Via-Sacra escrita pelo Papa

«Em oração com Jesus, no caminho da cruz»

| 30 Mar 2024

Pela primeira vez o Papa Francisco escreveu o texto da Via-Sacra de Sexta-feira Santa que todos os anos tem lugar no Coliseu de Roma. Neste Ano da Oração, prelúdio do Jubileu, o Papa Francisco mostra-nos que orar, mais do que justaposição de palavras, é um abrir de coração ao outro e uma forma de conversar com Jesus. Importa que o coração fale.  “Francisco propõe uma conversa face a face com Jesus e, nas quatorze estações, convida todos a se questionarem, olhando para si mesmos e para a própria consciência, mas também lançando um olhar para o mundo contemporâneo e suas distorções.”  Pelo segundo ano consecutivo Francisco não participou na Via-Sacra. De acordo com a Santa Sé o Papa não participou “para preservar a sua saúde em vista à Vigília do Sábado Santo e da Santa Missa do Domingo de Páscoa. 

O 7MARGENS partilha com todos os seus leitores e leitoras esta oração memorável que nos interpela e desafia à conversão, à ressurreição.

Via Sacra 2022

Papa Francisco saúda fiéis reunidos para rezar a Via-Sacra em 2022. Foto: Vatican Media

 

Introdução

Senhor Jesus, olhamos para a tua cruz e compreendemos que deste tudo por nós. Dedicamos-Te este tempo. Queremos passá-lo ao pé de Ti, que rezastes desde o Getsémani até ao Calvário. No Ano de Oração, unimo-nos ao teu caminho de oração.

Evangelho segundo São Marcos (14, 32-37)

Chegaram a uma propriedade chamada Getsémani (…). Tomando consigo Pedro, Tiago e João, começou a sentir pavor e a angustiar-Se. E disse-lhes: «(…) Ficai aqui e vigiai». Adiantando-Se um pouco, caiu por terra e orou (…): «Abbá, Pai! Tudo Te é possível; afasta de Mim este cálice! Mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres». Depois, foi ter com os discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro: «(…) Nem uma hora pudeste vigiar!»

Senhor, preparaste com a oração cada uma das tuas jornadas e agora, no Getsémani, preparas a Páscoa. Abbá, Pai! Tudo Te é possível – dizes –porque a oração é antes de tudo diálogo e intimidade; mas é também luta e súplica: afasta de Mim este cálice! E é abandono e oferta: mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres. Assim, em oração, entraste pela porta estreita do nosso sofrimento e atravessaste-a profundamente. Sentiste medo e angústia (cf. Mc 14, 33): medo diante da morte, angústia sob o peso do nosso pecado que experimentaste sobre Ti, enquanto Te invadia uma amargura infinita. Mas, no apogeu da luta, rezaste «mais instantemente» (Lc 22, 44): assim transformastes a veemência do sofrimento em oferta de amor.

Uma coisa apenas nos pediste: ficar contigo, vigiar. Não nos pedes o impossível, mas a proximidade. No entanto, quantas vezes me distanciei de Ti! Quantas vezes, como os discípulos, em vez de vigiar dormi, quantas vezes não tive tempo ou vontade de rezar porque cansado, anestesiado pelas comodidades, ensonado na alma. Jesus, repete novamente para mim, para nós, tua Igreja: «Levantai-vos e orai» (Lc 22, 46). Acorda-nos, Senhor, desperta-nos do torpor do coração, porque também hoje, sobretudo hoje, precisas da nossa oração.

 

1. Jesus é condenado à morte

 

Jesus é Condenado à morte. Via-Sacra, Escola Veneziana (séc. XVIII), Catedral de Pádua.

 

O Sumo Sacerdote ergueu-se no meio da assembleia e interrogou Jesus: «Não respondes nada ao que estes testemunham contra Ti?» Mas Ele continuava em silêncio e nada respondia. (…) Pilatos interrogou-o de novo, dizendo: «Não respondes nada? Vê de quantas coisas és acusado!» Mas Jesus nada mais respondeu, de modo que Pilatos estava estupefacto (Mc 14, 60-61; 15, 4-5).

Jesus, és a vida, e acabas condenado à morte; és a verdade, e suportaste um processo cheio de falsidades. Mas por que não reclamas? Por que não levantas a voz e explicas as tuas razões? Por que não refutas os eruditos e os poderosos, como sempre fizeste com tanto sucesso? A tua reação é surpreendente, Jesus: no momento decisivo, não falas; calas-Te. Porque, quanto mais forte é o mal, mais radical é a tua resposta. E a tua resposta é o silêncio. Mas o Teu silêncio é fecundo: é oração, é mansidão, é perdão, é o caminho para redimir do mal, para converter o que sofres num dom que ofereces. Jesus, dou-me conta de Te conhecer pouco, porque não conheço suficientemente o teu silêncio; porque no frenesim de correr e fazer, absorvido pelas coisas, tomado pelo medo de não continuar a figurar ou pela mania de me pôr no centro, não encontro tempo para parar e ficar contigo: para Te deixar agir a Ti, Palavra do Pai que trabalhas no silêncio. Jesus, o teu silêncio mexe comigo: ensina-me que a oração não nasce dos lábios que se movem, mas de um coração que sabe permanecer à escuta: porque rezar é fazer-se dócil à tua Palavra, é adorar a tua presença.

