AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Editorial do Jewish News sobre a entrada de jornalistas em Gaza. Foto DR
No Jewish News os editoriais são relativamente raros e desde o massacre de 7 de outubro de 2023 nunca avançaram qualquer crítica em relação ao Governo ou ao exército israelitas. Foto: Direitos reservados

Editorial do Jewish News

Em Gaza “não há apenas uma crise humanitária”, Israel enfrenta “uma crise de credibilidade”

| 03/06/2025

“Só há uma saída: permitir a entrada de jornalistas internacionais independentes em Gaza. Já”, pois esta “já não é apenas uma crise humanitária, é uma crise de credibilidade” – escreve em editorial de dia 3 de junho o Jewish News, o mais importante jornal judeu britânico. “Deixem as câmaras entrar em Gaza, já” é o título da tomada de posição do jornal.

No Jewish News os editoriais são relativamente raros – menos de uma vez por mês – e desde o massacre de 7 de outubro de 2023 nunca avançaram qualquer crítica em relação ao Governo ou ao exército israelitas. O editorial de 3 de junho marca um primeiro distanciamento crítico, ainda que ténue.

A razão desta posição fundamenta-se no facto do “Hamas ter afirmado esta semana que pelo menos 27 pessoas foram mortas e 90 feridas” pelo exército israelita “enquanto aguardavam ajuda supervisionada pela nova Fundação Humanitária de Gaza (GHF), aprovada por Israel”. A GHF foi apresentada pelo Estado de Israel como sendo um instrumento para operacionalizar um novo modelo de distribuição de ajuda alimentar em Gaza. Mas é acusada por vários países ocidentais e observadores independentes de ter como objetivo ajudar Israel a atingir os seus objetivos militares, contornando a ONU e excluindo os palestinianos.

A nova Fundação Humanitária de Gaza é apoiada pelos EUA e iniciou as suas operações de distribuição de alimentos na segunda-feira, dia 26 de maio. Mais de meia centena de palestinos foram mortos pelo exército israelita e centenas feridos durante três operações de distribuição de alimentos, de acordo com informações veiculadas pelo Ministério da Saúde de Gaza, dirigido pelo Hamas.

Para o jornal judeu, “a GHF deveria marcar um ponto de viragem, deveria impedir que a ajuda fosse desviada pelos terroristas e garantir que os civis recebessem suprimentos vitais”, no entanto “sem olhos e ouvidos no local, a própria narrativa que Israel espera dilatar está a afundar-se sob o peso de alegações impossíveis de verificar ​​e imagens horríveis de caos e carnificina”.

 

“Transparência não é uma ameaça”

De acordo com várias investigações, desde 7 de outubro de 2023, o exército israelita matou em Gaza mais 230 jornalistas e profissionais dos média. Foto ©  EPA-EFE/Haitham Imad, via International Press Institute

Daí que, perante a impossibilidade de obter uma visão dos acontecimentos a partir de fontes independentes e imparciais, o Jewish News defenda que: “Autorizar a entrada de jornalistas em Gaza permitiria a verificação dos factos, fornecendo uma imagem mais clara da situação no local. Também permitiria obter relatos precisos sobre a eficácia e a segurança do novo sistema de distribuição de ajuda, como ele está a ser útil por aqueles que mais precisam e se está, ou não, a ser manipulado.”

Recorrendo à figura de um célebre repórter e editor da BBC para o Médio Oriente, o jornal acrescenta: “Queremos ver Jeremy Bowen na BBC, relatando no local os moradores de Gaza a receberem a ajuda organizada por Israel. A sua presença, juntamente com a de repórteres de guerra de todo o espectro, trará uma certificação séria [de como as coisas se passam]. Transparência não é uma ameaça, é uma tábua de salvação, um separador de águas.”

O editorial não aceita a permanente desculpa israelita sobre a inexistência de condições de segurança para os jornalistas trabalharem: “Preocupações com a segurança? Os correspondentes de guerra não são estranhos ao perigo.” E termina afirmando: “Que razão racional pode haver para negar isso [a entrada de correspondentes internacionais]? Se Israel quer que o mundo veja a verdade, deve deixá-los vê-la”.

De acordo com várias investigações, desde 7 de outubro de 2023, o exército israelita matou em Gaza mais 230 jornalistas e profissionais dos média. Estes números superam em muito o total de jornalistas que morreram durante toda a Segunda Guerra Mundial. O ataque sistemático e mortal a jornalistas em Gaza está descrito e documentado, por exemplo, no The Reporting Graveyard, um relatório do jornalista Nick Turse para o projeto “Costs of War” no Watson Institute for International and Public Affairs da Universidade de Brown (EUA).

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

“Depressa passas de bestial a besta”

[Lugar (in)comum]

“Depressa passas de bestial a besta” novidade

“Na era dos ecrãs e da comunicação imediata, construímos expectativas irrealistas, esperando infalibilidade de quem está sob o holofote. Chega a ser irónica a facilidade com que se eleva alguém a um estatuto quase divino para em seguida lhe ser exigido um comportamento humanamente irrepreensível.” [Texto de Júlia Costa]

A consciência da consciência revela-nos o saber dentro do não-saber

[Entre Margens]

A consciência da consciência revela-nos o saber dentro do não-saber novidade

Com efeito, o sentido do mistério absoluto que a vida é começa com a consciência da consciência. A própria filosofia, de resto, começa com a consciência da consciência. É que, com a consciência da consciência, o homem desperta, assombrado, para a realidade misteriosa e radical da sua própria existência, e da Existência enquanto tal, como um todo. [Texto de Rúben Azevedo].

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência

Esta terça-feira, 7 outubro

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência novidade

A Liga Operária Católica/ Movimento de Trabalhadores Cristãos assinala esta terça-feira, 7 de outubro, o Dia Mundial pelo Trabalho Digno com uma videoconferência sobre “Trabalho Digno/Código Laboral”. A sessão, com início marcado para as 21h00 e de participação livre, terá como oradores Mafalda Troncho, diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho em Portugal, e Ulisses Garrido, sociólogo e especialista em relações laborais.

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This