Entre Margens

As armas e a vida

Quando se discute esta questão da maior ou menor facilidade de acesso à posse de armas, e do mais ou menos restritivo regime legal desse acesso, não posso deixar de recordar vários casos com que lidei ao longo da minha carreira de juiz. Casos em que só o acesso a uma arma poderá explicar o seu desfecho trágico de perda de vida humanas.

Saúde mental dos jovens: a urgência de um novo paradigma

A saúde mental dos jovens tem-se vindo a tornar, aos poucos, num tema com particular relevância nas reflexões da sociedade hodierna, ainda que se verifique que estas possam, muitas das vezes, não resultar em concretizações visíveis e materializar em soluções para os problemas que afetam os membros desta mesma sociedade. A verdade é que, apesar de todos os esforços por parte dos profissionais de saúde e também das pessoas, toda a temática é, ainda, envolvida por uma “bolha de estigmas”, o que a transforma numa temática-tabu.

Por onde pode começar a sinodalidade?

  Será que os grupos que se reúnem para realizar como comunidade este percurso sinodal se lembram do gesto mais simples e mais evidente que o ser humano consegue identificar à distância? Um gesto que pode iluminar uma sala inteira sem se acender a luz? Um gesto...

Jesus e a sua ética

Discorrer acerca da ética de Jesus e dos seus ensinamentos, não é tarefa fácil. Das muitas leituras que temos hoje acerca dele, do seu pensamento e ensino, esquece-se por vezes o seu lado humano, a sua ética que permeava toda a existência humana, especialmente as relações que ele tinha com os que o circundavam.

Albino Cleto, bispo santo moldado pela serra

Neste dia 15 de junho de 2022, ocorre o décimo aniversário do falecimento de D. Albino Mamede Cleto. Acolha-se a efeméride para evocar a memória de um homem de Deus, dedicado a servir o Patriarcado de Lisboa e a Diocese de Coimbra. Quem ainda se recorda dele?

Que tal Kyiv?

Conheci uma cidade, num país e com um povo cheio de esperança, mesmo que em estado de alerta. A guerra na Ucrânia começou, para nós, há pouco mais de três meses. Para eles, nunca acabou.

Somos todos Simão de Cirene

A lei da eutanásia voltou ao Parlamento português, e com ela um escândalo, um autêntico sobressalto social: a provocação ao princípio da inviolabilidade da vida humana, que nos interpela como sociedade e nos obrigará a tomar medidas concretas para evitar tragédias.

Parabéns, Diocese de Setúbal

Confesso que, no processo sinodal em curso, estou na posição de um otimista realista. Temo que as transformações mais urgentes não cheguem a acontecer, bem como que haja filtrações, por parte das comissões diocesanas, aos contributos dados pelos que aderiram ao desafio de Francisco.

“Abra a cortina, por favor!”

Fechar a cortina não é a solução, mesmo quando o que vemos seja por vezes tão avassalador e nos faça sentir tão incapazes. Fechar a cortina não apaga absolutamente nada, ela só esconde a necessidade do outro e revela o nosso coração.

O nó górdio da eutanásia

Talvez nem sempre nos esforcemos por encontrar o lugar próprio para um debate sobre a eutanásia. Eventualmente preferimos ou estamos habituados a um diálogo de surdos; aí cada um esgrime o seu ponto de vista de forma dogmática, mas não é possível um encontrar um espaço de diálogo entre as diferentes posições. Portanto, cabe-nos perguntar onde está o nó górdio da eutanásia? Por outras palavras, porque é que cada vez mais a eutanásia parece ser vista como algo moralmente aceitável?

“Como a si mesmo”: XXI, o século do desamor (1) 

Onde esta autora se permite aventurar, com a audácia dos ignorantes, em variados campos da vida e do saber que não domina, num possível exercício de psico-espiritualidade chinfrim. Arriscando o merecido espalhanço em grande estilo, mas sem por isso dar a jornada por perdida.

O padre mudo

É uma historiazinha popular. Certo sacerdote, no momento da homilia, avança para o púlpito e declara: “Celebramos hoje o maior mistério, o da Santíssima Trindade; e como não percebo nada disto, não vai haver homilia.” (Referida no livro de Hans Küng Existe Dios? – tradução espanhola do original). Foi honesto como poucos. Porém, se é verdade que a existência do mundo e a vida também são um mistério, não é por isso que deixamos de nos interrogar, de recolher experiências e de especular.

Irrelevância, clericalismo e incapacidade de escutar

Um texto de 30 mil caracteres, que pretende resumir a reflexão realizada por mais de 15 mil católicos da diocese de Lisboa durante seis meses, passa despercebido. Não gera debate, nem uma simples menção. Nada. Parece inacreditável. Mas não é. É, simplesmente, justo.

E quando o Papa nos ler sobre o Sínodo?

  O surgir da hipótese sinodal (com as características anunciadas para este caminho 2021-23) apareceu-nos como que o acender de um facho de luminoso gás (Ar-Sopro-Espírito) na imensa escuridão das noites desiludidas, por comuns pseudo-vivências, afinal queridas...

Tríptico e eco

É nesse momento de suspensão, de silêncio, em que deixamos de procurar activamente, entrando delicadamente no espaço-sem-espaço e no tempo-atemporal, que “mergulhamos com ele até ao fundo” e nos aproximamos do clarão do farol que dissolve as trevas ao varrer a noite [não fosse este jogo de escondidas e pensaríamos nós um dia ter já um domínio total e um conhecimento perfeito daquele que nos procura] para que, pelos vislumbres da beleza da sua presença, nos sintamos chamados a ir procurando mais e sempre de modo renovado.

Enquanto há corrupção, há desesperança

“Se o Estado é forte, esmaga-nos. Se é fraco, perecemos.” Terá sido assim que noutro tempo Paul Valéry (1871-1945) se referiu àquele que é um dos mais fraturantes assuntos da praça pública portuguesa ao longo da última década: a corrupção. 

O “irmão universal” está connosco

O amor, o cuidado e o serviço levam-nos a entender a fé como um dom, que não se alimenta de valores abstratos, mas sim de uma relação entre pessoas concretas, feita de entrega, de troca, de experiências e de uma permanente aprendizagem. A chave das Bem-aventuranças está, pois, na relação entre as pessoas e no reconhecimento da dignidade de todos. A abertura da porta da fé corresponde, assim, à procura do amor.

Humanizar não é isolar

É incontestável que as circunstâncias de vida das pessoas são as mais diversas e, em algumas situações, assumem contornos improváveis e, muitas vezes, indesejáveis. À medida que se instalam limitações resultantes ou não de envelhecimento, alguns têm de habitar residências sénior, lares de idosos, casas de repouso,…

Uma renovação a precisar de novos impulsos

  A experiência que fizemos no Concílio Vaticano II constitui o rosto dos documentos tão ricos que ficam como acervo da sua memória, dizia frequentemente o bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade. Eu era seu colaborador pastoral. E pude verificar como...

O melhor seria

Tive três filhos e perdi quatro. Por um deles, que não sobreviveu in utero, fui levada para uma ala da maternidade onde havia mulheres com os seus filhos, já nascidos ou prestes a nascer. Havia uma outra ala, a de quem estava para abortar.

Carlos de Foucauld: a liberdade do despojamento

Foucauld testemunhou que o encontro com o outro, mesmo que muito diferente de nós, não é forçosamente motivo de conflito e de guerra. Foi ele um dos primeiros a praticar o diálogo com os muçulmanos. O seu ermitério tornou-se a “fraternidade” para todos e ele redizia que queria ser visto como o irmão universal, “porque muçulmanos, berberes, judeus, cristãos…todos nós somos filhos de um só Pai”.

Sermos pessoas “Laudato Si’” sem esforço

Há quase dois anos que em nossa casa deixámos de comprar iogurtes e começámos a fazê-los em casa. Um dia fizemos as contas e essa pequena mudança representa cerca de 1000 embalagens de plástico que deixámos de consumir. Se 1000 famílias fizessem como nós, seria 1 tonelada a menos de plástico. As grandes mudanças começam pelas pequenas.

Não quero senão

Se aos olhos de alguém transpareço / noutros sorrisos me encontro / aprendi a voar nos abismos / da alma humana inacabada / entristecida de arrogâncias / falácias perpétuas sem rosto

A hermenêutica de Jesus (3): Jesus e as Parábolas

O ensino das sagradas escrituras na época de Jesus era uma prática comum entre o povo judeu. Desde cedo, os rabinos ensinavam às crianças a leitura e escrita da Torá e a memorizar grandes porções da mesma. Entre as várias técnicas de ensino, estava a utilização de parábolas.

Inquérito 7M sobre o Sínodo 2023 (4)

Entre a esperança e a decepção

Na sequência do inquérito sobre o final da fase diocesana do Sínodo em Portugal, feito pelo 7MARGENS, publicámos já comentários do franciscano capuchinho Fernando Ventura, da professora de Ética e teóloga Teresa Martinho e do teólogo e antropólogo Alfredo Teixeira. Fica a seguir o comentário da irmã Julieta Dias, da congregação do Sagrado Coração de Maria.

Inquérito 7M sobre o Sínodo (2)

Arquivar o Povo De Deus

Foi com choque e tristeza que li no 7MARGENS que “a quase totalidade das dioceses portuguesas decidiu divulgar apenas as sínteses diocesanas do processo sinodal em curso na Igreja Católica”. Diz ainda a notícia que “os contributos recebidos de paróquias, grupos, movimentos, comunidades religiosas ou pessoas individuais” não serão divulgados. Apesar de, por exemplo, na diocese de Aveiro se dizer que “o documento com a síntese diocesana será (…) o documento base para programar o próximo ano pastoral”, a diocese da Guarda afirma que “poderia ser falta de respeito o seu uso [dos contributos de grupos] sem consentimento dos mesmos intervenientes)”, pelo que “estes relatórios serão arquivados na Cúria diocesana”. O objetivo destas reflexões é que elas se difundam, que se pense em conjunto, não que processos sãos, participados, salutares, eclesiais, sejam arquivados.

