Entre Margens

A humildade do arcebispo

A humildade do arcebispo novidade

Chegou a estender a mão e a cumprimentar, olhos nos olhos, todos os presentes, um a um. É o líder da Igreja Anglicana, mas aqui apresentou-se com um ligeiro “Hi! I’m Justin” — “Olá, sou o Justin!” — deixando cair títulos e questões hierárquicas. [O texto de Margarida Rocha e Melo]

História de uma alma

História de uma alma

Não me é fácil ler com agrado obras de caráter espiritual com ou sem cariz autobiográfico. Em boa medida, muitas dessas obras refletem conceções com as quais não me identifico. Espelham um cristianismo individualista, voltado para o “aperfeiçoamento” pessoal, sem qualquer atenção a aspetos de natureza social. [Texto de Jorge Paulo]

Sinais dos tempos na Europa Central

Sinais dos tempos na Europa Central

Uma vigília pascal celebrada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus do Luxemburgo, destinada à “Comunidade Portuguesa”, escancarou-nos as portas para uma nova realidade prenunciada pelos últimos pontífices do século XX: a comunidade portuguesa era, antes, uma comunidade lusófona, vibrante, entusiasmada, comprometida e manifestamente transbordante da alegria da ressurreição. [Dina Matos Ferreira ]

Jornadas de formação e actualização sobre o perfil do Sacerdote

Jornadas de formação e actualização sobre o perfil do Sacerdote

Algumas dioceses reuniram o seu clero em retiro; outras adoptaram a modalidade de Encontro. Refiro-me apenas a estas últimas pela sua originalidade, pelos temas e pelos intervenientes, que não se restringiram ao clero. Além dos intervenientes e dos temas, há que considerar igualmente os objectivos, as metodologias e a actualidade das temáticas abordadas. Reporto-me, nesta breve súmula, às Jornadas de atualização do clero das Dioceses do sul (Algarve, Beja, Évora e Setúbal), que tiveram lugar de 15 a 19 de janeiro em Albufeira. [Texto de Serafim Falcão]

Cantamos à mesa

Cantamos à mesa

«Enquanto os membros do 1143 faziam saudações nazi e gritavam “Salazar, Salazar”, os contramanifestantes gritaram frases sobre o 25 de Abril. Além dos antifascistas, pessoas que passavam pelo local, um dos mais movimentados da cidade, juntaram-se ao coro. Cidadãos do Porto que acompanharam os atos afirmaram ao DN que “há muitos anos” não viam nada semelhante na Invicta.» DN, 6 de abril de 2024. [Texto de Sara Leão]

Uma leitura da síntese do Sínodo dos Bispos: convergências, questões e propostas

Uma leitura da síntese do Sínodo dos Bispos: convergências, questões e propostas

O texto da primeira sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (4-29 de outubro de 2023) é rico e bem estruturado. Nestas notas, breves apenas, realço os aspectos que, após uma leitura lenta, mais me marcaram na Parte II, TODOS DISCÍPULOS, TODOS MISSIONÁRIOS, capítulos 8, 9, e 10, em convergências, questões a aprofundar e propostas. [Texto Rui Madeira]

A utilidade e atualidade das provas clássicas da existência de Deus

A utilidade e atualidade das provas clássicas da existência de Deus

Um admirável filósofo português que descobri muito recentemente, Eduardo Abranches de Soveral, o qual foi inclusive professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde estudei, escreveu acerca do Absoluto muitas coisas com as quais concordo e que eu próprio já escrevi. Uma das quais foi a de que a existência do Absoluto é “«óbvia, se aceitarmos a existência do relativo e do finito»”. [Texto de Rúben Azevedo]

Relação com a vida: uma urgência da Humanidade

Relação com a vida: uma urgência da Humanidade

Frequentemente dizemos que o ser humano é um ser em relação, estando, com isto a exprimir que interage com os outros, mais longínquos ou mais próximos; mais reais ou mais em ambiente virtual. No entanto poucas vezes refletimos que, cada um se relaciona com múltiplas dimensões do seu quotidiano e de si mesmo. Hoje escolhi falar de relação com a vida, essa experiência total e urgente que cada um de nós faz desde que nasce até que, daqui, vai embora. Trata-se, pois, da mais significativa valência acerca da qual devemos tornar-nos verdadeiros sábios. [Texto de Margarida Cordo]

Que direito fundamental é este?

Que direito fundamental é este?

Uma esmagadora maioria de deputados e senadores franceses aprovou uma revisão constitucional que consagra o direito ao aborto (eufemisticamente designado, como vem sendo habitual, como “interrupção voluntária da gravidez”) como direito fundamental: um direito situado a par de todos aqueles que constam das históricas Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da Revolução Francesa, e Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. [Texto de Pedro Vaz Patto]

Uma vida muito confortável

Uma vida muito confortável

Talvez asneire sobre as eleições, os resultados das eleições ou as reacções a esses resultados. Talvez divague, ventile ou ressaque muito ao retardatário. Não escolhi ser portuguesa, e vejo nos desbragados ódios, orgulhos e lealdades nacionais inúteis coreografias de medo. Seria, no entanto, ingénuo até à idiotia negar que o sítio onde nascemos nos molda, e é demasiado evidente quanto o estado actual desse sítio nos prejudica a todos. Ou o quanto nos prejudicamos colectivamente.[Texto de Marta Saraiva]

Uma semana sob protesto!

Uma semana sob protesto!

Escrevo em sexta-feira. Sem vontade anímica de escrever seja o que for. Apenas a repulsa, a indignação, quase o sufoco toldam-me a alma e algemam-me o corpo. Porque – e por mais que a chamem Santa – esta sexta-feira é sangrenta, criminosa, demoníaca. O ‘Príncipe das Trevas’ (como predissera a própria Vítima) tomou conta do mundo, tudo quanto de peçonhento e desumano e cruel possa atribuir-se ao espírito diabólico injectou-se nos ossos e nas veias das forças dominantes, infectou a atmosfera judaica e cevou-se no corpo frágil de um jovem sonhador de um outro Israel, reino novo, era nova, mundo novo. [Texto de José Martins Júnior]

“Da poluição mental”

“Da poluição mental”

“Da poluição mental”. Assim surge mencionada pelo Papa Francisco na Laudato si’ (n. 47) uma vertente da situação actual. Mas ele não a descreve, apenas a relaciona, de passagem, com o excesso de informação e de dados, ao lado de outros tipos de poluição: atmosférica, visual e acústica.

Por quem os sinos dobram

Por quem os sinos dobram

Nas férias da passagem de ano li Não Terão o Meu Ódio, o diário que Antoine Leiris escreveu nos dias que se seguiram ao ataque ao Bataclan [em Paris], onde perdeu a sua companheira. O quotidiano subitamente rasgado pela violência. As coisas simples: a hora do banho do filhinho, as papas que as mães de outras crianças do infantário preparavam para o bebé, os vestígios da existência da companheira no cheiro das coisas espalhadas pela casa, nos rituais. E em tudo, para sempre: a sua ausência. [Texto de Helena Araújo]

A política deste tempo de Páscoa

A política deste tempo de Páscoa

A celebração cristã da Páscoa tem a ver com uma nova vida, mas a consciência mundial continua a ser inundada por ideias de morte, onde ela está a ocorrer em consequência da guerra e da fome e de como fazê-la acontecer – pensemos na eutanásia e no aborto. Os políticos podem torcer as mãos sobre a guerra e a fome, mas continuam a pagar as bombas e a prestar ajuda humanitária. Se a vida é preciosa, porque é que é tão difícil fazer o que está certo? [Texto de Phyllis Zagano]

Jesus morre por amor de nós e não por sacrifício

Jesus morre por amor de nós e não por sacrifício

As ideias que têm sido difundidas acerca do significado da morte de Jesus, desde os primórdios do Cristianismo até aos dias de hoje, têm marcado profundamente o pensamento ou as conceções que temos acerca de Deus, e até o modo como nos relacionamos com Ele. A morte sangrenta de Jesus numa cruz provocou sem dúvida  uma profunda crise nos primeiros discípulos e seguidores de Jesus. [Texto de Vítor Rafael]

A semente deitada à terra

A semente deitada à terra

A Páscoa traz para a vida a presença da morte. Daquela morte e daquela cruz de madeira, bruta e cruel. Daquele homem, o Cristo. Igual a nós, como nós, mas mais do que nós. Mais do que nós porque fez da Palavra um rumo de vida, incondicionalmente. Porque se atreveu a desafiar a ordem, os poderosos, e a desinstalar as certezas feitas dos quotidianos baixos e pequeninos daqueles que não fazem perguntas. [Texto de Ana Nunes de Almeida]

Socióloga Ana Nunes de Almeida passa a ser colaboradora regular do 7MARGENS

Integrou Comissão Independente sobre abusos

Socióloga Ana Nunes de Almeida passa a ser colaboradora regular do 7MARGENS

A socióloga Ana Nunes de Almeida será, a partir desta quarta-feira da Semana Santa, 27 de Março, colaboradora regular do 7MARGENS. Depois de ter integrado durante pouco mais de um ano a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica, Ana Nunes de Almeida pretende agora dar um contributo, enquanto católica, para que as coisas mudem na instituição em Portugal.

Como chega o Chega?

Como chega o Chega?

Números redondos causam impressão e nos 50 anos do 25 Abril, ao eleger 50 deputados para a AR de onde sairá o XXIV Governo Constitucional, o partido “Chega” causou a impressão de que modificou a política em Portugal. Trata-se de uma ilusão provinciana, e pior ainda é a deceção que se vai seguir. O Chega é um reflexo da crise da sociedade civil e da secessão das elites. [Texto de Mendo Castro Henriques]

Ungir de antemão

Ungir de antemão

Joaquim Félix é padre católico, vice-reitor do Seminário Conciliar de Braga e professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa; autor de vários livros, entre os quais VERNA. Este texto corresponde à homilia de Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, 24 de março, proferida na  igreja de S. Paulo, do Seminário Conciliar de Braga. 

Agente Neves

Agente Neves

Lia às escondidas desde que aprendera a dar significado às palavras juntando letras. Sonhava, e nesse sonho o mundo era livre, tão livre que só a imaginação – essa imaginação dos poetas, que trespassa quem os lê –, só a imaginação importava. O mundo era uma balança a pesar em pratos de páginas lidas. Não havia lei, nem censura, nem capas proibidas. Havia histórias a eternizar os acontecimentos da linha do tempo. [Texto de Ana Sofia Brito]

IA e a tarefa humana inalienável de pensar

IA e a tarefa humana inalienável de pensar

A Inteligência Artificial vai certamente superar-nos – já o faz, aliás – na capacidade e velocidade de raciocínio. Mas dificilmente o fará quanto à capacidade de pensar. Ajudar-nos-á, como já o faz, a resolver problemas de ordem prática, tecnológicos, ambientais, económicos, científicos, etc., mas não realizará por nós a tarefa pessoal de pensar.

O espanto de Simão Cireneu

O espanto de Simão Cireneu

Os evangelhos descrevem com muita brevidade um episódio curioso que integra o relato da Paixão de Cristo. É a cena da Via Dolorosa, quando um tal Simão Cireneu ajuda Jesus a carregar o madeiro até ao Monte do Gólgota, à ordem do centurião que receava que o nazareno condenado à sua guarda desfalecesse antes de ser executado, tendo em conta a tortura a que já tinha sido submetido e o estado de clara vulnerabilidade física em que se encontrava.

Intolerância com a violência

Intolerância com a violência

A 14 de fevereiro, como habitual, celebra-se o Dia dos Namorados ou de São Valentim, porém este ano, lançou-se uma campanha nacional de prevenção da violência no ciclo de vida, “Não se aceita, ponto!”. A campanha pretende sensibilizar e mobilizar a sociedade civil para quebrar o ciclo da violência e denunciar. [Texto de Marta Cerqueira]

Ordenação de Mulheres? Qual a questão?

