Ensinar em conjunto Bíblia e Alcorão para criar paz e coexistência

| 21 Nov 19

Pormenor de painel de azulejos na Mesquita Central de Lisboa, representando os atributos de Deus. Foto © António Marujo

 

A Bíblia não deve ser considerada uma ameaça à fé dos muçulmanos na Malásia, mas antes uma oportunidade para aprender o respeito mútuo entre religiões diferentes, a aceitação e a coexistência, defende Norela Ariffin, muçulmana e membro do Partido da Justiça do Povo (PKR), da Malásia. Para Ariffin, ensinar nas escolas a Bíblia e o Alcorão em simultâneo pode ajudar a fazer aquele caminho.

Segundo a Agência Fides, desde 2017 que Norela Ariffin tem organizado e liderado várias sessões de estudo para estudantes muçulmanos, em colaboração com o Departamento Religioso do Estado, propondo uma comparação e uma sinopse entre o Alcorão e a tradução malaia da Bíblia. “Os muçulmanos não devem achar que, ao tocarem na Bíblia, deixam de ser puros”, afirma Ariffin, que tem organizado também sessões de estudo para alunos não-muçulmanos para melhor compreenderem o Islão.

Esta líder política defendeu a sua posição também quando o líder da oposição, Dakut Muhamad Yusoff Mohd Noor, do partido Barisan National, levou o tema para a Assembleia Legislativa da Malásia. Segundo Ariffin, é apropriado os muçulmanos entenderem outras religiões e conhecer outros textos sagrados. “Nós vivemos numa sociedade multicultural e é importante entendermo-nos uns aos outros, conhecer mais acerca da fé dos outros, de forma que não haja nenhum medo ou suspeita.”

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