Papa em entrevista

É preciso “transformar o sentido religioso em boas obras concretas”

| 3 Jul 2023

O Papa Francisco em entrevista ao jornalista Hamad Al-Kaabi, diretor do jornal Al-Ittihad. Foto Al-Ittihad

O Papa Francisco em entrevista a Hamad Al-Kaabi, diretor do jornal Al-Ittihad. Foto © Al-Ittihad.

 

“A nossa tarefa é transformar o sentido religioso em cooperação, em fraternidade, em boas obras concretas”, afirmou o Papa na sua mais recente entrevista, dada ao jornal Al-Ittihad. dos Emirados Árabes Unidos, e publicada esta segunda-feira, 3 de julho. “Hoje, precisamos de construtores de paz, não de fabricantes de armas; hoje precisamos de construtores de paz, não de instigadores de conflitos; precisamos de bombeiros, não de incendiários; precisamos de defensores da reconciliação, não de pessoas ameaçadas de destruição”, insistiu.

Lembrando que “ou construímos juntos o futuro ou não haverá futuro” e que “a fraternidade humana é o antídoto de que o mundo precisa”, o Papa assinalou que oferece a todas as delegações que o visitam no Vaticano o Documento sobre a Fraternidade Humana, assinado por si e pelo xeque Ahmed el-Tayeb, em fevereiro de 2019, precisamente nos Emirados Árabes Unidos. “Acredito que é um texto importante não apenas para o diálogo entre as religiões, mas para a convivência pacífica entre todos os seres humanos”, explicou, dizendo estar satisfeito  com a aceitação da mensagem e dos objetivos do documento pela comunidade global.

Francisco lamentou, no entanto, a queima de um exemplar do Corão, durante uma manifestação de protesto em frente à mesquita central de Estocolmo (Suécia), que aconteceu na semana passada. “Sinto-me indignado e desgostoso por essas ações”, confessou ao jornalista Hamad Al-Kaabi, diretor do jornal. “Qualquer livro considerado sagrado pelos seus autores deve ser respeitado por respeito aos seus fiéis, e a liberdade de expressão nunca deve ser usada como desculpa para desprezar os outros, e permitir isso deve ser rejeitado e condenado”, reforçou.

“É fácil falar sobre fraternidade, mas a verdadeira medida da fraternidade é o que realmente fazemos de forma concreta para ajudar, apoiar, nutrir e acolher os nossos irmãos e irmãs na humanidade”, assumiu o Papa, destacando que “todo o bem, pela sua própria natureza, deve ser para todos, indiscriminadamente. Se eu só fizer o bem àqueles que pensam ou acreditam como eu, então o meu bem é hipocrisia, porque o bem não conhece discriminação ou exclusão”.

 

A preocupação com os jovens e a crise climática

Francisco alertou depois para o perigo de os jovens serem deixados sozinhos “nas garras de miragens e choques de civilizações”. Para o Papa, “a única maneira” de protegê-los de “mensagens negativas e notícias falsas e inventadas, e das tentações do materialismo, do ódio e do preconceito, é dar-lhes os instrumentos necessárias, que são a liberdade, o discernimento e a responsabilidade”.

“Nunca devemos cair na experiência de tratar os jovens como crianças incapazes de escolher e tomar decisões”, continuou o líder da Igreja Católica, até porque “a  liberdade é o que distingue uma pessoa. Deus criou-nos livres até para rejeitá-lo, a liberdade de pensamento e expressão é essencial para ajudá-los a crescer e aprender”.

E sublinhou: “eles são o presente e investir neles significa garantir a continuidade”, sempre seguindo a regra de ouro de fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem a nós.

Questionado sobre a emergência climática e ambiental, Francisco referiu, uma vez mais, que é urgente passar da teoria à prática. “A única maneira eficaz de enfrentar essa crise é encontrar soluções realistas para os problemas reais da crise ecológica. Devemos transformar as declarações em ação antes que seja tarde demais”, concluiu.

 

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Chegou a estender a mão e a cumprimentar, olhos nos olhos, todos os presentes, um a um. É o líder da Igreja Anglicana, mas aqui apresentou-se com um ligeiro “Hi! I’m Justin” — “Olá, sou o Justin!” — deixando cair títulos e questões hierárquicas. [O texto de Margarida Rocha e Melo]

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