Perseguição cresceu com Modi

Em cada dia, dois cristãos são atacados na Índia

| 15 Dez 2023

Uma mulher reza na Igreja Metodista de Hyderabad, India. Foto © Paul JeffreyLife on Earth

Uma mulher reza na Igreja Metodista de Hyderabad, na Índia, que ocupa o 11º lugar do ranking mundial de países onde os cristãos são mais perseguidos.  Foto © Paul Jeffrey/Life on Earth

 

A perseguição aos cristãos “aumentou acentuadamente” na Índia com a chegada ao poder do partido pro-hindu de Narendra Modi, alerta a organização de defesa dos direitos humanos United Christian Forum (UCF), com sede em Nova Delhi. Só este ano, foram registados 687 ataques a cristãos (pelo menos dois por dia), um número muito superior aos 147 registados, ao todo, em 2014, ano em que Modi foi eleito primeiro-ministro.

Onze dos 28 estados indianos, a maioria deles governados pelo partido de Modi – o partido Bharatiya Janata (BJP) – promulgaram leis anticonversão, apresentando-as ironicamente como sendo “atos de liberdade religiosa”, assinala AC Michael, representante do UCF, citado pela UCA News.

No entanto, o que as leis anticonversão estipulam é que quem pretenda converter-se a uma religião que não a hindu informe as autoridades distritais sobre a sua intenção 30 dias antes da cerimónia de conversão. Os candidatos têm ainda de provar que não foram forçados ou “seduzidos” a mudar de fé. Aqueles que não cumpram a lei enfrentam pena de prisão de até cinco anos e multa.

Espera-se, assim, que as pessoas obtenham “permissão do governo para seguir uma religião de sua escolha, preenchendo um requerimento por escrito”, num país que se diz “secular e democrático”, refere A C Michael.

Dos 687 incidentes violentos registados contra cristãos este ano, 531 casos ocorreram em quatro estados do norte: Uttar Pradesh (287), Chhattisgarh (148), Jharkhand (49) e Haryana (47), adianta o UCF. Com exceção de Jharkhand, a lei anticonversão está em pleno vigor nos restantes três estados.

Em quase todos os casos, explica a organização de defesa dos direitos humanos, grupos de vigilantes compostos por extremistas religiosos e apoiados pelo governo e pela polícia pró-hindus invadem reuniões de oração ou prendem indivíduos, alegando conversões forçadas.

A situação é igualmente preocupante no nordeste do estado de Manipur, assolado ao longo dos últimos sete meses por episódios de violência étnica e religiosa, em que a comunidade cristã tem sido particularmente visada, com mais de 350 igrejas arrasadas e sete mil casas destruídas [ver 7MARGENS].

O UCF recorda que, de acordo a organização Open Doors, a Índia ocupa o 11º lugar do ranking de países onde os cristãos são mais perseguidos, tendo-se vindo a propagar, nos últimos anos, a ideologia de que “só os hindus são verdadeiros indianos” e de que as restantes minorias religiosas têm “raízes estrangeiras” e devem ser expulsas ou eliminadas.

As perspetivas não são animadoras para estas minorias (nomeadamente para os cristãos, que correspondem a apenas 2,4% da população do país). No início deste mês, o partido de Narendra Modi derrotou solidamente a oposição nas eleições legislativas realizadas em três dos principais estados centrais do país, o que indica que, após dez anos no poder, continua a ser o favorito para conquistar um terceiro mandato consecutivo em 2024.

 

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Este texto do Padre Joaquim Félix corresponde à homilia do Domingo IV da Páscoa na liturgia católica – último dia da semana de oração pelas vocações – proferida nas celebrações eucarísticas das paróquias de Tabuaças (igreja das Cerdeirinhas), Vilar Chão e Eira Vedra (arciprestado de Vieira do Minho).  

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