Corajosamente

Três versículos. Três breves versos, segundo s. João. Tão pouco! E, não obstante, para nós, são tanto, tanto! São um desafio a ouvir coisas breves, as migalhas dos dias presentes.

Carlos de Foucauld, antídoto contra a autorreferencialidade

O Papa Francisco irá canonizar Carlos de Foucauld, no próximo domingo, 15 de maio, depois de este ter sido declarado venerável por João Paulo II  em 2001 e proclamado beato em 2005 por Bento XVI. Desde o início do seu pontificado, este Papa já procedeu à beatificação de 1400 pessoas e à canonização de mais novecentas. Esta sua opção, que convida a reparar na proximidade dos “santos ao pé da porta”, homens e mulheres comuns, assenta no discernimento de que a santidade não está reservada a super-humanos.

Inquérito 7M sobre o Sínodo

E a escuta dos de fora?

Noto pelo menos uma falta de referência à “escuta e participação”, nas palavras do Papa, “dos de fora, dos da periferia”. Eventualmente terão sido ouvidos, mas à primeira vista, fica a sensação de que na maioria dos casos, senão na quase totalidade, os que foram “ouvidos” foram os “de dentro”, os de sempre.

O casamento em desuso?

  No espaço de uma geração, muito mudou no modo como a sociedade encara o casamento. As estatísticas dos últimos anos dizem-nos que em Portugal mais de metade das crianças nasce de progenitores não casados (conviventes ou não). São cada vez mais os jovens que...

Procura-me e me acharás

A brincadeira das “escondidas” que prevalece de geração em geração lembra-me das muitas conversas que tenho tido com pais. Sejam eles quem forem, muitos pais portugueses vivem a mesma angústia em seu interior: a falta de tempo para estarem com os seus filhos. 

Religião “versus” Evangelho?

Tenho sido adepto de que a dimensão religiosa está demasiado ausente na Igreja. Não é verdade que os actos de culto se reduziram muito a costumes sociais ou aos deveres de quem se diz bem-educado? Que temos de fingir dar importância a um credo sob vários aspectos mirabolante (o de Niceia-Constantinopla), com a pretensão de descrever Deus e sem nos fazer sentir a dignidade, responsabilidade e prazer de ser cristão?

Autorretrato

Não é bonito dizer que tenho um familiar favorito, mas tal como Picasso fez na sua época áurea, vou quebrar os estereótipos e dizer que o meu bisavô é a melhor pessoa que alguma vez conheci.

A guerra da Ucrânia

Nas minhas cogitações tenho perguntado a mim mesmo porque é que o caminho do conflito enveredou apenas para a guerra e não para o caminho da persuasão. Se a Rússia quer anexar a Ucrânia, porque é que não tenta o acordo possível em vez da aniquilação?

Sociedades fechadas, autocracia e modelos de perfeição

Há muito em comum entre todos os sistemas (políticos e religiosos) que se baseiam numa qualquer ideia de perfeição, julgando-se donos de toda a verdade e mandatados para a expansão, mesmo que seja à custa da vida dos outros. A invasão da Ucrânia pela Rússia dá-nos matéria de sobra para a análise do padrão do autoritarismo, que alia a visão unilateral do mundo à manutenção da sociedade fechada, justificando assim os massacres e todas as formas de opressão.

Abril. O mês que também é do Jornalismo

Em fevereiro de 1978, Saramago sabia muito bem, no seu conto Cadeira, o que era o 25 de Abril: via da janela “que há muito tempo que não tínhamos um tempo assim.” Mais de 40 anos depois, fica aqui a minha aposta: dessa janela, viam-se facilmente as “luzes de aprendizagem e da razão” de que Kennedy falava. Tinham sido os jornalistas a acendê-las – e é por isso que também lhes devemos a liberdade. Obrigado.

O ângulo morto da invasão

Escrever sobre o momento atual não é fácil. Há palavras envenenadas, kits carregados até à exaustão de chavões reveladores de uma cegueira ideológica incompreensível, ignorante e/ou perversa, de uma arrogância cultural, mesmo quando, aparentemente se querem fazer análises complexas.

Uma jornada pela paz na Sexta-Feira Santa

Vindas de todo o país, foram mais de 700 pessoas a tomar parte nesta jornada, dinamizada pelo impulso inquieto e empreendedor do padre Almiro Mendes, pároco de Canidelo e Afurada, na passada Sexta-Feira Santa. Teve o seu início junto do Santuário de Nossa Senhora da Urtiga, num largo emoldurado por cartazes alusivos à paz, com uma intervenção daquele presbítero em que sublinhou a necessidade de «tecer os caminhos novos do Amor, deixando ódios e violências». Estava dado o mote para o cantor Miguel Bandeirinha galvanizar a participação massiva dos caminhantes, executando de forma empolgante o cântico «É preciso renascer, deixai ódios, violências».

Perdermo-nos em Deus como antídoto ao “burnout”

Há quem pense que o percurso sinodal da Igreja Católica representa um desafio para uma evangelização nova por andarmos a competir com o Facebook. Talvez seja por isso que muitas pessoas acreditem que “se não os podes vencer, junta-te a eles”.

Entre a Solidariedade e o Esquecimento

Agora olhamos para as vidas totalmente construídas que tudo deixaram para trás para salvar o corpo; conhecemos histórias de horror que podiam ser as nossas e se diluíram num abrir e fechar de olhos; compadecemo-nos e desabamos ao olhar imagens de tremenda violência que a todos ameaçam; queremos ajudar, o melhor que sabemos e podemos, a quantos, de algum modo, nos tocam mais de perto, “vá-se lá saber porquê”. Entretanto, o Estado e múltiplas organizações não governamentais vão criando soluções mais ou menos permanentes para os que tudo perderam, dizendo que não há limites para receber refugiados e para os apoiar, como se, atualmente, só estas pessoas em sofrimento existissem. 

Uma Igreja em reforma

Com a nova constituição apostólica Praedicate Evangelium há um campo novo que se abre para a responsabilidade do laicado. É antigo o princípio de que “a Igreja deve estar sempre em reforma”. Importa, assim, tirar todas as legítimas consequências quanto ao método sistemático de uma Igreja em saída.

Ensaio de um testamento vital

À luz da Páscoa: que celebra as dores e angústias da nossa última cena no teatro da vida; o silêncio vazio da morte; e finalmente a experiência daquela Luz simbolizável pelas auroras boreais, aquela Luz desejada por todas as noites humanas – dei por mim a pensar nos testamentos vitais. Mais exactamente, como eu desejaria o cenário e actuação de todos os figurantes ligados à minha última cena.

A verdade libertará

Felicito os bispos pelo discernimento assertivo que demonstraram ao constituir esta comissão, pelas pessoas escolhidas e por lhes terem confiado uma missão que, ao contrário, do que alguns possam ainda pensar, dará maior credibilidade à Igreja.

Adultos. Com A grande, sff. (I)

Vivendo este tempo sem medo, descobrimos uma beleza desconfortável nessa marca de água da contradição: promete fracturas, e revela possibilidades. E morde, morde muito. No limite, a beleza está no convite exigente a posicionarmo-nos perante o que acontece no mundo e nos nossos pequenos mundos quotidianos e, com toda a radicalidade, perante nós próprios e perante Deus. É uma imensa porta para a esperança, basta querermos abri-la.

O resgate do silêncio

O silêncio permite escutar. Escutar o interior, escutar o outro e até o meio envolvente. Relembro com alguma saudade os tempos de quarentena da pandemia quando abrir a janela significava silêncio e contemplação. Ou quando a ausência do ruído citadino trouxe a fauna de volta ao seu habitat. Mas foi-nos ensinado que o silêncio é sinónimo de solidão. No entanto, para quem a enfrenta no meio da multidão, a ausência de sonoridade é a salvação da alma. E finalmente, quando o silêncio é encontrado, a nossa alma pode gritar o que lhe faz doer.

Difíceis atalhos

A terra prometida na sedução da liberdade, o encontro nas adversidades de um deserto e a luz de esperança nos socalcos da finitude. As narrativas judaico-cristãs da época revelam-nos a morte e a superação como experiências de passagem. O deserto destes textos lembra que todos os dias são experiência concreta e metáfora da própria existência. 

Uma exposição imaginada

Abrimos às seis da tarde com mais ou menos cinco ou dez minutos de atraso, já que a antecedência não costuma ser usual neste tipo de eventos. A antecipação da inauguração para esta tarde foi pensada com a expectativa de entrar na galeria e descobrir novos livros nas estantes da livraria, a poucos passos da entrada. Lá fora caem pingos de chuva, já não tão carregados pelos tempos de Primavera que começa a despontar.

Evangélicos no poder: “pureza” ou escondimento?

Maria Angélica Martins parte da História para lembrar que os evangélicos não são tão “irmãos em Cristo” como fazem crer; historicamente existem incontáveis conflitos e disputas teológicas internas. E traz o caso de Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação, no Brasil, que não foi o único calvinista a assumir uma pasta do governo Bolsonaro.

Resistência não violenta em tempos de guerra?

Poderá parecer descabido, ou simplesmente utópico, falar de resistência civil, isto é, de formas não violentas de resistência e combate a um poder ilegítimo e opressor, no momento em que assistimos à guerra da Ucrânia, em que é nítida a existência de uma potência agressora e de um povo que se defende militarmente com bravura. Mas disso se tem falado em diálogos entre representantes de várias comissões Justiça e Paz europeias, sem se alcançar ainda pleno consenso.

Não, a História não se repete

    A História não tem um progresso retilíneo. Como escreveu Reis Torgal na “Carta a um jovem investigador” publicada em 2021, é mais adequado aceitar a ideia de um progresso em espiral que “nos leva a considerar que o processo civilizacional tem recuos e...

