e naturalidade”, conclui.










