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Eleições Europeias: o renovar da esperança

| 13/05/2024

Parlamento Europeu (hemiciclo de Estrasburgo). Foto © Diliff / Wikimedia Commons

Com a marcação das eleições para o Parlamento Europeu, a ocorrerem entre seis e nove de Junho de 2024, os partidos já se perfilam para arrancarem com as suas máquinas eleitorais bem oleadas, para esta maratona. Nomes dos candidatos aos chorudos cargos no Parlamento Europeu, já começaram a rolar na comunicação social.

Embora estas eleições, normalmente, sejam consideradas um momento propício aos eleitores mostrarem o seu descontentamento à governação do seu país, nada pode ser descurado para que a abstenção atinja índices o mais baixo possível.

Muitos cidadãos não votando, têm manifestado um frágil entusiasmo, ao ficarem em casa no dia das eleições. E como foram marcadas para um conjunto de feriados em Junho, não se pode esperar uma grande afluência às urnas. Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, em visita recente ao nosso país, reconheceu “que há frustrações, mas a Europa pode ser melhor”.

Na verdade, o primitivo entusiasmo da adesão do nosso país à UE foi-se desvanecendo com o passar dos anos. Hoje, parece que ela quase não existe, uma vez que dela  quase só se fala quando volumosos milhões de euros nos são oferecidos de bandeja, como é o caso do PRR. A percepção de um certo esbanjamento de euros aplicados no nosso país, por vezes, com duvidosos resultados, tem deixado numerosos cidadãos de pé atrás. Serão sempre os mesmos a colher os seus benefícios? Pergunta-se.

Se esta constatação, a nível nacional está correcta, também é certo que, a nível global, a UE tem contribuído para solucionar graves e prementes problemas ocorridos no espaço europeu. Nos últimos anos, ela nos valeu através das vacinas, fornecidas atempadamente, para resolver a mortífera pandemia que nos atingiu. Sem elas, não teríamos resolvido tão grave problema de saúde pública. A solidariedade europeia permitiu assim que mais rapidamente fosse debelada tão mortífera pandemia. Recorde-se ainda a guerra na Ucrânia que, através dos apoios dos países europeus, aquele país teve possibilidades de ir resistindo com denotada coragem às investidas criminosas da Rússia. Guerra que tarda a ver-se um fim à vista. A crise climática também tem sido uma das grandes conquistas da UE. Tem sido ela o grande motor da luta, a favor do planeta moribundo.

É neste contexto que irão decorrer as próximas eleições para o Parlamento Europeu no próximo mês, num clima de algum desalento, mas também, de esperança e confiança em dias melhores.

A unidade e solidariedade na UE dependem muito de como os seus cidadãos encaram os efeitos benéficos que podemos colher pela pertença a este imenso e rico espaço político.

Juntos, seremos mais fortes para enfrentar os grandes desafios do futuro, neste mundo de incertezas e de grande agitação política.

De acordo com uma sondagem do euro-barómetro, os principais valores que a Europa deve defender são: democracia, direitos humanos e liberdade de expressão.

A favor da União Europeia podemos afirmar que somos o Continente com o maior Mercado Económico do mundo, com o Sistema de Segurança Social mais completo e o mais seguro, sob todos os pontos de vista. Tudo isto, graças a esta criação de solidariedade e de bem-estar, após a 2ª guerra Mundial.

Países que se dilaceraram foram capazes de se unirem, para inventar este maravilhoso projecto de solidariedade e de paz. Ao se derrubarem barreiras e unindo-se na construção de um futuro melhor, novas perspectivas se foram abrindo.

De acordo com o Euro-barómetro, os sentimentos predominantes entre os europeus são os seguintes: incerteza, frustração, impotência, raiva e medo. Sentimentos negativos que têm alimentado alguma divisão, entre os países da União Europeia. No entanto, para mais de um em cada três europeus, a esperança também faz parte dos sentimentos predominantes. Uma esperança activa e determinada. A UE, como a democracia, tem de estar sempre a relançar-se e a renovar-se nos seus princípios fundacionais.

Nas próximas eleições, a prioridade deve ser dada aos jovens vulneráveis e à desinformação que foram afectados por acontecimentos recentes como a pandemia, a guerra e a inflação, o desemprego e a ansiedade climática.

O Programa Erasmus e a possibilidade de emigrar, deve ressuscitar nos jovens europeus a esperança da construção de um futuro melhor, dentro do imenso espaço europeu.

 

Florentino Beirão é professor do ensino secundário. Contacto: florentinobeirao@hotmail.com

 

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