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O Papa Francisco e participantes da assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade num momento de oração antes do início dos debates. Foto © António Marujo/7MARGENS

Que se passa nos EUA?

Em três dioceses católicas procura-se viver a sinodalidade

| 19/11/2025

 

Há alguém na Igreja Católica dos Estados Unidos da América que procure concretizar a sinodalidade, esse tema que o Papa Francisco colocou como prioridade da sua agenda nos quatro últimos anos do seu pontificado? A jornalista do Religion News Service, Aleja Hertzler-McCain, encontrou três dioceses em que a sinodalidade respira saúde e inspira várias iniciativas. O que desafia o sentimento de mais de um terço dos padres em todos os EUA que dizem: “O Sínodo sobre a Sinodalidade foi uma perda de tempo!”.

Hertzler-McCain decidiu descentrar a sua investigação das dioceses do Leste cosmopolita e foi até à América profunda – Arizona e Norte do Texas – com uma incursão pelo Noroeste no longínquo Estado de Washington. Neste último, recolheu as impressões do bispo da Diocese de Yakima, Joseph Tyson, sobre as ‘conversas no Espírito’ que lançou na sua diocese durante a primavera e o verão deste ano.

Joseph Tyson

Bispo Joseph Tyson: “Podemos debater política, podemos até debater teologia, mas ninguém pode contestar a história de uma pessoa.” Foto © Conferência Episcopal dos EUA

As ‘conversas no Espírito’ foram o método seguido durante os encontros do sínodo, quer os preparatórios realizados um pouco por todo o mundo quer os que tiveram lugar no Vaticano, e consistem num exercício de escuta em que todos os participantes falam e só depois se pronunciam sobre o que mais os tocou naquilo que outros disseram. Para o bispo Tyson, elas são “um tipo de escuta fundamentada nas Escrituras”.

E recorreu a esse método para “tentar mudar a narrativa sobre a imigração na sua diocese”, convencido de que, segundo disse à jornalista: “Podemos debater política, podemos até debater teologia, mas ninguém pode contestar a história de uma pessoa.”

Assim, nas sessões de escuta falavam primeiro “padres imigrantes, muitos dos quais, quando crianças, cruzaram a fronteira sem autorização, que compartilharam as suas histórias.” Após cada padre falar, o bispo pedia aos presentes que refletissem sobre o que tinham ouvido: “Como a história de cada um dos padres se relaciona com alguma parte das histórias de migração de que se lembram da Bíblia? O que mais vos chamou a atenção? Que parte da história de imigração deles tocou as vossas mentes e os vossos corações?”. E pedia que “compartilhassem as suas experiências sem debater entre si”, porque nenhuma daquelas histórias era “uma narrativa política”, mas sim “uma narrativa bíblica”, considerou Tyson.

“O Sínodo sobre a Sinodalidade – escreve a jornalista no referido artigo – tornou-se um ponto de controvérsia na Igreja, pois alguns conservadores alertam para o facto de que ele irá minar a autoridade de padres, bispos e cardeais sobre questões morais e teológicas”. Mas na Diocese de Phoenix, no Norte do Estado do Arizona não é este receio que domina.

 

Fazer ouvir as suas vozes

Adolescentes

Encontro de Adolescentes na diocese de Yakima . Foto © Facebook oficial da diocese

“O importante, porém, é que eles compareceram para fazer com que as suas vozes fossem ouvidas”, disse ele o padre Charles Kieffer, vigário da Diocese de Phoenix para a sinodalidade e o planeamento pastoral ao Religion News Service, ao avaliar a presença nas sessões que nos últimos dois meses, a diocese realizou, no âmbito do Sínodo de Jovens Adultos para jovens adultos, tanto católicos praticantes como aqueles que se afastaram da Igreja. Por vezes são mais de 80 a conversarem, outras vezes não passam de quatro.

As sessões — 60 decorreram em inglês e 12 em espanhol — têm lugar “em locais como paróquias, campus universitários, mosteiros e até mesmo na Ópera do Arizona, a fim de incluir participantes que possam sentir-se desconfortáveis ​​em frequentar um espaço pertencente à igreja”. Em todas, os participantes foram convidados a refletir sobre “quatro questões a respeito de relacionamentos, casamento e vida familiar, e como a Igreja poderia melhor apoiá-los espiritualmente”,

A diocese prevê a realização de vários outros sínodos para diversos grupos, mas, por agora, terminada a fase de escuta, “a Diocese de Phoenix planeia elaborar um relatório preliminar a ser utilizado na assembleia sinodal de 14 de fevereiro, que, por sua vez, será responsável por elaborar um relatório final para orientar o ministério da diocese no futuro”.

Um pouco mais a Sul, no Estado do Texas, a comissão de concretização sinodal da Diocese de Dallas, que tem 45 membros, (leigos, diáconos e padres), planeia divulgar em dezembro, um plano pastoral baseado no seu próprio sínodo. Na sua carta pastoral, o bispo Edward Burns identificou metas prioritárias, como a defesa dos ensinamentos da Igreja sobre género, sexualidade e a defesa da vida.

Um outro esforço voltado para a educação dos católicos sobre a sinodalidade é o projeto conhecido como Juntos/Insieme, refere Hertzler-McCain. Este programa abrange a América do Norte e do Sul e foi lançado no final de outubro, conta com o apoio da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM), da Escola Jesuíta de Teologia, da Confederação de Religiosos da América Latina e do Caribe e do Observatório Latino-Americano da Sinodalidade.

O curso online gratuito sobre as conclusões do Sínodo sobre a Sinodalidade que o programa oferece já atraiu mais de 5.000 alunos desde seu lançamento em 20 de outubro. Os temas abordados são familiares ao Sínodo sobre a Sinodalidade, como prestação de contas e transparência, gestão de consenso e divergência, liderança feminina e cogovernação, e decisões compartilhadas.

Serão estas iniciativas, espalhadas um pouco por todos os EUA, suficientes – pergunta-se a jornalista – para animar os padres que não pertencem àquela metade que “afirmou, num inquérito recente realizado pelo Projeto Católico da Universidade Católica da América, que ‘a sinodalidade deveria ser uma prioridade da igreja americana’”?

 

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