A tendência para avaliar pessoas a partir das suas falhas, limitações ou desempenhos está no centro da reflexão proposta por Luís Francisco Marques no mais recente episódio do podcast Entre o Quadro e o Mundo. Partindo do contexto escolar, o autor alarga a análise à sociedade em geral e questiona se ainda somos capazes de reconhecer a dignidade e o potencial de cada pessoa para além dos indicadores, classificações e diagnósticos.
“Vivemos numa época extraordinariamente competente a detetar falhas”, observa o autor. “Tudo é observado, medido e comparado.” Mas a questão que atravessa todo o episódio é: “Será que vemos as pessoas?”
Ao referir-se aos jovens, o também professor reconhece os desafios frequentemente apontados às novas gerações — a dependência dos telemóveis, as dificuldades de concentração ou a fragilidade emocional —, mas interroga-se sobre aquilo que muitas vezes é esquecido. “Onde ficam a criatividade, a sensibilidade, a consciência social, a capacidade de adaptação, a abertura à diferença?”, pergunta.
A mesma lógica aplica-se aos professores, tantas vezes reduzidos a estatísticas, avaliações e resultados. Por detrás desses números, lembra Luís Francisco, existem horas de trabalho invisível, preocupações que não cabem nos horários e um compromisso que raramente surge nos relatórios.
Mais do que transmitir conhecimentos ou preparar para o mercado de trabalho, a educação é apresentada por Luís Francisco Marques, que publicou já vários textos no 7MARGENS, como uma aprendizagem do olhar. “Ver o outro para além do erro. Ver o aluno para além da nota. Ver o professor para além do desempenho. Ver a família para além das dificuldades”, resume.
Na parte final do episódio, Luís Francisco deixa uma interpelação aos ouvintes: o que mudaria se, numa escola, numa empresa ou numa cidade, cada pessoa fosse vista não pelo que lhe falta, mas por aquilo que nela ainda pode florescer?
Este programa, que pretende ser um convite à reflexão num mundo cada vez mais polarizado e automático, está a ser transmitido às sextas-feiras na Rádio Regional do Centro, e é cedido pelo autor e pela RRC ao 7MARGENS.
A reflexão completa pode ser escutada a seguir.