Ordenação de Mulheres? Qual a questão?

“Não estou de acordo com o sacerdócio para as mulheres. Como também não estou de acordo com o sacerdócio masculino, mas por razões diferentes do veto estabelecido pelo magistério pontifício. Sinceramente, porque Jesus não ordenou sacerdotes. E porque nas primeiras comunidades de crentes –normativas para a Igreja de todos os tempos – não existem sacerdotes.”, declarou numa entrevista ao jornal “Vida Nueva” a teóloga colombiana Isabel Corpos de Posada. [Texto de Joaquim Armindo]

A zona do medo e do ódio

A zona do medo e do ódio

“A Zona de Interesse” é um filme de 2023, realizado por Jonathan Glazer, que está atualmente nos cinemas. Versa sobre a família Höss – o pai, Rudolf, a mãe, Hedwig, e os cinco filhos (entre eles, Hans, o futuro pai de Rainer). Mais do que um conjunto de pessoas, a família é-nos mostrada como um conceito, uma dinâmica em ação num determinado espaço arquitetónico e geográfico. [Texto de Sara Leão]

E se S. Tomás vivesse nos dias de hoje?

E se S. Tomás vivesse nos dias de hoje?

Há anos, Umberto Eco perguntava: o que faria Tomás de Aquino se vivesse nos dias de hoje? Aperceber-se-ia de que “não poderia nem deveria elaborar um sistema definitivo, como uma arquitetura acabada, mas preferiria uma espécie de sistema móvel, uma Suma de folhas substituíveis, porque na sua enciclopédia das ciências entraria a noção de provisoriedade histórica. Diria, por certo, que deveria pensar outra coisa”. [Texto de Guilherme d’Oliveira Martins]

“Esperaremos sempre”

“Esperaremos sempre”

Há um exílio espiritual no mundo moderno. Apesar do crescimento do bem-estar, mercê do desenvolvimento da ciência e da técnica, há um estado de insatisfação, de vazio e de falta de sentido para a vida. Aspiramos a um mundo de felicidade, um mundo de paz, justiça, liberdade, bem-estar. Sentimos um desencanto e frustração perante o desfazer desse sonho de um mundo mais próspero e igual para todos e onde se possa crescer em paz e segurança. [Texto de Maria do Céu Sousa Fernandes]

Agostinho da Silva e a “missão histórica” de Portugal

Agostinho da Silva e a “missão histórica” de Portugal

Na minha juventude, Agostinho da Silva foi-me uma espécie de pai espiritual. A heterodoxia do seu pensamento (ele diria que não era do ortodoxo nem do heterodoxo, mas do paradoxo), ao mesmo tempo radicada numa visão espiritual do mundo, aberta, indagadora e antidogmática, era para mim fonte de inspiração e formou, em larga medida, o meu próprio pensamento – até hoje.

A Cultura, parente pobre com uma fortuna debaixo do colchão

A Cultura, parente pobre com uma fortuna debaixo do colchão

Em tempo de eleições, as críticas e as queixas proliferam. Mas será que poderíamos repensar como desvalorizamos a Cultura e as Artes? Um olhar mais profundo para algumas grandes economias poderá surpreender. Há alguns anos fui convidada para estar presente num congresso onde se encontravam representantes de diversas entidades e diversos políticos que ocupam, ocuparam ou iriam ocupar lugares de relevo nas tomadas de decisão no país. [Texto de Margarida Rocha e Melo]

E depois da Guerra? (2)

E depois da Guerra? (2)

Se olharmos para a história, percebemos que o fim dos grandes conflitos mundiais leva as nações do mundo a procurar um novo modelo de ordem internacional. Aconteceu com a Guerra dos 30 Anos (os tratados de Westfália, 1648), aconteceu com as Guerras Napoleónicas (o Congresso de Viena, 1815), aconteceu com a Primeira Guerra Mundial (a Sociedade das Nações, 1919) aconteceu com a Segunda Guerra Mundial (as Nações Unidas, 1945). [Texto de Marco Oliveira].

O que podemos aprender com a derrota da abstenção

O que podemos aprender com a derrota da abstenção

Após as eleições de dia 10 de março, não estou tão feliz por quem ganhou quanto estou feliz por quem perdeu: a abstenção. Nunca apreciei quando alguém nos nossos grupos apela ao voto num determinado partido sob o pretexto de que esse seria o voto cristão porque os cristãos deviam estar presentes em todos os partidos. [Texto Miguel Panão]

A arte e a fé não podem deixar as coisas como estão

A arte e a fé não podem deixar as coisas como estão

Segundo Martin Scorsese, hoje há filmes que funcionam como parques temáticos, um compósito de aventuras imparáveis. Começam a disseminar-se também as chamadas experiências imersivas, em que o filme é acompanhado por movimentos de cadeira e os espectadores podem ser salpicados com água em momentos-chave ou cercados de fumo, se o desenrolar da ação assim o exigir. [Texto de Sara Leão].

E depois da Guerra? (1)

E depois da Guerra? (1)

A guerra na Ucrânia já dura há mais de dois anos e tornou-se um assunto inevitável nas notícias e nas conversas de todos nós. Todos falamos de paz e de guerra. E vivemos apreensivos quanto a um possível alastramento do conflito, pois há mais de duas gerações que não víamos um conflito com estas dimensões na Europa. [Texto de Marco Oliveira]

Fé, lugar dos artistas e coisas simples

Fé, lugar dos artistas e coisas simples

Há quem diga que «a arte imita a vida.» Eu não tenho essa certeza, mas sei que quem é capaz de esculpir o seu sentir, através de palavras, tintas, linhas ou paus que seja, vive de uma forma que, talvez por não se fazer entender de modo óbvio, parece incompatível com aquilo que se convenciona chamar normalidade. Hoje, ao escutar um podcast de uma escritora, percebi, talvez por esta usar muito bem também a proza falada, que o que diverge entre os artistas e os outros é o sentir. A maneira como os estímulos impactam e ecoam no interior de cada um faz realmente toda a diferença. [Texto de Margarida Cordo]

A dignificação da política e a prática do bem comum

Sessão de Estudos 2024 do Metanoia

A dignificação da política e a prática do bem comum

Como resposta ao desafio do Papa Francisco de revalorização da política enquanto “uma das formas mais preciosas de caridade”, o Metanoia – Movimento Católico de Profissionais dedicou a sua Sessão de Estudos2024, que decorreu no dia 1 de março no Seminário de Nossa Senhora de Fátima em Alfragide, ao tema” Desafios à participação democrática – aumentar a representatividade, aperfeiçoar os processos de decisão”. [Texto de Paulo Melo]

Cristãos e compromisso cívico

Cristãos e compromisso cívico

A procura em diferentes contextos – familiares, laborais, sociais ou políticos – de opções enquadradas por uma matriz enraizada nos Evangelhos, na Doutrina Social da Igreja, no Sínodo em curso e nos marcantes desafios do Papa Francisco, alertando para o compromisso individual, “Não fiquem no sofá, sejam protagonistas da História”, com óbvio reflexo comunitário, sustentaram esta reflexão, em tempo eleitoral.

Condenados por máquinas?

Condenados por máquinas?

De entre as várias utilizações possíveis de sistemas de inteligência artificial, uma das que mais questões de ordem ética pode suscitar é a do âmbito judicial e, mais especificamente, a da própria decisão, incluindo a que condena em penas ou outras sanções. Que esses sistemas sejam usados como instrumento auxiliar dessas decisões, não suscitará, em regra, esse tipo de questões, embora deva sempre analisar-se de que modo as podem influenciar. [Texto de Padro Vaz Patto]

O fascismo recauchutado

O fascismo recauchutado

A hostil ideologia fascista está de regresso, depois de algumas décadas de adormecimento letárgico, fruto da catástrofe que as suas ideias e práticas provocaram na Europa da primeira metade do século XX. Com a sua derrota no final da Segunda Guerra Mundial, todos julgávamos que o seu espetro sinistro estava definitivamente afastado. Infelizmente, estávamos enganados. Ei-lo que volta a atormentar a velha Europa, cansada e desiludida. [Texto Jorge Paulo]

A linguagem do mal de Trump

A linguagem do mal de Trump

Uma forma de falar está a infestar a nossa política que é insultuosa tanto para o sujeito como para o ouvinte. O vírus do desrespeito espalhou-se. Os sites das redes sociais estão repletos de linguagem grosseira e comentários maldosos. Estranhos agem de forma desdenhosa uns com os outros. As pessoas em posições de poder rebaixam as outras de forma mais evidente. As engrenagens individuais dos sistemas e das organizações esmagam habitualmente os indivíduos. [Texto de Phyllis Zagano]

Uma ativista e uma catequista à conversa com uma teóloga e um padre

Uma ativista e uma catequista à conversa com uma teóloga e um padre

Georgina perguntou-se sobre como explicar a dificuldade de relação dos bispos africanos com o mundo LGBTI+, Helena congratulou-se pela presença de leigos na aula sinodal, Serena sublinhou que a participação não se limita a “fazer parte”, inclui “tomar parte”. Aconteceu no Fórum Europeu de Grupos Cristãos LGBTI+, no qual participou Ana Carvalho.

Mata-me, mãe

Mata-me, mãe

Tiago adorava a adrenalina de ser atropelado pelas ondas espumosas dos mares de bandeira vermelha. Poucos entenderão isto, à excepção dos surfistas. Como explicar a alguém a sensação de ser totalmente abalroado para um lugar centrífugo e sem ar, no qual os segundos parecem anos onde os pontos cardeais se invalidam? Como explicar a alguém que o limiar da morte é o lugar mais vital dos amantes de adrenalina, essa droga que brota das entranhas? É ao espreitar a morte que se descobre a vida.

E o Seminário, terá responsabilidade?

E o Seminário, terá responsabilidade?

Atravessei a década de 80 entre os muros de seminários. Três, ao todo. Dar-me-á esta circunstância a legitimidade para falar abertamente do meu susto? O meu susto é este: conheço pelo menos dois políticos portugueses (que os leitores facilmente identificarão) formados em seminários, cuja opção política está do lado daqueles que, na História, pensaram o povo como um rebanho de gente acéfala e incapaz. [Texto de Paulo Pereira de Carvalho]

Sínodo é representativo ou participativo?

Sínodo é representativo ou participativo?

Quando Francisco, na Jornada Mundial da Juventude, clamou “Todos, Todos, Todos” – e certamente também queria dizer “Tudo, Tudo, Tudo”–, não estava a confinar o chamado “Sínodo dos Bispos” a uma “representatividade saloia” baseada nas estruturas – algumas não existem! – da Igreja Católica Romana. Se assim fosse não seria necessário a inauguração de um novo enriquecimento da Igreja com a consigna “Todos, Todos, Todos”, mas tinha-se apoiado nas estruturas existentes. [Texto de Joaquim Armindo]

A propósito das eleições…

A propósito das eleições…

Uma das coisas boas que a revolução de 1974 nos trouxe foi a possibilidade de escolhermos os nossos representantes políticos. Para a geração dos meus pais, a revolução foi um momento intenso. Finalmente chegara a liberdade. Começaram a participar activamente na vida política, viram o fim da guerra colonial e uma descolonização tumultuosa, assistiam com interesse a debates políticos na TV, debatiam ideologias e as propostas de diferentes partidos políticos. [Texto de Marco Oliveira]

A Loucura do Bem Comum

A Loucura do Bem Comum

O auditório está quase cheio e no pequeno palco alguém inicia a conferência de abertura. Para me sentar, passo frente a quem chegou a horas e tento ser o mais discreta possível. Era o primeiro tempo do PARTIS (Práticas Artísticas para a Inclusão Social) de 2024 na Fundação Gulbenkian. O tema “Modelos de escuta e participação na cultura” desafiou-me a estar e ganhei esse tempo! [Texto Ana Cordovil]

O regresso da sombra da escravidão

O regresso da sombra da escravidão

Vivemos um tempo de grande angústia e incerteza. As guerras multiplicam-se e os sinais de intolerância são cada vez mais evidentes. A fim de ser concreta também a nossa Quaresma, o primeiro passo é querer ver a realidade. O direito internacional e a dignidade humana são desprezados. [O texto de Guilherme d’Oliveira Martins]

Cristo Cachorro, versão 2024

Cristo Cachorro, versão 2024

Invejo de morte a paixão que os cartazes da Semana Santa de Sevilha conseguem despertar. Os sevilhanos importam-se com a sua cidade, as festas e com a imagem que o cartaz projecta, se bem que com o seu quê de possessivo, mas bem melhor que a apatia. Não fossem frases como “É absolutamente uma vergonha e uma aberração” e as missas de desagravo e o quadro cartaz deste ano teria passado ao lado.

