
Estúdio de rádio: a política está normalmente fora das rádio confessionais nos Estados Unidos, mas há quem queira alterar a regra. Foto © Ajcosta/Wikimedia Commons
A maior associação de emissoras evangélicas dos Estados Unidos iniciou um processo jurídico para libertar os media pertencentes a organizações sem fins lucrativos da proibição legal de manifestarem editorialmente o seu apoio a um candidato presidencial, ou a qualquer partido nas campanhas eleitorais, noticiou a agência Religion National Service (RNS) no dia 30 de agosto.
O processo pretende obter a revogação de uma legislação tributária de 1954 do Internal Revenue Service (IRS) que obriga as organizações sem fins lucrativos, por contrapartida das vantagens fiscais de que beneficiam, a não divulgar apoios a candidatos políticos e partidos, nem indicações de voto ao seu público.
A argumentação dos advogados das emissoras religiosas nacionais, de duas igrejas baptistas e de um grupo conservador intitulado Intercessors for America, defende que proibição de se envolverem na política restringe a sua liberdade de expressão e de religião. Defendem também que a crise dos media levou a que várias empresas de comunicação se tornassem organizações sem fins lucrativos para obter vantagens fiscais e assim poderem manter-se economicamente, sem que tivessem deixado de publicitar os seus apoios partidários.
Nos Estados Unidos é tradicional os medias tomarem posição nas eleições, publicitando que candidato apoiam, ou em que partido “aconselham” o seu público a votar. É por isso que a queixa contra a autoridade tributária americana refere que os queixosos “acreditam que os media sem fins lucrativos têm um direito constitucional claro de tornar públicos os seus apoios políticos” e que é uma “simples afirmação de que também deveriam ter a mesma liberdade de expressão” de que gozam os outros media.
Karen Rundlet, diretora executiva do Institute for Nonprofit News (INN), que reúne 450 organizações de media sem fins lucrativos e que não aceita membros que endossem candidatos, disse à RNS que as doações feitas a organizações sem fins lucrativos muitas vezes impedem que esses fundos sejam usados para atividades políticas. Por outro lado, “as organizações de notícias sem fins lucrativos não endossam candidatos e, de acordo com as diretrizes do IRS, não devem favorecer nenhum candidato a cargo público na sua cobertura noticiosa ou em qualquer outra ação”, afirmam as diretrizes do INN para os membros.
Na referida notícia, a RNS recorda uma “sondagem de 2019 do Pew Research que mostra que os americanos preferiam manter separadas a religião e a política. Quase dois terços (63%) querem que os locais de culto fiquem fora da política, enquanto três quartos (76%) dizem que as Igrejas e outras congregações não devem apoiar candidatos”.










