
“O Teu Bairro é o Nosso Bairro” proporciona “o bem-estar geral das famílias, capacitando-as para serem agentes de mudança individual, familiar e comunitária” Foto: Sessão com a população dos bairros. Paula © CML
Em quatro bairros de Lamego, 1400 pessoas estão unidas em torno do projeto “O teu bairro é o nosso bairro” para promover a inclusão social e a luta contra a pobreza.
A ideia nasceu no ano passado e ganhou asas. Promovida pela Câmara de Lamego, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lamego e a Obra Kolping Portugal, já se traduz em diversas ações de proximidade com os moradores de Alvoraçães, Nazes, Ponte e Castelo: visitas lúdicas, culturais e pedagógicas e ações de promoção do sucesso escolar, bem como workshops sobre desperdício alimentar e alimentação saudável.
O Dia Nacional do Cigano foi assinalado com iniciativas para divulgar a história da comunidade cigana e a sua cultura, outra ação que contribuiu para reforçar laços de vizinhança e o sentimento de pertença à comunidade.
“O teu bairro é o nosso bairro” proporciona “o bem-estar geral das famílias, capacitando-as para serem agentes de mudança individual, familiar e comunitária”, afirma Catarina Ribeiro, vice-presidente da Câmara de Lamego.
O projeto nasceu pela “necessidade de desenvolver competências sociais, em territórios vulneráveis” e em áreas urbanas antigas. Ali, onde abundam os desempregados e a atividade económica é escassa. E onde há uma “evolução demográfica desfavorável marcada pelo envelhecimento populacional, degradação do ambiente urbano, pobreza e exclusão social”, explica Catarina Ribeiro.
Os bairros do Castelo (que foi o berço de Lamego) e da Ponte (que no passado dispôs de todos os recursos para população, paredes meias com a cidade) são duas áreas que foram perdendo população devido à pressão turística e à falta de incentivos à fixação. Com estas novas iniciativas, as suas gentes aproximam-se, trocando experiências e estabelecendo relações de interajuda.
No Gabinete de Atendimento e Acompanhamento, os moradores podem obter apoio para preencher formulários e diversos tipo de documentos e para interpretar cartas com mensagens de várias entidades.
Com esta intervenção nos bairros procura-se combater os sentimentos de exclusão social dos moradores e valorizá-los enquanto pessoas, alterando as representações sociais negativas, sublinha Catarina Ribeiro.
Na partilha de ideias, sentimentos e experiências, vai-se construindo um sentimento de pertença no bairro e estreitam-se os laços de vizinhança, ao mesmo tempo que se desenvolvem competências pessoais, sociais e profissionais. Ao dinamizar a vivência no bairro através destas atividades diversificadas, promove-se ainda a ocupação do tempo livre e a diminuição das taxas de desemprego e de absentismo escolar.
“A adesão às atividades é cada vez maior”, diz Catarina Ribeiro, referindo que “as pessoas vão-se conhecendo e tornando-se mais próximas graças a este projeto.” Gradualmente, percebem que é um contributo para “uma imagem positiva das comunidades mais carenciadas ou excluídas, potenciando a sua integração e eliminando barreiras e discriminações no acesso aos bens e serviços.”
O bairro de uns transforma-se assim no bairros de todos.