Os bodes expiatórios dos populismos religiosos

Os recentes fenómenos populistas, que surgiram recentemente na América, tanto nos Estados Unidos, como no Brasil, e agora na Rússia, revelam uma estreita correlação entre política e religião. De facto, esses tipos de populismos hipotecam valores essenciais da fé, em nome de outros interesses.

Ucrânia e o Direito ao Lugar

Tantos tiveram de abandonar o seu lugar de vida, perderam o seu “direito ao lugar” – bebés e crianças de colo, mulheres grávidas, velhos que mal podem caminhar, não sabendo quando e se poderão voltar, se a sua casa estará intacta ou destruída, se as escolas funcionarão, se os hospitais os poderão receber, se poderão voltar a levar os filhos ao parque infantil perto de casa… Alguns não querem abandonar o seu lugar, a sua casa, e ficam, sujeitando-se à fome, ao frio, à privação, ao desconhecido e à morte. Mesmo os que ficaram perderam o “direito ao [seu] lugar”, um direito básico do ser humano.

Deus ajuda a quem se ajuda

À pandemia seguiu-se a seca e rebentou Putin. O mais grave, porém, é que todos nos comportámos como sentinelas ensonadas – até por conveniência pessoal. Ao pedir ajuda a Deus, será que damos a devida importância ao reconhecimento da culpa que nos cabe – por actos, pensamentos e omissões?

O Desporto ao serviço do desenvolvimento e da paz

Tocados pela guerra da Ucrânia, vivemos numa época de incertezas e de apelo à paz. Já percebemos que mesmo estando longe, esta guerra toca-nos e condiciona as nossas vidas. Sentimos, e percebemos, que só valorizamos um bem, ou um valor, quando estamos privados de o “saborearmos”. Em abril de 2022 esse valor chama-se paz! E é com o maior sentido que no dia 6 de abril se assinala o Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz. Esta data foi escolhida pelas Nações Unidas, sinalizando o dia de início dos jogos olímpicos da era moderna, em Atenas, no ano de 1896, no sentido de valorizar o desporto como promotor da paz.  

Escolher um dos lados, desobedecer aos pais

  Para além de “Não fales com estranhos”, “Nunca respondas aos teus professores” e “Não abras a porta a ninguém” um dos ensinamentos que mais me foram repetidos durante a infância foi “Não escolhas lados”. Os meus pais sempre me ensinaram que não me devo meter em...

O renascer religioso na China

As violações dos direitos humanos na China superam em gravidade o que sucede na Rússia, como é próprio de um regime totalitário em confronto com um regime autoritário. É o que se verifica no que à liberdade religiosa diz respeito e basta evocar, a propósito, o caso mais extremo da repressão dos uigures (já equiparada a um genocídio), uma repressão que também envolve a violação da liberdade religiosa.

Nem sempre O entendo, não me canso de O procurar

Relembro os Pais que perderam filhos, e todos os filhos sem Pai. Alguns são meus amigos, e mesmo aos que não são, desejo ardentemente que fosse possível, com um abraço, dividir com eles o pesado fardo do vazio. Trago à memória os Pais em guerra. Os que não conheço, mas sei, que se metem com os filhos em barcos, porque qualquer futuro é melhor do que um passado de violência, mesmo que isso signifique afundar o presente no mar da travessia mediterrânica. Os que entregam os filhos ao violento destino de matar ou morrer por razões que só um irracional conhece.

A aventura do regresso às origens

Postos a caminho pelo Papa Francisco, que colocou o “povo de Deus” no eixo do processo de discernimento sobre a Igreja no Terceiro Milénio, deparámo-nos espantosamente com a raiz do próprio cristianismo: essas comunidades de vida e de fé, tão próximas que eram “um só coração e uma só alma”, e tão cheias de amor a Deus.

Pobreza, uma palavra que dói

Nos tempos que vivemos, com a pandemia ainda viva e os efeitos nefastos da guerra, provocada pela invasão da Rússia à Ucrânia, não há palavra mais salivada do que solidariedade. Sobretudo, quando nos referimos a cerca de dois milhões de ucranianos que, de mala na mão, tiveram que fugir das suas habitações confortáveis, rumo ao desconhecido.

30 dias depois…

Vindo de muito longe, vejo insinuar-se-me no coração, pelo ecrã da televisão, esse caldeirão de fel e fogo que um ‘puto’ de olhos hérulos acendeu na Ucrânia. No preciso momento em que tal aconteceu, acenderam-se também os restantes corações dos filhos de Noé. Foi há 30 dias que este tsunami começou.

Caminhar juntos com S. Óscar Romero

Talvez muito poucos católicos saibam quem foi este santo arcebispo da Diocese de San Salvador, entre 1977 e 1980, capital do mais pequeno país da América Central, que é El Salvador. Os seus diocesanos eram gente pobre e oprimida.

Oiça-se a cultura!…

O monstro da guerra não se dissimulou e a resistência apareceu e reagiu. Mesmo para os que julgavam poder aparecer como supostos libertadores, aconteceu o que tantas vezes ocorre em circunstâncias semelhantes – o sentido de comunidade, a defesa da casa, a solidariedade prevaleceram. Afinal, a guerra é a calamidade composta de todas as calamidades, que a todos atinge, em que “não há mal algum que se não padeça ou se não tema”.

A primeira vez com medo da guerra

A guerra na Ucrânia é para nós, jovens, a primeira ameaça militar à porta do Ocidente protegido que conhecemos desde sempre. Não sentimos na pele a instabilidade da Guerra Fria nem o pavor do 11 de setembro, mal nos recordamos da Guerra do Iraque e foi de longe que assistimos à Primavera Árabe. O discurso facínora de Putin é a primeira imagem concreta que temos da malvadez imprevisível, impiedosa e sem Humanidade.

A leveza da razão

Nunca ninguém irá mudar o mundo, o mundo está em permanente mutação por si só e cada um de nós mudando com ele. A única coisa que podemos efetivamente mudar é a nossa visão e consciência do mesmo. Num livro que reúne correspondência entre Gandhi e Tolstoi, este último alegava que a única permanência era a da controvérsia.

Uma cultura sinodal leva tempo

A escuta sinodal continua e tem prazo. Mas se a sinodalidade deveria ser o modo de sermos Igreja, quando terminar o Sínodo dos bispos sobre esse assunto e passarmos a outro, deixará de haver escuta sinodal?

O que há de errado em ser preguiçoso?

Enquanto ouvíamos a leitura das Escrituras, não sei se vimos, mas entrámos numa nuvem. Clara como um rasgão, era dessa nuvem que saía uma voz. A sua sombra é luminosa, como este lugar o é, a esta hora.

Está bem?

Pai querido – tão perfeito
Que possuis todo o amor de Mãe:
Queremos reconhecer a dignidade do teu Nome
E que sejas o nosso inspirador e orientador
Pois a tua vontade é a felicidade perfeita.

O que aconteceu ao ser humano?

Dois casos relativamente recentes provocaram indignação e revolta em muita gente. O primeiro foi o episódio de um conhecido fotógrafo suíço, René Robert, de 86 anos, que caiu inanimado numa rua do centro de Paris e morreu de hipotermia. O segundo foi o caso do primeiro-ministro inglês, acusado de ter permitido resgatar do Afeganistão 200 cães e gatos, mas deixado pessoas para morrer.

Igreja Católica: do centro às periferias

O Papa Francisco vem abrir um novo capítulo nesta caminhada: faz o convite a que a Igreja deixe a ilusão do centro e assuma as margens como seu lugar natural. As margens a que, de modo manifesto, na globalidade ela não quer pertencer. Por que razão havia de querer, se estar no centro foi aquilo que quase “sempre” quis?

Aborto e valores europeus

  O Presidente francês Emmanuel Macron, no discurso de abertura da presidência francesa do Conselho da União Europeia, anunciou o seu propósito de incluir entre os direitos reconhecidos pela Carta Europeia dos Direitos Fundamentais o direito ao aborto. Considera...

Ver mais longe com os cedros do Líbano

Para os tempos que vivemos, talvez um pouco de botânica e de literatura ajudem a temperar esta turbulência que nos impede de ter uma perspectiva mais tranquila sobre o mundo. Começo por uma imagem bíblica de beleza natural, a do cedro do Líbano. Esta árvore de grande porte é um sinal de longevidade e vitalidade.

A hermenêutica de Jesus (2): Jesus e o seu manifesto

A hermenêutica de Jesus, tal como exposta ao longo dos evangelhos, extrapola muitas vezes a rigidez da letra das próprias escrituras, remetendo para novas interpretações, novos significados. Não foi isso que também muitos dos profetas fizeram ao longo do tempo?

A boa notícia do KAICIID em Lisboa

No meio de tantas notícias tão cheias de angústia por causa da guerra na Ucrânia, vi domingo no 7MARGENS a notícia da transferência da sede do Centro Internacional para o Diálogo Interreligioso e Intercultural (KAICIID) da Áustria para Lisboa. É uma notícia portadora de paz e de esperança. Significa que o KAICIID se quis demarcar de toda e qualquer conotação ideológica ou política, que poderia advir da sua posição num país próximo do conflito, para marcar a sua total independência em relação com a guerra e assumir inequivocamente o seu papel de promotor do diálogo, seja qual for o motivo da guerra.

Média, religião e política

Um levantamento recente feito no Brasil mostra que dos 10 influenciadores cristãos mais seguidos na rede social Instagram, oito são evangélicos e dois são católicos. Do mesmo modo que no passado líderes religiosos marcaram presença nos canais tradicionais de rádio e TV, hoje participam das mais diversas redes sociais.

O compromisso político como vocação

Sou a minha circunstância. Cresci na fé, como jovem adulto, com a noção de que ser cristão é sempre um compromisso militante, expressão chave dos meus anos de Ação Católica. E, na minha vida, esse compromisso militante significou invariavelmente um compromisso político, um envolvimento sem disfarces nem reservas com a construção da sociedade a partir de escolhas coletivas contrastantes.