O princípio de Betânia

O princípio de Betânia

Numa sexta-feira, seis dias antes da Páscoa, no regresso de Jericó para Jerusalém, Jesus faz uma pausa em Betânia, uma pequena aldeia a três quilómetros de Jerusalém que visitava regularmente, sendo amigo da família de Lázaro, Marta e Maria. É que no sábado a lei judaica não permitia viajar. Entretanto, um tal Simão denominado “o leproso” (talvez um dos que Jesus tinha curado) convida-o para um jantar no sábado à noite na sua casa, também em Betânia. [Texto de José Brissos-Lino]

O apelo da desrazão – NATO versus Rússia

O apelo da desrazão – NATO versus Rússia

Vão soando avisos aqui e ali sobre a eventualidade de uma guerra direta entre a NATO e a Rússia. Parece que há quem esteja preocupado em preparar a opinião pública para essa eventualidade – se é que, nos bastidores que movem o mundo, não se decidiu já que será mais do que uma eventualidade, e em breve. O maior exercício militar da NATO desde a Guerra Fria começou no dia 22 de janeiro – o “Steadfast Defender 24” -, mobilizando 90 mil soldados da Aliança. [Texto de Rúben Azevedo]

Nossa Senhora dos Milagres, um santuário para descobrir

Nossa Senhora dos Milagres, um santuário para descobrir

Na freguesia de Dois Portos, concelho de Torres Vedras, numa modesta elevação do terreno, rodeada por vinhas e campos agrícolas, ergue-se uma pequena construção, caiada de branco, que chama a atenção do viajante. As placas indicativas, na estrada M535, despertam a nossa curiosidade: referem que se trata da capela de Nª Senhora dos Milagres. [Texto de Joaquim Jesus]

Farei música e compreenderei em caminho

Farei música e compreenderei em caminho

Este texto corresponde à homilia do Padre Joaquim Félix no contexto do Lausperene Quaresmal – sábado depois das cinzas ─ vésperas do Santíssimo Sacramento proferida na  igreja de S. Paulo, do Seminário Conciliar de Braga. Lausperene na Cidade de Braga, tradição criada pelo Arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles, em 1710. Tradição, note-se, jamais interrompida ao longo dos séculos.

“Se um dia encontrares o Buda, mata-o”

“Se um dia encontrares o Buda, mata-o”

Agarrados à nossa verdade, é difícil levantar a cabeça para lá da nossa bolha. Assim se alimentam discórdias. No budismo, lidar com o ego é um dos constantes desafios. O comentário de Linji Yixuan coloca-o de modo radical: “Se um dia encontrares o Buda, mata-o”. A verdade é inimiga da Verdade. Ter razão opõe-se à Razão. Cheguei a este oximoro ao observar uma formiga. [Texto de Margarida Rocha e Melo]

Para além do “humanum”

Para além do “humanum”

Apesar dos pedidos de cientistas, a Neuralink de Elon Musk não divulga o procedimento ou qualquer progresso do primeiro ensaio do seu dispositivo Neuralink em seres humanos. Este dispositivo consiste numa interface cérebro-computador implantável, mais invasiva que os dispositivos competidores. A telepatia tornar-se-ia viável. [Artigo de Miguel Panão]

Tesouros e Mulheres numa terra de pobreza

Tesouros e Mulheres numa terra de pobreza

A exposição O Tesouro dos Reis, patente na Fundação Calouste Gulbenkian (até 26 de fevereiro) mostra um conjunto de obras-primas que os reis católicos da Europa ofereceram a várias igrejas da Terra Santa. Estes objetos de elevado valor artístico, pertencentes ao Terra Santa Museum, são pela primeira vez mostrados em Portugal. Temos assim oportunidade para pensar a capacidade técnica e os padrões estéticos da nossa arte, com tudo o que isso implica. [Texto de José Alves Jana]

Carta aos desmemoriados e aos fascinados com discursos “anti-sistema”

Carta aos desmemoriados e aos fascinados com discursos “anti-sistema”

Tinha 12 anos quando aconteceu o 25 de Abril de 1974. O meu irmão mais velho estava na recruta, a “preparar-se” para ir para a guerra. Se o 25 de Abril não tivesse acontecido e se lhe “corresse tudo bem” na guerra, quando ele voltasse, seria a vez do outro meu irmão. Era o destino dos rapazes quando terminavam o liceu. Ir para a tropa, era ir para a guerra. Com a preocupação, o meu pai teve um ataque cardíaco. [Texto Teresa Toldy]

Em defesa da vida. Porque se calam os bispos contra o Chega?

Em defesa da vida. Porque se calam os bispos contra o Chega?

Este texto podia ir beber a um outro, de Henrique Raposo, no Expresso (8/1/24), no qual, quase para começo de conversa, o cronista nos dizia que um católico não podia votar no Chega “porque um católico no Chega é como um bloquista na especulação imobiliária: é uma contradição nos termos”. E explicava-se: “A obsessão nacionalista com os “portugueses de bem” ou com o “Portugal invadido” é a direta negação do bom samaritano e do Pentecostes, é a negação do discurso universal e humanista do Evangelho. [Texto de Miguel Marujo]

A quem Deus vira as costas?

A quem Deus vira as costas?

[domingo vi do tempo comum // dia mundial do doente ─ b ─ 2024] . 1. Acabamos de escutar quatro breves passagens bíblicas, que muito se adequam ao Dia Mundial do Doente, que hoje celebramos. Procuremos receber delas a luz da vida que condensam, para sairmos daqui mais...

“Como tudo se transforma quando descobrimos a nossa paixão”

“Como tudo se transforma quando descobrimos a nossa paixão”

Ken Robinson é o autor do livro “O Elemento – Como tudo se transforma quando descobrimos a nossa paixão”, mas é simultaneamente o orador da Ted Talk mais vista de sempre, conforme publicitado na capa deste livro. Começo por falar desta palestra porque foi a sua visualização que me motivou a ler o livro. O tema da palestra de Ken Robinson é sobre a criatividade e o papel da escola na descoberta daquilo que adoramos fazer. [Texto de Marta Cerqueira]

Mas afinal não há homens bons?

Mas afinal não há homens bons?

Ana Cordovil, pintora e animadora de projetos na comunidade, desafia-nos a olharmos para o outro, aquele de quem desviamos o olhar, como alguém que faz parte de nós, da nossa comunidade. Porque afinal, tal como nós, também ele sonha um mundo melhor para os filhos e alimenta a esperança dessa possibilidade.

Génesis – Uma redacção possível

Génesis – Uma redacção possível

No nosso presente, tão ameaçado pela crise ecológica, pelas alterações climáticas, pelas guerras em curso e por outras que já se insinuam, talvez se afigure algo inoportuno refletir sobre a Criação e o seu significado. Mas tal impressão é cega, e ecoa porventura a nossa já longa e insalubre relação com o mundo material. [Texto de Artur Morão]

Visitar e conhecer o passado para o viver no presente

Visitar e conhecer o passado para o viver no presente

Da minha passagem por Bragança, aproveitei para visitar a Catedral nova que nunca tinha visto. Não tive sorte. Não sendo segunda-feira, era domingo, estava fechada; movimentei-me pela frente e pelos lados. A frente, a servir de placar aos ainda estandartes da JMJ, salientando-se a frase “A Caminho”. Não gostei do principio desse caminho, a começar pelo uso da Catedral, para tal suporte, ou outro que seja. [Texto de Serafim Falcão]

Skady – Deusa da caça, das tempestades e das montanhas

Skady – Deusa da caça, das tempestades e das montanhas

A Skady ultrapassou a idade prevista para um cão do seu porte, deixou de mover as patas traseiras, perdeu a visão e escasseou-lhe a audição. Eu não aguentava a angústia de a olhar sem saber o que fazer para a ajudar. Deixou de ser a caçadora de galinhas, trepadora de montes, rochas e falésias, e nadadora de mares revoltos, para se tornar a vulnerabilidade sem vitimização que só eu não sabia aceitar. Fosse eu um cão e viveria bem melhor. [Texto de Ana Sofia Brito]

O ser e a liberdade (II)

O ser e a liberdade (II)

O Ser Humano tem uma enorme facilidade para se esquecer do essencial. Precisa de ser dele continuamente lembrado. É nesse sentido que a disciplina da religião e do rito pode ser proveitosa, no sentido em que introduz a disciplina da memória. [Texto de Ruben Azevedo]

Abençoar ou não abençoar?

Abençoar ou não abençoar?

Para os católicos que sabem da sua existência, o Sínodo mundial da Igreja sobre a Sinodalidade ou traz esperança ou provoca incómodo. Passados mais de dois anos desde que foi proposto, o processo de reunir católicos de todo o mundo para rezarem e falarem sobre os melhores meios de difundir o Evangelho, os temas e métodos do sínodo permanecem desconhecidos para muitos católicos, frequentadores ou não da Igreja. [Texto de Phyllis Zagano]

Um padre pode ser substituído por Inteligência Artificial?

Um padre pode ser substituído por Inteligência Artificial?

“É uma questão de tempo” – respondeu um jovem a quem fiz a pergunta que deixo no título. A convicção do jovem não se refere tanto à função de pastor de uma comunidade, mas tão só a dados que os sistemas de IA recolhem na rede e, em alguns casos, ao algoritmo que os combina para criar novos cenários, ideias ou até diferentes análises dos assuntos em tratamento, respondendo ao utilizador. [Texto de Alberto Teixeira]

“Fiducia supplicans” pelo olhar do Amor

“Fiducia supplicans” pelo olhar do Amor

A Igreja Católica vive tempos intensos. Sente-se a tensão em diferentes meios e sobre diversos assuntos. Sinto-me parte desta Igreja e por isso vou também percebendo algumas tensões. Pelo Mundo vão surgindo posições, textos, revoltas, ânimos e tantas outras posições perante a declaração Fiducia supplicans, do Dicastério para a Doutrina da Fé, do Vaticano, sobre o sentido pastoral das bênçãos. [Texto de Tiago Costa]

Morreste-me, mãe!

Morreste-me, mãe!

“Morreste-me, mãe! E estas grades impediram-me de te ir dar o último beijo frio. Ouvia dizer por aqui que dos maiores medos de estar preso era acontecer uma desgraça destas e nós cá dentro, impotentes. Mas só comecei a perceber isso à medida que a tua doença e velhice foram avançando” — texto de Lígia Pires, que retoma palavras de um recluso.

