Começa esta quinta-feira, 20 de março, o novo ano para a comunidade bahá’í. A celebração coincide com o equinócio da Primavera, quando o sol ilumina igualmente todo o planeta, e apesar de o céu se encontrar bastante nublado em Portugal, não faltarão festas de norte a sul do país (e nas ilhas também!). E todos – mesmo que não sejam bahá’ís – são convidados a participar.
“É um renascer… um recomeço, um reset. É uma celebração sempre de muita alegria e unidade. Normalmente, há um período de orações, lidas ou cantadas, por vezes uma explicação do dia, porque as celebrações são abertas a todos, e depois é convívio, com comida, jogos, música…”, explica ao 7MARGENS Marjan Jalali, portuguesa de origem persa que pertence à comunidade bahá’í de Palmela.
Este ano, o dia de Naw-Ruz (ou Nowruz) inicia-se a 19 ao pôr-do-sol e termina a 20, também ao pôr-do-sol, mas “por vezes calha a 21, que é também o dia da árvore, da poesia, da trissomia 21, é dia mundial contra a discriminação… E gosto desta confluência, de estarmos a celebrar a natureza, a nossa humanidade comum, a primavera e um novo começo… tudo ao mesmo tempo”, partilha Marjan.
Naw-Ruz é uma expressão persa que significa “novo dia” e dá nome a uma festividade que começou a ser celebrada há mais de três mil anos pelo Zoroastrismo – religião monoteísta com origem na antiga Pérsia (atual Irão) – e que ainda hoje é assinalada por mais de 300 milhões de pessoas no Médio Oriente, Ásia Central e não só. Para a comunidade bahá’i, trata-se do dia sagrado que assinala o início de cada novo ano e é uma das mais importantes festividades da sua religião.
Precedido por um jejum de 19 dias – durante o qual os bahá’ís devem meditar sobre o ano que passou e esforçar-se por melhorar virtudes como a paciência, o desprendimento e a firmeza – o Naw-Ruz “é uma ocasião perfeita para contemplar como podemos lutar, dia após dia, para crescer espiritualmente, servir a humanidade e esforçar-nos por melhorar o mundo”, sublinha Sanaz Khosravi – que cresceu numa família bahá’í em Shiraz, no Irão – num artigo partilhado no blogue Povo de Bahá.
“Durante o jejum [que este ano coincidiu com o Ramadão dos muçulmanos e a Quaresma dos católicos], os bahá’ís acordam de manhã cedo para beber e comer antes do nascer do sol, e a minha família aproveita o tempo extra que isso proporciona para recitarmos orações juntos, desenvolvermos conversas espirituais, estudar as palavras de Deus, refletir sobre o ano passado e estabelecer objetivos e planos para o ano seguinte”, continua Sanaz.
O jejum terminará, para a maioria dos bahá’ís, com uma refeição especial de ano novo, entre família, amigos, e todos aqueles que queiram juntar-se a esta festa da unidade e da paz. Em Portugal, estão previstas celebrações entre o final desta quarta-feira e domingo. “Como o Naw- Ruz calha durante a semana, algumas comunidades organizam as suas festas no fim de semana para facilitar a participação”, explica ao 7MARGENS Marjan Jalali.

O cartaz de uma das celebrações que terão lugar no Porto.
O Centro Nacional Bahá’í, em Lisboa, dará o pontapé de saída com uma festa marcada para as 18h15 desta quarta-feira, a qual irá incluir orações, jantar e uma apresentação musical. Seguem-se, na quinta-feira, as comunidades do Alentejo (que organiza um almoço, às 13h, em Montemor-o-Novo, na rua de Mora, Lt.B3), do Porto, com festa às 17h30 (na Rua de Sabrosa, 51); Palmela (Estrada dos Carvalhos, 17), a partir das 18h; e Guimarães (Av. de Campo Novo), às 20h.
Já na sexta, 21, haverá festa na comunidade bahá’í do Funchal, a partir das 17h30. No sábado, 22, a comunidade do Porto organiza uma nova celebração, a partir das 18h, e há festa também na comunidade bahá’í de Braga (Rua Francisco Machado Owen), pelas 18h30, e na comunidade de São Miguel, Açores (Rua das Palmeiras,12), às 14 horas, onde os participantes poderão experimentar iguarias portuguesas, ucranianas, russas, angolanas e nepalesas. As celebrações terminam na tarde de domingo, com a comunidade de Viana do Castelo a organizar um lanche, jogos interativos e uma apresentação musical.
“Convidem amigos, vizinhos e tragam toda a família”, apelam as comunicações das diferentes comunidades que têm sido partilhadas nas redes sociais. Porque, como diz um dos cartazes da comunidade do Porto, “tão potente é a luz da unidade que pode iluminar toda a Terra”. E tanto que ela precisa dessa luz.
(Imagem de destaque: Bahá’ís da Província de Quirino, Filipinas, celebram o Naw-ruz, Foto reproduzida a partir do Facebook)
Notícia atualizada às 10h de 20 de março, com a informação relativa à celebração da comunidade bahá’í do Alentejo.
O 7MARGENS vive exclusivamente do apoio dos leitores.
Faça um donativo: https://setemargens.com/apoiar
Inscreva-se para receber a nossa newsletter gratuita: https://setemargens.com/assinar
Partilhe os nossos textos na sua página de Facebook, Instagram ou Twitter.
Escreva-nos: setemargens@setemargens.com