Padre Mário: um cristão de partilha

Quem conheceu o padre Mário de Oliveira, de Macieira da Lixa, sabe bem que este era um cristão de partilha; mesmo depois de a sua diocese não o ter nomeado para funções pastorais, foi com desassombro que assumiu a teologia da libertação e ao lado de muitos outros, em exemplo de vida e de coerência próprias. Deixa-nos um legado de vários livros onde expõe as suas opiniões sobre a Igreja, que ele amou até ao fim da sua vida.

Falar da guerra às crianças

Ainda não refeitos das sequelas da pandemia de covid-19, estamos perante uma situação que muitos julgávamos improvável ou mesmo impossível. A guerra começou porque sim. Muito se foi falando da saúde mental das crianças e jovens durante a pandemia. Agora, em tempo de guerra, não se sabe como falar com elas, sobretudo com as mais pequenas.

Glossário dos tempos incertos

Guerra. Em meia dúzia de dias a vida mudou, sobretudo para os ucranianos, mas também para os europeus e, presumo, mudará em breve para uma boa parte do mundo democrático. Assistimos, incrédulos e em direto, à morte de inocentes e à supressão da ordem política legitimada. Porém, nada disto aconteceu por acaso.

O futuro só a Deus pertence

“O futuro só a Deus pertence” – não saberia quantificar o número de vezes que esta frase tem ecoado junto dos meus pensamentos. À medida que a invasão russa na Ucrânia se intensifica, rezo – rezamos – rezemos para que se alcance a paz, para que não deixemos morrer a esperança de que é possível viver num mundo seguro. O futuro é incerto.

Visita Pascal 2022? Vamos lá sinodalizar?!

É tempo de nos ouvirmos, de conversarmos, de partilharmos ideias e sugestões, para discernirmos juntos as melhores escolhas. Façamo-lo no âmbito dos nossos conselhos pastorais e vicariais, no diálogo franco com as pessoas da comunidade e mesmo com aquelas que nos parecem mais distantes e têm uma palavra a dizer. Através das redes sociais, também podemos escutar e dizer o que nos vai na alma. A conversar é que a gente se entende!

Poetas sociais e a felicidade como efeito colateral

A felicidade como efeito colateral foi referida pelo psicólogo judeu Viktor Frankl no seu livro Em Busca de Sentido, que retrata a sua vivência nos campos de concentração. Diz Frankl: “Não procurem o sucesso. (…) Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.”

Repensar o modelo da Igreja a partir da realidade

Confesso que não me tenho sentido entusiasmado com o dinamismo sinodal em curso na Igreja em Portugal, apesar de ainda haver muito caminho por andar. A minha pouca motivação vai mais longe, pois estende-se aos objetivos do próprio Sínodo. Não tenho dúvidas que esses objetivos correspondem aos anseios do Papa Francisco e eu estou, incondicionalmente, solidário com ele. Por isso, não deixarei de dar o meu modesto contributo.

Da ortodoxia à piedade

Creio que de alguma forma já nos deparámos com uma religião fria e vazia. Para os que assistiram a períodos de reavivamento espiritual há uma lembrança dos tempos sérios da devoção. Para outros, a devoção dos antigos chegou em forma de uma tradição, marcada por rituais muitas vezes sem significado espiritual. Nós, provavelmente, nos enquadramos numa ou noutra categoria.

A presença de Simone Weil

A Pessoa e o Sagrado, de Simone Weil, de 1943, acaba de ser publicada pela editora Guerra e Paz. A Moraes encomendou a M.S. Lourenço esta tradução, que não se concretizaria, não por discordâncias internas (ao contrário do que se pensou), mas por cautelas teológicas… Cabe explicar que, antes do Concílio, as autorizações eclesiásticas eram necessárias para obras de carácter religioso.

Triangulações cristãs em tempos de guerra

O triângulo vermelho é conhecido na história do cristianismo português como o símbolo das Associações Cristãs da Mocidade, parte integrante de um movimento internacional, de origem anglo-americana e de inspiração evangélica, que preconizava o desenvolvimento espiritual, intelectual e físico da juventude.

Dois provérbios e a abstenção das legislativas

Costuma dizer-se que o Natal é quando o Homem quiser, mas depois das últimas eleições legislativas quase que se pode alterar o provérbio para “O Natal é quando a abstenção quiser”. Não houve bacalhau, é pouco provável que alguém se tenha deliciado com sobremesas da avó enquanto acompanhava as projeções e também ninguém correu até aos centros comerciais para comprar as típicas meias ou velas de última hora. Mas, em tudo o resto, a noite eleitoral foi tal e qual um serão de Natal.

Divagações de um pai preocupado

No espírito da Igreja Sinodal que nos convida a caminharmos juntos existe espaço para a partilha aberta com parrésia. Talvez por esse motivo se tenha avançado com maior fulgor as preocupações legítimas dos LGBTQIA+, como noticiado no Sete Margens, e mais tarde as questões abordadas na Conferência Episcopal Alemã como o celibato opcional, diaconato feminino ou escolha dos bispos. Como pai, aquilo que diz respeito ao sacramento da ordem penso que será de reflectir profundamente, mas no que diz respeito às orientações sexuais, estes acontecimento deixaram-me preocupado.

Teu será o riso, santo e contagiante

Diante de certas imagens, que fazem ainda as palavras? Retraem-se, como quem sabe que ficaria sempre aquém. «Não tenho sequer sentimentos para esta infinita dor!» É a expressão de um homem da multidão, em Marrocos, que, no seu desolado ‘De profundis’, esperava a ‘devolução’ do Rayan. Há, de facto, imagens que dispensam as palavras.

Envelhecer ou chegar longe na vida

Envelhecer é algo de que muitos não gostam de ouvir falar. Os mais novos porque consideram que isso nunca lhes vai acontecer. Os mais velhos porque adiam sistematicamente esse confronto, na esperança de que, sem saberem bem como, também não lhes aconteça. De facto, não é coisa agradável de se refletir, mas a sua negação é um processo mais insano, contrariamente ao verdadeiro e corajoso enfrentamento.

Sexo e género: Notas para o debate

Afirma o Papa Francisco: “É preciso não esquecer que sexo biológico (sex) e função sociocultural do sexo (gender) podem-se distinguir, mas não separar.” (Amoris Laetitia, 56). Distingue-se sem se opor sexo de género; sexo como noção anatómica, corporal, animal, dada pelo nascimento; género como noção cultural, linguística, simbólica.

Sacudir a caspa dos ombros

Na rua sobrevive-se; como se a sobrevivência fosse causa imposta pela própria indignidade da condição humana. Reparem bem: – Meus queridos homens e mulheres, meninos e meninas, peçam licença para ocupar o mundo, mundo esse que por acaso não se lembrou de ter espaço para todos os que vê nascer.

Exemplar e criativo encontro

O mais recente livro de Pedro Guimarães situa a Igreja no centro do nosso mundo contemporâneo, acompanhando as suas dinâmicas e não ficando à parte como um ecossistema puro e perfeito, atemporal e acontextual, que não é. Pensar a comunicação na Igreja no tempo da sociedade da informação é entender que os desafios com que o mundo tem de lidar são prementes e são para todos. É evidente que a Igreja não pode deixar-se estar, mas deve estar andando.

Rayan e a homilia que não tinha preparado

As imagens do resgate de Rayan são o melhor comentário ao Evangelho do V Domingo Comum, para esta homilia que não tinha preparado. Vi uma imagem na net e logo me veio à mente: “lançai as redes”, mesmo que a tarefa vos pareça “de loucos” e “farei de vós pescadores de homens”.

Relações falhadas

Vivemos em tempos que nos convocam ao equilíbrio. Estamos rodeados de desequilíbrio por todo o lado, tanto nos discursos como nas atitudes, por parte de muitos protagonistas na vida pública. Basta pensarmos na arena política (populismos de esquerda e direita), no desporto ou mesmo no campo das artes, mas também na vida privada, se considerarmos a violência doméstica e tantos outros crimes sociais. As sociedades necessitam de equilíbrio emocional, relacional, económico-financeiro e também espiritual.

A normalização da morte provocada

A legalização da eutanásia e do suicídio assistido voltará certamente a ser discutida na próxima legislatura. Vem sendo habitual que os partidários dessa legalização acentuem a sua natureza excecional e as garantias que supostamente evitarão quaisquer abusos. Em sentido contrário, surgem os alertas para a inevitável “rampa deslizante”: o alargamento progressivo da sua aplicação.

Um Sínodo para todos

Ultimamente, na minha comunidade, o Sínodo da Igreja Católica sobre a sinodalidade tem sido tema recorrente das nossas conversas. Cada uma de nós (somos cinco) vai vivendo esse caminho de maneiras diferentes, nos grupos que acompanha, na paróquia e nas conversas com outros. A partir da (ainda) pequena experiência que temos, vão surgindo diferentes formas de encarar este caminho sinodal.

Ética desportiva: um caminho para a transcendência

Na quinta-feira, 3 de fevereiro, foi apresentado o livro Pensar à Frente – Corporeidade, Desporto, Ética, Cultura e Cidadania (ed. Afrontamento), que reúne vários estudos sobre Manuel Sérgio. Um deles é sobre a ética desportiva e a transcendência, da autoria de José Carlos Lima. O 7MARGENS publica aqui alguns excertos desse texto, numa versão preparada pelo próprio autor, e que pode ajudar à reflexão sobre este tema também no dia em que se inauguram os Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim.

Das (des)virtudes da culpa

De acordo com inquérito efetuado em 2019, chegou-se à conclusão de que o sentimento de pertença a uma igreja, a boa comunhão e os laços afetivos com outras pessoas, a prática de rituais e participação ativa nos cultos, são fatores que contribuem positivamente para a saúde psíquica, emocional e até física.

Chega de rodeios!

Se há coisa que aprendemos com a pandemia é que o tempo passa depressa. Aprendemos que devemos ter mais calma, aproveitar os momentos com aqueles de quem mais gostamos, comer o que queremos, ver o pôr do sol e consumir tudo o que as redes sociais têm para dar, certo? Errado. Chegou a altura de desacelerar.