O ser e a liberdade

O ser e a liberdade

O desejo metafísico, que se exprime essencialmente no desejo do Absoluto (porque somos seres-para-a-Transcendência), exprime-se correlativamente no desejo da liberdade metafísica, que é desejo pelo incondicionado, natureza do próprio Ser. Não há como esconjurar de nós a condição de seres-para-o-Infinito, com a qual e na qual temos de viver, a par da nossa finitude e da objetividade aparente das coisas. [Texto de Ruben Azevedo]

“Mas é importante, Mariama, que a Igreja de Teu filho não fique em palavra, não fique em aplauso”

“Mas é importante, Mariama, que a Igreja de Teu filho não fique em palavra, não fique em aplauso”

A JMJ., bem como a sua preparação, cujos referentes primeiros sejam os católicos, não o são exclusivos; abrange o mundo e, neste, todo o ser humano, por ser simplesmente humano. Mas, quem acompanhou, minimamente, a sua notícia, a sua preparação, notou que só se começou a saber, a ter conhecimento e a tomar consciência da JMJ, após se salientar o “deus Mamona”- o preço dos altares. [Texto de Serafim Falcão]

Gato por lebre

Gato por lebre

Foi Churchill quem escreveu, em 1933, a propósito do genocídio arménio “a História procurará em vão a palavra Arménia”.  Exprimia assim a sua decepção com o Tratado de Lausanne que, ao firmar a paz com a Turquia, diplomaticamente apagara a referência a esse que foi o primeiro Holocausto do século XX. Decepção não apenas com o texto do Tratado, mas com o manto de esquecimento propositadamente vertido sobre a História em nome de cínicos interesses comerciais e geopolíticos. [Texto de Luís Soares Barbosa]

Aprender a ser nada

Aprender a ser nada

Numa história que escreveu, a escritora Lydia Davis conta que, depois de ouvir o seu amigo Bob desejar emagrecer e beber menos, sentiu a necessidade de reflectir sobre o que poderia ser o seu propósito do Ano Novo. Por alguma razão, qualquer coisa que escolhesse parecia pouco. Lydia escolhe — «aprender a ver-se a si própria como nada.» Parece um contrassenso alguém definir um propósito assim, mas talvez não esteja tão longe da sabedoria como poderíamos pensar. [Texto de Miguel Panão]

Igreja Portuguesa: nem “Laudato Si'”, nem “Laudate Deum”

Igreja Portuguesa: nem “Laudato Si'”, nem “Laudate Deum”

Há acontecimentos na Igreja Católica Romana que nunca se esquecem, talvez porque se farejam neles algumas novidades que podem trazer à instituição “igreja” aquilo que lhe falta. É, por exemplo, a realização da Jornada Mundial da Juventude, que se pode traduzir para ela um símbolo de rejuvenescimento, mercê da tão importante adesão de jovens e não só. E, de facto, o abandono da maior parte dos jovens da igreja é motivo para não compreender porque os jovens aderiram e deliraram com a JMJ. [Texto de Joaquim Armindo]

Silêncio, Tempo e Discrição

Silêncio, Tempo e Discrição

Estando, anteontem, a preparar a minha intervenção numas Jornadas, dei por mim a fazer, em certo ponto, uma pequena descrição, que dizia mais ou menos assim – Vivemos num mundo sem silêncio, sem persistência, sem discrição, assente na exibição, com muito má relação com o esforço, sem capacidade de adiamento da gratificação e com procura sistemática de soluções mágicas. [Texto de Margarida Cordo]

O som da liberdade

O som da liberdade

Quem, como eu, não tenha muito tempo para ir ao cinema, ou para de outro modo ver filmes, vê-se forçado a escolher bem os filmes que vê, para que não seja desperdiçado esse seu precioso tempo. Já a várias pessoas tinha ouvido recomendar o filme O Som da Liberdade, inspirado em factos reais de combate ao tráfico para exploração sexual de crianças e adolescentes (a ação de Tim Ballard, que resgatou desse tráfico um grande número de crianças). [Texto de Pedro Vaz Patto]

A mesa de Jesus – por uma teologia da hospitalidade

A mesa de Jesus – por uma teologia da hospitalidade

No Novo Testamento, os relatos que temos acerca de Jesus à mesa, tanto nos sinóticos como no evangelho de João, não deixam de expor tensões entre comensais e até mesmo entre o Mestre e as autoridades religiosas. Jesus não se inibe de estar com quem quer que seja. [Texto de Vítor Rafael]

Na Tanzânia, com o Graal

Na Tanzânia, com o Graal

“O Novo nasce todos os dias e em todos os lugares do planeta. O Novo está dentro de nós, se nos dispusermos a acolhê-lo. Também a Luz na escuridão, pontos de Luz a iluminar a noite. Luz na asa de um avião, asa de um anjo que esperamos, em atenção profunda”, escrevi eu aos amigos na minha usual mensagem de Natal, escrita no avião de regresso da Tanzânia. [Texto de Teresa Vasconcelos]

Natal e Ano Novo como êxodo

Natal e Ano Novo como êxodo

Em sociedades complexas, como a portuguesa, a celebração do Natal é marcada pelo consumo e ligação às festas de Fim de Ano e Ano Novo. Existe um certo regresso ao paganismo, que a dogmatização da data do Divino Nascimento quis combater a partir do século terceiro. A actual e generalizada prática social destas festas, não deixa de se ligar a um aspecto fundamental do judaísmo e do cristianismo que é a questão do Êxodo. [Texto de Alberto Teixeira]

Amar a Deus, seguir Jesus, viver a vida

Amar a Deus, seguir Jesus, viver a vida

No início dum novo ano não adianta gastar tempo a falar das habituais determinações de Ano Novo, que só duram duas ou três semanas… O facto é que passou mais um ano e estamos mais velhos. Fala-se muito no legado que deixamos aos que ficam quando partimos, seja na vida profissional, académica, familiar, artística, política, social ou espiritual. Afinal, qual é o foco da nossa vida? Em que é que estamos a fazer a diferença? [Texto de José Brissos-Lino]

Jornalismo no campo político, jornalismo no campo religioso

Jornalismo no campo político, jornalismo no campo religioso

Qual o Programa Pastoral, o que pensa sobre o clero, as homilias, a dinâmica das paróquias, o laicado, a concretização do que vem do Santo Padre, da Conferência Episcopal, do senhor Bispo e, presentemente, sobre o Ano Sinodal. Não me lembra de ouvir perguntas sobre este assunto, sobre o qual, o que se sabe sobre isso. Alguém sabe o que se faz na sua Paróquia? [Texto de Serafim Falcão]

As bolachas de água e sal da Vizinha Rita

As bolachas de água e sal da Vizinha Rita

A Vizinha Rita morreu e recebi a notícia nessa mesma noite quando estava já deitada. Por essa hora eu lia um texto genial do Três-Setes, livro de Eduardo Duarte, onde o protagonista é abordado pelos seus mortos numa noite assombrada.

Como é possível a Paz?

Como é possível a Paz?

O Papa Francisco alerta-nos na Mensagem do Dia Mundial da Paz de 2024 para o facto de as máquinas inteligentes poderem “desempenhar as tarefas que lhes são atribuídas com uma eficiência cada vez maior, mas a finalidade e o significado das suas operações continuarão a ser determinados ou capacitados por seres humanos com o seu próprio universo de valores. (Guilherme d’Oliveira Martins).

Bênçãos para casais irregulares?

Bênçãos para casais irregulares?

Em 2021, a então Congregação para a Doutrina da Fé publicou um documento cujo objetivo era clarificar a possibilidade de abençoar casais do mesmo sexo. Numa linguagem seca, rígida, legalista e moralizante, típica da teologia romana, o documento conclui sobre a impossibilidade de a Igreja abençoar as uniões entre pessoas do mesmo sexo, uma vez que só no contexto do casamento heterossexual as relações sexuais encontram o seu “sentido natural, adequado e plenamente humano”. (Jorge Paulo).

Taizé em Liubliana: viver com menos, sermos mais e melhores

Taizé em Liubliana: viver com menos, sermos mais e melhores

Viver um Encontro Europeu de Taizé é viver uma experiência inesquecível e, verdadeiramente, transformadora!  É sentir a total dimensão do amor, da simplicidade, da escuta, da bondade, da solidariedade, do encontro, da Fé, da reflexão, da aventura, da inquietação, da partilha, do sacrifício, da superação, do silêncio, da paz, da alegria, da transformação! (Cláudia Silva)

E se fôssemos «o filho do outro»?

E se fôssemos «o filho do outro»?

[Santa Maria, Mãe de Deus, Solenidade // Dia Mundial da Paz ― b ― 2024]   1. A liturgia da Igreja dedica o primeiro dia do ano civil a Maria, celebrando a sua prerrogativa única e o seu título essencial de ‘Mãe de Deus’. À semelhança de Maria de Nazaré (cf Lc...

“Ano Novo, Vida Nova”

“Ano Novo, Vida Nova”

Diz a sabedoria popular “Ano Novo, Vida Nova” e o povo lá terá as suas razões coincidentes ou não com as de cada um e de cada uma dos leitores e leitoras do 7MARGENS. A verdade é que chegado o momento dos festejos da passagem de ano lá engolimos as dozes passas para, supersticiosamente, enfatizarmos secretamente os nossos desejos. (José Centeio)

É urgente procurar o que nos une

É urgente procurar o que nos une

Enquanto a polarização nos media e redes sociais se torna um negócio, no Grupo de Trabalho para o Diálogo Inter-Religioso (GT-DIR) procuramos o que nos une. Foi com o maior gosto que passei a integrar este grupo, em nome da União Budista Portuguesa. (Margarida Rocha e Melo).

Alma e identidade pessoal

Alma e identidade pessoal

Alguns filósofos contemporâneos, negando a existência da alma, afirmam que a identidade pessoal consiste, simplesmente, na “continuidade espaciotemporal”[1]. Isto é, somos aquilo que somos porque, ao longo do tempo, há algo que permanece espaciotemporalmente, quer dizer, física ou fisiologicamente. (Rúben Azevedo).

Quem torto nasce…

Quem torto nasce…

Há uns tempos o 7MARGENS fez um convite “a partilhar leituras da situação actual, e propor caminhos de futuro”, relativamente à situação da Igreja Católica (e do cristianismo em geral), nomeadamente o Sínodo a decorrer! Assim, pareceu-me útil enviar este texto, dado o vazio para onde a Humanidade está a caminhar, quando nunca teve tantas possibilidades de evolução positiva! (António Casimiro)

Em cima da hora

Em cima da hora

Este texto corresponde à homilia do passado domingo – Domingo IV do tempo do advento ― b ― 2023, do calendário litúrgico católico,  proferida na comunidade paroquial de Fragoso, concelho de Barcelos. (Pe Joaquim Félix).

Direitos Humanos

Direitos Humanos

O 75º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, celebrado no passado dia 10 de dezembro, foi associado numa nota da comissão executiva da assembleia das comissões Justiça e Paz europeias (Justiça e Paz Europa) ao 60º aniversário da encíclica do Papa São João XXIII Pacem in Terris, a qual foi publicada em 11 de abril de 1963. (Pedro Vaz Patto)

Um Bom Dia para as maganas

Um Bom Dia para as maganas

Era um ano de seca na região algarvia e o rebanho estava faminto. Na manhã cujo relato se segue, Toine Baguinhe – o pastor – aventurou-se para lá da 125 na esperança de encontrar erva húmida com que alimentar as 500 ovelhas que pastava. Ali, naquela terra de ninguém que fronteia os descampados da cidade, talvez a sorte sorrisse. (Ana Sofia Brito)

As vulnerabilidades só se reduzem com as luzes de Natal?

As vulnerabilidades só se reduzem com as luzes de Natal?

