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Eleições de Outubro manchadas de “irregularidades e violência”, dizem bispos de Moçambique

| 20/11/2019

Eleições de Outubro manchadas de “irregularidades e violência”, dizem bispos de Moçambique

by | 20 Nov 19 | Estado, Política e Religiões, Igreja Católica, Newsletter diária - título, Sociedade - homepage, Últimas

Viagem do Papa a Moçambique, Setembro de 2019: as palavras de Francisco servem de mote para os bispos criticarem vários aspectos do actual momento político do país. Imagem do vídeo da transmissão.

 

O processo eleitoral que culminou com as eleições de 15 de Outubro ficou “manchado de irregularidades e violência”, acusa a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), na carta pastoral A Coragem da Paz e o Compromisso da Missão, onde se aborda não só a situação política mas também o papel da Igreja Católica no actual momento do país, e o contributo dos jovens. Sempre a partir das palavras do Papa na recente viagem de Setembro a Moçambique.

Os bispos apontam vários factores que consideram fraquezas do momento presente no âmbito político. Entre eles, estão o “recrudescimento da violência que parece estrutural”, os “conflitos armados no norte e no centro do país” e a “presença de esquadrões de morte e do medo”. Além de outros como a “morosidade da justiça”, a “intolerância política” e a “partidarização do Estado e da função pública”. Verifica-se ainda o “aumento das desigualdades sociais fruto do enriquecimento ilícito, do tráfico de pessoas, do branqueamento de capitais, do comércio da droga, das dívidas ilícitas” e a vida de “extrema pobreza e na ignorância da maioria da população”.

Durante uma conferência de imprensa, citada pelo Vatican News, e realizada terça-feira, 12 de Novembro, o bispo João Carlos Hatoa Nunes, de Chimoio, acrescentou que há descontentamento do povo relativamente aos resultados das eleições gerais, consideradas como fraudulentas e resultado de um processo eleitoral viciado.

A realidade não se caracteriza apenas por factores nocivos. No texto, com nove páginas, os bispos destacam factos positivos como a “vontade de finalizar os conflitos políticos”, o empenho do Presidente da República e outros líderes políticos num “país reconciliado e desenvolvido” e a presença de uma “sociedade civil cada vez mais consciente do seu papel e comprometida na sua missão com o povo”.

Apesar da trégua política que se verificou no período da visita do Papa, a violência verbal e armada voltou ao país nas últimas semanas. A Renamo, principal partido da oposição, veio dizer, poucos dias depois das eleições, que não aceitava o resultado, como noticiou a Deutsche Welle na ocasião. Desde então, registaram-se também vários episódios de violência armada sobretudo no norte do país.

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