Crise da Demografia Portuguesa (4)

Ainda há solução? – A demografia como prioridade

Concluímos com este texto a série de artigos que iniciámos sobre o tema «A crise da demografia portuguesa: Ainda há solução?». A dimensão histórico-crítica na abordagem dos fenómenos sociais é fundamental para identificar relações de causalidade e tendências sociais. Essa análise é ainda mais pertinente quando abordamos um tema pluri e transdisciplinar como a demografia, profundamente influenciada pela cultura, pela religião, pela economia, pela educação, pela situação geográfica, pelos recursos endógenos, pelo clima, pela orografia, pelas vias de comunicação, pelos modelos de administração e outras áreas

O inimigo está à espreita e não é Karl Marx

Num artigo publicado no Ponto SJ, o portal dos Jesuítas em Portugal, com o título “O marxismo não é para católicos”, o padre Nelson Faria faz a crítica do marxismo como uma ideologia “assente na inevitabilidade do conflito”, que nos arrasta “para um perpetuar do conflito”. Ao ler este destaque, que aparece junto ao título e num dos últimos parágrafos, poderíamos julgar que, ao contrário do que o título sugere, o artigo seria um ensaio positivo e construtivo sobre uma Igreja que é para todos e para todas. Mas não.

Quando o sono de um cão azucrina a savana

Tinha acabado de chegar da metrópole. Este nome indiciava que no país pairava um regime colonial, embora em agonia. Em final de curso vinha para estagiar numa missão do Índico, próxima de uma praia imensa de águas tranquilas. O colégio, em construção, seria o lugar da minha tarefa diária, por entre devaneios e responsabilidades escolares, assumidas, assim, tão precocemente.

A educação na campanha eleitoral

Durante os trinta debates nas televisões o tema da educação nunca esteve sobre a mesa. Será porque não é importante? Todos responderão que não, pois a educação é reconhecidamente importante em qualquer sociedade, sobretudo as mais desiguais. Será porque não se debateu nenhuma estratégia para o país? Também não, pois, apesar de pouco, ainda houve aqui e ali tempo para debater a justiça, a economia, a fiscalidade, o emprego e as remunerações.

As estrelas boas que Deus coloca na nossa vida

No contexto da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2022 [entre 18 e 25 de janeiro] prestamos tributo a um homem bom, um fiel seguidor de Cristo e um cristão verdadeiramente ecuménico e aberto ao diálogo inter-religioso. Um cristão também com profundo sentido de humor e de alegria, que é sempre um sinal de uma boa espiritualidade.

Thich Nhat Hanh: Buda e Jesus são irmãos

Regressei ao cristianismo. Mas fui budista zen cerca de quinze anos, integrada na orientação budista zen do mestre japonês Taisen Deshimaru (Associação Zen Internacional); tendo como mestre um dos seus discípulos, Raphael Doko Triet. Gostaria de lhe prestar aqui a minha homenagem pois aprendi muito com ele, ligando-nos ainda – embora à distância – uma profunda amizade.

“A longa viagem começa por um passo”, recriemos…

Inicio o meu quarto ano de uma escrita a que não estava habituada, a crónica jornalística. Nos primeiros três anos escrevi sobre a interculturalidade. Falei sobre o modo como podemos, por hipótese, colocar as culturas moçambicanas e portuguesa a dialogarem. Noutras vezes, inclui a cultura judaica, no diálogo com essas culturas. De um modo geral, tenho-me questionado sobre a cultura, nas suas diferentes manifestações: literatura, costumes, comportamentos sociais, práticas culturais, modos de ser, de estar e de fazer.

O Sínodo dos Bispos não é o sínodo da Igreja

Está a Igreja Católica Romana a caminhar para mais um Sínodo dos Bispos, a acontecer em 2023, e para isso toda uma máquina funciona no sentido da obtenção de mais diretivas ao serviço do Evangelho. Vamos lá lembrar o que está a acontecer: já não é a primeira vez que se realiza um Sínodo dos Bispos para refletir sobre algumas questões colocadas, sem que, no entanto, se sintam alterações substantivas ao funcionamento da Igreja, dando vitalidade ao seu caminhar.

A roseira que defende a vinha: ainda a eutanásia

Há tempos, numa visita a uma adega nacional conhecida, em turismo, ouvi uma curiosa explicação da nossa guia que me relembrou imediatamente da vida de fé e das questões dos tempos modernos. Dizia-nos a guia que é hábito encontrar roseiras ao redor das vinhas como salvaguarda: quando os vitivinicultores encontravam algum tipo de doença nas roseiras, algum fungo, sabiam que era hora de proteger a vinha, de a tratar, porque a doença estava próxima.

Esta é a Igreja que eu amo!

Fui um dos que, convictamente e pelo amor que tenho à Igreja Católica, subscrevi a carta que 276 católicas e católicos dirigiram ao episcopado português para que, em consonância e decididamente, tomassem “a iniciativa de organizar uma investigação independente sobre os crimes de abuso sexual na Igreja”.

Onde menos se espera, aí está Deus

Por vezes Deus descontrola as nossas continuidades, provoca roturas, para que possamos crescer, destruir em nós uma ideia de Deus que é sempre redutora e substituí-la pela abertura à vida, onde Deus se encontra total e misteriosamente. É Ele, o seu espírito, que nos mostra o nosso nada e é a partir do nosso nada que podemos intuir e abrir-nos à imensidão de Deus, também nas suas criaturas, todas elas.

O Senhor a receber das mãos do servo

Sendo hoje 6 de Janeiro (19 de Janeiro no calendário gregoriano), no calendário juliano (seguido por grande parte dos cristãos ortodoxos em todo o mundo), celebramos a Festa da Teofania de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo, isto é, a festa da manifestação ou revelação ao mundo da Sua divindade, no mistério do Seu Baptismo no rio Jordão, das mãos de São João Baptista.

O que revela “Não olhem para cima” da Netflix

Não Olhem Para Cima é uma nova sátira da Netflix escrita e realizada por Adam McKay e que conta a história de dois astrónomos que entram em pânico para chamar a atenção da humanidade para a colisão de um cometa cujo tamanho gerará uma extinção em massa. Em suma, a humanidade deixará de existir. A sátira está numa humanidade que vive de tal forma na sua bolha de entretenimento, entre sondagens políticas e programas da manhã que, simplesmente, não quer saber.

Viver no ritmo certo

Enquanto pensava no que iria escrever este mês, havia uma palavra que não saía da minha mente: “descanso”. Obtive a confirmação desta quando, por coincidência ou não, este foi o tema escolhido pela Aliança Evangélica Europeia para a sua semana universal de oração, realizada de 9 a 16 de janeiro de 2022. Os líderes evangélicos apelam a que todos possam viver no ritmo de Deus porque estamos a ser engolidos por uma onda de homens e mulheres sobrecarregados, completamente esgotados e sem força para lutar mais pela vida.

Uma Teofania nos corações humanos

A Epifania é celebrada pelas Igrejas Ortodoxas a 6 de Janeiro no calendário Juliano (19 no calendário Gregoriano), 12 dias após a Festa do Natal. A banalização da festa do Natal inscreveu-a no imaginário do espírito humano, sobrevalorizando-o e operando a sua dessacralização em detrimento do Espírito de Deus.

2022: aprender a construir a paz

A Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz de 2022 é expressão de um momento muito forte que atravessamos, numa transição de incerteza e perplexidade. Guerras e conflitos, pandemias, doenças, alterações climáticas, degradação ambiental, fome e sede, consumismo, individualismo, em lugar de partilha solidária – eis o conjunto de preocupações que dominam este início de 2022. Nestes termos, o Papa propõe-nos três caminhos para uma Paz duradoura.

“Matar os nossos deuses” – a propósito do Dia Mundial da Religião

Celebra-se neste terceiro domingo de janeiro o Dia Mundial da Religião, que promove a ideia da compreensão e a paz entre todas as religiões. Através de uma série de eventos realizados em todo o mundo, os seguidores de todas as religiões são incentivados a conhecer e a aprender mais acerca das outras religiões e respetiva fé. Reconhecendo-se que, durante séculos, as diferentes religiões e credos lutaram muitas vezes entre si, ignorando muitos dos seus valores comuns, torna-se, pois, necessário que se trabalhe em prol de um entendimento pacífico entre todos.

A promessa “terrivelmente cristã”

Em dezembro, a posse de André Mendonça como ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro foi destaque, consagrando a fase ultraconservadora do Brasil. O primeiro discurso de Mendonça após sua aprovação para o STF em 1º de dezembro focalizou a Bíblia, o indivíduo e a família, as mesmas “ideias-força” que vêm orientando a conjuntura política nacional desde 2015.

Apareci nas notícias!

14 de dezembro de 2021. Apareci nas notícias: sou um dos 3591 novos casos de infeção por covid-19. Bem tentei, mas não consegui: cancelei jantares grandes, privilegiei estar só com a minha família e amigos mais próximos, evitei ambientes com demasiadas pessoas, reforcei a máscara, andei menos de transportes públicos, cumpri todas as regras e recomendações e, mesmo assim, o vírus entrou cá em casa.

Nas margens da filosofia (XLI)

A importância de desacelerar

Um dos alertas que nos foi dado pelo Papa Francisco na sua encíclica Laudato Si’ foi a necessidade de tomarmos consciência do ritmo frenético que se instalara nas nossas vidas. O termo por ele usado foi rapidación, essa velocidade imposta às acções humanas, fortemente contrastante com a lentidão natural da evolução biológica.”

Otimismo obrigatório ou demagógico?

As decisões estão permanentemente a mudar em função de mais uma investigação incompleta, mas dada como segura. Transformámo-nos em cataventos humanos que, querendo saber imenso, não sabemos quase nada. Mas sim, como nunca, temos de cuidar das opiniões que damos. Elas têm impacto em outros já vulnerabilizados pelos medos circunstanciais e podem destruir-lhes a tranquilidade.

