Entre Margens

Desarmar-se

Desarmar-se

Sinto-me um pouco embaraçada. Perguntam-me: como correu o encontro com os meus amigos no Porto e, afinal de contas: o que é isto de “Juntos pela Europa”? O que é que 166 pessoas de 19 países diferentes, de 45 movimentos e comunidades de oito igrejas, podem fazer em conjunto, quando “os semelhantes atraem os semelhantes” e a diversidade é raramente – ou talvez nunca – uma força de coesão? E sem falar das diferentes visões geopolíticas, culturais, históricas, confessionais e, além disso: o que farão agora os russos e os ucranianos, que também estiveram presentes?

A vida por inteiro, uma ode ao amor de Deus

A vida por inteiro, uma ode ao amor de Deus

É difícil descortinar Deus na vida toda: a que nos agrada e a que não nos agrada, a que nos edifica e a que nos abate, a que entendemos e a que nos lança na escuridão. Todos os dias vivemos muitos momentos que nos atiram para tudo isso, e só não percebemos estas nuances se não as quisermos ver. É fácil encontrarmos Deus quando a vida corre bem: tudo encaixa, os nossos talentos estão à vista e vão crescendo, somos reconhecidos, acordamos com vontade para novos dias, que vão ser cheios de coisas boas, previsíveis nas suas causas e nos seus efeitos.

Porque não somos insignificantes neste universo infinito

Porque não somos insignificantes neste universo infinito

Muitas pessoas, entre as quais renomados cientistas, assumem frequentemente que o ser humano é um ser bastante insignificante, senão mesmo desprezível, no contexto da infinitude do universo. Baseiam-se sobretudo na nossa extrema pequenez relativa, considerando que o nosso pequeno planeta não passa de um “ponto azul” situado num vasto sistema solar.

Sentido e valor da dualidade sexual

Sentido e valor da dualidade sexual

A sociedade edifica-se a partir da colaboração entre as dimensões masculina e feminina. Em primeiro lugar, na sua célula básica, a família. É esta que garante a renovação da sociedade através da geração de novas vidas e assegura o desenvolvimento harmonioso e complexo da educação das novas gerações. Por isso, nunca um ou mais pais pode substituir uma mãe e nunca uma ou mais mães podem substituir um pai.»

Crentes e discípulos

Crentes e discípulos

Apesar de muitos confundirem os dois conceitos, a verdade é que ser crente no Deus dos cristãos é muito diferente de ser um discípulo de Jesus Cristo. Vejamos alguns contrastes entre ambos.

Valores, religiosidade e idade secular

Valores, religiosidade e idade secular

A publicação de Valores e Religiosidade em Portugal – Comportamentos e Atitudes Geracionais (Afrontamento, 2022) do cónego Eduardo Duque constitui oportunidade para refletirmos sobre a necessidade de compreender a importância dos valores éticos e religiosos na sociedade contemporânea. Importa recordar o que Hermann Broch (1886-1951) afirmou sobre o “vazio de valores”, que afeta a sociedade contemporânea e os seus efeitos na fragilização comunitária.

As pandeiretas e o silêncio

As pandeiretas e o silêncio

Por tudo isso fui espectador interessado do filme Spotlight, de 2015, cuja história se passa no interior de um dos mais importantes jornais dos EUA – o Boston Globe. Um dos aspectos mais curiosos do enredo do filme foi a leitura dos Anuários da Arquidiocese de Boston que permitiu perceber as deslocações anuais dos sacerdotes nas várias paróquias. Como num jogo de dominó, as peças foram-se juntando.

Religião na política: invocar o nome de Deus em vão

Religião na política: invocar o nome de Deus em vão

O poder crescente da religião na política tem-se manifestado cada vez mais nos nossos dias. Alguns exemplos demonstram esta realidade. Na Rússia, o líder da Igreja Ortodoxa a manifestar-se ao lado de Putin a favor da ilegal e sangrenta guerra da Ucrânia, invadida pelas tropas russas, apesar da oposição da maioria das nações. Na Turquia, Erdogan a tentar arrasar o estado secular de Ataturk que imprimiu ao seu povo um ar de liberdade para os muçulmanos.

