
Muitas publicações nas redes sociais utilizam “linguagem desumanizante e racista contra os palestinianos”, outras defendem o ódio e a violência contra o povo judeu, assinala a Amnistia Internacional. Foto © Cristian Storto.
À medida que o conflito Israel-Palestina se intensifica no terreno, também se verifica um “aumento alarmante da incitação ao ódio que constitui um estímulo à violência, à hostilidade e à discriminação nas plataformas das redes sociais”, alerta a Amnistia Internacional (AI), apelando às empresas de redes sociais que intensifiquem medidas de proteção dos direitos humanos neste campo.
“As empresas devem garantir que as suas plataformas não transmitem mensagens de ódio e violência, caso contrário correm o risco de contribuir para violações graves dos direitos humanos e do direito humanitário internacional”, afirma Rasha Abdul-Rahim, diretora da Amnesty Tech, citada num comunicado enviado esta terça-feira, 31 de outubro, ao 7MARGENS.
A Amnistia Internacional descobriu que um número significativo de publicações nas redes sociais glorificam os ataques de Israel aos civis em Gaza, apoiam a destruição de Gaza e defendem a violência contra os palestinianos. Muitas publicações utilizam “linguagem desumanizante e racista contra os palestinianos, algumas das quais se baseiam na linguagem utilizada pelas autoridades israelitas”, assinala a nota à imprensa.
Paralelamente, a organização documentou uma série de publicações antissemitas, muitas delas defendendo o ódio e a violência contra o povo judeu.
Desde 7 de outubro de 2023, o Indicador de Violência da ONG palestiniana 7amleh detetou mais de 493 mil casos de defesa do ódio contra palestinianos e defensores dos direitos palestinianos, em hebraico, nas redes sociais, refere a AI.
A Amnistia Internacional revela ainda ter recebido “relatórios preocupantes” que indicam uma censura demasiado ampla de conteúdos de contas palestinianas e de defensores dos direitos palestinianos em diversas plataformas de redes sociais. “Os palestinianos na Faixa de Gaza ocupada estão encurralados num crescente apagão de comunicação que limita a sua capacidade de procurar, receber e transmitir informações”, sublinha o comunicado.
“À medida que Israel intensifica o seu bombardeamento sem precedentes sobre Gaza, que matou mais de sete mil pessoas, a maioria das quais são civis, estamos extremamente preocupados com relatos de bloqueio parcial e remoção, conhecido como shadowbanning, de conteúdo de defensores dos direitos palestinianos”, lamenta Rasha Abdul Rahim.
A responsável pela Amnesty Tech deixa, assim, a sua recomendação: “As empresas de redes sociais precisam de investir recursos adequados na supervisão humana dos sistemas de moderação de conteúdos baseados em IA (Inteligência Artificial), para garantir que todos os utilizadores, incluindo os palestinianos, possam exercer igualmente os seus direitos online, independentemente da língua e das opiniões políticas. Várias plataformas minaram a sua capacidade de o fazer, demitindo o pessoal responsável pelo cumprimento dos direitos humanos.”