História, exegese e teologia

A data do Natal e a mitologização do Verbo Encarnado

É comum hoje criticar-se a celebração do Natal não somente pelo aspecto consumista, que adquiriu desde princípios do século passado (aspecto de resto criticado implacavelmente pela imensa maioria dos ministros cristãos, e mais decorrente duma mentalidade secularizada que propriamente da piedade cristã), como ainda pela sua própria data a 25 de Dezembro que, segundo dizem, é incorrecta historicamente e terá sido “usurpada” pelos cristãos a um qualquer culto pagão, com o propósito oportunista de tornar a Igreja dominante em todo o Império Romano.

“A ceremony of carols”

Tanto quanto me lembro, o nascimento de Jesus canta-se a partir da circunstância de cada um, a partir da realidade de cada comunidade, esteja ela num mosteiro no século XII, numa aldeia transmontana ou no Rockefeller Center.

A comissão da honra perdida

Depois da pandemia da covid-19, que outra epidemia estará à espreita, em colégios e seminários, igrejas e sacristias e em tantas instituições de bem-fazer, dispersas pelo país?

A crise da demografia portuguesa (3)

A evolução demográfica do país a partir da evolução dos concelhos

Sessenta anos de estagnação demográfica para três quartos do território criam condições para o envelhecimento e a ausência de juvenilização. E os municípios do chamado litoral começam a dar sinais de que a sua população jovem emigra também para os vários estrangeiros onde consegue sobreviver. Terceiro texto da série sobre a crise da demografia em Portugal.

E se Jesus Cristo não tivesse nascido?

A infeliz (e entretanto rapidamente abandonada) proposta da Comissão Europeia de impor (ou apenas aconselhar) aos seus funcionários a omissão de referências ao Natal nas tradicionais saudações da quadra respetiva suscitou múltiplas reações. Pretender que a harmonia das sociedades europeias onde hoje convivem pessoas de múltiplas culturas e religiões implique o cancelamento das raízes culturais cristãs dessas sociedades, ou o seu confinamento à esfera privada, seria dar razão a quem recusa o acolhimento dessas pessoas para preservar tais raízes (se essa convivência exige que cancelemos o Natal, então não queremos essa convivência…). Mas essa pretensão não tem razão de ser.

Oportunidade para a conversão pastoral

Este Francisco parece que adivinha o que poderá acontecer se o Povo de Deus ficar quieto e calado à espera que o clero clericalize todo o caminho sinodal. E está para tal, pelo menos no que se vai passando em Portugal. São os riscos apontados no seu discurso que se tornam factos de formalismos exigentes por parte dos poderes clericais.

Caminho sinodal e o instinto de autopreservação

Vai-se assistindo a várias segmentações no seio da Igreja, entre os ditos progressistas e os ditos conservadores. Uns e outros construindo os seus núcleos e opondo-se aos demais. Um Sínodo sobre a sinodalidade da Igreja tem, por paradoxal que pareça, desertado os instintos impositivos de ambos os lados. Um e outro lado, reivindicando ser detentor da verdade e único mensageiro da voz de Deus. Assim, ao invés de ir ao encontro uns dos outros, reconhecendo que em todos Deus se faz presente, cada qual se fecha no próprio núcleo e tenta que a sua voz seja a dominante.

O Natal, a família de Jesus e a cultura da imperfeição

A propósito do Natal gostaria de refletir sobre a nossa capacidade de aceitar o outro tal como ele é. No capítulo 1 do evangelho segundo Mateus, é-nos descrita a genealogia de Jesus; chamo a atenção para três nomes: Tamar, Raabe e Rute. Se já seria escandaloso encontrar nomes de mulheres numa genealogia no primeiro século, o pano ainda fica mais manchado com a história destas mulheres.

O Natal é quando o Homem quiser!

É costume dizer-se popularmente que “Natal é quando o Homem quiser”. Inicialmente dito por um poeta (Quando o homem quiser, Ary dos Santos), vulgarizou-se pela canção que lhe deu voz. Esta afirmação, tida por muito certa pela generalidade das pessoas, assumiu um significado que, embora dito por palavras discutíveis, é muito acertado.

Mãos que aquecem mãos

Esta história é verdadeira e tem início nas antigas portagens da A1, ali mesmo, à saída de Lisboa, em Sacavém, rumo ao Norte. As mãos frias da longa espera percorrem de imediato as mãos do condutor.

Transformados pela espera

Das virtudes teologais, a esperança é talvez a mais invisível, incompreendida e, no nosso tempo, desprezada. Custa esperar. Esperar o quê e para quê? E como se espera? 

Refugiados e migrantes como armas em jogos geopolíticos

Colocar voluntários e organizações humanitárias ao nível das máfias organizadas que traficam milhares de pessoas causa-me repulsa, mas não chega a provocar-me espanto. De facto, estamos apenas perante um novo patamar na tendência que se desenha já há décadas, de securitização dos discursos e práticas de diversos governos em relação aos refugiados e migrantes.

Racismo, autoridades e vergonha nacional

A vergonha nacional e o luto da família de Ihor Homenyuk ainda não estava ultrapassada e vivemos mais um embaraço por conta de autoridades e abuso de poder contra alguém que não nasceu português. Desta vez não por parte do SEF, mas da GNR.

A dançarina em dezembro

A menina dança em dezembro para aquecer a alma. Dezembro é a dança melodiosa que ilumina a árdua coreografia do resto do tempo. O seu peito trémulo e arquejante espreita ousado para dentro das casas onde lareiras ardem a deitar cheiro, a menina imagina que é os outros meninos no aconchego dos agasalhos, cheios de pai e mãe, cheios de jantar e luz. 

Advento, Natal e Ano Novo

Vem aí o Natal. É o que todos sabemos. Um mote mais do que provável, talvez impertinentemente banal e desinteressante. O calendário marca a nossa vida sempre e, nestes momentos cruciais, se se pode dizer isto, marca ainda de forma mais notória. Nós, católicos, devemos ter os nossos corações em festa grande.

E se retornássemos ao primeiro Natal?

Estamos a poucos dias de celebrar o Natal. Muito provavelmente, pelo menos no mundo ocidental, milhões e milhões de pessoas empreendem uma corrida desenfreada… Tudo isto para supostamente recordar e festejar o nascimento de um menino ocorrido há cerca de dois mil anos em Belém da Judeia.

Como manipular símbolos cristãos

No dia 1 de dezembro, André Mendonça, pastor presbiteriano e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, foi sabatinado e aprovado no Senado Federal, tendo sido nomeado pelo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, para o Supremo Tribunal Federal no dia seguinte. André Mendonça, diferente do Presidente, é um “homem estudado”.

Criminalizar os pobres?

A sociedade suíça é muitas vezes encarada como modelo de civilização, ordem, limpeza e harmonia. Este caso choca-nos porque denota a intenção de esconder a pobreza (sem a eliminar) como algo de indecoroso ou incómodo, que dá “mau aspeto”, como quem varre o lixo para não destruir essa suposta limpeza, ordem ou harmonia.

Ombros sedutores? “Nem tanto ao mar, nem tanto à terra”

Um texto a propósito de algumas atitudes pouco abonatórias adoptadas como política ou como procedimento em algumas instituições moçambicanas. Refiro-me ao preconceito de que os ombros das mulheres são sedutores e que os seus cabelos, quanto menos naturais, melhor. Ainda não me fiz entender, eu sei.

Combater bem o mal

Os tempos que se vivem na Igreja Católica suscitam especial dor a todas as pessoas, sejam ou não crentes, provocando revolta em muitos contra um aparentemente imobilismo na resposta a uma crise que já se prolonga por demasiado tempo. A Igreja, enquanto realidade operante no mundo, não ficou imune a este fenómeno transversal à humanidade que é o abuso sexual de menores.

Encontra um trabalho que não amas, não perderás um minuto da tua vida

Ainda antes de acabar o curso fui à minha primeira entrevista de trabalho “a sério”, numa produtora de filmes num bairro trendy de Lisboa. Roubei um dia à escrita da tese de mestrado, apanhei o comboio e lá fui eu, tão nervosa quanto entusiasmada. O dono começou por me perguntar se fazer cinema era o meu sonho. Fiquei logo sem chão. Sofri, desde muito cedo, de um mal que me acompanha até hoje: sonhava demais e muitos sonhos diferentes.

O capelão ateu

Recentemente a Universidade de Harvard (EUA) elegeu um ateu para presidente dos capelães, pela primeira vez na sua já centenária história. Foi algo que chamou a atenção pela sua novidade. Um bispo americano que por vezes sigo nas redes sociais – Robert Barron – afirmou num artigo do New York Post que era incompreensível um painel de líderes religiosos nomear para uma representação religiosa alguém que não tem fé.

Um patriarca mediático

Tinha 18 meses quando lhe faltou o pai, José Ribeiro. A mãe, Ana Gonçalves, ficaria eternamente só. Solidária com ela, Maria de Lima, a professora do único filho que, na família nasceria, em 21 de maio de 1928, em Pereira, lugar da freguesia de S. Clemente, no concelho de Celorico de Basto. Terras de emigração e casas senhoriais das fortunas do Brasil, os campos escondiam, por detrás dos montes de Basto, uma agricultura difícil. A casa da família Ribeiro era modesta, de granito frio.

A (necessária) arte do encontro

Os encontros revelam-nos sempre o nosso lugar no tempo e na história, desde que estejamos disponíveis para o movimento. Vamos para o encontro como somos e vamos como estamos. Muitas vezes estamos de ego tão exacerbado e de alma tão conturbada que apenas nos transportamos para os encontros, como caixas fechadas e vociferando impressões, sem nada ouvir e receber de quem nos rodeia.

Os desafios dos bispos em França

“Ao padre que sabe muito e fala bem ainda lhe falta o coração e a humanidade.” Um bom mote do cardeal António Marto para alguns artigos meus anteriores e que abre caminho para aprofundar o que é “ter vocação” – e não só para sacerdote ou consagrado. É também uma boa maneira de abordar o tema da sexualidade perante os escândalos na hierarquia da Igreja Católica (não só, infelizmente).

