Nathalie Becquart

“Em vez de falar, o melhor é pôr em prática a sinodalidade”

| 18 Fev 2022

Nathalie Becquart foto vatican news

“O desafio do Sínodo é criar um diálogo mais forte entre sacerdotes e leigos. Enquanto não experimentarem eles próprios o processo sinodal e seus frutos” pode ser difícil compreendê-lo, observa Nathalie Becquart. Foto: Direitos reservados.

 

O Sínodo sobre a sinodalidade é “um fruto e desdobramento” do Concílio Vaticano II e pode ser um caminho para a Igreja se for experimentado. As afirmações são de Nathalie Becquart, religiosa francesa que ocupa a posição de subsecretária na estrutura central da iniciativa, no Vaticano.

Em entrevista ao site suíço Cath.ch, publicada na última quarta-feira, 16, a responsável começa por manifestar a sua alegria pela criatividade com que o processo sinodal está a ser adaptado e implementado localmente, dado que são diferentes os contextos e as realidades eclesiais. Há países que têm uma experiência desenvolvida de processos sinodais e outros em que a própria palavra era desconhecida e em que há tudo para aprender.

No entanto, reconhece que há preocupações e resistências, aqui e ali, quer de padres quer de bispos, para pôr o Sínodo no terreno. “Alguns, explica ela, veem o Sínodo como uma ‘coisa mais a fazer”, quando já têm uma carga de trabalho pesada e outras prioridades. O desafio de “exercer o ministério de uma maneira nova, que “envolve mais corresponsabilidade”, é outra dificuldade, para a qual muitos padres não se sentem preparados.

“O desafio do Sínodo é, portanto, criar um diálogo mais forte entre sacerdotes e leigos. Enquanto não experimentarem eles próprios o processo sinodal e seus frutos” pode ser difícil compreendê-lo, observa Nathalie Becquart.

Em alguns casos, será mesmo necessário, no seu modo de ver, “ajudar os sacerdotes e alguns bispos a compreender que o processo sinodal não irá eliminar o seu papel, antes os levará a uma nova maneira de exercer a sua autoridade.

No caso dos bispos, em alguns países, a dinâmica das conferências episcopais faz com que uns prelados estimulem outros. Quando esse não é o caso, as coisas ficam muito dependentes de cada um. “ Naturalmente que, quando o bispo está entusiasmado [com o processo sinodal], este desenvolve-se mais facilmente”, diz aquela responsável. Casos de oposição existem, mas “são raros”.

Existe um caminho simples que a religiosa recomenda: “em vez de simplesmente se falar de sinodalidade, devemos experimentá-la. O que estamos a tentar fazer, na nossa forma de animar o processo, de dialogar com as Igrejas locais, é criar experiências”. Para ela “é isso que está em jogo: que nas paróquias, nos grupos, possamos oferecer uma experiência de escuta mútua e de escuta do Espírito Santo, enraizando-nos na oração”.

A subsecretária do Sínodo refere que o secretariado-geral, presidido pelo cardeal Mario Grech, tem procurado mobilizar todas as redes, por exemplo, incentivando as conferências episcopais e as Dioceses a trabalharem com a Caritas, a pastoral dos migrantes, as capelanias prisionais e hospitalares, ou mesmo a educação católica, que atinge os jovens afastados da Igreja. “O Sínodo deve encorajar a escuta dos mais pobres”, remata.

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

"Nada cristãs"

Ministro russo repudia declarações do Papa novidade

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, descreveu como “nada cristãs” as afirmações do Papa Francisco nas quais denunciou a “crueldade russa”, especialmente a dos chechenos, em relação aos ucranianos. Lavrov falava durante uma conferência de imprensa, esta quinta-feira, 1 de dezembro, e referia-se à entrevista que Francisco deu recentemente à revista America – The Jesuit Review.

O que têm dito os papas sobre a paz

Debate e oração no Rato, em Lisboa

O que têm dito os papas sobre a paz novidade

As mensagens dos Papas para o Dia Mundial da Paz é o tema da intervenção do padre Peter Stilwell neste sábado, 3 de Dezembro (Capela do Rato, em Lisboa, 19h), numa iniciativa integrada nas celebrações dos 50 anos da vigília de oração pela paz que teve lugar naquela capela, quando um grupo de católicos quis permanecer em oração durante 48 horas, em reflexão sobre a paz e contra a guerra colonial.

Ministro russo repudia declarações do Papa

"Nada cristãs"

Ministro russo repudia declarações do Papa novidade

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, descreveu como “nada cristãs” as afirmações do Papa Francisco nas quais denunciou a “crueldade russa”, especialmente a dos chechenos, em relação aos ucranianos. Lavrov falava durante uma conferência de imprensa, esta quinta-feira, 1 de dezembro, e referia-se à entrevista que Francisco deu recentemente à revista America – The Jesuit Review.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This