
Uma mulher reza na Igreja Metodista de Hyderabad, na Índia, que ocupa o 11º lugar do ranking mundial de países onde os cristãos são mais perseguidos. Foto © Paul Jeffrey/Life on Earth
A perseguição aos cristãos “aumentou acentuadamente” na Índia com a chegada ao poder do partido pro-hindu de Narendra Modi, alerta a organização de defesa dos direitos humanos United Christian Forum (UCF), com sede em Nova Delhi. Só este ano, foram registados 687 ataques a cristãos (pelo menos dois por dia), um número muito superior aos 147 registados, ao todo, em 2014, ano em que Modi foi eleito primeiro-ministro.
Onze dos 28 estados indianos, a maioria deles governados pelo partido de Modi – o partido Bharatiya Janata (BJP) – promulgaram leis anticonversão, apresentando-as ironicamente como sendo “atos de liberdade religiosa”, assinala AC Michael, representante do UCF, citado pela UCA News.
No entanto, o que as leis anticonversão estipulam é que quem pretenda converter-se a uma religião que não a hindu informe as autoridades distritais sobre a sua intenção 30 dias antes da cerimónia de conversão. Os candidatos têm ainda de provar que não foram forçados ou “seduzidos” a mudar de fé. Aqueles que não cumpram a lei enfrentam pena de prisão de até cinco anos e multa.
Espera-se, assim, que as pessoas obtenham “permissão do governo para seguir uma religião de sua escolha, preenchendo um requerimento por escrito”, num país que se diz “secular e democrático”, refere A C Michael.
Dos 687 incidentes violentos registados contra cristãos este ano, 531 casos ocorreram em quatro estados do norte: Uttar Pradesh (287), Chhattisgarh (148), Jharkhand (49) e Haryana (47), adianta o UCF. Com exceção de Jharkhand, a lei anticonversão está em pleno vigor nos restantes três estados.
Em quase todos os casos, explica a organização de defesa dos direitos humanos, grupos de vigilantes compostos por extremistas religiosos e apoiados pelo governo e pela polícia pró-hindus invadem reuniões de oração ou prendem indivíduos, alegando conversões forçadas.
A situação é igualmente preocupante no nordeste do estado de Manipur, assolado ao longo dos últimos sete meses por episódios de violência étnica e religiosa, em que a comunidade cristã tem sido particularmente visada, com mais de 350 igrejas arrasadas e sete mil casas destruídas [ver 7MARGENS].
O UCF recorda que, de acordo a organização Open Doors, a Índia ocupa o 11º lugar do ranking de países onde os cristãos são mais perseguidos, tendo-se vindo a propagar, nos últimos anos, a ideologia de que “só os hindus são verdadeiros indianos” e de que as restantes minorias religiosas têm “raízes estrangeiras” e devem ser expulsas ou eliminadas.
As perspetivas não são animadoras para estas minorias (nomeadamente para os cristãos, que correspondem a apenas 2,4% da população do país). No início deste mês, o partido de Narendra Modi derrotou solidamente a oposição nas eleições legislativas realizadas em três dos principais estados centrais do país, o que indica que, após dez anos no poder, continua a ser o favorito para conquistar um terceiro mandato consecutivo em 2024.