Durante as semanas que antecedem o Natal vemos o ressurgir de uma série de movimentos sociais que parecem ganhar força (só) neste mês do ano. Nesta quadra festiva, quero que possamos refletir na importância de ver/ajudar o Outro/a também de Janeiro a Novembro. (Carlos Barros)

Do que se fala e do que se devia falar

Do que se fala e do que se devia falar

O sofrimento que não projeta, não dá fotos, não dá audiências, é ignorado como se não existisse. Não é importante. Não tem qualquer destaque o que acontece com algumas famílias; o que acontece com adultos e crianças de todas as idades, se forem desconhecidos ou não tiverem razão de evidenciação. (Margarida Cordo)

Mensagens sem a MENSAGEM

Mensagens sem a MENSAGEM

Li com atenção, não tanto o texto integral das mensagens de alguns bispos portugueses, no início do Advento, mas os resumos que a imprensa me proporcionou. Preferia que, tal como as grandes superfícies comerciais, o fizessem, com mais antecedência, para que os párocos, nas suas paróquias, se preparassem e preparassem os seus fiéis. (Serafim Falcão)

A loucura do antissemitismo

A loucura do antissemitismo

Inicio esta crónica com palavras roubadas ao historiador Paul Johnson, escritas num dos seus ensaios sobre os judeus: “Há uma irracionalidade inata na febre do antissemitismo: contradizem-se. Dizem que os judeus são exibicionistas, mas sigilosos. Que não se integram, mas que se imiscuem. Que são ultra-religiosos, mas não têm fé. Que odeiam a cultura, mas impõem a sua. Que evitam trabalhar, mas lucram demasiado. Que são miserabilistas, mas materialistas.” (Florentino Beirão).

As Crianças de Gaza: Brincar nas Nuvens?

As Crianças de Gaza: Brincar nas Nuvens?

No passado dia 20 de novembro festejou-se mais uma vez o Dia dos Direitos da Criança.  Em 20 de novembro de 1989, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Convenção sobre os Direitos da Criança. Anteriormente as Nações Unidas haviam votado a Declaração Universal dos Direitos da Criança. Em 1990, Portugal adoptou a Convenção sobre os Direitos da Criança. Entre nós, desde 1990, ambas – Declaração e Convenção – são comemoradas nesta data. (Teresa Vasconcelos)

Argumento em verso contra o ateísmo

Argumento em verso contra o ateísmo

Desta vez Ruben Azevedo propõe-nos uma reflexão em jeito de poema. O que será mais racional? / Dizer que a multiplicidade universal vem de si própria / Ou antes que vem da absoluta unidade? / Não vem toda a variedade /de uma unidade mais fundamental /que a precede?

A hipertrofia do desejo e a decadência da esperança

A hipertrofia do desejo e a decadência da esperança

Agarrados ao smartphone e a todos os “devices” que nos são imprescindíveis com as vastíssimas sugestões à nossa medida, nem percebemos como transformamos paulatinamente a nossa vida e a nós mesmos num palco de consumo onde o desejo substitui a esperança. Pelo algoritmo ficamos subordinados aos maravilhosos expedientes das ferramentas “inteligentes”: eficiência, imediatismo e “customização”, que, através de umas singelas preferências, nos fornecem tudo aquilo que precisamos, transformando os nossos desejos em necessidades que não podem esperar. (Dina Matos Ferreira)

Os extremismos são pasto dos fundamentalismos — religiosos e seculares

Os extremismos são pasto dos fundamentalismos — religiosos e seculares

O caminho é óbvio: nem tanto ao secularismo, nem tanto à religião. Em Portugal, no dia em que a Liberdade Religiosa é celebrada nos espaços do Parlamento, sublinha-se o equilíbrio que alguns insistem em desequilibrar: a laicidade do Estado e o secularismo da sociedade não são postos em causa por apoios do Estado a eventos religiosos, nem a religião se vive enfiada na sacristia ou fica fechada no espaço dos cultos.

Vivemos no Tempo da Grande Inércia

Vivemos no Tempo da Grande Inércia

Um dos maiores problemas ambientais e dos mais negligenciados é a nossa linguagem. Numa recente Newsletter do jornal britânico The Guardian, o jornalista George Monbiot escrevia que — «Um dos problemas que enfrentamos ao convencer as pessoas a amar e proteger o mundo vivo é a linguagem na qual esse amor é expresso.» (Miguel Panão)

Como recuperar a esperança?

Como recuperar a esperança?

Neste Advento, o mundo apresenta-se incerto, imprevisível e distante dos Evangelhos. Precisamos de sinais de esperança. No prefácio que a um livro da autoria do Papa João Paulo I, Albino Luciani, o cardeal D. José Tolentino Mendonça pergunta: “Qual é a tarefa do cristianismo após a fratura da modernidade?” 

“Não me detenhas” | O regresso das impertinentes (II)

“Não me detenhas” | O regresso das impertinentes (II)

Escrevo para perceber como sinto o mundo, essencialmente. Deve haver formas mais eficientes de organização mental, esta é a minha. Enquanto escrevia, fui-me dando conta do quão formatada fui para agir. Isso é bom, mas em épocas de mudança é preciso arriscar o não fazer, e observar. Foi isso que procurei propor na primeira parte: cultivar a atitude de observar o que herdámos e o que nos rodeia. (Marta Saraiva).

A força do Verbo

A força do Verbo

O texto joanino diz-nos: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (Evangelho de João 1:1-4). (José Brissos-Lino)

Bíblia ou Tradição?

Bíblia ou Tradição?

Desde a Reforma Protestante que o Catolicismo se debate com a questão das fontes da revelação. Por oposição ao Protestantismo, que vê na Bíblia a única e exclusiva fonte da revelação, o Catolicismo sublinha a importância da Tradição para o estabelecimento da revelação divina. A questão, em termos simples, resume-se a saber como é que cada crente pode aceder à Palavra de Deus. (Jorge Paulo)

O “caso” frei Bernardo de Vasconcelos: 100 anos da sua vocação monacal e uma carta

O “caso” frei Bernardo de Vasconcelos: 100 anos da sua vocação monacal e uma carta

Vem isto a propósito de uma efeméride que concerne o jovem Frei Bernardo de Vasconcelos (1902-1932), monge poeta a quem os colegas de Coimbra amavam chamar “o Bernardo do Marvão”, nome pelo qual era conhecido nas vestes de bardo, natural de São Romão do Corgo, em Celorico de Basto, Arquidiocese de Braga, que a Igreja declarou Venerável e que, se Deus quiser (e quando quiser), será beatificado e canonizado. (Pe Mário Rui de Oliveira)

Secularismo e Direitos Humanos

Secularismo e Direitos Humanos

O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) decidiu, no passado dia 28 de novembro (ver 7MARGENS), que a administração pública de um país pode proibir os seus funcionários de usarem visivelmente qualquer sinal que revele crenças filosóficas ou religiosas, a fim de criar um “ambiente administrativo neutro”. Devo dizer que esta formulação me deixa perplexa e bastante preocupada. É óbvio que todos sabemos que a Europa se construiu sobre ruínas de guerras da religião. (Teresa Toldy)

Viver a Fraternidade:  testemunho sobre a Irmãzinha Maria Montserrat de Jesus

Viver a Fraternidade: testemunho sobre a Irmãzinha Maria Montserrat de Jesus

Há pessoas que marcam em definitivo a nossa vida. A Irmãzinha Montserrat marcou a minha. Com a sua partida para Deus, a 13 de março do corrente ano, surgiram claras as recordações de tanto caminho andado em conjunto. Aqui fica um pequeno testemunho sobre tão grande amiga e mestra. A Irmãzinha Maria Montserrat de Jesus era catalã e viveu uma grande parte da sua vida em Lisboa, como religiosa da Fraternidades das Irmãzinhas de Jesus de Carlos de Foucauld.

Amor e Sentido

Amor e Sentido

O Sentido talvez consista numa entrega total a algo, causa ou ideia, com amor. Mas não estou certo de que todas as causas suscitem a mesma plenitude de sentido. O que trará essa plenitude? A dimensão ou integridade do amor que se dedica, ou a causa em si, objeto desse amor? É certo que o “muito amar” justifica até a causa aparentemente mais insignificante, contanto seja um amor sincero, até certo ponto desinteressado, e não uma tábua de salvação para a angústia da solidão ou da falta de sentido. (Ruben Azevedo)

O funeral da mãe do meu amigo

O funeral da mãe do meu amigo

O que dizer a um amigo no enterro da sua mãe? Talvez opte por ignorar as palavras e me fique pelo abraço apertado. Ou talvez o abraço com palavras, sim, porque haveria de escolher um ou outro? Os dois. Não é possível que ainda não tenha sido descoberta a palavra certa para se dizer a um amigo no dia da morte da sua mãe. Qual será? Porque é que todas as palavras parecem estúpidas em dias de funeral? 

Igreja: não nos serve uma simples administração

Igreja: não nos serve uma simples administração

Falemos claro, sem personalizar ou localizar, mas pelo que acontece, quase sempre e em toda a parte, nos mesmos cargos, e nas mesmas circunstâncias. Intervenhamos numa atitude conventual, numa expressão que hoje praticamente não se usa e nem sei se se pratica, a chamada “correcção fraterna”. Quero referir-me aos últimos acontecimentos, particularmente, na Igreja; novos Bispos sagrados e novos cardeais purpurados ou investidos e também novas colocações de Párocos. (Serafim Falcão)

O Papa Francisco e a COP28 do Dubai

O Papa Francisco e a COP28 do Dubai

A COP28 do Dubai que inicia dia 30 de novembro motivou ao Papa Francisco a redação da exortação apostólica Laudate Deum sobre a crise climática, que regista uma intensa carga política: estatisticamente, dos seus 73 pontos, 60 são de natureza exclusivamente política e apenas 13 com conteúdo espiritual, religioso, ou diretamente ligado à vivência da fé cristã. (Dina Matos Ferreira)

“Não me detenhas” | O regresso das impertinentes (I)

“Não me detenhas” | O regresso das impertinentes (I)

Pensava que não voltaria aqui tão cedo, mas continuo às voltas com o tema do lugar das mulheres na Igreja. Seria fácil assumir o papel de demolidora passiva, não propor nada, e mascarar a minha inércia com uma aparente e plácida ponderação. Fui bem-ensinada a desconfiar da afeição a temas difíceis, que acaba por nos domar e toldar o horizonte e, além disso, quem não quer marcar pontos de moderação nestes tempos desbragados? (Marta Saraiva)

Memória como disciplina espiritual

Memória como disciplina espiritual

Lembrem-se. “Lembrem-se e não se esqueçam”, assim diz no quinto livro da Torá. A memória é algo que Deus dá à Humanidade para o seu proveito. Esta faculdade mental é tão importante que o verbo “lembrar” tem 232 ocorrências, apenas no Antigo Testamento. A memória é essencial para o processo de aprendizagem, para a adaptação a um ambiente ou a uma cultura, para o cultivo de uma saúde emocional e ainda para a definição de identidade pessoal. (Débora Hossi)

Abraçar o vazio

Abraçar o vazio

Enfrentar o vazio é necessário. Abraçar o vazio. Porque é no deserto que a revelação acontece. O homem não foi feito para estar sempre saciado, antes pelo contrário, a insatisfação e o inacabamento são a sua condição. Tal não significa que ele não deva buscar satisfazer-se, contanto que seja a partir daquilo que lhe é próprio, essencial. E o essencial, em nós, nem está dado nem é passível de conquista definitiva.

Enfrentar a superficialidade digital com ocasiológios

Enfrentar a superficialidade digital com ocasiológios

Um dia cruzei-me com alguém que disse não conseguir ir à missa de terça-feira onde cantávamos porque tinha uma oração on-line. Fiquei a pensar nessa situação por ter-me sido partilhado um estudo que demonstrava como a comunicação por Zoom afeta o nosso cérebro activando menos os seus sistemas sociais, face a uma conversa presencial, além de não oferecer a mesma profundidade de ligação neuronal como nos encontros de olhos nos olhos. (Miguel Panão)

O Sínodo? A Igreja? Qual a minha esperança?

O Sínodo? A Igreja? Qual a minha esperança?

Jesus foi uma contradição. Contrariou todas as expectativas desde o seu nascimento. Os judeus esperavam um messias à sua imagem e semelhança, todo-poderoso, rei dos judeus (rei deste mundo). Jesus começou por nascer como um sem-abrigo, nem casa teve, nem sequer um quarto. Foi perseguido e teve de fugir. Comeu com todos, era amigo dos mais frágeis, dos excluídos do seu tempo. Acolheu todos, começando pelos últimos, pelos rejeitados, pelos considerados impuros. (Isabel Viseu)

A “clericalização” das mulheres

A “clericalização” das mulheres

Ao ouvir certos representantes da Igreja Católica, fica-se com a impressão de que vale quase tudo para afastar as mulheres dos lugares de liderança no interior da instituição. No entender destes senhores, se o que se pretende hoje é proceder à desclericalização da Igreja, a clericalização das mulheres vai acontecer ao arrepio do principal objetivo da reforma.