COP27: somos mais, mas podemos ser melhores

COP27: somos mais, mas podemos ser melhores

Chegámos aos oito mil milhões de seres humanos sobre esta Terra. O planeta até aguenta o nosso peso, mas será que aguenta o peso dos nossos estilos de vida? Se estamos cada vez mais dependentes da energia, o que representam milhares de milhões de pessoas a carregar todos os dias os seus telemóveis, a trabalhar nos computadores, a manter o frigorífico e ar condicionado ligados, apesar de nem todos terem acesso a esses?

Cultivar caminhos para a JMJ

Cultivar caminhos para a JMJ

“É preciso rasgar com aquilo que é costume, e inovar, e arriscar o que é diferente” – propôs D. Américo Aguiar numa celebração na Sé Nova de Coimbra em Outubro de 2021.[1] É um excelente propósito para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Lisboa e, felizmente, já se vê algum caminho nesse sentido.

À hora dos cães

À hora dos cães

“Esta é a década em que plantas viraram pet e pets viraram filhos”, dizia a minha amiga um dia destes, enquanto passávamos na calçada à hora dos cães.

Meditação, silêncio e transformação social

Meditação, silêncio e transformação social

Um dos aspetos mais interessantes deste século XXI é a consciência, cada vez mais estendida, de que não pode haver uma verdadeira transformação social, política, económica e cultural sem uma transformação interior. Noutras palavras, não pode haver uma revolução social sem haver, ao mesmo tempo, uma revolução interior. Ambas as realidades são dialéticas: ambas se necessitam e mutuamente se implicam.

Uma Nova Estação

Uma Nova Estação

Depois de um outono e inverno rigoroso, nada melhor que a chegada da primavera. Da mesma forma, depois de um tempo inesperado de confinamento, é mais do que bem-vindo o poder sair e celebrar com alegria a chegada de um novo tempo. Assim, no dia 15 de outubro a cidade das Caldas da Rainha graciosamente recebeu a sétima conferência de mulheres, organizada pelo departamento de mulheres da Convenção das Assembleias de Deus em Portugal.

A beleza de que somos capazes

A beleza de que somos capazes

Ruben David Azevedo, colaborador da coluna Entre Margens, acaba de editar O Que Nos Salva?, coletânea de textos sobre “o Absoluto, a Consciência, o Absoluto-da-Consciência, o Sentido da vida, e o Mistério de Tudo”, que inclui também uma dezena de crónicas publicadas no 7MARGENS. 

“Carta a Nikola”– um filme-poema para um filho e para a Humanidade

“Carta a Nikola”– um filme-poema para um filho e para a Humanidade

Hoje falo-vos de um filme-poema-carta que tive a oportunidade de ver esta semana por iniciativa da Margarida Marques que levou este filme ao Parlamento Europeu. Filme-poema-carta. É assim que chamo a ‘Carta para Nikola’, o filme da jovem realizadora grega Hara Kaminara. Não é um filme de circuito comercial, e não é só um filme. Logo à primeira imagem, percebo que somos como que convidados a entrar na intimidade de um olhar. ‘Há que fazê-lo, portanto, com respeito’, penso para mim.

Dos múltiplos rostos de Jesus

Dos múltiplos rostos de Jesus

A história tem revelado como a figura real de Jesus tem sido muitas vezes descaracterizada, desfigurada, adulterada. De um simples e humilde rabi que percorria os campos e as aldeias da Galileia pregando o Evangelho aos pobres, proclamando a libertação dos aprisionados, recuperando a vista aos cegos e restituindo a liberdade aos oprimidos, não demoraria até que muitos vissem nele um Messias que viria trazer a libertação política a um povo já tão martirizado e subjugado pelo Império Romano.

A exuberância da morte

A exuberância da morte

Por isso, a morte é sedutora, na medida em que nos recorda esta vida partilhada. Por isso é que podemos falar numa exuberância da morte: ela própria fala-nos da exuberância das relações de amizade, paternidade ou filiação. Isto é, fala-nos da exuberância da vida.

O processo sinodal e a JMJ

O processo sinodal e a JMJ

Sem oportunidades reais para se debruçaram sobre estas questões reveladas pelo caminho sinodal, as JMJ correrão o risco de ser mero fogo de artifício, incapaz de impulsionar a Igreja em Portugal num caminho rejuvenescido de maior intimidade com o Evangelho e de ser anunciadora corajosa do Amor, que se manifesta em maior solidariedade, fraternidade e acolhimento de todos.