Rezemos dizendo: Fala ao meu coração, Jesus

Tu que respondes ao mal com o bem Fala ao meu coração, Jesus
Tu que extingues o clamor com a mansidão Fala ao meu coração, Jesus
Tu que detestas o palavreado e as lamentações Fala ao meu coração, Jesus
Tu que me conheces intimamente Fala ao meu coração, Jesus
Tu que me tens mais amor do que eu a mim mesmo Fala ao meu coração, Jesus

 

2. Jesus carrega a cruz

 

Jesus Carrega a Cruz

Via-Sacra Pintura de Raúl Berzosa

 

Subindo ao madeiro,
Ele levou os nossos pecados no seu corpo,
para que, mortos para o pecado,
vivamos para a justiça:
pelas suas chagas fomos curados (
1 Ped 2, 24).

Jesus, também nós carregamos cruzes, às vezes muito pesadas: uma doença, um acidente, a morte dum ente querido, uma desilusão afetiva, um filho que anda perdido, o emprego que falta, uma ferida interior que não cura, o fracasso dum projeto, a milésima expetativa para nada… Jesus, como se faz então para rezar? Como fazer quando me sinto esmagado pela vida, quando um fardo me pesa no coração, quando estou sob pressão e já não tenho força para reagir? A tua resposta reside numa proposta: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos» (Mt 11, 28). Ir a Ti… mas eu refugio-me em mim mesmo: rumino as minhas dores, afundo-me na condição de vítima, chafurdo na negatividade. Vinde a Mim: dizê-lo, não foi suficiente! Então vens ao nosso encontro e carregas aos ombros a nossa cruz, para nos tirar de cima o seu peso. Desejas que lancemos sobre Ti fadigas e preocupações, pois quereis que nos sintamos livres e amados em Ti. Obrigado, Jesus! Uno a minha cruz à Tua, trago-Te o meu cansaço e as minhas misérias, lanço sobre Ti todos os pesos do meu coração.

Rezemos dizendo: Venho a Ti, Senhor

Com a minha história Venho a Ti, Senhor
Com as minhas canseiras Venho a Ti, Senhor
Com as minhas limitações e fragilidades Venho a Ti, Senhor
Com os meus temores Venho a Ti, Senhor
Depondo toda a confiança no teu amor Venho a Ti, Senhor

 

3. Jesus cai pela primeira vez

 

Via-Sacra Pintura de Raúl Berzosa

 

Em verdade, em verdade vos digo: se um grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto (Jo 12, 24).

Caíste, Jesus! Em que pensas, como rezas com a face no pó? Mas sobretudo o que é que Te dá a força para Te levantardes? Enquanto estás com o rosto por terra, não podendo já ver o céu, imagino-Te a repetir no coração: Pai, que estás nos céus. O olhar amoroso do Pai, que pousa sobre Ti, é a tua força. Mas imagino também que, enquanto beijas a terra árida e fria, estejas a pensar no homem, tirado da terra, a pensar em nós, que estamos no centro do teu coração; e repitas as palavras do teu Testamento: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós» (Lc 22, 19). O amor do Pai por Ti, e o teu por nós. O amor: aqui está a mola que Te faz levantar e prosseguir. Porque, quem ama, não fica por terra, recomeça; quem ama, não se cansa, corre; quem ama, voa. Jesus, peço-Te sempre muitas coisas, mas só preciso de uma: saber amar. Cairei na vida, mas, com o amor, poderei levantar-me e continuar para diante, como fizeste Tu, que és perito em quedas. De facto a tua vida foi um cair contínuo ao nosso encontro: de Deus para homem, de homem para servo, de servo para crucificado, até ao túmulo; caístes na terra como semente que morre; caíste para nos reerguer da terra e levar para o Céu. Tu que Te levantas do pó e fazes renascer a esperança, da-me forças para amar e recomeçar.

Rezemos dizendo: Jesus, dá-me a força de amar e recomeçar

Quando prevalece a desilusão Jesus, dá-me a força de amar e recomeçar
Quando caiem sobre mim os juízos dos outros Jesus, dá-me a força de amar e recomeçar
Quando nada funciona e me torno impaciente Jesus, dá-me a força de amar e recomeçar
Quando sinto que não aguento mais Jesus, dá-me a força de amar e recomeçar
Quando me oprime o pensamento de que nada mudará Jesus, dá-me a força de amar e recomeçar

 

4. Jesus encontra sua mãe

 

Jesus Encontra Sua Mãe

“Jesus, no olhar de Maria cheio de lágrimas e de luz, encontras a memória da ternura, das carícias, dos braços amorosos que sempre Te acolheram e sustentaram. O olhar materno é o olhar da memória, que nos fundamenta no bem.”