Pobres: “envolver-se pessoalmente é a vocação de todo o cristão”

Dia Mundial dos Pobres

Pobres: “envolver-se pessoalmente é a vocação de todo o cristão”

Hoje, 19 de novembro, assinala-se o Dia Mundial dos Pobres, instituído há oito anos pelo Papa Francisco. Não é de somenos importância falar de pobres e não de pobreza. Estamos a falar de pessoas e não da pobreza enquanto objeto sociológico, universo de estudo económico ou estratégia de políticas públicas. Pessoas concretas: pais, mães, crianças, jovens, famílias, velhos abandonados à sua solidão, sem-abrigo… Talvez um nosso vizinho num bairro próximo.

Aprender a olhar para as insignificâncias

Aprender a olhar para as insignificâncias

O António Lobo Antunes acaba por dizer, num dos seus textos, que terminar uma crónica é fácil: “Põe-se o ponto final e deixa-se o resto da página em branco, pronto.” Cá para mim escrever crónicas é a maneira mais dolorosa de dar significado ao insignificante. A crónica – quando se lê Clara Ferreira Alves, António Lobo Antunes, Rui Zink, Miguel Esteves Cardoso – parece a forma literária de mais fácil execução, como se aquilo que se lê sempre tivesse estado lá, assim tão óbvio. (Ana Sofia Brito)

Lembrar o Padre Manuel Antunes

Lembrar o Padre Manuel Antunes

Começo por agradecer ao Professor José Eduardo Franco a iniciativa de fazer regressar aos nossos dias um mestre fundamental. O Padre Manuel Antunes teve um papel essencial, ainda antes de 1974, na preparação da democracia. Os seus textos são exemplo que não podemos esquecer. (Guilherme d’Oliveira Martins)

Guerra é nome de gente

Guerra é nome de gente

A guerra é conteúdo digital, enquadrado por música, tipos de letra, efeitos surpreendentes, segundo os requisitos de cada rede social.

Escatologia sapiencial não costuma falhar

Escatologia sapiencial não costuma falhar

[xxxii domingo do tempo comum // último dia da semana dos seminários ― a ― 2023]   1. Pudesse hoje proporcionar-vos uma visita especial, para admirar uma das páginas da Escritura acabadas de ouvir, e iríamos à igreja de S. Paulo do Seminário Conciliar, em Braga....

Religiões, conflitos e diálogo

Religiões, conflitos e diálogo

Ao ler as opiniões que se vão publicando a respeito da trágica situação que vive hoje a Terra Santa, nota-se nelas a tendência para tomar partido. O cardeal D. Américo Aguiar disse que esse é um grande perigo e parece-me que tem razão. Contrária a essa visão “partidária” é a de quem procura colocar-se no lugar do outro. [A opinião de Pedro Vaz Patto]

A solicitude pelos pobres

Nunca afastes de algum pobre o teu olhar - V

A solicitude pelos pobres

S. Paulo VI, na Mensagem da Quaresma de 1978, afirmou: «Já se disse alguma vez que existe uma arte de dar e uma arte de receber; os cristãos não têm senão um termo para uma e outra: a compartilha fraterna.»[1]. Em suma, dar e receber é uma arte e, na perspetiva cristã, esta arte tem um nome, chama-se “partilha fraterna”. Cristãos ou não, nem todos, têm esta arte. (Eugénio Fonseca)

Haverá outro caminho?

Haverá outro caminho?

Temo que o preço a pagar para eliminar o Hamas venha a ser demasiado alto. Já está a ser. Em vidas humanas inocentes. Não haverá outra forma de resolver o problema que não implique o continuar dos bombardeamentos e uma invasão em larga escala, que só trará mais mortandade de ambos os lados? Como é que se extirpa uma ideologia radical e uma organização cujo braço armado atinge os 100 mil homens? (Ruben Azevedo)

Estas lutas infrutíferas, estas guerras ruinosas…

Estas lutas infrutíferas, estas guerras ruinosas…

Já não bastava a guerra que se prolonga na Ucrânia. Agora temos outra guerra na Terra Santa. E nos meios de comunicação, nas redes sociais surgiu uma nova avalanche de notícias, imagens e comentários sobre este conflito. Foi a barbárie dos massacres de 7 de outubro, é a violência dos combates que se têm seguido, é o sofrimento e o desespero de todos os inocentes; tudo isto nos perturba. (Marco Oliveira).

Deus e a sociedade perfeita

Deus e a sociedade perfeita

Neste texto do Novo Testamento S. Paulo cita o salmista para dizer que as pessoas vivem na impiedade, por palavras e actos. Não há pessoas perfeitas. Logo, não há famílias perfeitas. Não há comunidades cristãs perfeitas, nem escolas, nem empresas, nem fábricas, nem cidades, nem vizinhanças, nem lideranças políticas, nem governos, nem sociedades perfeitas. (José Brissos Lino)

Que padres… para a Igreja?

Que padres… para a Igreja?

[xxxi domingo do tempo comum // 1º dia da semana dos seminários ― a ― 2023]   1. Como sabereis, neste e no próximo fim de semana, os seminários arquidiocesanos de Braga deslocam-se às comunidades do arciprestado de Celorico de Basto. Estamos em saída e garantimos...

Exigir e ousar no “caminhar juntos”

Exigir e ousar no “caminhar juntos”

O último mês de outubro de 2023 marcou uma nova etapa do processo sinodal em curso, depois da auscultação do Povo de Deus, dos encontros locais, diocesanos e nacionais e das assembleias continentais que reuniram e continuaram o discernimento em redor da problemática sinodal: como assumir a identidade sinodal que a Igreja já comporta desde os tempos primitivos?

Cristianismo: humanismo e dignidade integrais num mundo cindido

Cristianismo: humanismo e dignidade integrais num mundo cindido

Numa das minhas viagens no Metro no Porto, uns estudantes conversavam entre si sobre os malefícios do cristianismo para a sociedade. Pessoas enganadas por outras pessoas enganadas. Não se ser fiel aos princípios professados é uma realidade em qualquer grupo social. Creio que não vale a pena negar que, ao longo de séculos, os contraexemplos de cristãos a não serem cristãos são abundantes.

A quem pertence a “Casa Aberta”

A quem pertence a “Casa Aberta”

Esta tinha sido a casa da sua mulher, Dália, de uma família de judeus vindos da Bulgária em 1948, em plena época do Êxodo da Europa central para a Palestina, logo após a II Grande Guerra. A versão oficial era a de que Ramle e outras cidades próximas, como Jafa e Lidah, tinham sido abandonadas pelos seus próprios habitantes, que fugiam diante do exército israelita vitorioso – e tanto bastava para que estes imigrantes pobres, acossados pela memória do Holocausto, as ocupassem de consciência tranquila, como sendo a “sua” Terra Prometida.

Agir com e pelos pobres

Nunca afastes de algum pobre o teu olhar - IV

Agir com e pelos pobres

São muitíssimo diferentes as causas que estão na origem das condições em que vivem as pessoas em situação de pobreza. Já não é suficiente o critério dos três “Ds” – desemprego, divórcio e doença. Na verdade, não é bem assim. Basta vermos que 1/3 dos trabalhadores vivem no limiar da pobreza e o crescente número de famílias monoparentais, que não resultam de divórcios, assim como o risco em que se encontram os grandes agregados familiares e, ainda a baixa escolaridade de muitos portugueses.

Do crisântemo branco com a cigarra verde

Do crisântemo branco com a cigarra verde

Este ano, numa tarde de agosto, contemplei uma imagem, que conservo na memória visual e sonora, a qual, por nada, desejaria que fosse apagada ou emudecida. Sim, vi, não «um anjo que subia do Nascente» (cf. Ap 7,2), mas uma cigarra verde subindo à corola de um crisântemo branco. E demorei-me naquela paisagem-icónica, pensando neste dia, ― o da Solenidade de Todos os Santos ― tantos são os crisântemos que, nos cemitérios dos cristãos,
cobrem de cor e de perfume as campas e os jazigos.

Talentos pela paz

Talentos pela paz

Bernard Shaw, escritor irlandês, nobel da Literatura em 1925, disse «A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos.» E eu diria, de que nos fazemos ser. Somos produto da nossa história, mas não reféns ou vítimas dela, se assim não o permitirmos.

Viver em casa dos pais e sem perspectivas de futuro

Viver em casa dos pais e sem perspectivas de futuro

A vida não está fácil para os jovens portugueses. São dos mais mal pagos, mais tarde se emancipam da casa dos pais e têm mais baixos salários. Cerca de metade dos jovens até aos 34 anos vive com os seus pais. Estes são os dados de um recente estudo, um retrato bem negro que nos revela, de um modo cabal, como a juventude portuguesa se situa na nossa sociedade e encara a sua vida futura. (Florentino Beirão)

Saúde mental e ócio

Saúde mental e ócio

Num artigo do DN do último domingo sobre saúde mental, a psicóloga Inês Barroca escreve que «As crianças e adolescentes parecem já não saber aborrecerem-se. Várias vezes prescrevi, em consulta, como receita, “não fazer nada” e, até agora, não tive ninguém que o tivesse efetivamente conseguido.» (DN, domingo 15/10/2023, artigo “Não há saúde sem saúde mental”) (Ruben Azevedo)

Jesus, o Nazareno: o Filósofo esquecido de Jerusalém

Jesus, o Nazareno: o Filósofo esquecido de Jerusalém

Clarifico desde já: Não estou a falar no Cristo, o Messias, o Profeta. Refiro apenas o homem, o jovem, que diz de si próprio ser o Nazareno. O rapaz que passava horas no templo a conversar com os “doutores” e de quem admiravam o conhecimento e a sabedoria. Do homem que, como Sócrates em Atenas, andava “por ali”, com gente atrás que gostava de o ouvir e a quem ele falava.

Comunhão Anglicana: os “Apelos” de Lambeth

Comunhão Anglicana: os “Apelos” de Lambeth

A Conferência de Lambeth, de bispos anglicanos, convocada de dez em dez anos reuniu a última vez em julho de 2022, para analisar dez tópicos, contendo questões sobre a “igreja segura”, relações ecuménicas, ambiente e desenvolvimento sustentável, sob o lema “A Igreja de Deus para o Mundo de Deus – caminhar, ouvir e testemunhar juntos”. (Joaquim Armindo)

As preferências de Francisco – “C’est la confiance”

As preferências de Francisco – “C’est la confiance”

No dia que a Igreja Católica Romana celebra liturgicamente Santa Teresa de Ávila (no passado dia 15 de outubro), o Papa Francisco deu ao mundo uma exortação apostólica denominada C’est la Confiance (“É a confiança”), por ocasião do 150º aniversário do nascimento de Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, que considera ser “um fruto maduro da reforma do Carmelo” (nº 4). (Dina Matos Ferreira)

A Face Feminina de Deus (2)

A Face Feminina de Deus (2)

Nas religiões abraâmicas, Deus tende a ser descrito com atributos que tradicionalmente consideramos masculinos, apesar do Criador ser considerado uma realidade transcendente, sem um corpo físico. As representações artísticas clássicas atribuíram-lhe uma figura masculina. Vivemos e moldámos as nossas culturas com essas imagens masculinas da divindade. (Marco Oliveira)

A promoção integral da pessoa em situação de pobreza

Nunca afastes de algum pobre o teu olhar - III

A promoção integral da pessoa em situação de pobreza

O Papa Francisco, no número 5 da sua Mensagem para o Dia Mundial dos Pobres, agradece a Deus a existência de «tantos homens e mulheres que vivem a dedicação aos pobres e excluídos e a partilha com eles; pessoas de todas as idades e condições sociais que praticam a hospitalidade e se empenham junto daqueles que se encontram em situações de marginalização e sofrimento.»

