Ennio Morricone: O compositor que nos ensinou a “sonhar, emocionar e reflectir”

| 7 Jul 20

Ennio Morricone. Foto: Direitos reservados

 

Na sequência de uma queda em casa, que lhe provocou a ruptura do fémur, o maestro e compositor italiano Ennio Morricone morreu esta segunda-feira em Roma, na unidade de saúde onde estava hospitalizado. Tinha 91 anos. O primeiro-ministro, Giuseppe Conte, evocou com “infinito reconhecimento” o “génio artístico” do compositor, que fez o público “sonhar, emocionar, refletir, escrevendo acordes memoráveis que permanecerão indeléveis na história da música e do cinema”.

“Estou afectuosamente próximo da mulher Maria e da família ao recordar o maestro Ennio Morricone: confio-o a Deus para que o acolha na harmonia celeste, entregando-lhe, talvez, a tarefa de algumas partituras a fazer executar aos coros angélicos”, escreveu entretanto, na sua página no Twitter, o presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi. E o Presidente da República de Itália, Sergio Mattarella, comentou que Ennio Morricone foi um artista “genial”, “ao mesmo tempo refinado e popular”.

Entre as mais de 500 autorias de bandas sonoras de filmes e produções televisivas que lhe são creditadas, podem destacar-se as músicas para os filmes A Missão, Por um Punhado de Dólares, O Bom, o Mau e o Vilão, Era Uma Vez na América e Cinema Paraíso.

 

O maestro trabalhou também com a cantora portuguesa Dulce Pontes para o álbum Focus, que deu origem a um conjunto de concertos realizado em 2017 em várias cidades europeias. A 6 de Maio do ano passado, Morricone deu um concerto em Lisboa, que contou também com a participação de Dulce Pontes, além da orquestra Roma Sinfonietta e do Coro Talin.

Nesse espectáculo, integrado na digressão The Final Concerts (Útlimos Concertos), o compositor fez um percurso temático através de muitas das suas obras mais conhecidas: epopeia história (temas de Os Intocáveis, A Tenda Vermelha, Ata-me) “Era uma vez na América” (temas do filme com o mesmo título, de Por um Punhado de Dólares e de O Bom, o Mau e o Vilão), cinema social (A Batalha de Argel, Sacco e Vanzetti, Afirma Pereira) e terminando com várias peças de A Missão (Gabriel’s Oboe, Fall e On earth as i tis in heaven).

Através do amigo e advogado Giorgio Assumma, ficou a saber-se que Morricone  conservou até ao último momento plena lucidez e grande dignidade” e que morreu “com o conforto da fé”. A nota acrescentava: “Despediu-se da sua amada mulher, Maria, que o acompanhou com dedicação em cada instante da sua vida humana e profissional e esteve ao seu lado até ao último suspiro, agradeceu aos filhos e netos pelo amor e cuidado que lhe deram, dedicou uma comovida lembrança ao seu público, de cujo afetuoso apoio extraiu sempre a força da sua criatividade.”

Morricone foi distinguido em 2019 com a medalha de ouro do pontificado, atribuída por Francisco, quatro anos depois de, em 2015, o compositor ter dedicado uma missa ao Papa. Mas já tinha ganho um Óscar honorário em 2007 e, em 2016, arrecadaria uma nova estatueta de Holywood com a banda sonora do filme Os oito odiados, de Quentin Tarantino.

A última das muitas condecorações recebidas pelo autor de várias peças de inspiração cristã remonta a 5 de Junho deste ano, quando foi distinguido com o prémio Princesa das Astúrias das Artes, que partilhou com o compositor norte-americano John Williams.

O funeral de Ennio Morricone decorrerá de forma privada, “em respeito ao sentimento de humildade que sempre inspirou os actos da sua existência”, refere a nota enviada à imprensa.

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