Dia de Finados: laços entre vivos e mortos

Dia de Finados: laços entre vivos e mortos

Ao aproximar-se o dia de finados – fiéis defuntos para os católicos – todos os caminhos vão dar aos cemitérios. Ramos e mais ramos de flores, naturais ou artificiais, vão ornamentando os cemitérios, transformando-os em aprazíveis jardins. Também não faltará a limpeza das campas, esquecidas ao longo do ano. Há mais vida para além dos familiares falecidos…

As urgências da humanidade

As urgências da humanidade

No anterior artigo que publiquei no 7MARGENS e no qual invoquei o Dia Mundial da Saúde Mental, prometi referenciar algumas urgências da humanidade, como proposta para construir a esperança num mundo melhor e, consequentemente, enfrentar e combater, no que de cada um depende, algumas fraturas relevantes da humanidade.

Falta convicção para acabar com a pobreza

Falta convicção para acabar com a pobreza

Estamos a viver tempos difíceis para a justiça e a racionalidade, para a solidariedade e para a fraternidade, a propósito de uma humanidade desfavorecida. Esta é uma hora de justiça e de coragem em ordem à opressão e ao sofrimento. A pobreza não é vergonhosa, mas sim a injustiça que cria a pobreza.

Fraternidade Sem Fronteiras: por onde começar?

Fraternidade Sem Fronteiras: por onde começar?

Confesso que fiquei mais enriquecido com tudo o que escutei, mas muitíssimo inquieto. É que se reavivou uma preocupação que me foi sendo transmitida, sempre com um grande, mas sereno incómodo, como era seu timbre, por esse virtuoso ser humano e cristão, Acácio Catarino, que pôs em destaque o pouco testemunho, senão até o contratestemunho de fraternidade, existente dentro da Igreja Católica, por “fronteiras” que se colocam ao relacionamento humano.

Caro Professor Adriano Moreira

Caro Professor Adriano Moreira

Há pouco mais de 50 anos, quando chegou a altura de escolher o curso universitário, já orientada para a dedicação à causa pública, foi-me sugerida pelo meu Pai aquela que então era conhecida como a “sua” Escola. Chamava-se ISCSPU (Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina), o U acabou por cair com a evolução dos tempos.

A morte das referências

A morte das referências

Uma sociedade sem referências é uma sociedade dando sinais de falência. As referências morais que justificavam a nossa esperança na humanidade caíram e, com elas, foi ao fundo a confiança que tínhamos, não só nas instituições, mas principalmente nos líderes das várias áreas da influência da sociedade.

Aventura sem retorno

Aventura sem retorno

 “Seis meses de avanços e recuos sem um fim no horizonte” – assim uma notícia de há dois meses retratava a evolução da guerra na Ucrânia. Os cenários de morte e destruição vão-se repetindo e a eles quase nos habituamos. A contabilidade de vidas perdidas, de um e de outro lado, cresce de dia para dia. O que aparenta ser uma inversão da tendência de derrota está longe de ser uma vitória e desencadeia uma mais forte reação contrária gerando uma espiral interminável.

Não somos deste mundo

Não somos deste mundo

  Talvez precisemos de reconhecer que não somos deste mundo, para que possamos verdadeiramente saboreá-lo e experiênciá-lo. É como quando estamos em viagem num país estrangeiro, tornamo-nos mais disponíveis para apreciar todas as coisas, a história do local, a...

Ando a brincar com o fogo

Ando a brincar com o fogo

Perguntam-me vezes sem conta porque escolhi trabalhar com fogo, profissão tão rara… e eu posso responder que foi para me livrar do pânico, das ideias diabólicas ligadas àquela imagem do incêndio em casa. Poderia aqui descrever pormenorizadamente a tragédia, mas a história não ganharia nada com isso e o final foi feliz.

O valor do fracasso

O valor do fracasso

De acordo com a filosofia do nosso tempo ninguém quer aparecer como fracassado ou falhado perante a sociedade. A miragem do sucesso predomina, mas a vida é sempre feita de sucessos e fracassos.

Um Sínodo para Caminhar

Um Sínodo para Caminhar

O Papa Francisco tem insistido na necessidade de trilhar o caminho sinodal, como uma verdadeira partilha de pensamento e ação. No momento em que há preocupações relativamente à imagem pública da Igreja, importa reforçar a exigência e o sentido de responsabilidade e de cuidado, sem os quais prevalecerá uma visão empobrecedora da realidade que somos chamados a compreender.