 

Então Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse (…) ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua (Jo 19, 26-27).

Jesus, os teus abandonaram-Te, Judas traiu-Te, Pedro renegou-Te: ficaste sozinho com a cruz. Mas está lá a tua mãe. Não são necessárias palavras, bastam os seus olhos, que sabem enfrentar o sofrimento e ocupar-se dele. Jesus, no olhar de Maria cheio de lágrimas e de luz, encontras a memória da ternura, das carícias, dos braços amorosos que sempre Te acolheram e sustentaram. O olhar materno é o olhar da memória, que nos fundamenta no bem. Não se pode prescindir de uma mãe que nos traz ao mundo, mas também não podemos prescindir de uma mãe que nos ponha no mundo. Tu sabe-lo e, da cruz, dás-nos a tua própria mãe. Eis a tua mãe – dizes ao discípulo, a cada um de nós: depois da Eucaristia, dás-nos Maria, a dádiva extrema antes de morrer. Jesus, no teu caminho, serviu-Te de conforto a recordação do seu amor; também o meu caminho precisa de se fundar na memória do bem. Dou-me conta, porém, que a minha oração é pobre de memória: rápida, apressada, uma lista de necessidades para hoje e amanhã. Maria, pára a minha corrida! Ajuda-me a fazer memória: a guardar a graça, a lembrar o perdão e os prodígios de Deus, a reavivar o primeiro amor, a saborear as maravilhas da providência, a chorar de gratidão.

Rezemos dizendo: Senhor, reaviva em mim a recordação do teu amor

Quando reaparecem as feridas do passado Senhor, reaviva em mim a recordação do teu amor
Quando extravio o sentido e o fio das coisas Senhor, reaviva em mim a recordação do teu amor
Quando perco de vista os dons que recebi Senhor, reaviva em mim a recordação do teu amor
Quando perco de vista o dom que sou Senhor, reaviva em mim a recordação do teu amor
Quando me esqueço de Te agradecer Senhor, reaviva em mim a recordação do teu amor

 

5. Jesus é ajudado pelo Cireneu

 

Cirineu e Jesus

“Jesus, quantas vezes, diante dos desafios da vida, pretendemos superá-los sozinhos! Como é difícil pedir uma mão, com medo de dar a impressão de não estarmos à altura, temos sempre a preocupação de bem parecer e nos exibir! Não é fácil fiar-se, e menos ainda, entregar-se.”

 

Quando [os soldados] O iam conduzindo, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e carregaram-no com a cruz, para a levar atrás de Jesus (Lc 23, 26).

Jesus, quantas vezes, diante dos desafios da vida, pretendemos superá-los sozinhos! Como é difícil pedir uma mão, com medo de dar a impressão de não estarmos à altura, temos sempre a preocupação de bem parecer e nos exibir! Não é fácil fiar-se, e menos ainda, entregar-se. Mas quem reza sabe que é um necessitado e Tu, Jesus, estás habituado a entregar-Te na oração. Assim não desprezas a ajuda do Cireneu. Expões-lhe as tuas fragilidades, a um homem simples, um agricultor que volta do campo. Obrigado porque, fazendo-Te amparar na necessidade, apagas a imagem de um deus invulnerável e distante. Não és imóvel no poder, mas invencível no amor, e ensinas-nos que amar significa socorrer os outros precisamente nisto: nas fragilidades de que se envergonham. Então as fragilidades transformam-se em oportunidades. Assim aconteceu ao Cireneu: a tua fragilidade mudou a sua vida; e um dia dar-se-á conta de ter socorrido o seu Salvador, ter sido redimido através daquela cruz que levou. Para que a minha vida também mude, peço-Te, Jesus: ajuda-me a baixar as defesas e a deixar-me amar por Ti, precisamente no ponto onde tenho mais vergonha de mim mesmo.

Rezemos dizendo: Curai-me, Jesus!

De toda a presunção de autossuficiência Cura-me, Jesus!
De pensar que consigo sem Ti e sem os outros Cura-me, Jesus!
Da mania do perfeccionismo Cura-me, Jesus!
Da relutância em entregar-Te as minhas misérias Cura-me, Jesus!
Da pressa frente aos necessitados que encontro no caminho Cura-me, Jesus!

 

 

6. Jesus é confortado pela Verónica que Lhe enxuga o rosto

 

Verónica

“Mas, enquanto muitos gritam e condenam, abre caminho no meio da multidão uma mulher. Não fala; age. Não insulta; compadece-se.”

 

Bendito seja Deus (…) o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação! Ele nos consola em toda a nossa tribulação, para que também nós possamos consolar aqueles que estão em qualquer tribulação (…). Na verdade, assim como abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também, por meio de Cristo, é abundante a nossa consolação (2 Cor 1, 3-5).