Contra o fanatismo

Contra o fanatismo

Estou a ler um livrinho pequenino chamado Contra o Fanatismo, do escritor israelita Amos Oz. Ele diz que o fanatismo começa na superioridade moral que o fanático supõe deter em relação ao Outro. E isto encontra-se até nas coisas mais comezinhas. [Um artigo de Ruben Azevedo]

Uma sombra de gente a olhar a morte

Uma sombra de gente a olhar a morte

Quando uma guerra se instala – seja em que parte for – falhamos todos. Falhamos enquanto espécie. Falhamos por acreditar que vivemos em linha recta quando negligenciamos a evidência dos ciclos.

A “Laudate Deum” e a Inteligência Artificial

A “Laudate Deum” e a Inteligência Artificial

Um estudo publicado no passado dia 10 de outubro discute a crescente pegada energética da inteligência artificial (IA) e seu potencial impacte ambiental. A rápida expansão e ampla aplicação da IA nos últimos anos, especialmente com o lançamento do ChatGPT da OpenAI, aumentou a preocupação sobre o consumo excessivo de eletricidade para suportar estas ferramentas.

Apontamento sobre a necessidade de ver claro

Apontamento sobre a necessidade de ver claro

Sejamos claros: Cada vida conta. Todas as vidas contam. Não há vidas melhores ou piores. Não as há certas ou erradas. Nada justifica a sua supressão. Seja numa manifestação cruel de desespero e impotência. Seja às mãos de um estado terrorista que, desde há anos, a morte serve e, diligente, a organiza e a propaga.

A Face Feminina de Deus (1)

A Face Feminina de Deus (1)

Quando se fala de religião com portugueses, quase inevitavelmente fala-se de Fátima. E muito naturalmente os Bahá’ís são questionados: “Mas vocês acreditam em Fátima e nas aparições?”. Costumo dizer que este é aquele tipo de pergunta onde devemos evitar respostas simplistas, pois há várias formas de olharmos os cultos marianos.

Ir ao encontro do pobre

“Nunca afastes de algum pobre o teu olhar” – II

Ir ao encontro do pobre

A história do mundo está repleta de gente que pelas suas convicções ideológicas ou outro tipo de motivações sofreram provações de toda a espécie e muitíssimos até se deixaram matar por se colocarem do lado dos mais frágeis da sociedade e de reclamarem mais justiça e solidariedade. Muitos desses fizeram-no em nome da sua fé; entre eles, está um número incontável de cristãos católicos.

Onde está o progresso social?

Onde está o progresso social?

  No que à regulação da prostituição diz respeito, confrontam-se hoje na Europa dois regimes radicalmente diferentes. Um deles é o que encara essa atividade como qualquer outra atividade laboral (“trabalho sexual”), que como tal e com os inerentes direitos do...

Acerca do conceito de “depósito da fé”

Acerca do conceito de “depósito da fé”

Na teologia “oficial” católica usa-se amiúde a expressão “depósito da fé” para expressar o conteúdo da fé cristã (a doutrina), tal como a Igreja Católica o entende. A expressão reveste-se, contudo, de grande ambiguidade e remete para uma conceção doutrinal redutora e estática. O que é um depósito senão uma espécie de arrecadação onde guardamos objetos que queremos preservar intactos e sem a menor modificação?

O amor é descendente

O amor é descendente

Fui a um hospital privado para uma consulta. Na sala de espera, apesar de não estar muito cheia porque era mês de Agosto, encontravam-se pessoas com as mais variadas dificuldades. Umas em cadeira de rodas, outras de máscara de oxigénio para respirar, outras ainda com a debilidade estampada no rosto, nas mãos ou na marcha incerta. 

“Laudate Deum”, um apelo à ação

“Laudate Deum”, um apelo à ação

Oito anos depois da publicação da carta encíclica Laudato si’, o Papa Francisco assinou no dia de S. Francisco de Assis a exortação apostólica Laudate Deum, onde regressa ao cuidado do maltratado planeta, exprimindo profunda preocupação pela nossa casa comum. No fundo, o impacto da mudança climática prejudicará cada vez mais a vida de muitas pessoas e famílias. Estão em causa a saúde, o emprego, o acesso aos recursos, a habitação e as migrações forçadas.

O Globo da Garota: Obrigado, Cátia

O Globo da Garota: Obrigado, Cátia

A Garota é um fenómeno que nos resgata meia esperança do fundo do poço. Não se trata do Globo (mero objecto), trata-se de um povo rendido a uma mulher que fascina pelo pensamento, que fala dos abusos sem rédeas e sem vergonhas.

Somos o que fazemos ao mundo

Somos o que fazemos ao mundo

Com o seu texto, o Papa assume uma ampla perspetiva universal. Dito de outro modo, a sua origem não europeia permitiu-lhe uma experiência de vida, rica e diversa, onde naturalmente não se paga tributo ao pecado venial do eurocentrismo, que tende a identificar-se, de modo arrogante e redutor, com a universalidade inteira. [A opinião de Viriato Soromenho-Marques]

Uma exortação a sermos mais exigentes e interventivos

Uma exortação a sermos mais exigentes e interventivos

A novíssima exortação apostólica sobre o “não-cuidado” da casa comum dá alguns puxões de orelhas, mostrando a grande preocupação do Papa com tanta inoperância perante os problemas que se adensam. Mas o título – Laudate Deum –, citando mais uma vez S. Francisco de Assis, está no modo imperativo, dirigido de novo a todas as pessoas de boa vontade, propondo uma atitude humilde, confiante e grata, porque, alerta, “um ser humano que pretenda tomar o lugar de Deus torna-se o pior perigo para si mesmo”.

Mentalidade cristã

Mentalidade cristã

O Novo Testamento apresenta-nos um texto do apóstolo Paulo, dirigido à comunidade cristã de Roma, que trata da necessidade de renovação da mente, ou seja, de adquirir uma mentalidade cristã. Esta capacidade constituirá talvez a consequência mais directa da conversão a Jesus Cristo.

Lei da Mordaça

Lei da Mordaça

Fico a saber da imposição da lei da mordaça aos delegados do Sínodo dos Bispos, pela reportagem de António Marujo, da abertura dos trabalhos sinodais. Recordou Marujo que o Papa já pedira “um certo jejum da palavra pública” e, a seguir, o nosso enviado especial brindou os leitores do 7MARGENS com um naco da prosa pardacenta, própria de regulamentos autoritários:

Um choque em cadeia

Um choque em cadeia

Imagine que está na rua à espera do seu filho que o vem buscar de carro, e, de repente, vê um choque em cadeia. Vários carros embatem uns nos outros, o do seu filho incluído, e algumas pessoas sofrem lesões graves. O trânsito é intenso, e os carros que vêm da rua adjacente não sabem ao que vêm. Certamente vão ficar presos neste congestionamento e, na pior das hipóteses, poderão chocar contra os automóveis já no meio do desastre, sobretudo se vierem com muita pressa.

Um murro na mesa

Um murro na mesa

Uma imagem que pode nos ajudar a interpretar a exortação apostólica Laudate Deum do Papa Francisco é a de “um murro na mesa”. O Papa adverte que já se passaram oito anos desde a sua carta encíclica Laudato si’, e “não estamos a reagir de modo satisfatório,

“Laudate Deum”: a exortação no momento certo

“Laudate Deum”: a exortação no momento certo

  Vale a pena lembrar o contexto em que a carta encíclica Laudato Si' surge em 2015. Foi um ano marcante, com o Papa Francisco a marcar a agenda da sustentabilidade no final de maio, com a aprovação pelas Nações Unidas em setembro dos objetivos de desenvolvimento...

Presa ao passado

Presa ao passado

Ninguém vai contar a tua história, Joana. Vi o telejornal da primeira à última notícia e nem uma palavra sobre ti. Sejamos sinceros, nem viva se interessaram por ti, quanto mais agora. Só mais uma vítima de violência doméstica, espancada, humilhada e violada pelo companheiro, com os filhos constantemente a assistir, convenhamos, já não é notícia.

Qual o nosso olhar sobre os activistas climáticos?

Qual o nosso olhar sobre os activistas climáticos?

Lembramos Aristides de Sousa Mendes…Como criminoso? Não, não, como herói. Embora tenha ido contra a lei e ordens superiores do Estado para salvar milhares de Judeus. Olhamos para Martin Luther King Jr. e os seus companheiros como alguém que, com as suas marchas pela Paz, interrompiam o trânsito de quem queria ir para o trabalho? Não, não, como aqueles que trouxeram a igualdade para negros e brancos. Ainda que irrompessem pelas cidades impedindo a normal rotina diária dos residentes.

Caminho da justiça

Caminho da justiça

Na ponta final das vindimas, constatamos que há muita uva. Felizmente estão a verificar-se excelentes produções, ao ponto de algumas adegas terem de adiar a receção das entregas dos produtores, tal é o ‘milagre das uvas’. É o que sucede, por exemplo, em Vila Real, que, por causa do aumento diário do afluxo de uvas, ― na ordem das 850 pipas, isto é, mais 200 do que o habitual ―, foram suspensas as vindimas até amanhã, dia 2 de outubro. Este texto corresponde à homilia do passado domingo, dia 1 de outubro, XXVI Domingo do Tempo Comum na liturgia católica, 2023.

Humanizar a Educação (em todos os sentidos)

Humanizar a Educação (em todos os sentidos)

“Todo o professor, seja qual for a sua especialidade, é acima de tudo um mestre de humanidade”. Esta frase de Georges Gusdorf, professor e filósofo francês, autor de um livro extraordinário que todos os professores deviam ler (Professores para quê?, Livraria Morais Editora, Lisboa, 1967), diz bem acerca do ideal a que qualquer professor deve aspirar, ao serviço da educação integral do ser humano, e não apenas do ensino em sentido estrito.

O vagabundo em dia de festa da cidade

O vagabundo em dia de festa da cidade

A cidade está em festa. As luzes banham histéricas o céu anoitecido sobre a dança comum. Os senhores de fatos, os feitores – os grandes feitores – sobem ao palco, como se de um altar se tratasse, para a habitual gabarolice. E o povo dança entre os aplausos enquanto o artista exibe os dotes, de boca colada ao microfone e acordeão rente ao peito.

Pontes para o divino- Calendário Litúrgico Ortodoxo

Pontes para o divino- Calendário Litúrgico Ortodoxo

No Cristianismo o calendário litúrgico é uma importante ferramenta para organizar e estruturar os eventos e celebrações religiosas ao longo do ano, com base em acontecimentos significativos dos Evangelhos, dos santos e da história das igrejas locais e universais. Na ortodoxia o ano litúrgico inicia-se a 1 de Setembro, tendo como primeira festa, a 8 do mesmo mês, a Natividade da Virgem Maria (Esta comemoração é como uma fonte para celebrar todas as festas do Senhor abrindo a história do Evangelho – Metropolita Epifânio).

Que mistério este, o coração humano

Que mistério este, o coração humano

Acreditamos na paz, na humanidade, em nós próprios, em Deus, em deuses, no diabo, na ciência. E é legítimo. Sem dúvida. Somos livres, e livres de buscar a verdade conforme nos apraz. Assim, deixamo-nos levar por normas, por credos, por mestres de todas as cores e feitios; submetemo-nos livremente a uma entidade, a uma ideia, na perspetiva de que isso nos aproxima do grande mistério do universo.