Transformar o furto em fruto

Transformar o furto em fruto

No dia 1 de janeiro de 2020, um casal de músicos embarcou numa corajosa viagem pelo livro dos Salmos, comprometendo-se a publicar semanalmente um salmo musicado, “até todos os salmos serem cantados de novo”. Novamente e em novos encadeamentos. Não sabiam que encontrariam uma pandemia pelo caminho, vários confinamentos e muita incerteza. Tal nãos os impediu de continuar a jornada. Até à presente data, encontra-se já disponível a sua versão do Salmo 145.  

E depois do Tempo da Criação?…

E depois do Tempo da Criação?…

A cada ano que passa, tornam-se mais prementes os alertas neste mês focado na criação. Infelizmente, é mesmo preciso desinquietar as pessoas: daqui a alguns anos, as crianças de hoje poderão perguntar porque deixámos degradarem-se tanto as condições de vida no planeta. 

Ribeiro Santos assassinado há 50 anos: Adamo ou Bob Dylan?

Ribeiro Santos assassinado há 50 anos: Adamo ou Bob Dylan?

Comecei a ir às reuniões dos estudantes politizados. Embora o Zé Pacheco Pereira tivesse acabado ou estivesse para acabar o curso de Filosofia, apareceu uma vez numa sessão cultural organizada pela sua organização política da esquerda radical – enfim, essas organizações eram quase todas de “esquerda radical”, vulgarmente chamadas “maoístas” ou então, pelos estudantes “conscientes”, de “marxistas-leninistas”.

Grandes fraturas da humanidade

Grandes fraturas da humanidade

Este mês de Outubro é marcado, entre outros, pelo Dia Mundial da Saúde Mental, que se assinalou dia 10. Porque defender a Saúde Mental não é apenas (também o é e isso é muito importante) fazer campanhas anti-estigma ou sensibilizar para a necessidade de se pedir ajuda a tempo, quando se identifica um problema ou os seus sinais prodrómicos, resolvi compilar alguns conteúdos dessa intervenção que fiz.

Vamos deixar as revistas em papel morrerem?

Vamos deixar as revistas em papel morrerem?

Recentemente, a 12 de setembro de 2022, a Paulus anuncia que a revista “Família Cristã” deixaria de ser impressa ao fim de 68 anos de existência. Fez notícia? Sim. No próprio dia. Mas, e depois? Um silêncio sepulcral. Ninguém procurou reflectir sobre as razões da diminuição do número de assinantes e do aumento dos custos de produção.

Um documento para praticar

Um documento para praticar

O documento que foi publicado, uma síntese do que pensa o Povo de Deus, em Portugal, chamado “Relatório Portugal”, que contém as opiniões dos homens e mulheres que se fizeram ouvir em Portugal sobre o Sínodo – 2023, foi objeto de algumas críticas, depois de publicado, em forma de “cartas abertas”.

Sinodais a irradiar 

Sinodais a irradiar 

O processo e o caminho estão apenas no início. Avancemos com confiança, guiados e animados pelo Espírito Santo e não nos deixemos parar pelo cansaço, desalento ou retardar dos frutos. Irradiemos o estilo sinodal. A renovação da Igreja está a urgir e transformação e a humanização da cultura é premente.

Sessenta anos do Concílio Vaticano II: um tremendo vendaval do Espírito

Sessenta anos do Concílio Vaticano II: um tremendo vendaval do Espírito

Faz precisamente 60 anos no próximo dia 11 de outubro de 1962 quando o Papa João XXIII inaugurou solenemente o Concílio Vaticano II. Destacando-se como um dos mais importantes eventos religiosos e eclesiais do século XX, nunca antes um concílio ecuménico da Igreja Católica Romana foi tão amplamente coberto e noticiado.

Um dia igual aos outros

Um dia igual aos outros

Os olhos vão chegando ao final do Verão carregados de paisagem. Lagos, montes, desertos e um oásis pelo meio, as planícies e praias de sempre, o Douro – fruto literal da videira e do trabalho do Homem –, e um sem número de lugares. E a Cidade Santa. Jerusalém. Monte das Oliveiras, final da tarde.

