Emissões zero, água e emissões limpas – escolher “o que conta”, pede o Papa Francisco

| 12 Out 2020

O Papa Francisco, num dos momentos da sua intervenção por vídeo na conferência Countdown TED. Foto captada do vídeo no canal YouTube.

 

É necessário escolher “entre o que conta e o que não conta”, em relação ao problema das alterações climáticas, disse o Papa Francisco, numa mensagem vídeo à iniciativa global “Countdown” TED, na qual personalidades de todos os quadrantes tentam sensibilizar para as consequências daquele problema.

Na sua intervenção, o Papa destaca que deve ser feita uma “escolha entre continuar a ignorar o sofrimento dos mais pobres e maltratar a nossa casa comum, a Terra, ou comprometermo-nos a todos os níveis a transformar a nossa forma de agir”.

Citado pela revista espanhola Vida Nueva, o Papa destacou o papel de cada pessoa para enfrentar a crise ecológica antes que seja demasiado tarde e acrescentou que o actual sistema económico é “insustentável”. “Estamos perante o imperativo moral, e a urgência prática, de repensar muitas coisas: como produzimos, como consumimos, pensando na nossa cultura do desperdício, a visão de curto prazo, a exploração dos pobres, a indiferença para com eles, o aumento das desigualdades e a dependência de fontes de energia nocivas.”

Francisco apelou ainda a um compromisso que permita “construir, na próxima década, um mundo em que as necessidades das gerações presentes, incluindo todas, possam ser satisfeitas sem comprometer as possibilidades das gerações futuras”.

Para isso, propôs que cada pessoa “pode dar um contributo significativo”, seja como indivíduos ou membros de grupos – famílias, comunidades religiosas, empresas, associações, instituições: educação no cuidado da casa comum; compreensão de que os problemas ambientais estão ligados às necessidades humanas; e educação baseada em dados científicos e uma abordagem ética.

Também o acesso à água limpa como “um direito humano essencial e universal” é importante. “É essencial, porque determina a sobrevivência das pessoas e é, portanto, uma condição para o exercício de todos os outros direitos e responsabilidades”, afirmou. Para acrescentar: “Garantir uma alimentação adequada para todos através de métodos agrícolas não destrutivos deve tornar-se o objectivo fundamental de todo o ciclo de produção e distribuição de alimentos.”

A sua terceira proposta é “uma substituição progressiva, mas sem demora, dos combustíveis fósseis por fontes de energia limpa”. Temos apenas alguns anos (menos de 30, segundo os cientistas) para reduzir drasticamente as emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera. “Esta transição deve não só ser rápida e capaz de satisfazer as necessidades energéticas presentes e futuras, mas também estar atenta aos efeitos sobre os pobres, as populações locais e os que trabalham nos sectores de produção de energia”, afirmou o Papa, que insistiu na ideia de que a Terra “deve ser trabalhada e cuidada, cultivada e protegida” e que “não podemos continuar a espremê-la como uma laranja”.

Esta iniciativa, explica a Ecclesia, pretende “acelerar soluções” para as alterações climáticas, e teve a participação de mais de 50 oradores – activistas, líderes religiosos e políticos, artistas, cientistas e empresários.

“Gostaria de convidar-vos a fazer uma viagem juntos. Uma jornada de transformação e ação. Não tanto por palavras, mas sobretudo por ações concretas e urgentes”, pediu o Papa, recordando o seu conceito de “ecologia integral” fixado na encíclica Laudato Si’, de 2015.

(A intervenção integral do Papa pode ser vista a seguir, em italiano, com legendas em inglês)

 

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