Jesus, muitos acompanham o espetáculo bárbaro da tua execução e, sem Te conhecer nem conhecer a verdade, proferem sentenças e condenações, lançando sobre Ti infâmia e desprezo. O mesmo acontece hoje, Senhor, e nem sequer é preciso um cortejo macabro: basta um teclado para insultar e publicar sentenças. Mas, enquanto muitos gritam e condenam, abre caminho no meio da multidão uma mulher. Não fala; age. Não insulta; compadece-se. Vai a contracorrente: sozinha, com a coragem da compaixão, arrisca por amor, encontra forma de passar por entre os soldados apenas para Te dar o conforto duma carícia no rosto. O seu gesto passará à história, e é um gesto de consolação. Quantas vezes invoco a tua consolação, Jesus! Mas a Verónica lembra-me que também Tu precisas da consolação: Tu, um Deus próximo, pedes a minha proximidade; Tu, meu consolador, queres ser consolado por mim. Amor não amado, também hoje procuras no meio da multidão corações sensíveis ao sofrimento, à tua amargura. Procuras verdadeiros adoradores que, em espírito e verdade (cf. Jo 4, 23), permaneçam contigo (cf. Jo 15), Amor abandonado. Jesus, acende em mim o desejo de estar contigo, de Te adorar e consolar. E faz que eu seja, em teu nome, consolação para os outros.

Rezemos dizendo: Torna-me testemunha da tua consolação

Deus de misericórdia, próximo de quem tem o coração ferido Torna-me testemunha da vossa consolação
Deus de ternura, que Te comoves por nós Torna-me testemunha da vossa consolação
Deus de compaixão, que detestas a indiferença Torna-me testemunha da vossa consolação
Tu que ficas triste quando aponto o dedo contra os outros Torna-me testemunha da vossa consolação
Tu que não vieste para condenar, mas para salvar Torna-me testemunha da vossa consolação

 

 

7. Jesus cai de novo sob o peso da cruz

“Jesus, a cruz pesa! Carrega o peso da derrota, do fracasso, da humilhação. Compreendo-o quando me sinto esmagado pelas coisas, metralhado pela vida e incompreendido pelos outros; quando sinto o peso excessivo e enervante da responsabilidade e do trabalho, quando estou comprimido pelas garras da ansiedade, assaltado pela melancolia, enquanto um pensamento sufocante me vai repetindo: não vais sair desta, desta vez não te erguerás.” Pintura: Via-Sacra de Raúl Berzosa

 

[O filho mais novo], caindo em si, disse: (…) Levantar-me-ei, irei ter com o meu pai e vou dizer-lhe: «Pai, pequei (…)». E, levantando-se, foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos. O filho disse-lhe: «Pai, pequei (…); já não mereço ser chamado teu filho». Mas o pai disse (…): «Este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado» (Lc 15, 17-18.20-22.24).

Jesus, a cruz pesa! Carrega o peso da derrota, do fracasso, da humilhação. Compreendo-o quando me sinto esmagado pelas coisas, metralhado pela vida e incompreendido pelos outros; quando sinto o peso excessivo e enervante da responsabilidade e do trabalho, quando estou comprimido pelas garras da ansiedade, assaltado pela melancolia, enquanto um pensamento sufocante me vai repetindo: não vais sair desta, desta vez não te erguerás. Mas há pior. Dou-me conta de tocar o fundo, quando volto a cair no mesmo: quando caio de novo nos meus erros, nos meus pecados, quando me escandalizo dos outros e depois apercebo-me de que não sou diferente. Não há nada pior do que ficar desiludido consigo mesmo, esmagado pelo sentimento de culpa. Mas Tu, Jesus, caíste várias vezes sob o peso da cruz, para estar perto de mim quando volto a cair. Contigo a esperança nunca acaba e, depois de cada queda, levanto-me outra vez, porque, quando erro, não só não Te cansas de mim, como ainda Te aproximas mais. Obrigado por esperares por mim; obrigado porque volto a cair tantas vezes e me perdoas infinitas vezes: sempre. Recorda-me que as quedas podem tornar-se momentos cruciais no caminho, porque me levam a compreender a única coisa que importa: que preciso de Ti. Jesus, grava no meu coração a certeza mais importante: que só me levanto verdadeiramente quando Tu me levantas, quando me libertas dos pecados. Porque a vida não recomeça com as minhas palavras, mas com o teu perdão.

Rezemos dizendo: Levanta-me, Jesus!

Quando, paralisado pela desconfiança, sinto tristeza e desânimo Levanta-me, Jesus!
Quando vejo a minha inadequação e me sinto inútil Levanta-me, Jesus!
Quando prevalecem a vergonha e o medo de não conseguir Levanta-me, Jesus!
Quando me sinto tentado a perder a esperança Levanta-me, Jesus!
Quando esqueço que a minha força está no teu perdão Levanta-me, Jesus!

 

8. Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

 

“Jesus, quem é que Te segue até ao fim pelo caminho da cruz? Não os poderosos, que Te esperam no Calvário, nem os espectadores que estão longe, mas as pessoas simples, grandes aos teus olhos e pequenas aos olhos do mundo. São as mulheres a quem deste esperança: não têm voz, mas fazem-se ouvir.”

 

Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele (Lc 23, 27).

