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Captura de imagem da cerimónia judaica em que é acesa a vela de Hanukkah, no Eliseu, perante Macron, a partir da conta de Twitter do rabino-chefe de França, Haïm Korsia (à esquerda).

Vela do Hanukkah acesa no Eliseu

“Em França as leis do secularismo aplicam-se apenas aos muçulmanos”

| 10/12/2023

Captura de imagem da cerimónia judaica em que é acesa a vela de Hanukkah, no Eliseu, perante Macron, a partir da conta de Twitter do rabino-chefe de França, Haïm Korsia (à esquerda).

Captura de vídeo da cerimónia judaica em que é acesa a vela de Hanukkah, no Eliseu, perante Macron, a partir da conta de Twitter do rabino-chefe de França, Haïm Korsia (à esquerda).

 

O jornal The Muslim Times recuperou na sua edição de 9 de dezembro a polémica suscitada pelo facto de Emmanuel Macron ter recebido no Palácio do Eliseu a cerimónia judaica em que é acesa a vela de Hanukkah. Referindo as acusações de quebra do princípio da separação do Estado e das religiões vindas de todos os quadrantes políticos, o jornal, editado no Reino Unido, títula: “Em França, as leis do secularismo aplicam-se apenas aos muçulmanos”.

Na noite de quinta-feira, dia 7 de dezembro, Macron recebeu na residência oficial dos Presidentes da República Francesa o prémio anual da Conferência dos Rabinos Europeus pelo seu combate ao antissemitismo e pela defesa da liberdade religiosa. Na ocasião, o rabino-chefe da França, Haïm Korsia, depois de entregar o prémio, acendeu a primeira vela do Hanukkiah (o candelabro de nove braços) para marcar o início da festividade judaica da luz que se prolonga por oito dias.

Nos dias seguintes, a França republicana, laica e secularista explodiu numa sinfonia de protestos vindos de todos os quadrantes políticos, acusando o Presidente Macron de infringir a famosa lei de 1905 (lei da separação entre Estado e religiões) de que se comemoraram os 118 anos no dia 9 de dezembro. A polémica foi de tal ordem que o próprio presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas na França, Yonathan Arfi, considerou tal acto como “um erro”, acrescentando: “O Palácio do Eliseu não é realmente o lugar certo para acender uma vela de Hanukkah, porque o DNA republicano é manter-se afastado de qualquer sinal religioso.”

Aparentemente, Macron permitiu que a cerimónia ritual judaica tivesse lugar no Eliseu como compensação por não ter estado presente na marcha contra o antissemitismo, organizada por altos responsáveis ​​franceses da esquerda e da direita, na sequência dos ataques do Hamas a Israel, a 7 de outubro.

The Muslim Times recorda as principais críticas de que o Presidente francês foi alvo, citando Manuel Bompard, deputado de esquerda do partido França Insubmissa, que classificou o gesto de “falha imperdoável”, Carole Delga, do Partido Socialista e presidente da região da Occitânica, que tuitou “O Eliseu não é um local de culto!” e Julien Aubert, do Partido Republicano que afirmou: “Alguém consegue imaginar uma missa de Natal no Palácio do Eliseu? Isto não é sério.” Ainda mais à direita, David Lisnard, presidente conservador da associação de autarcas franceses, questionou: “Como podemos celebrar um festival religioso dentro do palácio presidencial?”

Perante os ataques, o porta-voz do Eliseu defendeu Macron, dizendo: “Se o Presidente se tivesse prestado a um gesto religioso, ou se tivesse participado de uma cerimónia, isso seria desrespeitar o secularismo. Mas não foi assim que aconteceu.”

Também Elisabeth Borne, a primeira-ministra francesa, defendeu a decisão: “Existem diferentes formas de enviar um sinal à comunidade judaica… e a mensagem do Presidente neste momento é que protegemos e apoiamos todos aqueles que desejam praticar a sua religião, e em particular a comunidade judaica.”

O problema, de acordo com The Muslim Times, citando Matthieu Croissandeau, jornalista da BFMTV, é que Macron está a enviar “sinais contraditórios” em relação ao secularismo: “No espaço de três meses, o ministro da Educação proibiu a abaya [um tipo de vestido longo, esvoaçante e leve que vai dos ombros ao chão e cobre todo o corpo, exceto a cabeça, o pescoço, as mãos e os pés] nas escolas públicas, ao mesmo tempo que o Presidente foi assistir à missa com o Papa Francisco em Marselha e agora há uma vela religiosa que é acesa no Eliseu — tudo isto não é muito coerente”.

Perante os acontecimentos da semana passada e o tumulto de reações que provocaram, The Muslim Times não hesita em trazer para título a frase acusatória “Em França, as leis do secularismo aplicam-se apenas aos muçulmanos”, sem ponto de interrogação nenhum.

 

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