John Rawls: a religião nos limites da razão

John Rawls: a religião nos limites da razão

John Rawls nasceu há pouco mais de 100 anos (21.2.1921) e A theory of justice, a sua obra mais conhecida e seguramente o mais importante tratado de filosofia política de todo o século XX, data de 1971. Duas datas que os amantes da liberdade e da democracia política têm abundantes razões para celebrar, mas quase despercebidas na imprensa e na pomposamente chamada academia, territórios onde a razão serena vem tendo evidente dificuldade em singrar.

Como árvores desfolhadas

Como árvores desfolhadas

Um dia destes, alguém chamou a minha atenção para as duas árvores defronte à minha casa. Duas árvores da mesma natureza; mas enquanto uma delas estava coberta de folhas, a outra estava desfolhada.

Tecnologia: do centro e das margens

Tecnologia: do centro e das margens

Para sair do centro para a periferia, não basta uma conversão espiritual, é necessária uma revolução tecnológica, que não é digital. Porque quem usar na periferia as técnicas do centro pode acabar eletrocutado, perdão, sociocutado.

Fraternidade sem fronteiras

Fraternidade sem fronteiras

A fraternidade é imprescindível na vida e na missão. No Congresso sobre o tema, a realizar nos dias 14 e 15 de Outubro, em Lisboa, queremos reflectir sobre a construção da fraternidade na sociedade, na política, na economia, na missão, no diálogo entre as religiões e na reconstrução da esperança.

Elogio do objector e do refractário, a leste como a oeste

Elogio do objector e do refractário, a leste como a oeste

Esta é a guerra que encerra o ciclo das guerras “profissionais”. Os custos da guerra e o seu preço de sangue estão novamente a ser cobrados aos povos. Não nos iludamos com os discursos high-tech, venham eles da boca de Putin ou da dos porta-vozes do Pentágono: os dispositivos guerreiros são feitos para destruir pessoas reais em cada vez maior número.

Devoção Pública

Devoção Pública

Para os adultos, não faltam ofertas de “espiritualidade”, que parece ser um produto personalizável, como tantos outros do mercado, que pode responder às necessidades e aos buracos na agenda de cada um. Será, hoje em dia, daquelas palavras que carrega em si significados múltiplos, e até contraditórios, que vão desde um descubra-se a si mesmo até à descoberta do totalmente Outro.

Igreja sinodal, a fé permeia a vida secular

Igreja sinodal, a fé permeia a vida secular

Numa perspectiva singular, o Papa Francisco observa: Fazer crescer uma cultura do encontro que supere as dialéticas que colocam um contra o outro. É um estilo de vida que tende a formar aquele poliedro que tem muitas faces, muitos lados, mas todos compõem uma unidade rica de matizes, porque “o todo é superior à parte”.

O voo

O voo

Quando um filho sai de casa pela primeira vez para um espaço seu, para uma cidade sua, para uma vida sua é hora de nós, pais e mães, amarmos mais que nunca na gratidão perpétua dos laços umbilicais. Afinal de contas todos estamos no mesmo colo.

Conservadores e progressistas na fronteira do diálogo

Conservadores e progressistas na fronteira do diálogo

Assusta assistir à apropriação política e ideológica da vida da Igreja. Sejamos claros: não existe nada de mal na definição de uma doutrina que oriente a vida da Igreja. O problema está em subordinar a vida da Igreja a uma doutrina, seja ela qual for. Não pode haver uma apropriação de algo tão sério como a vivência comunitária da fé em nome de ideologias e devaneios. Não pode o sínodo ser declaração da abertura de uma guerra pelo controlo da Igreja.

Dai-Me Senhor o bom humor!

Dai-Me Senhor o bom humor!

Com especial ênfase, o Papa Francisco recordou-nos, a partir da Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate (2018) a importância da disponibilidade de espírito e da alegria: “Normalmente a alegria cristã é acompanhada pelo sentido do humor. O mau humor não é um sinal de santidade.”

Viver saudavelmente a vocação

Viver saudavelmente a vocação

Decidi escrever sobre isto na reentrada após férias: frequentemente, estas semanas são tempos desafiantes, que nos levam a tentar não ceder às exigências da vida de forma desequilibrada. Com isso, evitamos ficar tão cansados rapidamente, como nos sentíamos antes de ter parado o nosso trabalho e as nossas obrigações quotidianas, profissionais e outras.