As prisões e as suas falácias – alguns contributos

As prisões e as suas falácias – alguns contributos

O conhecimento da realidade do sistema prisional em Portugal está longe de estar patente em muitos responsáveis políticos e, ainda menos, na opinião pública em geral. Assiste-se, de vez em quando, à propalação de indicadores e comentários baseados em elementos superficiais falaciosos. [A opinião de Manuel Hipólito Almeida dos Santos]

Humanizar a partir da educação integral

Humanizar a partir da educação integral

Neste artigo procurarei enunciar algumas ideias muito gerais acerca do que considero ser necessário para a humanização do Humano do ponto de vista da educação integral. Ou seja, para essa tarefa sempre inacabada de elevar o Humano à sua verdadeira dignidade, na liberdade e pela liberdade.

À procura de um Reencontro

À procura de um Reencontro

Nestes dias que correm velozes, plenos de interrogações no mundo, parto… a pé. Seguimos pela nova ponte sobre o rio Trancão e o Caminho pedonal ribeirinho, que vem complementar o Caminho do Tejo, rumo a Fátima ou a Santiago. Aconselho vivamente este Caminho do Tejo, pois desenvolve-se na sua maior parte em belos trilhos, caminhos e estradas rurais.

Uma outra revolução sexual

Uma outra revolução sexual

Um pouco por todo o lado, ouvem-se vozes a sugerir mudanças no âmbito da ética sexual católica. Nota-se a vontade de “atualização”, no sentido de adaptação à mentalidade e práticas correntes, sem a qual qualquer proposta da Igreja neste campo estará condenada à irrelevância. É o que se verifica nas conclusões do chamado “Caminho Sinodal” alemão, mas não apenas.    

Estrangeiros em nossa casa

Estrangeiros em nossa casa

O substantivo casa é abundantemente usado como sugestiva imagem por diversas religiões. Casa como símbolo do cosmos, isto é, da ordem cósmica. O Egipto construiu túmulos em forma de casa, aludindo ao significado de última morada do homem. O budismo remete para o corpo-casa, sugerindo que o corpo é abrigo da alma. [A opinião de António Ribeiro]

A mudança a acontecer

A mudança a acontecer

Vivemos tempos exigentes e instáveis, que colocam novos desafios à forma como nos organizamos enquanto sociedade e como pensamos e estruturamos as instituições e formas de trabalho, mas também novas oportunidades e formas de pensarmos a vida em comunidade. [artigo de Afonso Borga]

Do clima exterior ao clima interior

Do clima exterior ao clima interior

As estradas de Madrid num vídeo enviado por uma amiga pareciam rios. Os carros circulavam como se estivessem no meio de um dilúvio em pleno Verão. Num recente relatório de avaliação do progresso dos Acordos de Paris em 2015 sobre os compromissos dos países de agir em relação às alterações climáticas mostra que tudo está a acontecer com grande lentidão.

O desafio da liberdade

O desafio da liberdade

No passado, o grande desafio foi o de conquistar direitos e liberdades civis, como a liberdade de pensar e manifestar livremente opiniões políticas ou outras, ou o direito à segurança pessoal e dos bens, ou o direito a um julgamento justo, ou à presunção de inocência, ou de escolher livremente os seus representantes políticos, etc. – tudo direitos e liberdades que pressupõem que cada indivíduo é dotado incondicionalmente de certos direitos, liberdades e garantias inalienáveis.

Timidez ou arrogância

Timidez ou arrogância

Desde sempre que engenho esquemas para camuflar a timidez; acho que me tenho saído bem, ninguém desconfia. Ontem à noite uma simpática senhora aproximou-se do meu colega, sem reparar que eu estava logo atrás, e disse-lhe para dar os parabéns à menina do fogo, que gostou muito do espetáculo mas que a achava antipática, que fugia logo e nem sequer ficava um bocadinho ali no final a dar atenção ao público.

Precisamos mesmo de milagres?

Precisamos mesmo de milagres?

Fez-se uma pausa. Não era a primeira vez que falávamos de milagres nas nossas conversas sobre religião. Ele, defendendo os milagres como prova da presença divina ou da santidade de alguém; eu, questionando os milagres como sinal de intervenção divina. Numa conversa anterior sobre este tema, tinha dito que há coisas que pareciam impossíveis há alguns séculos e que hoje são perfeitamente normais.

Por uma esperança que não seja ingénua

Por uma esperança que não seja ingénua

Estou persuadido de que cada comunidade precisará de uma teia e de um crivo, com Jesus no centro: ora na resistência paciente, que resolve certos problemas com o tempo, ora em redobrados esforços, no cuidado do grão a limpar de impurezas. Ganhemo-nos uns aos outros pelo amor, que só faz bem. (Este texto, do Padre Joaquim Félix, corresponde à homilia do passado domingo, dia 10 de setembro, XXIII Domingo do Tempo Comum na liturgia católica, 2023.)

Um bispo da estrada, junto das pessoas

Um bispo da estrada, junto das pessoas

A nomeação de D. Rui Valério como novo Patriarca de Lisboa constitui motivo de alegria e de esperança num momento especialmente importante e exigente na vida da Igreja entre nós, perante inúmeros desafios marcados pelo período sinodal e pela necessidade de mobilizar energias no sentido de superar graves dificuldades recentes, de aproveitar o impulso das Jornadas Mundiais da Juventude e de apresentar à sociedade um sentido de renovação e de responsabilidade.

O “monstro” de Frankenstein

O “monstro” de Frankenstein

O meu filho mais velho ofereceu-me, há já algum tempo, o romance “Frankenstein”, de Mary Shelley. Agradeci, mas guardei-o no escaparate que destino aos volumes em lista de espera para uma eventual melhor oportunidade. Entretanto, o tempo foi passando, a pilha em espera foi aumentando, outras prioridades foram surgindo, até que nas presentes férias de verão, já cansado de tantas leituras ensaísticas, resolvi recuperar do limbo esse volume meio esquecido.

Da necessidade de uma “nova” gramática do Evangelho

Da necessidade de uma “nova” gramática do Evangelho

É genericamente consensual que uma boa gramática, além de ser parte importante da nossa linguagem e de desempenhar um papel eficaz na comunicação que temos uns com os outros, é fundamental para a construção, leitura e compreensão de qualquer texto. Uma gramática consiste essencialmente num conjunto de regras e estruturas que estipulam a melhor maneira de organizar as palavras em frases e sentenças.

Apenas servos

Apenas servos

Servir Deus não tem que ver com a ideia de mera submissão ou o exercício duma tarefa árdua e difícil, mas sim com uma atitude de amor. Aliás, não há outra forma de prestar serviço a Deus a não ser servindo as pessoas.

De um louco que não orbitava

De um louco que não orbitava

Claro que, de todos os discursos que o Papa pronunciou em Portugal, aquele que em mim mais ressonância provocou foi o proferido no centro paroquial do bairro da Serafina. Sobretudo porque, apesar de não o ter feito em voz alta, quando li o discurso, me dei conta de que estava a “ouvir” a história da vida apaixonada do fundador da minha família religiosa, o louco de Granada.

O adeus ao tio Maga

O adeus ao tio Maga

Há dias, na minha oração, pedi à avó que pusesse mais um prato na mesa do céu porque nos mentem quando nos ensinam que a esperança é a última a morrer – mas que grande mentira. Acreditei até que a esperança só morria depois de morta, mas é o contrário. A esperança morre assim que nasce.

Desbloqueia a tua paróquia

Desbloqueia a tua paróquia

Temos de apostar seriamente na transformação das nossas paróquias, e com isto, criar uma cultura de paróquia. Deixarmos uma cultura de manutenção e passarmos a uma cultura virada para a missão. Não podemos continuar, apenas e só, a cuidar do rebanho, é fundamental irmos atrás da ovelha perdida, dos que estão fora. Este é um trabalho árduo que se chama Nova Evangelização.

Fadados para quê?

Fadados para quê?

Este foi, é e será sempre o nosso fado: Futebol. Fátima e Fado. A questão é que eu também sou desses. Estou nesse grupo, constituído por milhões de portugueses que se reveem, senão nos nossos três elementos identitários, pelo menos em algum ou alguns deles.

Irá o bolor da Igreja Católica desaparecer?

Irá o bolor da Igreja Católica desaparecer?

Tenho lido e refletido sobre a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que aconteceu em Lisboa, não tendo encontrado pareceres negativos sobre a mesma, a não ser de pequenos grupos identificados por “extremistas”, tantos seguindo ideologias pró-fascistas. Com admiração encontro agnósticos e ateus que estiveram presentes ou não, mas louvando as homílias/discursos do bispo de Roma e Papa Francisco.

A noite é dia para tanta gente

A noite é dia para tanta gente

A noite é dia para tanta gente; até para mim, amante de manhãs cedo e despertares preguiçosos. Mas foi a madrugada que me escolheu a profissão; as paredes negras, as luzes de fundo a desmentir o escuro das pistas, o fumo a fingir-se de nuvem como que para esconder quem dança mal, e a música alta, ah… altíssima como se de um bando de surdos se tratasse, em plena pista.

A riqueza da inatividade

A riqueza da inatividade

Hoje comecemos por, em primeiro lugar, nos debruçarmos numas seguras ‘guardas do terraço’, isto é, sobre as palavras de S. Paulo, à imagem da menina ‘observadora’ de Paula Rego (Watcher 1944). Na breve passagem ― como se fosse uma medida de agosto ―, Paulo começa por dar asas ao seu inebriado espanto. (Este texto corresponde à homilia do passado domingo, dia 27 de agosto, XXI Domingo do Tempo Comum na liturgia católica, 2023.)

A JMJ e a paz na Ucrânia

A JMJ e a paz na Ucrânia

Uma das mais comoventes imagens da Jornada Mundial da Juventude que haveremos de reter na memória é a da multiplicidade de bandeiras dos mais diversos países, das mais familiares às mais desconhecidas, de países mais ou menos longínquos, ricos e pobres. Mais até do que o número de participantes, foi esta imagem de universalidade (que mostra como a mensagem do Evangelho chegou mesmo a todos os cantos da Terra, de um modo que só a ação de Deus pode explicar) que distinguiu este extraordinário evento.

Alegria com raízes – Raízes de alegria

Alegria com raízes – Raízes de alegria

A Alegria está quase omnipresente nos escritos do Papa Francisco, talvez por isso não seja de admirar que tenha desafiado os jovens reunidos em Lisboa à alegria e a perceberem onde é que ela está enraizada. Dos muitos desafios lançados pelo Papa, na Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, este parece-me particularmente provocatório, pelo que tem de exigência e  pelo desafio que acarreta.

Lembra-te que a cama é o altar…

Lembra-te que a cama é o altar…

Talvez por uma fixação mediática, o celibato tornou-se o tema monocromático quando se aborda o sacerdócio ministerial. Parece-me, sendo assim, que se cai num reducionismo colossal, na medida em que, e olhando para outras Igrejas e confissões religiosas em que os animadores das comunidades não são celibatários, encontramos frequentemente as mesmas questões que se colocam na Igreja Católica.

Psiquiatra Margarida Neto é a nova presidente da Associação dos Médicos Católicos Portugueses

Sucedendo a José Diogo Ferreira Martins

Psiquiatra Margarida Neto é a nova presidente da Associação dos Médicos Católicos Portugueses novidade

A psiquiatra Margarida Neto é a nova presidente da direção nacional da Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP). A médica, que trabalha na Casa de Saúde do Telhal (Sintra) e é uma das responsáveis pelo Gabinete de Escuta do Patriarcado de Lisboa, foi eleita por unanimidade no passado sábado, 13 de abril, para o triénio 2024-2026.

A “afinidade” entre a música de intervenção e a mensagem de libertação cristã

Alfredo Teixeira em conferência dia 16

A “afinidade” entre a música de intervenção e a mensagem de libertação cristã novidade

Podem algumas canções de intervenção ligadas à Revolução de 25 de Abril de 1974 relacionar-se com o catolicismo? O compositor e antropólogo Alfredo Teixeira vai procurar mostrar que há uma “afinidade” que une linguagem bíblica e cristã à música de Zeca, José Mário Branco, Lopes-Graça, Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho e outros.

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