Encontro nacional de cristãos na Alemanha quer “ver” mundo, sociedades, Igrejas e vida das pessoas

| 13 Mai 21

O terceiro “Ökumenischer Kirchentag”, o encontro ecuménico nacional de cristãs e cristãos na Alemanha, começou nesta quinta-feira em Frankfurt, num formato diferente, muito condicionado pela pandemia. Um plano B, mas onde a ideia mais importante se mantém: ver a realidade do mundo, das sociedades, das Igrejas, das pessoas.

Kirchentag, Alemanha, Ecumenismo

Abertura do Kirchentag, o encontro ecuménico de cristãos na Alemanha, nesta quinta-feira, 13. Foto © ÖKT.

 

Os encontros nacionais de cristãos, com grande tradição na Alemanha, e que em alternado são promovidos pela Igreja Evangélica (protestante) e pela Igreja Católica, contam tradicionalmente com numerosa afluência, a rondar as 150 mil pessoas. De vez em quando realizam-se em conjunto encontros ecuménicos como o deste ano. São ocasiões de reflexão e de festa, mas sobretudo espaços de encontro, no melhor sentido da palavra. Este ano, depois de uma longa preparação, aconteceu ao Kirchentag (à letra, dia da Igreja) aquilo que aconteceu a todos os grandes eventos. A pandemia obrigou a seguir o plano B, isto é, a via digital.

A celebração de abertura desta manhã, difundida pelo canal 1 da televisão pública, foi transmitida do terraço de um grande centro comercial na city de Frankfurt, tendo como pano de fundo as torres das igrejas, os arranha-céus dos grandes bancos e, por sorte, um belíssimo céu azul que nem encomendado para este dia da Festa da Ascensão (feriado nacional na Alemanha). Entre os principais intervenientes esteve o irmão Alois, prior de Taizé, quem fez a homilia.

Nestes três próximos dias, até domingo, dia 16, terá lugar um vasto programa de debates em vídeoconferência e celebrações através de canais de redes sociais.

Schaut hin, “Ide ver!” é o tema da edição deste ano do encontro nacional. Os participantes inscritos serão convidados diariamente (via online) a reflectir sobre textos bíblicos que falam de como os nossos olhos se podem abrir para Deus, neste processo de crer que implica também uma nova maneira de ver os outros, a realidade, o mundo.

“Ide ver!”: é o que Jesus diz aos discípulos quando se trata de saber quantos pães havia para alimentar tanta gente, de acordo com o episódio relatado no Evangelho de Marcos (Mc 6, 38). “Ide ver!” – foi a palavra de ordem de Jesus. O Kirchentag convida os cristãos a levar a sério esta palavra, lançando um olhar atento e crítico, preocupado e de esperança ao mesmo tempo, sobre a situação do mundo, das sociedades, das Igrejas, das pessoas.

 

Um olhar alargado
Ir. Alois, Taizé, Kirchentag, Ecumenismo, Alemanha

O Ir. Alois, prior de Taizé, no Kirchentag, o encontro de cristãos alemães. Foto reproduzida do vídeo da transmissão.

 

Como já é tradição, estas jornadas alargam o seu horizonte aos mais variados temas da actualidade eclesial, política e social, da Alemanha e do mundo.

Nos temas de Igreja, não podiam faltar as reflexões sobre as consequências e as questões que levanta à Igreja toda a problemática da violência sexualizada sobre crianças, que tem vindo a ser revelada de forma dolorosa. Trata-se de rever as estruturas de poder e de o exercer no seio da Igreja. A violência pedófila custou à Igreja uma enorme perda de confiança, afirmava o irmão Alois de Taizé, na celebração de quinta de manhã.

O tema da intercomunhão não podia faltar. Depois de uma grande expectativa em que a hospitalidade eucarística pudesse acontecer de forma oficial nestes dias, esse horizonte foi gorado. Se, do lado da Igreja Luterana não há dificuldades em avançar nesta direcção, a Igreja Católica assumiu claramente um “ainda não”…

Temas sociais da actualidade serão a digitalização, com todas as suas vantagens e riscos, a convivência intercultural, a coragem cívica para fazer frente a todas as formas de racismo e de anti-semitismo que se manifestam nos nossos dias em partidos populistas.

A nível político, nacional e internacional, os organizadores procuraram nomes da alta política para reflectir e discutir o sistema financeiro – um tema “obrigatório”, ali à sombra do Banco Central Europeu e dos bancos de Frankfurt: que acontece com o meu dinheiro?  Como aumentar a transparência e o sentido de responsabilidade na gestão financeira?

Outro tema de grande interesse é a responsabilidade pelo clima. “Cada vez mais rápido, cada vez mais, sempre em frente? Esta perspectiva levou o nosso planeta à beira do colapso”: assim introduz o programa esta temática importante da jornada.

A ajuda humanitária às vítimas das guerras e catástrofes climáticas será também tema deste encontro nacional de cristãos.  A responsabilidade pela crise obriga-nos a tratar de modo responsável as suas vítimas.

A dimensão de festa e de encontro é provavelmente aquela que mais vai faltar neste encontro. A discussão de um tema pode eventualmente ser feita com a mesma qualidade em videoconferência. O encontro pessoal, descontraído e caloroso será mais complicado.

O encontro pode ser acompanhado na página oficial do encontro, onde também se pode encontrar o programa completo.

 

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