Encontro “A Economia de Francisco” adiado para Novembro e tema de debate em Coimbra

| 2 Mar 20

O debate sobre “A Economia de Francisco”, no domingo, dia 1. Foto © Correio de Coimbra

 

O encontro A Economia de Francisco, promovido pelo Papa em Assis, e que estava previsto para Março, foi adiado para 21 de Novembro, anunciou o Vaticano. O receio do impacto da pandemia do novo coronavírus foi a razão do adiamento do encontro para o qual estavam inscritos mais de dois mil participantes de 115 países, Portugal incluído.

Ricardo Zózimo, professor de Economia que integra o grupo de preparação do encontro, afirmou à agência Ecclesia que o adiamento faz com a energia entre os participantes seja “redobrada”.

Zózimo participou num debate em Coimbra, a propósito dos 800 anos dos Mártires de Marrocos e da vocação franciscana de Santo António, dedicado precisamente ao tema do encontro de Assis. Citado pela mesma fonte, acrescentou: “Isso dar-nos-á mais força: pessoas que não podiam ir, agora podem juntar-se a novos movimentos; pessoas que não puderam organizar-se a tempo, poderão participar em atividades que vamos organizar até lá… A nossa energia será redobrada com o adiamento”.

O professor da Nova School of Business & Economics (apesar do nome em inglês, esta é uma faculdade da Universidade Nova de Lisboa) acrescentou que “o grande fruto deste encontro é o entusiasmo” que se sente em “muita gente à volta destas ideias da ‘Economia de Francisco’”, que “não parará” pelo facto do encontro ser adiado.

Ricardo Zózimo admitiu que “não é possível ter um encontro” da dimensão do previsto para Assis nas circunstâncias actuais. Para o economista, o objectivo do encontro, que alude a S. Francisco de Assis, é “viver melhor como cristãos” e modificar as ruas e as cidades para que ‘A Economia de Francisco’ seja uma realidade concreta”.

No debate de Coimbra, realizado neste domingo, dia 1, o economista Carlos Farinha Rodrigues referiu-se às mudanças que já existem na forma de liderança de algumas empresas, no sentido de abrir os processos de decisão à participação dos trabalhadores e dos consumidores.

Professor no Instituto Superior de Economia e Gestão, Farinha Rodrigues tem investigado as questões da desigualdade e erradicação da pobreza e manifestou-se convicto de que irão emergir novas formas de organização do trabalho mais humanas. E diz que, no momento actual, está em causa a “sobrevivência no planeta”, sendo necessário “olhar com olhos mais humanizados para o sistema económico”.

Teresa Paiva Couceiro, directora da Fundação Gonçalo da Silveira, uma organização não-governamental ligada aos jesuítas, participou também no debate. Referiu a sua experiência de voluntária em Moçambique, defende que o desenvolvimento deve ter uma dimensão local e que são as pessoas que devem ter relevância em todo o processo económico”.

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