Foram muitas as propostas e desafios que ressaltaram do Seminário Internacional da LOC/MTC – Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos, que decorreu na última semana em Leiria. Todos poderiam resumir-se nesta frase do comunicado final, enviado ao 7MARGENS: “A nossa responsabilidade de cidadãos europeus exige que continuemos a luta por uma Europa fiel aos valores da dignidade humana, da solidariedade e do bem comum. Uma União Europeia verdadeiramente social e fraterna”.
Subordinado ao tema “Pilar Europeu dos Direitos Sociais (PEDS)”, o encontro contou com a presença de membros da LOC/MTC de várias dioceses de Portugal, e membros de outras organizações nacionais e internacionais, como o Sindicato dos trabalhadores do Vestuário, Confeção e Têxtil do Norte, o Sinergia – Sindicato das Energias, a Pastoral Operária de Portugal, a Hermandad Obrera de Acción Católica de Espanha, ou a Confédération Française des Travailleurs Chrétiens de França.
Entre os dias 8 e 11 de junho, os participantes aprofundaram o tema em diferentes sessões de debate e reflexão, que contaram com intervenções de Francois Martin-Chave (membro das Comissões de Jovens da Confederação Francesa de Trabalhadores Cristãos e Consultor Nacional de T.I.), Clara Murteira (professora na FEUC – faculdade de Economia da Universidade de Coimbra), e Rafael Allepuz Capdevila (licenciado em Economia e Gestão de empresas pela Universidade de Barcelona e doutorado pela Universidade de Lleida). Participaram ainda numa mesa redonda representantes de organizações de todos os países presentes.
Reconhecendo que “há progressos em vários aspetos da vida diária das pessoas e famílias europeias”, consideraram que “não são insuficientes”, tendo concluído que “a falta de natureza vinculativa do PEDS leva a que cada país trate o assunto como bem entender e facilmente desrespeite os seus compromissos sem qualquer consequência legal”. Por isso, a sua implementação “merece melhor monitorização e rigor, responsabilizando os agentes e o Estado na sua aplicação”.
Recorde-se que “o Pilar projeta melhorias na conciliação da vida familiar e profissional, na licença de paternidade, reconhece o papel dos pais na educação dos filhos e maior distribuição das responsabilidades familiares. Quer proteger contra a precariedade no trabalho, que os salários permitam viver com dignidade e a aposta na formação profissional contínua”.
Lamentando que estes assuntos sejam “atualmente, muito pouco discutidos em qualquer dos países da União Europeia”, os representantes dos trabalhadores cristãos partilharam ainda o receio de que “a atual implementação de investimentos na guerra desvie fundos essenciais da construção de uma Europa Social”.
Da parte de todos os participantes, ficou no entanto o compromisso de “garantir que ninguém fique para trás”. E entre as metas concretas definidas pelos representantes dos trabalhadores cristãos, contam-se: “Cumprir o objetivo de tirar 15 milhões de pessoas da pobreza, incluindo cinco milhões de crianças. Melhorar a proteção social, apostar em crescimento económico que garanta desenvolvimento humano, reduzir a economia paralela e colocar as pessoas no centro. Criar empregos dignos e sustentáveis. Lutar por uma gestão pública eficiente e travar a privatização dos serviços públicos. Mais formação, readquirir a credibilidade da formação e adaptá-la ao sistema educacional e numa perspetiva de formação contínua”.

O encontro contou com a presença de membros da LOC/MTC de várias dioceses de Portugal, e membros de outras organizações nacionais e internacionais. Foto © LOC










