No mais recente episódio do podcast Entre o Quadro e o Mundo, Luís Francisco reflete sobre o perigo de educar num tempo em que o parecer verdadeiro substitui sistematicamente a realidade. O autor argumenta que, embora vivamos cercados por um fluxo incessante de informações e notificações, o excesso de dados não produz verdade, e sim ruído, transformando perceções rápidas e emocionais em falsos factos através da repetição e da amplificação nas redes sociais.
Recorrendo a pensadores como Daniel Kahneman e Byung-Chul Han, o episódio explora como o nosso cérebro tende a acreditar que o que está diante de nós representa o mundo inteiro, ignorando o contexto em favor da indignação imediata recompensada pelos algoritmos. É neste ambiente de “nevoeiro coletivo” que as notícias falsas prosperam, bastando que pareçam plausíveis e confirmem crenças prévias para serem aceites como verdades absolutas.
E no meio do “nevoeiro”, qual o papel da escola? Para o autor e professor, ela deveria ser o lugar de interrogar estas perceções e cultivar a dúvida. No entanto, o risco de as instituições de ensino se adaptarem ao imediatismo cultural, confundindo opinião com conhecimento e perdendo a sua identidade como espaços de esclarecimento, é – ele sim – real.
Luís Francisco Marques, que publicou já vários textos no 7MARGENS, conclui assim que o grande desafio educativo da atualidade é ensinar a distinguir o que parece verdadeiro daquilo que é verdadeiro, reiterando que educar não é confirmar perceções, mas sim aprender a duvidar delas.
Este programa está a ser transmitido às sextas-feiras na Rádio Regional do Centro, e é cedido pelo autor e pela RRC ao 7MARGENS.
A reflexão completa pode ser escutada a seguir.













