Vaticano

Encontro de cardeais exprimiu ao Papa o desejo de avançar

| 30 Ago 2022

encontro de cardeais com o papa francisco, agosto 2022 foto vatican media

O clima de comunhão e sinodalidade em que decorreu o encontro do colégio cardinalício foi referido por diversos participantes. Foto © Vatican Media.

 

“Fiquei emocionado com a atmosfera pacífica, a sinodalidade, o clima de diálogo, o desejo de avançar e não retroceder, de colaborar juntos apesar das diferenças”, afirmou o cardeal alemão Walter Kasper, em comentário ao modo como decorreu o encontro de perto de 200 cardeais, nos dois últimos dias, 29 e 30 de agosto, no Vaticano.

Segundo informações que vieram a público, no encontro, à porta fechada, os trabalhos consistiram em reflexões por grupos linguísticos, com apresentação das sínteses em plenário. A presença do Papa foi constante nas sessões plenárias, em que houve debate aberto em torno do tema da reforma da Cúria, um assunto em que trabalhou o conselho de cardeais desde que o Papa foi eleito e de que resultou a constituição apostólica Praedicate Evangelium, que entrou em vigor no início de junho último.

Na sessão de abertura do encontro cardinalício, Francisco desafiou estes seus colaboradores a iniciarem um processo em consonância com o ritmo que toda a Igreja está a viver, em busca de uma vida eclesial mais participada, mais aberta aos desafios do mundo.

Segundo referiu Kasper aos jornalistas, o Papa abordou a passagem dos Atos dos Apóstolos que fala da eleição dos diáconos e os vivos debates que originou. Perante a situação nova da evangelização, nesses primeiros tempos das comunidades cristãs, o Pontífice, nas palavras daquele cardeal,  salientou que “a Igreja reagiu, e é assim que deve ser hoje também: temos de reagir, considerar as situações à luz do Evangelho e responder às novas situações”. “Avançar”: este é o imperativo que resume os trabalhos dos dois dias, segundo o cardeal e arcebispo de Viena, Cristoph Schönberg, sendo que ‘avançar’ significa “caminhar juntos em Sínodo.  “O que demos é um passo”, acrescentou.

O clima de comunhão e sinodalidade em que decorreu o encontro do colégio cardinalício foi também referido pelo cardeal português José Tolentino Mendonça.

Em declarações à Ecclesia, explicou: “A mensagem destes tempos (…) é que precisamos de um novo élan, um élan que, antes de tudo, partiu de Cristo, que é o fundamento da identidade da Igreja; um élan que é missionário, a alegria de anunciar o Evangelho, de o pregar por obras e por palavras, onde a Igreja se encontre”.

Por outro lado, e especificamente relativamente à Cúria Romana, “uma capacidade de recolher carismas, talentos, competências e alargar – quando é possível e quando as competências assim o reclamam – essa possibilidade de governo também a mulheres e homens batizados, não consagrados, não clérigos que possam, de facto, ajudar o Papa na missão de guiar a Igreja universal”, afirmou Tolentino Mendonça.

O encontro terminou com uma solene celebração eucarística na Basílica de São Pedro, durante a qual o Papa Francisco voltou a sublinhar a tecla da humildade que se pede dos cardeais.

Alertou, na sua homilia, para a tentação da mundanidade, que ataca a vocação dos hierarcas. “Passo a passo, disse, ela tira-te as forças, tira-te a esperança, afasta-te de ver o olhar de Jesus, que nos chama pelo nome e este é o cancro, o caruncho do mundanismo espiritual.”

 

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