Jesus, quem é que Te segue até ao fim pelo caminho da cruz? Não os poderosos, que Te esperam no Calvário, nem os espectadores que estão longe, mas as pessoas simples, grandes aos teus olhos e pequenas aos olhos do mundo. São as mulheres a quem deste esperança: não têm voz, mas fazem-se ouvir. Ajuda-nos a reconhecer a grandeza das mulheres, daquelas que foram fiéis e estiveram perto de Ti na Páscoa, mas também daquelas que ainda hoje são descartadas, sofrendo ultrajes e violências. Jesus, as mulheres que encontras batem no peito e choram por Ti. Não choram por si mesmas, mas por Ti; choram pelo mal e o pecado do mundo. A sua oração feita de lágrimas chega ao teu coração. E a minha oração sabe chorar? Comovo-me diante de Ti, crucificado por mim, diante do teu amor manso e ferido? Choro as minhas falsidades e a minha inconstância? À vista das tragédias do mundo, o meu coração permanece gelado ou enternece-se? Como reajo à loucura da guerra, a rostos de crianças que já não sabem sorrir, a mães que as veem desnutridas e famintas e não têm mais lágrimas para derramar? Tu, Jesus, choraste por Jerusalém, choraste pela dureza do nosso coração. Sacode-me no meu íntimo, dá-me a graça de chorar rezando e de rezar chorando.

Rezemos dizendo: Jesus, enternece o meu coração endurecido

Tu que conheces os segredos do coração Jesus, enternece o meu coração endurecido
Tu que Tes entristeces face à dureza dos ânimos Jesus, enternece o meu coração endurecido
Tu que amas os corações humildes e contritos Jesus, enternece o meu coração endurecido
Tu que enxugaste com o perdão as lágrimas de Pedro Jesus, enternece o meu coração endurecido
Tu que transformas o choro em canto Jesus, enternece o meu coração endurecido

 

 

9. Jesus é despojado das suas vestes

Via Sacra.

“Jesus, estas palavras disseste-as antes da Paixão. Agora compreendo a tua insistência em identificar-Te com os necessitados: Tu estivestes encarcerado; Tu és tratado como estrangeiro, levado até fora da cidade para ser crucificado; Tu estás nu, despojado das vestes; Tu, doente e ferido; Tu, sedento na cruz e faminto de amor.”

 

«Senhor, quando foi que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou nu e Te vestimos? E quando Te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-Te?» E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: «Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 37-40).

Jesus, estas palavras disseste-as antes da Paixão. Agora compreendo a tua insistência em identificar-Te com os necessitados: Tu estivestes encarcerado; Tu és tratado como estrangeiro, levado até fora da cidade para ser crucificado; Tu estás nu, despojado das vestes; Tu, doente e ferido; Tu, sedento na cruz e faminto de amor. Faz com que Te veja nos atribulados e veja os atribulados em Ti, porque Tu estás neles, em quem é despojado de dignidade, nos cristos humilhados pela prepotência e pela injustiça, por lucros iníquos obtidos à custa dos outros perante a indiferença geral. Olho para Ti, Jesus, despojado das vestes, e compreendo que me convidas a despojar-me de tantas exterioridades. Porque Tu não olhas para as aparências, mas para o coração. E não queres uma oração estéril, mas caritativamente fecunda. Deus despido, desnuda-me também a mim. Porque é fácil falar, mas será que Te amo de verdade nos pobres, a tua carne ferida? Rezo por quem está despojado de dignidade? Ou rezo apenas para acudir às minhas necessidades e rodear-me de segurança? Jesus, a tua verdade desnuda-me e leva a que me centre no que importa: Tu crucificado e os irmãos crucificados. Dá-me a graça de o compreender agora, para não ser encontrado despojado de amor quando me apresentar diante de Ti.

Rezemos dizendo: Despoja-me, Senhor Jesus!

Do apego às aparências Despoja-me, Senhor Jesus!
Da couraça da indiferença Despoja-me, Senhor Jesus!
De julgar que não toca a mim socorrer os outros Despoja-me, Senhor Jesus!
Dum culto feito de respeitabilidade e exterioridade Despoja-me, Senhor Jesus!
Da convicção de que a vida corre bem, se eu estiver bem Despoja-me, Senhor Jesus!

 

 

10. Jesus é pregado na cruz

 

Jesus Pregado na Cruz. Via Sacra

“Jesus, trespassam-Te braços e pés com cravos, dilacerando-Te as carnes; mas é agora, quando o sofrimento físico é mais atroz, que brota dos teus lábios a oração impossível: perdoas a quem está a cravar os pregos nos pulsos. E não apenas uma vez, mas muitas, como recorda o Evangelho com esta forma verbal que indica uma ação repetida: dizias «Perdoa-lhes, Pai…». Contigo, Jesus, também eu posso encontrar a coragem de escolher o perdão, que liberta o coração e relança a vida.”

 

Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-No a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 33-34).

