Inquérito 7M sobre o Sínodo 2023 (4)

Entre a esperança e a decepção

| 16 Mai 2022

Na unidade paroquial de Marcel Callo em Flers, em França, todos os presépios das igrejas da paróquia são inspirados pelo logótipo do Sínodo. Foto: Direitos reservados (https://www.synodresources.org/2546/)

 

Na sequência do inquérito sobre o final da fase diocesana do Sínodo em Portugal, feito pelo 7MARGENS, publicámos já comentários do franciscano capuchinho Fernando Ventura, da professora de Ética e teóloga Teresa Martinho e do teólogo e antropólogo Alfredo Teixeira. Fica a seguir o comentário da irmã Julieta Dias, da congregação do Sagrado Coração de Maria.

 

Uma primeira reacção é de expectativa esperançosa porque só duas dioceses não responderam nada e uma apenas apontou a data da assembleia, o que me leva a pensar que há trabalho prévio à assembleia agendada. Além disso, a possibilidade de terem envolvido pelo menos cerca de 50 mil pessoas – sendo uma pequena percentagem – não deixa de ser significativo no contexto actual. E a minha esperança mesmo é que a hierarquia sinta que só há vantagem na escuta e participação activa dos leigos e da sociedade em geral, na vida da Igreja.

Em relação às perguntas 2 e 3, ficarei muito decepcionada se as dioceses não publicarem os contributos recebidos e se não os aproveitarem para a dinamização futura dos seus planos pastorais.

O grande objectivo do Sínodo 2023 é, precisamente, chegarmos a uma Igreja sinodal, uma Igreja onde todos, clérigos e leigos, caminhemos juntos, sempre. Como diz o Papa Francisco, “a sinodalidade exprime a natureza da Igreja, a sua forma, o seu estilo, a sua missão”. “A Palavra de Deus caminha connosco. Todos são protagonistas, ninguém pode ser considerado simples figurante. É preciso entender bem isto: todos são protagonistas. O papa, o cardeal vigário, os bispos auxiliares não são os protagonistas” (Discurso aos fiéis da diocese de Roma, 18. Setembro. 2021).

Para atingirmos uma Igreja com estas características é absolutamente necessário praticarmos uma escuta recíproca, não só no seu interior, mas escutarmos as vozes que vêm do exterior, para trazermos à Igreja “as alegrias e as tristezas” do nosso mundo, a fim de levarmos, a todos, a esperança que nos habita, contribuindo para um mundo mais justo, mais ao jeito de Jesus Cristo.

 

Maria Julieta Mendes Dias faz parte do Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria; é co-autora do livro A Verdadeira História de Maria Madalena (ed. Casa das Letras)

 

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