No leste da Turquia, uma equipa internacional de investigadores iniciou uma nova fase de trabalhos para tentar perceber se uma estrutura de 157 metros com forma de barco que ali existe – conhecida como a formação de Durupınar – poderá ter alguma relação com a Arca de Noé descrita na Bíblia.
A investigação decorre com autorização das autoridades turcas e é coordenada pelo arqueólogo Cenker Atila, da Sivas Cumhuriyet University, em colaboração com a organização Noah’s Ark Scans. Depois de vários anos de levantamentos geofísicos, os investigadores avançaram agora para a recolha de amostras do subsolo, noticia o jornal The Catholic Herald.
A formação foi identificada em 1959 pelo capitão turco İlhan Durupınar. A sua forma alongada, semelhante à de um barco, levou desde então alguns investigadores a relacioná-la com o relato bíblico da Arca, embora essa interpretação esteja longe de ser consensual.
Nos últimos anos, a equipa de investigação recorreu a radar de penetração no solo, tomografia de resistividade elétrica, tecnologia LiDAR e análise de amostras de terra. Os levantamentos identificaram, segundo os investigadores, algumas estruturas subterrâneas que poderão corresponder a compartimentos ou outras formações artificiais.
Também foram encontradas diferenças na quantidade de matéria orgânica entre o interior e o exterior da formação. Mas estes resultados não permitem, por si só, concluir que exista ali uma embarcação construída por mão humana. Os próprios investigadores responsáveis pelo atual projeto reconhecem que os dados disponíveis são ainda “sugestivos, mas não conclusivos”.
Agora, as perfurações permitirão passar das imagens e sinais geofísicos para a análise direta do material encontrado em profundidade. O objetivo é recolher amostras de diferentes pontos, dentro e fora da formação, para comparar a sua composição e determinar a sua idade e origem, testando assim as diferentes hipóteses.
A equipa espera continuar os trabalhos até 2027. Só as análises das amostras poderão ajudar a responder à pergunta que há décadas alimenta o interesse pelo local: haverá ali vestígios de uma antiga embarcação ou apenas uma extraordinária formação da natureza? Virá a Arca de Noé a ser uma descoberta arqueológica confirmada?