O simbólico da Trindade na liturgia ortodoxa

As Igrejas Ortodoxas celebram a festa de S. João Crisóstomo no dia 26 de Novembro (dia 13 do mesmo mês, no calendário juliano). Nascido em Antioquia (viveu entre 347-407), esteve sujeito aos vexames dos partidários de Arius e, em rotura com a Igreja Egípcia, assimilou contradições culturais, conservando independência de espírito. Exprimiu-se através de fórmulas doutrinais inatacáveis que o levaram ao Patriarcado de Constantinopla.

Maid: a série que todos devemos ver

Netflixicamente, é excelente, não se enreda no drama ou no feminismo fácil, tem o seu quê de humor, não caricatura personagens, e a actriz principal, Margaret Qualley, merece todos os prémios da temporada. Mas não é isto que interessa, que não sou crítica de televisão. Com pena, admito. Em dez episódios, acompanhamos a jornada de Alex para se autonomizar da relação abusiva que mantém com Sean, o pai de Maddy, a filha de quase três anos.

Nas margens da filosofia (XXXIX)

Cultivemos a amizade na era das redes sociais

As redes sociais em que hoje nos movimentamos põem em causa o conceito de amizade e as suas exigências. Todos os dias somos inundados com mensagens de pessoas que se apresentam como amigos e que permanentemente nos comunicam os seus estados de alma, partilhando alegrias e tristezas, anunciando eventos, dando-nos conta das suas preocupações, revelando intimidades que as mais das vezes preferíamos ignorar.

Igreja, escândalos e má comunicação

Sabemos que o tempo mediático não é igual ao tempo da Igreja. A Igreja deve saber ler os tempos da sociedade em rede do século XXI, dispondo de ferramentas e técnicas que pode usar adequadamente no âmbito da sua missão, sem esquecer a estética própria da comunicação eclesial, no respeito pela sua natureza específica, evitando copiar erros e padrões inadequados de estética comunicacional de outras áreas.

A misericórdia triunfa sempre sobre o juízo

O fresco do Julgamento Final, de Miguel Ângelo, pintado na parede da Capela Sistina, demonstra bem o drama dos que, nos finais dos tempos, irão ser confrontados por Jesus. Embora o tema desta magistral obra seja o julgamento – que tem como fundo a passagem do Evangelho de Mateus (25:32-46) – alguns críticos da obra de Miguel Ângelo veem na figura de Cristo alguém que vem com misericórdia.

Confesso que morro…

Confesso que morro. Morro em semblantes irresgatáveis, gestos pardos em quedas sinistramente abruptas. Morri nas entranhas da minha mãe quando fui cuspida ao mundo e hei-de morrer no louco abismo desse voo.

Abusos sexuais: isto não vai com água benta

Os abusos sexuais do clero católico sobre menores e pessoas fragilizadas voltaram à ribalta dos media. O Papa Francisco já não aguentava com a vergonha. Repetiu até à exaustão a palavra em que não queria acreditar. Desde o princípio do seu pontificado, em 2013, Francisco não se cansou de verberar este crime moral, hediondo, perpetrado em vários cantos do mundo.

Crentes honestos

Em conversa com duas pessoas de outra confissão religiosa, foi-me dito que “é precisa muita coragem para se ser católico nos dias de hoje”, com tantos escândalos dentro da Igreja, como a pedofilia e outras ofensas sexuais, casos de infidelidade ou questões financeiras. É interessante pensar como, frequentemente, o desejo de conforto pode fazer-nos abdicar das nossas crenças ou convicções, apenas para ficarmos bem aos olhos da sociedade.

A liberdade de morrer

Muito se tem escrito e falado nos últimos tempos sobre a votação da reformulação da eutanásia. Infelizmente, grande parte do discurso público parece nascido de frases feitas, pensamentos soltos e sem grande suporte científico e moral. Pensar a morte, a nossa morte, decidir o seu momento, as razões desse momento, não é um pensamento catequizável. Implica o empenho de toda a nossa realidade.

Sim, os direitos humanos nas prisões

Como em todo o mundo, as prisões portuguesas são ocupadas principalmente por pobres. Pobres de dinheiro, pobres de conhecimento, pobres de consciência moral, pobres de perspectivas. Isso deveria interpelar-nos e levar-nos a pensar porque será que o sistema a penal processa basicamente pessoas que vêm da base da pirâmide social.

Apologia da simplicidade

Provavelmente, nos tempos que correm, este título não interessa mesmo nada. Ainda assim há que arriscar. Todos temos imensas coisas para dizer e um manancial infindável de opiniões a dar. Vamos assoberbando os canais através dos quais comunicamos com dezenas de assuntos, ditos e reditos de milhares de maneiras.

Eutanásia e conceitos indeterminados

O motivo que levou o Tribunal Constitucional a declarar a inconstitucionalidade de algumas normas do decreto aprovado pelo Parlamento que vem legalizar a eutanásia e o suicídio assistido foi a invocada violação do princípio da determinabilidade da lei, como corolário dos princípios do Estado de Direito e da reserva de lei (reserva de lei no sentido em que determinadas matérias, pela sua relevância, devem ser reguladas por lei e não estar dependentes de decisões casuísticas).

Pastoral da Ecologia Integral: um caminho inevitável

É verdade que as decisões políticas afectam a vida dos povos, mas o precedente aberto nas COP de que uma nação pode voltar atrás com os compromissos assumidos (como aconteceu com os Estados Unidos), leva a que as palavras pronunciadas desde então soem sempre a vazio, como o olhar de pedra dos gigantes da Ilha de Páscoa. O primeiro-ministro da Índia assumiu o compromisso na COP26 de trabalhar para que a sua nação atinja as emissões-zero em 2050.

Saudade

A saudade é a estranha penumbra desabotoada no gélido crepúsculo da memória. Acontece quando os odores se desfazem e os timbres deixam de ecoar;
essa é a saudade.

A I República e os protestantes portugueses

Em Novembro de 1921, durante a I República, reunia no Porto a primeira assembleia plenária da Aliança Evangélica Portuguesa. Hoje a instituição celebra 100 anos sobre a sua data fundadora. As comemorações do centenário decorrem agora e incluirão um roteiro pelas igrejas e lugares históricos do protestantismo.

Aplicar os direitos humanos nas prisões

O Parlamento votará na quinta-feira, dia 11, uma proposta apresentada pelo CDS, para revogação da lei 9/2020. Em 10 de Abril de 2020 foi publicada a Lei nº 9/2020 que estabeleceu um regime excecional de flexibilização da execução das penas e de medidas de graça, no âmbito da pandemia da doença covid-19.

“Menino Menina” – um livro só para crianças?

Recentemente tive acesso ao livro de Joana Estrela, Menino, Menina (Planeta Tangerina, 2020) que aborda as questões de género. Não pude deixar de ter este pensamento recorrente: dramatiza-se e lançam-se impropérios sobre a ideologia de género e aqui está tudo tão bem explicado às crianças, de modo simples e objetivo!

“E juntou-se aos seus antepassados…”

Ser próximo de quem se vai despedindo traduz-se num estímulo para continuar com mais ardor a verdadeira missão no mundo de quem nos passa o testemunho, por mais jovem ou desprotegido que seja. As nossas festas e diversões, estudo ou trabalho duro, manifestações de amizade e amor… tudo pode ser feito de maneira a tornar melhor o mundo que nos foi entregue. E deixando boas dicas para quem nos sucederá.

A beleza dos dias tristes

Um dia, ao falarmos sobre um momento particularmente marcante da minha conversão, disse-me assim o meu Avô: “Filha, é só saber olhar: até na morte há beleza”. Se bem o disse, melhor o fez, pois morreu uns anos mais tarde, num triste Setembro belo, dando lugar a uns dos mais bonitos dias tristes da minha vida.

Política e informação ao nível da sarjeta em matéria religiosa

Hoje é moda o ataque descabelado à religião, tanto por parte de alguns políticos, em nome de determinadas agendas, como de jornalistas – mas estes, regra geral, em nome da ignorância e incompetência. Um caso recentemente passado em Portugal ilustra bem esta segunda afirmação. Uma estação de televisão generalista em Portugal, num dos seus programas, relatou o caso duma família que terá contratado um empreiteiro brasileiro para reconstruir uma casa.

A crise da demografia portuguesa: ainda há solução?

Damos aqui início a uma série de artigos sobre a demografia portuguesa, desde 1864, ano da publicação do primeiro Censo da População de Portugal. Procuraremos destacar os principais períodos demográficos, as suas causas e as suas consequências. Mais do que números – embora estes sejam a alma da estatística – interessa-nos a compreensão do que aconteceu e a projeção do futuro à luz dos factos. Restringimos a análise ao Portugal do Continente Europeu, que inclui a Madeira e os Açores.

Creio na Igreja – mais consciência e mais perguntas

“Creio na Igreja Católica”. Ultimamente, quando rezo este artigo do Credo, rezo-o com mais consciência e mais perguntas… não porque tenha deixado de acreditar na Igreja, mas porque alguns acontecimentos me têm feito pensar e desejar uma Igreja diferente. Nos últimos meses fui-me confrontando com situações que me levam a sentimentos contraditórios, por um lado de desilusão e, por outro, de esperança.

O maior mistério da vida

A correria dos familiares para os cemitérios no Dia dos Fiéis Defuntos é um ritual que se vai repetindo ano após ano, transformando estes espaços públicos em jardins, salpicados de flores, onde a saudade e os silêncios se entrelaçam. Na verdade, a morte sempre foi, ao longo da história, um mistério e celebração para todas as civilizações, desde as mais primitivas às desenvolvidas.

O meu Credo sempre renovado

O Sínodo católico de 2021-23 alerta para a falta de congruência entre o que professamos e o como vivemos. Ora o Credo de Niceia é sobretudo uma tentativa de justificação filosófica do desenvolvimento histórico da maneira de compreender o Deus professado e vivido por Jesus Cristo. Mas as suas posições dogmáticas tornaram-se belicosas, como se alguns “chefes” católicos quisessem gritar a condenação de todos os crentes que, de modo diferente, respeitam o mistério de Deus e a inteligência humana.

