Bispa dos EUA vai propor

E se a JMJ reunisse todas as igrejas cristãs e não apenas a católica?

| 8 Set 2022

Mary Ann Swenson, bispa metodista e vice-moderadora do Comité Central do CMI: e p Foto © Albin Hillert/WCC

 

E se a Jornada Mundial da Juventude, uma iniciativa da Igreja Católica promovida cada três anos pelo Vaticano, fosse uma jornada ecuménica, que reunisse jovens cristãos de diferentes igrejas? A bispa Mary Ann Swenson, vice-moderadora do Comité Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), já era bispa da Igreja Metodista Unida em Denver (EUA), quando o Papa João Paulo II presidiu na cidade, em 1993, à Jornada Mundial da Juventude. Recorda um acontecimento “incrível” e “divertido”, com milhares de jovens entusiasmados idos de todo o mundo. E está a pensar propor ao CMI que a possibilidade de uma jornada ecuménica seja equacionada.

A ideia foi admitida pela própria ao 7MARGENS, nesta quinta-feira à tarde, em Karlsruhe (Alemanha), no final da assembleia do CMI. E surge depois de, na véspera, quando moderava os trabalhos da assembleia, um dos delegados ter ido ao microfone citar a JMJ católica – que terá a sua próxima edição em Lisboa, em Agosto de 2023 – para perguntar se o CMI não deveria organizar uma jornada semelhante, tendo em conta a importância crescente que o Conselho Mundial tem dado aos jovens.

“Eu era bispa em Denver quando o Papa João Paulo II lá esteve” para a JMJ, disse Mary Ann Swenson, em plena assembleia. “Foi um acontecimento incrível, deveríamos pensar nisso”, acrescentou. “Seria uma ideia maravilhosa.”

A uma pergunta do 7MARGENS, procurando esclarecer se uma jornada dessas deveria ser ecuménica ou não, a bispa metodista disse que iria propor ao Comité Central do CMI uma reflexão sobre o assunto. “Sabe porquê? Durante aqueles dias, em Denver, não houve más notícias em Denver”. Recordando um encontro ecuménico de João Paulo II com líderes cristãos, considera que uma tal iniciativa poderá ser uma forma de mostrar a “comunhão de diferentes famílias” cristãs.

Quem também considera que a dimensão ecuménica é importante para a JMJ de Lisboa é o bispo católico irlandês Brian Farrell, secretário do Dicastério do Vaticano para a Promoção da Unidade dos Cristãos. “Os portugueses que estão ecumenicamente envolvidos na JMJ devem fazer com que essa dimensão esteja presente”, disse ao 7MARGENS.

Esta dimensão, que depende muito da organização local de cada Jornada, deve ser tida em conta, acrescentou Farrel, que disse que levaria para Roma essa preocupação – o seu irmão, o cardeal Kevin Farrel, é actualmente o cardeal responsável pelo Dicastério dos Leigos, sob cuja alçada está a organização da JMJ.

Quem também considera importante a dimensão ecuménica na JMJ são as igrejas portuguesas que integram o Conselho Mundial: em Karlsruhe, os dois delegados portugueses afirmam esperar “que o ecumenismo possa ter um lugar relevante: falar da juventude é falar do ecumenismo e é importante fazer caminhos de unidade”, como diz Sérgio Pinho Alves, arcipreste da Igreja Lusitana e membro da direcção do Conselho Português de Igrejas Cristãs (Copic).

Tendo já havido contactos informais entre o Comité Organizador Local da JMJ e o Copic, a outra delegada portuguesa à assembleia do CMI, Sandra Reis, diz que a Jornada pode ser uma ocasião de retirar a dimensão religiosa da esfera privada. “O cristianismo vive-se na dimensão comunitária e faz parte da essência cristã andar à procura”. E poder ser ainda, acrescenta a pastora da Igreja Presbiteriana e vice-presidente do Copic, uma oportunidade de afirmar “a esperança”, numa realidade em que muitos jovens estão “desmotivados e deprimidos”, depois dos dois anos de pandemia vividos.

Sérgio Alves lembra ainda o memorando Eco-Igrejas assinado por vários responsáveis cristãos para afirmar que a JMJ poderia ser uma oportunidade de debater e pôr em prática esse documento.

 

E agora, em Portugal?
Sérgio Pinho Alves, da Igreja Lusitana, e Sandra Reis, pastora da Igreja Presbiteriana, 11ª assembleia do Conselho Mundial de Igrejas, em Karlsruhe (Alemanha), em 8 de Setembro 2022. Foto © António Marujo/7Margens

Sérgio Pinho Alves, da Igreja Lusitana, e Sandra Reis, pastora presbiteriana e vice-presidente do Conselho Português de Igrejas Cristãs, delegados das respectivas igrejas à assembleia do Conselho Mundial. Foto © António Marujo/7Margens

 

Como balanço da participação na 11ª assembleia do Conselho Ecuménico de Igrejas, os dois delegados portugueses consideram que esta experiência deve levar a “reimaginar e traduzir na prática, no concreto da vida, o ecumenismo prático” como refere Sérgio Alves. O empenhamento na justiça climática, no acolhimento de migrantes, na justiça social e económica são exemplos de problemas “que exigem acções imediatas de unidade e reconciliação”.

Outra ideia sugerida pelo responsável da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana), que esteve pela primeira vez numa assembleia do CMI, seria “o fortalecimento do Copic “com a entrada de mais igrejas”. Esse passo “teria um importante impacto ecuménico em Portugal e também junto de outras estruturas ecuménicas internacionais”, pensa. “Chega de competir. É urgente colaborar, criar pontes de unidade, respeito e reconciliação. Isso implica querer e crer. Não podemos adormecer e viver em apatia ecuménica (resultado de feridas e dores passadas) colocando ‘ses’ ao mandamento da unidade de Jesus.”

Para Sandra Reis, foi importante participar numa assembleia (a segunda, depois de Busan, na Coreia do Sul, em 2013), em que se puderam ouvir testemunhos, na primeira pessoa, sobre como é “possível estar juntos, partilhar visões e não ter medo de falar”, mesmo quando há ideias diferentes sobre vários problemas – a guerra na Ucrânia, a situação na Palestina ou as questões da moral sexual, para citar alguns exemplos, ainda separam muitas igrejas do CMI.

O ecumenismo, acrescenta a pastora presbiteriana, é “um encontro de vontades, de querer chegar a algum sítio”. Está muito por fazer, acrescenta, citando os exemplos de como os cristãos podem ganhar consciência do quanto podem assumir ainda, pessoalmente, na luta contra as alterações climáticas, e também no modo como se olha para uma realidade como a da guerra na Ucrânia. “A guerra veio mostrar que não podemos assobiar para o lado e que um país que está tão longe e tão perto tem, afinal, a muito a ver com as nossas vidas – como estamos a ver com o aumento dos preços da energia…”

 

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