Jesus, trespassam-Te braços e pés com cravos, dilacerando-Te as carnes; mas é agora, quando o sofrimento físico é mais atroz, que brota dos teus lábios a oração impossível: perdoas a quem está a cravar os pregos nos pulsos. E não apenas uma vez, mas muitas, como recorda o Evangelho com esta forma verbal que indica uma ação repetida: dizias «Perdoa-lhes, Pai…». Contigo, Jesus, também eu posso encontrar a coragem de escolher o perdão, que liberta o coração e relança a vida. E, Senhor, não Te basta perdoar-nos, queres também desculpar-nos diante do Pai: não sabem o que fazem. Assumes a nossa defesa, fazes-Te nosso advogado, intercedes por nós. Agora que as tuas mãos, com que abençoavas e curavas, estão pregadas, e que os teus pés, com que levavas a boa nova, já não podem caminhar, agora, na impotência, revelas-nos a omnipotência da oração. No cimo do Gólgota, manifestas-nos a sublimidade da oração de intercessão, que salva o mundo. Jesus, que eu reze não só por mim e pelos meus entes queridos, mas também por quem não me quer bem e me faz mal; que eu reze, segundo os desejos do teu coração, por quem vive longe de Ti; que eu reze para reparar e interceder em favor de quantos, ignorando-Te, não conhecem a alegria de Te amar e de serem perdoados por Ti.

Rezemos dizendo: Pai, tem misericórdia de nós e do mundo inteiro

Pela dolorosa paixão de Jesus Pai, tem misericórdia de nós e do mundo inteiro
Pelo poder das suas chagas Pai, tem misericórdia de nós e do mundo inteiro
Pelo teu perdão na cruz Pai, tem misericórdia de nós e do mundo inteiro
Por quantos perdoam por teu amor Pai, tem misericórdia de nós e do mundo inteiro
Por intercessão de quantos creem, adoram, esperam e Te amam Pai, tem misericórdia de nós e do mundo inteiro

 

 

11. Jesus grita o seu abandono

 

Jesus, eis a oração inaudita! Gritas ao Pai o teu abandono. Tu, Deus do céu, não trovejas respostas, mas perguntas porquê? No auge da Paixão, sentes a distância do Pai; e já nem Lhe chamas Pai – como sempre –, mas Deus, como se já não conseguisses identificar o seu rosto. Por que é que sucede isto?

 

Desde o meio-dia até às três da tarde, as trevas envolveram toda a terra. Cerca das três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: «Eli, Eli, lemà sabactàni?», isto é, «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (Mt 27, 45-46).

Jesus, eis a oração inaudita! Gritas ao Pai o teu abandono. Tu, Deus do céu, não trovejas respostas, mas perguntas porquê? No auge da Paixão, sentes a distância do Pai; e já nem Lhe chamas Pai – como sempre –, mas Deus, como se já não conseguisses identificar o seu rosto. Por que é que sucede isto? Para mergulhares até ao fundo no abismo do nosso sofrimento. Fizeste-o por mim, para que, quando vir apenas escuridão, quando experimentar o colapso das certezas e o naufrágio da vida, já não me sinta só, mas acredite que Tu estás lá comigo: Tu, Deus da comunhão, que experimentas o abandono para não mais me deixar refém da solidão. Quando gritaste o teu porquê, fizeste-o com um Salmo: assim trouxeste à oração a desolação mais extrema. Eis o que se deve fazer nas tempestades da vida: em vez de calar e guardar dentro, gritar por Ti. Glória a Ti, Senhor Jesus, porque não fugiste da minha confusão, mas viveste-a profundamente; louvor e glória a Ti que, assumindo todas as distâncias, fizeste-te próximo de quem está mais longe de Ti. E, na escuridão dos meus porquês, encontro-te a Ti, Jesus, luz na noite. E, no grito de tantas pessoas sozinhas e excluídas, oprimidas e abandonadas, revejo-Te a Ti, meu Deus: fazei que Te reconheça e Te ame.

Rezemos dizendo: Jesus, faz com que Te reconheça e Te ame

Nas crianças não nascidas e nas abandonadas Jesus, faz com que Te reconheça e Te ame
Em tantos jovens à espera de alguém que ouça o seu grito de dor Jesus, faz com que Te reconheça e te ame
Nos inúmeros idosos descartados Jesus, faz com que Te reconheça e te ame
Nos presos e em quem vive sozinho Jesus, faz com que Te reconheça e te ame
Nos povos mais explorados e esquecidos Jesus, faz com que Te reconheça e te ame

 

 

12. Jesus morre entregando-Se ao Pai e dando ao bom ladrão o Paraíso

 

Via Sacra

“Jesus, um malfeitor no Paraíso!!! Ele confia-Se a Ti, e Tu O confias juntamente contigo ao Pai. Deus do impossível, de um ladrão fazes um santo. Mais: no Calvário, mudas o curso da história. Fazes da cruz, emblema do suplício, o ícone do amor; do muro da morte, uma ponte para a vida.”

 

[Um dos malfeitores crucificado] disse: «Jesus, lembra-Te de mim quando estiveres no teu Reino». Ele respondeu-lhe: «Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso». (…) Dando um forte grito, Jesus exclamou: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito». Dito isto, expirou (Lc 23, 42-43.46).

