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Professor Borges de Pinho na sessão inaugural do Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, 4 setembro 2023, Fátima . Foto: SNL

Borges de Pinho alerta

É urgente superar “binómio clérigos/leigos” e “mentalidades retrógradas” sobre a mulher

Professor Borges de Pinho na sessão inaugural do Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, 4 setembro 2023, Fátima . Foto: SNL

“A autoridade tem o dever moral de saber escutar e de seguir opções maioritárias que se revelem fundamentadas e consistentes em termos pastorais”, defendeu o professor Borges de Pinho no Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica. Foto © SNL

 

O teólogo José Eduardo Borges de Pinho defendeu na conferência inaugural do Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica – que se iniciou esta segunda-feira,4, e decorre até quinta, em Fátima – a “superação do binómio clérigos/leigos em ordem a uma Igreja pluriministerial ao serviço da missão”, para que esta seja capaz de “responder com qualidade e eficácia pastorais às exigências” da mesma.

Segundo Borges de Pinho, “o serviço de animação pastoral, setorial ou global, de coordenação de uma paróquia ou unidade pastoral, exercido por cristãos leigos, fundamenta-se exclusivamente nos sacramentos de iniciação cristã e eventualmente também no sacramento do matrimónio, não numa qualquer derivação do sacramento da ordem ou participação na realidade sacramental conferida pela ordenação”. Assim, insistiu, ““os ministérios batismais não podem ser pensados nem exercidos numa perspetiva de suplência, como algo de extraordinário ou excecional, que não teria razão de ser se houvesse um número suficiente de ministros ordenados”.

Na opinião do professor (jubilado) da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, tem-se vindo a “sacralizar o ministério ordenado”, encarando-se o ministério presbiteral como um “poder sagrado individualmente recebido” e não como “uma missão”, como “anúncio do Evangelho”.

Mas “a autoridade tem o dever moral de saber escutar e de seguir opções maioritárias que se revelem fundamentadas e consistentes em termos pastorais”, destacou. “A insistência obsessiva no caráter meramente consultivo dos órgãos de corresponsabilidade na vida da Igreja não favorece caminhos de autoridade partilhada. Tendo estes órgãos uma finalidade eminentemente pastoral e não estando em causa questões que pertençam ao conteúdo irrenunciável da fé da Igreja, a fixação canónica atual neste ponto é anacrónica, contrária à consciência cristã e cívica de muitos crentes e não atende devidamente à importância do sentido da fé dos fiéis”, afirmou Borges de Pinho.

 

Anúncio do Evangelho em risco

Ao abrir o encontro, subordinado ao tema Ministérios na Igreja Sinodal, Borges de Pinho fez questão de referir que é também necessário fomentar o trabalho conjunto entre as dioceses e os seus bispos, numa “colegialidade não apenas afetiva mas efetiva” e que implemente “orientações e decisões básicas num dado espaço sociocultural”, considerando que “o futuro dos ministérios da Igreja está dependente da qualidade sinodal da vida das igrejas locais e da existência ativa de instâncias colegiais sinodais”.

No seu discurso, o professor deixou o alerta: a diversificação de competência e especializações pastorais é atualmente “uma exigência ineludível sob pena de se falhar no anúncio credível e humanamente significativo do Evangelho”.

Para o teólogo, nesta tarefa é preciso ter em consideração, em particular, o papel das mulheres. “O futuro dos ministérios pastorais tem decisivamente a ver com a forma como no espaço católico houver disponibilidade para reconsiderar, com todas as consequências mentais, culturais, teológicas e canónicas, o papel da mulher na vida da Igreja”, afirmou, considerando que o acesso das mulheres aos ministérios instituídos e ao ministério de catequista representa sobretudo “um avanço significativo” no “plano  simbólico geral” e convidando a “ultrapassar bloqueios existentes e mentalidades retrógradas”.

Até porque, lamentou José Eduardo Borges de Pinho, “há condicionamentos e atavismo do passado” que continuam a pesar no presente e “dificultam as clarificações inadiáveis que urge fazer”.

 

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