Tempo de Advento (II)

“endireitem-se os caminhos tortuosos…”

e | 5 Dez 2021

Ilustração © Lígia Rodrigues, cedida pela autora: https://ligiarodrigues.org/

 

Desde há vários anos, a comunidade da Capela de Nossa Senhora da Bonança (conhecida como Capela do Rato), em Lisboa, assinala o tempo litúrgico do Advento com a publicação de postais com uma pintura encomendada a um(a) artista e um poema alusivo ao dia. Este ano, a convidada foi a artista portuense Lígia Rodrigues (que reside no Algarve) que, desde 2005, se tem dedicado exclusivamente a trabalhar em arte sacra, com obras em Loulé, Viseu, Faro, Lagoa, Entroncamento, Torredeita, Carvoeiro, Santuário de Fátima, Parchal e Cano (Alentejo). Os textos são da autoria da escritora Leonor Xavier e do actor e encenador Luís Miguel Cintra. Por acordo com a Capela do Rato, o 7MARGENS publica os quatro postais e as orações respectivas de cada domingo, bem como a “memória descritiva” preparada pela artista, para apresentar a sua obra. O segundo postal e respectivos textos reproduzem-se a seguir. Os próximos serão publicados nos domingos, dias 12 e 19, durante a tarde. O primeiro pode ver-se numa publicação anterior no 7MARGENS.

 

Memória descritiva

Dor, abandono, tragédia, incêndios, tempestades… impermanência da matéria, sonhos desencantados, projetos desfeitos, solidão, abandono… enquanto do alto a noite desce, se faz presente e a escuridão invade a terra, as aves levantam-se em voos leves, coloridos, ascendentes, atraídas pela luz que separa as trevas (como quando as veredas escarpadas se aplanam, e das dificuldades surge nova esperança).

De dentro da noite surge a luz e recomeça a vida, regenerada regenerando, ativando o amor, esse que faz novas todas as coisas qual salvação de Deus. É quando do amor recíproco nasce, sempre atual, uma nova ressurreição. Essa que envolve a multidão em movimento rotativo. Eis o diálogo relacional, sinodal, ascendente, onde a comunhão acresce dignidade a cada identidade diversa, única, como a beleza de uma sempre nova criação, essa de Deus entre nós, Luz antiga e sempre nova que pronuncia uma palavra: “Pai”.

 

Lígia Rodrigues

 

endireitem-se os caminhos tortuosos
e aplanem-se as veredas escarpadas;
e toda a criatura verá a salvação de Deus
.”

(Lucas 3, 5-6)

 

Acredito que ao cinismo e à hipocrisia do nosso tempo os cristãos responderão com a ousadia de João Batista quando, sozinho, saiu do deserto e começou a batizar.

E que toda a criatura verá a salvação.

Luís Miguel Cintra 2021

 

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