O difícil não vem de Deus

Bem sabe o Criador do que somos feitos, criaturas tão repetitivas no erro e tão errantes nos passos que é certo que não se nos pode pedir senão o básico. Mas ainda que não fosse pela nossa inépcia, é evidente que Deus tem preferência pela simplicidade como se não quisesse contar com o nosso brilhantismo para transmitir a Sua luz.

Os abusos sexuais e uma questão ética

A recente notícia sobre a investigação de abusos sexuais praticados na Igreja francesa nos últimos setenta anos, assim como outras semelhantes, fazem sempre com que me venha à mente a minha experiência profissional quase quotidiana. Na verdade, na minha função de juiz desembargador tenho ocasião de lidar com recursos de condenações (muitas delas em penas das mais graves) por abusos sexuais de crianças e adolescentes.

Isto não é um acidente!

Em matéria de abuso sexual de menores no meio católico, a primeira premissa de todas deve ser que esta situação não é pontual nem acidental, mas uma forma de estar. Infelizmente. Mas este cancro tem que ser extirpado.

Luiza Andaluz: uma voz feminina na história da Igreja em Portugal

Nesta quarta-feira, 27 de outubro, será lançado em Santarém o terceiro volume dos escritos de Luiza Andaluz (1877-1973), fundadora da Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima (SNSF). Depois de publicadas as suas Memórias e os seus Pensamentos, o Centro de Conhecimento Luiza Andaluz promove agora a edição de centenas de cartas dirigidas pela fundadora às irmãs da sua comunidade.

Sínodo de esperança ou nem isso

Tenhamos esperança de que o Sínodo começado em Portugal e em todas as dioceses do mundo católico-romano não seja um esfrangalhado tecido que nada terá a ver com a vontade indomável de um homem, que se chama Francisco, bispo de Roma e Papa. As primeiras notas não são nada animadoras: basta sentirmos o que a Igreja Católica em Portugal fez com a encíclica Laudato Si’, que simplesmente silenciou e, embora alguns pequenos grupos teimem em levá-la à luz do dia, o clero português, na sua generalidade, não estará para aí virado.

Lobolo: vender, usurpar, compensar ou pagar propina?

O termo lobolo é uma palavra de origem tsonga e equivale à palavra dote. Lobolar é um neologismo construído a partir da palavra tsonga kulovola, acrescentada da terminação verbal “ar”, da língua portuguesa. Expliquei, num texto meu no 7MARGENS, que lobolo de mulher, em tempos antigos, correspondia à entrega de uma noiva à família do seu noivo, num evento no qual as famílias partilhavam carinho entre si. Esse carinho era traduzido, simbolicamente, em bens – daquilo que melhor produziam – que ambos permutavam.

Nós somos porque eles foram. E nós seremos nos que vierem a ser.

A homenagem aos que perderam as suas vidas nesta pandemia é uma forma de reconhecermos que não foram só os seus dias que foram precoce e abruptamente reduzidos, mas também que todos nós, os sobreviventes, perdemos neles um património imenso e insubstituível. Só não o perderemos totalmente se procurarmos valorizá-lo, de formas mais ou menos simbólicas como é o caso da Jornada da Memória e da Esperança deste fim-de-semana, mas também na reflexão sobre as nossas próprias vidas e as das gerações que nos sucederão.

Sínodo em demanda de mudanças

Falo-vos da reflexão feita pelo Papa Francisco, como bispo de Roma, no início do Sínodo, cuja primeira etapa agora começa, de outubro de 2021 a abril de 2022, respeitando às dioceses individuais. Devemos lembrar que o “tema da sinodalidade não é o capítulo de um tratado de eclesiologia, muito menos uma moda, um slogan ou novo termo a ser usado ou instrumentalizado nos nossos encontros. Não! A sinodalidade exprime a natureza da Igreja, a sua forma, o seu estilo, a sua missão”.

Confinar o medo?

Todos sentimos o impacto da pandemia, seja por conhecermos alguma vítima ou algum familiar ter sido afetado, por termos ouvido dezenas de reportagens nos media sobre a crise económica ou até por, mais de um ano depois, ainda detestarmos as máscaras. Após quase dois anos de distanciamento, continua o receio de estar perto do outro, a tentação de evitar um café com alguém porque “não tem cuidado nenhum”, de nos afastarmos porque temos receio de levar o vírus para dentro das nossas casas.

Pregos no caixão

Como resultado de uma evolução e saturação pessoais, cheguei ao ponto de ter medo, no próprio e exacto sentido da palavra, cada vez que vejo um padre ou um bispo aparecer na TV ou ser transcrito num jornal, porque é imensa a possibilidade de das suas bocas sair forte asneira e de os seus gestos e trejeitos serem comprometedores.

Os dias não têm 24 horas

E se de repente nos viessem dizer que cada dia passaria a ter apenas 16 ou 17 horas? Com a falta de tempo de que sempre nos queixamos iríamos, decerto, apanhar um susto. Não saberíamos como resolver tamanho corte e, com imensa probabilidade, entraríamos em stresse, esse companheiro que nos boicota a vida num padrão que, como alguém disse, se traduz por excesso de presente.

Um sentimento misto

No trabalho ou em qualquer outra responsabilidade todos desejamos que tenham confiança em nós e no discernimento que fazemos das coisas. Quantas pessoas não fazem a menor ideia da rede complexa de relacionamentos que estão em jogo e que, por detrás dos silêncios, existe uma visão do todo cuja compreensão exige tempo para a assimilar, não um tweet. Assume, aqui, importância, desenvolver uma cultura da confiança em quem assume determinadas responsabilidades.

Abusos: entre a vergonha e a esperança

Saiu agora mais um relatório sobre a realidade dos abusos sexuais, desta vez em França. Recordo outras situações como EUA, Polónia, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia, Alemanha…todos, segundo os critérios diferenciados de estudo e análise, vão mostrando uma realidade que envergonha a Igreja Católica e a sociedade, manifestando não apenas escândalo, mas também situações de indiferença e até crueldade.

A busca de Jesus – em memória de Dimas Almeida

Num testamento deixado à família e ao Grupo de Carcavelos, Dimas Almeida cita a célebre pergunta que Jesus fez aos seus discípulos: “Quem dizeis vós que eu sou?” É espantoso que esse texto (Marcos 8: 27-35) esteja incluído no evangelho deste dia litúrgico, precisamente quando evocamos a memória do nosso amigo, e tenha sido citada no último texto que nos legou.

Erros e pecados

A tradução da Bíblia do grego levada a cabo por Frederico Lourenço contém um interessante reparo relativamente ao termo “pecado”. De acordo com o tradutor, o termo grego significa “erro” e, do ponto de vista semântico, relaciona-se com um verbo cujo sentido literal é “falhar o alvo”.

Indonésia: as sementes de Almeida

Não é só a economia mundial que se está a deslocar progressivamente para a Ásia, também o cristianismo ganha força nessas paragens de que sabemos tão pouco, mesmo em regiões inesperadas como no maior país muçulmano do mundo.

Sinodalidade como interpelação às Igrejas locais e à colegialidade episcopal

Intervenção de Borges de Pinho na CEP

Sinodalidade como interpelação às Igrejas locais e à colegialidade episcopal novidade

Há quem continue a pensar que sinodalidade é mais uma “palavra de moda”, que perderá a sua relevância com o tempo. Esquece-se, porventura, que já há décadas falamos repetidamente de comunhão, corresponsabilidade e participação. Sobretudo, ignoram-se os princípios fundacionais e fundantes da Igreja e os critérios que daí decorrem para o ser cristão e a vida eclesial.

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Breves

 

De 1 a 31 de Julho

Helpo promove oficina de voluntariado internacional

  Encerram nesta sexta-feira, 24 de Junho, as inscrições para a Oficina de Voluntariado Internacional da Helpo, que decorre entre 1 e 3 de Julho. A iniciativa é aberta a quem se pretenda candidatar ao Programa de Voluntariado da Organização Não Governamental para...

António Vaz Pinto (1942-2022): o padre dinamizador

Jesuíta morreu aos 80 anos

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Por onde passou lançava projectos, dinamizava equipas, deixava-as a seguir para partir para outras aventuras, sempre com a mesma atitude. Poucos dias antes de completar 80 anos, no passado dia 2 de Junho, dizia na que seria a última entrevista que, se morresse daí a dias, morreria “de papo cheio”. Assim foi: o padre jesuíta António Vaz Pinto, nascido em 1942 em Arouca, 11º de 12 irmãos, morreu nesta sexta-feira, 1 de Julho, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde estava internado desde o dia 8, na sequência de um tumor pulmonar que foi diagnosticado nessa altura.

Abusos sexuais: “Senti que não acreditavam em mim”

Testemunho de uma mulher vítima

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Na conferência de imprensa da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, que decorreu quinta-feira, 30 de junho, em Lisboa, foram lidos três testemunhos de vítimas de abusos, cujo anonimato foi mantido. Num dos casos, uma mulher de 50 anos fala do trauma que os abusos sofridos lhe deixaram e de como decidiu contar a sua história a um bispo, sentindo ainda assim que a sua versão não era plenamente aceite como verdadeira.

Doação de ara romana reforça espólio do Museu D. Diogo de Sousa

Ocaere, divindade autóctone

Doação de ara romana reforça espólio do Museu D. Diogo de Sousa novidade

A doação de uma ara votiva romana guardada ao longo de várias décadas pela família Braga da Cruz, de Braga, enriquece desde esta sexta-feira, dia 1, o espólio do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa (MADDS), estando já exposta para fruição do público. A peça, que passou a integrar a coleção permanente daquele Museu, foi encontrada num quintal particular no município de Terras de Bouro, pelo Dr. Manuel António Braga da Cruz (1897-1982), que viria, depois, a conseguir que o proprietário lha cedesse.

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