Cardeal O’Malley sobre abusos

É preciso recorrer aos modelos de investigação da sociedade civil

| 18 Nov 21

cardeal o'malley abuso menores foto vatican news

O cardeal O’Malley numa jornada sobre abusos, que decorreu em Varsóvia no passado mês de setembro. Foto © Vatican News.

 

O presidente da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, cardeal Sean Patrick O’Malley, defendeu esta quinta-feira, 18 de novembro, a necessidade de os casos de abusos sexuais de menores na Igreja serem objeto de “uma investigação independente” e de “uma ação informada”, porque “não podemos reparar o que não reconhecemos”. Nesse processo, a Igreja deve “aprender com os avanços da sociedade civil e do mundo académico em termos de modelos de pesquisa científica”.

O cardeal O’Malley falava durante a Jornada de Proteção às Crianças Contra os Abusos Sexuais, que teve lugar em Roma, sob o tema “Tornar o círculo de confiança verdadeiramente seguro para as crianças” e acrescentou, citado pelo jornal digital Alfa & Omega: “As estatísticas deixam uma pessoa sem palavras”, mas é preciso continuar a “avaliar as medidas adotadas pela Igreja para lidar com este flagelo e fazer todas as recomendações úteis para transformar um sistema que falhou quantitativa e qualitativamente.”

“Não podemos restaurar a confiança quebrada se não chegarmos ao fundo da questão”, sublinhou o prelado norte-americano quando se referiu às competências da sociedade civil a que a Igreja deve recorrer para que, “trocando experiências e aprendendo uns com os outros”, seja possível “fazer da proteção global uma prioridade” a partir de “relações de confiança e apoio interinstitucional”.

 

Francisco: o arrependimento deve levar à reforma da Igreja

O Papa Francisco esteve presente na jornada através de um vídeo em que salientou que as manifestações de contrição e arrependimento da Igreja “devem tornar-se uma forma concreta de reforma” e conduzir “a uma mudança real e confiável”. Para o Papa, “reconhecer os nossos erros e fracassos pode fazer-nos sentir vulneráveis ​​e frágeis, mas também pode ser um tempo de graça maravilhosa, um tempo que abre novos horizontes de amor e serviço mútuo. Se reconhecermos os nossos erros, não teremos nada a temer, porque será o próprio Senhor quem nos terá conduzido até lá.”

Durante a jornada, o cardeal O’Malley não se furtou a citar dados da OMS, segundo os quais 120 milhões de meninos e jovens com menos de 20 anos sofreram algum tipo de contacto sexual forçado; uma mulher em cada cinco e um homem em cada 13 relatam terem sido abusados sexualmente antes dos 18 anos; em algumas partes do mundo, uma em cada duas crianças foi vítima de abuso sexual; e, devido à vergonha, ao estigma e ao medo associados à sua experiência, pelo menos 60% das vítimas sobreviventes de abuso sexual infantil nunca o revelam.

Da mesma forma, e ainda de acordo com o Alfa & Omega, o cardeal americano classificou os números sobre este problema na Igreja Católica como “sombrios”, referindo quer os dados relativos à França (estimativa de 216.000 crianças abusadas entre 1950 e 2020) quer os da Austrália, onde 40% dos abusos sexuais de menores investigados ocorreram em ambientes ligados à Igreja Católica.

 

Investigação sobre Goa e catolicismo oriental distingue Ângela Xavier na Índia

Infosys premeia historiadora

Investigação sobre Goa e catolicismo oriental distingue Ângela Xavier na Índia novidade

O Prémio Infosys 2021 em Humanidades, da prestigiada fundação indiana Infosys Science Foundation, foi atribuído à historiadora portuguesa Ângela Barreto Xavier “pela sua profunda pesquisa e sofisticada análise da conversão e violência no Império Português na Índia, especialmente em Goa”. O júri destaca a contribuição significativa da galardoada para a “história social e cultural do colonialismo português”, concretizando uma voz “importante e original” no que à história colonial e imperial diz respeito.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Novo arcebispo de Braga quer “portas abertas” para todos novidade

O novo arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, saudou a sua nova diocese manifestando a vontade de construir uma “Igreja em saída” missionária e “uma Igreja sinodal samaritana de portas abertas para todos”. O até agora bispo de Bragança-Miranda propõe as atitudes de escuta, conversão, confiança, comunhão, coragem criativa e oração como “caminhos sempre a percorrer no processo sinodal para uma Igreja de hoje”.

Dois terços dos jovens adultos católicos não vão à missa

EUA

Dois terços dos jovens adultos católicos não vão à missa novidade

Mais de um terço (36%) dos jovens adultos católicos americanos nunca frequentava a missa e quase um terço (31%) raramente o fazia, revela um inquérito realizado pelo centro de estudos CARA e divulgado esta quinta-feira, 2 de dezembro. Os dados recolhidos dizem respeito às práticas deste grupo anteriores à pandemia.

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This