E se falássemos com os jovens em Inglês? Christ is alive!

18 Mai 19Entre Margens, Últimas

O Papa Francisco lançou recentemente a Exortação Apostólica Cristo vive, resultado do último Sínodo dos Bispos sobre a relação dos jovens com a fé e o discernimento vocacional. Que juventude e que Igreja com os jovens?

 

Be free

Os jovens clamam uma maior atenção ao presente que são na vida da Igreja; querem ser escutados e acompanhados nos seus percursos, num acolhimento que não seja feito de pré-conceitos ou condenações fáceis, mas na compreensão dos seus ambientes, linguagens e causas a que aderem. No fundo, os jovens – e o Sínodo e o Papa acolheram isso – querem sonhar e por isso há uma atitude que é um misto de procura de sentido e de garantia de uma liberdade interior e de vida. Cristo é o sentido do que se deseja e é  a verdadeira liberdade. A certeza de que Ele Vive suscita uma proximidade e relação de amizade que inquietam vocacionalmente. Por isso a juventude é um tempo de sonhos e de escolhas, onde o risco da liberdade é ao mesmo tempo a tarefa diária de conquista. Os jovens querem quem os auxilie, com verdade e em liberdade, em itinerários de discernimento.

 

Conecting people

Os jovens têm uma vontade de pertença e de fraternidade. Talvez por isso o ambiente digital seja tão desafiador na compreensão sociológica e educativa. Conhecer, pertencer e seguir serão três verbos definidores deste mundo de relações que se estabelecem com mais ou menos consciência. Neste âmbito torna-se relevante acordar para o “outro”, como para o “líder”. O Papa Francisco desafia os jovens a uma relação de amizade profunda com Cristo, talvez porque só numa aliança relacional se possa alcançar a confiança suficiente para querer seguir. Perdemos a ousadia de propor Cristo como alguém Vivo, com quem me posso relacionar. Complexificámos a experiência cristã de tal forma que Cristo corre o risco que não pertencer ao mundo da conectividade juvenil. Terá perdido a sua força de atração?

 

Follow

O Instagram criou o interesse em seguir alguém. Quem sigo e porque sigo? A curiosidade e a atração fundamentais para querer ter alguém sempre presente e destinatário do meu interesse. Esta será a base essencial para um colocar vocacional na experiência juvenil: escutar e acompanhar. Seguir é estar disposto à Escuta e à aprendizagem com alguém a quem reconheço proximidade, amizade e interesse para a própria experiência de vida. Se nunca decido “seguir Jesus” como sigo tantas outras pessoas, como poderei deixar que a Sua mensagem e as fotografias da Sua vida me toquem e interpelem!? Sigo um amigo e não um desconhecido. Passar dessa ausência para uma Presença cheia de sentido e futuro é, seguramente, o grande esforço da Pastoral Juvenil.

 

To do

O Papa Francisco reforça a generosidade dos jovens. São comprometidos com causas, têm um ímpeto missionário, são capazes de viver o risco, sensíveis ao ambiente e ao futuro do Planeta. Generosidade de espírito e compromisso social são dois motores que animam os jovens na dedicação de si. Neste âmbito, a descoberta de uma vocação e de opções de vida que façam vislumbrar o futuro são âmbitos que não podem estar dissociados da generosidade de vida. O que posso eu fazer pelos outros, dando o melhor de mim? É a pergunta-chave que liga a dádiva da vida à arte do cuidar.

Cristo Vive verdadeiramente. Esta verdade confirmada (Confirmação), celebrada (Eucaristia) e testemunhada (Batismo-Missão) no coração de cada jovem só pode fazer recordar o Papa Francisco quando termina a Exortação, pedindo: “Correi atraídos por esse Rosto tão amado (…) Que o Espírito Santo vos empurre nesta corrida para a frente. A Igreja precisa do vosso entusiasmo, das vossas intuições, da vossa fé” (CV, 299).

 

João Alves é padre católico da diocese de Aveiro e pároco da paróquia da Vera-Cruz

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