AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Eduardo Duque no Curso de Missiologia 2025. Foto Juliana Batista
“Somos muito desiguais num país muito pequenino”, lamentou o padre Eduardo Duque, durante a sua intervenção no Curso de Missiologia. Foto © Juliana Batista

Padre Eduardo Duque

“Em Portugal, o Estado ajuda muito a erradicar a pobreza. As pessoas não têm esta noção, mas é verdade”

| 29/08/2025

Sem o apoio do Estado, “muita gente estava na pobreza” em Portugal, disse Eduardo Duque, doutor em sociologia e presbítero da arquidiocese de Braga, nesta quinta-feira, 28 de agosto, enquanto apresentava uma “radiografia” do território português aos participantes do Curso de Missiologia, que está a decorrer em Fátima, com o objetivo de formar missionários.

“Quarenta por cento das nossas famílias, se não tivessem o apoio do Estado, estavam na pobreza. Com o apoio do Estado, fica em 16.6 por cento. Ou seja, em Portugal, o Estado ajuda muito, muito, muito a erradicar a pobreza. As pessoas não têm esta noção, mas é verdade. A pobreza é um problema estrutural, mas o seu impacto é significativamente reduzido pela ação do Estado. Sem as pensões e os apoios sociais, quase metade da população portuguesa seria pobre. O Estado Social é absolutamente crucial para a coesão do país”, disse o conferencista, que alertou de seguida para as desigualdades do país.

“Portugal continua a ser um dos países mais desiguais da União Europeia. Há gente que recebe muito, mas a maior parte ganha pouco. O rendimento dos dez por cento mais ricos é nove vezes superior aos dez por cento mais pobres. Isto são números muito rigorosos do Instituto Nacional de Estatística, que faz um belíssimo trabalho em Portugal. Entre os mais ricos e os mais pobres há uma grandíssima diferença em Portugal”, afirmou o docente universitário. “Somos muito desiguais num país muito pequenino”, acrescentou.

 

Comunidade brasileira “tem animado verdadeiramente a Igreja de Braga”

Eduardo Duque está ao serviço na arquidiocese de Braga e falou aos formandos do Curso de Missiologia sobre o impacto da imigração na vida da Igreja. “Em Braga, por exemplo, temos neste momento uma comunidade muito grande brasileira. Tem sido uma coisa extraordinária. Tem animado verdadeiramente a Igreja de Braga. Tem rejuvenescido a Igreja de Braga. Eu, por exemplo, celebro a eucaristia na Sé, e aos domingos, às 18h00, temos a missa da Pastoral da Cultura. Grande parte das pessoas que leem na missa é brasileira. Gente jovem. Se não fossem os brasileiros, nós às tantas deixávamos de ter jovens para ler. Já seria gente de idade.”

O orador sublinhou que quem considera que os imigrantes são um “peso, não sabe ler a realidade portuguesa”. E justificou: “Nós somos neste momento dez milhões e trezentas mil pessoas em Portugal. A correr bem, nós em 2050 vamos ser oito milhões e meio de pessoas. A correr mal, podemos ser cerca de seis milhões e meio”, apontou o docente, frisando que tal está a acontecer num “país já meio desertificado”, e onde as mulheres têm, em média, “1.4 filhos”. Eduardo Duque afirma que os imigrantes têm de ser vistos como uma “mais-valia” para a Igreja e para o país. “Devemos tratá-los com cuidado, amor e respeito”, apelou.

 

Texto publicado ao abrigo da parceria 7MARGENS/Fátima Missionária.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência

Esta terça-feira, 7 outubro

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência novidade

A Liga Operária Católica/ Movimento de Trabalhadores Cristãos assinala esta terça-feira, 7 de outubro, o Dia Mundial pelo Trabalho Digno com uma videoconferência sobre “Trabalho Digno/Código Laboral”. A sessão, com início marcado para as 21h00 e de participação livre, terá como oradores Mafalda Troncho, diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho em Portugal, e Ulisses Garrido, sociólogo e especialista em relações laborais.

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur

[Entre Margens]

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur novidade

Não sei se a carta de «calorosas felicitações» do Secretário-Geral da ONU ao Presidente do Irão, por ocasião da celebração do bonito Dia Nacional da Revolução Islâmica compara bem com a sua tentativa de contextualização histórica do ataque terrorista de 7 de Outubro de 2023, perpetrado pelo Hamas. Mas recorda-me um título e um autor. [Texto de João Santos].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This