
Uma flor para Willy Monteiro Duarte, o jovem assassinado. Foto: Direitos reservados
Largas centenas de pessoas da província de Frosinone e de Roma, incluindo o Presidente do Governo italiano, Giuseppe Conte, quiseram dizer o seu último adeus a Willy Monteiro Duarte, o jovem de 21 anos e de ascendência cabo-verdiana que foi assassinado há uma semana, por ter tentado acabar com uma rixa de que um amigo seu estava a ser vítima.
“Não deixes que o teu ensinamento seja esquecido. Vamos encontrar a força para perdoar”, disse o bispo de Palestrina, Mauro Parmeggiani, durante a homilia da missa, a que os meios de comunicação social não puderam ter acesso por causa do desejo expresso da família, conforme conta o Religión Digital.
O estádio municipal de Paliano, uma localidade com mil habitantes, perto de Roma, acabou por ser demasiado pequeno para o funeral deste jovem italiano, nascido em Roma há 21 anos, depois de os seus pais terem emigrado para Itália há 30 anos.
Willy foi assassinado na noite de sábado, 5 de Setembro, em Colleferro, nos arredores de Roma, espancado até à morte, depois de ter tentado acalmar um grupo que atacar um amigo com quem Willy estava.
As autoridades detiveram quatro suspeitos e, depois da autópsia, o procurador de Velletri decidiu agravar as incriminações contra os detidos, inicialmente acusados de homicídio por negligência. A acusação agora é de homicídio voluntário, pois terão espancado Willy impiedosamente durante vinte minutos até ele estar morto. “São todos culpados”, diz uma das testemunhas.
Os investigadores descartam, por enquanto, a hipótese de racismo como causa para o crime, embora alguns meios de comunicação tenham dito que os suspeitos tinham já antecedentes penais de violência e ideias de extrema-direita, informa o Aleteia.
Os pais de Willy pediram expressamente que quem fosse ao funeral vestisse de branco, para mostrar a pureza e a juventude de Willy. Todos os que o conheciam dizem que ele nunca se metera em problemas. O jovem trabalhava como cozinheiro e sonhava jogar futebol.
A irmã, Milena, confessava que a família está ainda “atordoada”. Os amigos descrevem Willy como alguém que estava sempre pronto a ajudar toda a gente e “o mais sério e sensato do grupo”, referia a TVI.
“Não se trata de um episódio isolado”, diz Conte

A família pediu a quem fosse ao funeral que vestisse de branco, como sinal da pureza e juventude de Willy, “sempre pronto a ajudar toda a gente”. Foto: Direitos reservados.
Giuseppe Conte, o primeiro-ministro italiano, tal como a ministra do Interior, Luciana Lamorgese, e o Presidente da região do Lácio, Nicola Zingaretti, também apareceram de branco. No final, Conte abraçou a mãe e o pai de Willy, Lucia e Armando, e a sua irmã Milena.
“A Itália adora esta família humilde e trabalhadora”, disse Conte no final, citado ainda pela mesma fonte. “Todos nós seguimos este caso devido à sua enorme violência. Não podemos subestimá-lo ou minimizá-lo. Não se trata de um episódio isolado. Há franjas da sociedade que cultivam uma mitologia da violência e do abuso. Todos devemos trabalhar para combater a violência e apelar constantemente aos valores e princípios da nossa civilização e vida social.”
“Agora só temos de fazer a família sentir a proximidade de todos e exigir justiça”, afirmou entretanto Pierluigi Sanna, presidente da câmara de Colleferro, onde ocorreu o assassinato, que disse estar a considerar a possibilidade de dedicar uma praça ao jovem.
Os quatro suspeitos (dois dos quais são irmãos) têm entre 22 e 26 anos e a autópsia terá confirmado que os golpes não foram “aleatórios” pois, além dos numerosos pontapés, os agressores terão saltado sobre Willy já com a intenção de o matar.
Várias testemunhas e elementos da população local terão confirmado que os suspeitos eram já conhecidos pela sua violência e praticavam várias artes marciais.
Uma das testemunhas explicou ao jornal Il Messaggero que um dos agressores pontapeou Willy no abdómen, o que o fez cair ao chão e deixou-o sem fôlego, após o que os quatro lhe bateram de novo. “Sem misericórdia. Willy morreu nos meus braços, ele nem sequer teve tempo de reparar. São todos culpados.”