Jesus, um malfeitor no Paraíso!!! Ele confia-Se a Ti, e Tu O confias juntamente contigo ao Pai. Deus do impossível, de um ladrão fazes um santo. Mais: no Calvário, mudas o curso da história. Fazes da cruz, emblema do suplício, o ícone do amor; do muro da morte, uma ponte para a vida. Transformas as trevas em luz, a separação em comunhão, o sofrimento em dança, e o próprio túmulo – última estação da vida – no ponto de partida da esperança. Mas estas inversões, realiza-las connosco, nunca sem nós. Jesus, lembra-Te de mim: esta oração sincera permitiu-Te fazer maravilhas na vida daquele malfeitor. Força inaudita da oração. Às vezes penso que a minha oração não é ouvida, mas o essencial é perseverar, ter constância, lembrar-me de Te dizer: «Jesus, lembra-Te de mim». Lembra-Te de mim e o meu mal já não será última paragem, mas um recomeço. Lembra-Te, isto é, coloca-me de novo no Teu coração, mesmo quando me afastar, quando me perder na roda da vida que gira loucamente. Lembra-Te de mim, Jesus, porque ser recordado por Ti – assim no-lo mostra o bom ladrão – é entrar no Paraíso. Sobretudo lembra-me, Jesus, que a minha oração pode mudar a história.

Rezemos dizendo: Jesus, lembra-Te de mim

Quando a esperança se desvanece e reina a desilusão Jesus, lembra-Te de mim
Quando sou incapaz de tomar uma decisão Jesus, lembra-Te de mim
Quando perco a fé em mim e nos outros Jesus, lembra-Te de mim
Quando perco de vista a grandeza do  amor Jesus, lembra-Te de mim
Quando penso que minha oração é inútil Jesus, lembra-Te de mim

 

 

13. Jesus é descido da cruz e posto nos braços de Maria

 

Via Sacra

“Maria, depois do Teu «sim», o Verbo fez-Se carne no teu ventre; agora, reclinada sobre o teu ventre, está a sua carne torturada: aquele menino que trazias nos braços é um cadáver dilacerado. E, todavia, agora no momento mais doloroso, resplandece a tua oferta: uma espada trespassa-Te a alma e a tua oração continua a ser um «sim» a Deus.”

 

Simeão (…) disse a Maria, sua mãe: «Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma» (Lc 2, 34-35).

Maria, depois do Teu «sim», o Verbo fez-Se carne no teu ventre; agora, reclinada sobre o teu ventre, está a sua carne torturada: aquele menino que trazias nos braços é um cadáver dilacerado. E, todavia, agora no momento mais doloroso, resplandece a tua oferta: uma espada trespassa-Te a alma e a tua oração continua a ser um «sim» a Deus. Maria, nós somos pobres de «sins e ricos de «ses»: se tivesse tido pais melhores, se tivesse sido mais compreendido e amado, se a minha carreira tivesse corrido melhor, se não tivesse havido aquele problema, se eu ao menos deixasse de sofrer, se Deus me ouvisse… Ao perguntarmo-nos perpetuamente pelo porquê das coisas, sentimos dificuldade em viver o presente com amor. Tu terias muitos «ses» para dizer a Deus, mas mesmo assim dizes «sim». Forte na fé, acreditas que o sofrimento, permeado pelo amor, produz frutos de salvação; que o sofrimento com Deus não tem a última palavra. E, enquanto seguras nos braços Jesus inanimado, ressoam em Ti as últimas palavras que Ele te dirigiu: Eis o teu filho. Mãe, sou eu aquele filho! Acolhe-me nos teus braços e debruça-te sobre as minhas feridas. Ajuda-me a dizer «sim» a Deus, «sim» ao amor. Mãe de piedade, vivemos num tempo cruel e precisamos de compaixão: Tu, terna e forte, unge-nos de mansidão: dissolve as resistências do coração e os nós da alma.

Rezemos dizendo: Toma-me pela mão, Maria

Quando cedo a recriminações e a fazer de vítima Toma-me pela mão, Maria
Quando deixo de lutar aceitando conviver com as minhas falsidades Toma-me pela mão, Maria
Quando vou adiando e não encontro a coragem de dizer «sim» a Deus Toma-me pela mão, Maria
Quando sou indulgente comigo mesmo e inflexível com os outros Toma-me pela mão, Maria
Quando quero que a Igreja e o mundo mudem, mas eu não mudo Toma-me pela mão, Maria

 

 

14. Jesus é colocado no túmulo de José de Arimateia

 

Via Sacra

“José: o nome que juntamente com o de Maria está no alvorecer do Natal, marca também a aurora da Páscoa. José de Nazaré sonhou e corajosamente levou Jesus para O salvar de Herodes; tu, José de Arimateia, tomas o corpo d’Ele, sem saber que um sonho impossível e maravilhoso se vai realizar ali mesmo, no túmulo que deste a Cristo quando pensavas que Ele não poderia fazer mais nada por ti.”

 

Ao cair da tarde, veio um homem rico, de Arimateia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. (…) José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o num túmulo novo, que tinha mandado escavar na rocha (Mt 27, 57-60).

José: o nome que juntamente com o de Maria está no alvorecer do Natal, marca também a aurora da Páscoa. José de Nazaré sonhou e corajosamente levou Jesus para O salvar de Herodes; tu, José de Arimateia, tomas o corpo d’Ele, sem saber que um sonho impossível e maravilhoso se vai realizar ali mesmo, no túmulo que deste a Cristo quando pensavas que Ele não poderia fazer mais nada por ti. Pelo contrário, é mesmo verdade que toda a dádiva feita a Deus recebe uma recompensa maior. José de Arimateia, és o profeta da coragem ousada. Para dar o teu dom a um morto, vais ter com o temido Pilatos e fazes-lhe um pedido, para poderes oferecer a Jesus o túmulo que tinhas mandado construir para ti. O teu pedido é tenaz, e às palavras seguem-se as obras. Tu, José, recordas-nos que a oração insistente dá fruto e atravessa até a escuridão da morte; que o amor não fica sem resposta, mas oferece novos começos. O teu túmulo – único na história – será fonte de vida: era novo, há pouco escavado na rocha. E eu, o que dou de novo a Jesus nesta Páscoa? Um pouco de tempo para estar com Ele? Um pouco de amor para os outros? Os meus medos e as minhas misérias sepultadas, que Cristo espera lhe sejam oferecidos, como fizeste tu com o túmulo? Será verdadeiramente Páscoa se der algo de meu Àquele que por mim deu a sua vida: pois é dando que se recebe; a vida é encontrada quando se perde, e é possuída quando se dá.

Rezemos dizendo: Tem piedade, Senhor

De mim, preguiçoso para me converter Tem piedade, Senhor
De mim, que gosto muito de receber e pouco de dar Tem piedade, Senhor
De mim, incapaz de me render ao Teu amor Tem piedade, Senhor
De nós, prontos a servir-nos das coisas, mas lentos em servir os outros Tem piedade, Senhor
Do nosso mundo, infestado pelos túmulos do egoísmo Tem piedade, Senhor

 

Invocação final (do nome de Jesus, 14 vezes)

 

 

Senhor, nós Te suplicamos como aqueles necessitados, frágeis e doentes do Evangelho que Te invocavam com a palavra mais simples e familiar, isto é, com o Teu nome.

Jesus, o Teu nome salva, porque Tu és a nossa salvação.

Jesus, és a minha vida e, para não perder o rumo no caminho, preciso de Ti, que perdoas e ergues, que curas o meu coração e dás sentido ao meu sofrimento.

Jesus, tomastes sobre Ti o meu mal e, da cruz, não me acusas, mas abraças-me; Tu, manso e humilde de coração, cura-me do rancor e do ressentimento, liberta-me da suspeita e da desconfiança.

Jesus, olho para Ti na cruz e vejo escancarar-se diante dos meus olhos o amor, sentido do meu ser e meta do meu caminho: ajuda-me a amar e a perdoar, a superar a impaciência e a indiferença, a não me lamentar.

Jesus, na cruz tivestes sede, e é sede do meu amor e da minha oração; precisas disso para realizar plenamente os Teus projetos de bem e de paz.

Jesus, agradeço-Te por todos aqueles que respondem ao teu convite e são perseverantes na oração, têm a coragem de acreditar e a constância para avançar nas dificuldades.

Jesus, apresento-Te os pastores do teu povo santo: a sua oração sustenta o rebanho; que eles encontrem tempo para estar diante de Ti, conformem o seu coração ao Teu.

Jesus, bendigo-Vos pelas contemplativas e os contemplativos, cuja oração, escondida do mundo e agradável a Teus olhos, guarde a Igreja e a humanidade.

Jesus, trago à Tua presença as famílias e as pessoas que rezaram esta noite nas suas casas, os idosos, especialmente os que estão sozinhos, os doentes, joias da Igreja que unem os seus sofrimentos ao Teu.

Jesus, que esta oração de intercessão alcance as irmãs e os irmãos que, em muitas partes do mundo, sofrem perseguições por causa do Teu nome; aqueles que sofrem o drama da guerra e quantos, com a força que lhes vem de Ti, carregam cruzes pesadas.

Jesus, com a Tua cruz fizeste de todos nós um só: une os crentes em comunhão, infunde sentimentos fraternos e pacientes, ajuda-nos a colaborar e a caminhar juntos; guarda a Igreja e o mundo na paz.

Jesus, juiz santo que me chamarás pelo nome, livra-me dos juízos temerários, das calúnias e palavras violentas e ofensivas.

Jesus, antes de morrer, disseste «tudo está consumado» (Jo 19, 30). Eu, na minha incompletude, não poderei dizê-lo. Mas confio em vós porque sois a minha esperança, a esperança da Igreja e do mundo.

Jesus, quero dizer-Te ainda uma palavra e ficar a repeti-la: obrigado! Obrigado, meu Senhor e meu Deus.

 

 

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