Como o Brasil destruiu a Marcha para Jesus

Como o Brasil destruiu a Marcha para Jesus

Afastada do espírito original, a Marcha para Jesus no Brasil transformou-se em palanque para disputa política, para atacar adversários e para promoção pessoal. Portanto, reduziu-se agora a uma marcha sem Jesus uma vez que Ele não é cabo eleitoral de ninguém.

O que temos nós a ver com a “Economia de Francisco”?

O que temos nós a ver com a “Economia de Francisco”?

Ainda não se aperceberam? Pois então despachem-se porque faltam poucos dias. Faltam poucos dias para quê? Eu bem me parecia que andavam distraídos do facto de que, a partir do dia 22 de setembro e até ao dia 24, se vai realizar em Assis o primeiro grande encontro presencial sobre a Economia de Francisco.

A cultura do “cancelamento” faz assim tanto sentido?

A cultura do “cancelamento” faz assim tanto sentido?

Começo por responder que creio que não, sem receio de ser “cancelada” pelas minhas opiniões. O resto deste artigo explicará a minha defesa da extinção da cultura do “cancelamento” (embora talvez seja uma utopia) ou de, pelo menos, lhe colocar um travão nesta sociedade tão mediática. Eleita como a expressão do ano ainda em 2019, a cultura do “cancelamento” é um fenómeno moderno segundo o qual uma pessoa ou um grupo é expulso de uma posição de influência ou de fama devido a atitudes consideradas questionáveis. Isto pode acontecer online, no mundo real ou em ambos.

Igreja sinodal, luz a irradiar 

Igreja sinodal, luz a irradiar 

A Igreja sinodal vai crescendo na cultura da solicitude, na prática do discernimento, na valorização da dimensão integral do ser humano: conhecimento, experiência, afectos, vontade; em ordem a avaliar cada decisão e a promover o bem pessoal integrado no bem comum.

“O que diz o Espírito às igrejas”

“O que diz o Espírito às igrejas”

Só agora a hierarquia eclesiástica entendeu que, para o seu sínodo (clerical), o Espírito Santo poderia querer dizer-lhe alguma coisa pela voz dos leigos. Antes, pressupunha-se que o Espírito Santo só chegaria à Igreja por mediação clerical.

Aqueles 12 – ou como a unidade é possível

Aqueles 12 – ou como a unidade é possível

Não precisamos de nos deter imenso sobre as escolhas de Jesus para percebermos que havia ali muito potencial de discórdia. O cobrador de impostos Mateus, a soldo dos romanos, e o agitador Simão (Zelota) que os queria derrubar. Natanael que vinha de Canã e descredibilizou Jesus antes ainda de o conhecer. Vários pescadores de empresas diferentes, concorrentes, onde havia muito mau feitio (Tiago e João eram “filhos do Trovão”). Iscariotes foi quem ficou com a bolsa, mas o perito em contas era Mateus…

O segundo passo

O segundo passo

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) divulgou o Relatório de Portugal para o Sínodo 2021/2023. Pouco tempo depois, surge uma Carta Aberta (CA) com vários signatários cujo primeiro nome é conhecido na sociedade portuguesa a criticar o tom negativo do texto e que esquecia o que de positivo faz, também, parte da vida da Igreja.

Igreja sinodal na sociedade secular

Igreja sinodal na sociedade secular

O diagnóstico está feito. É preciso ser consequente. A experiência sinodal abre caminhos. A sociedade secular espera os contributos dos cidadãos cristãos para fomentar a humanização integral. 

O grande vazio

O grande vazio

“Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.” Com estas palavras tão conhecidas e repetidas começa e termina o Eclesiastes. Vaidade, do latim vanitas, traz consigo o sentido de vão, vazio.

E se a Jornada Mundial da Juventude for um vazio?

3ª de 3 pequenas crónicas sinodais

E se a Jornada Mundial da Juventude for um vazio?

Pensando na JMJ, não esperaria que ela reproduzisse as preocupações da minha juventude mas legitimamente esperaria encontrar um pequeno conjunto de ideias arrebatadoras que funcionassem como motivação e mobilização dos jovens. Temos que compreender a JMJ como um evento de massas mas, ainda assim, não é razoável que ela se quede pela competição dos números (estabelecer recordes de presenças: 2 milhões, 2 milhões e meio, como temos ouvido ao bispo responsável) ou por uma triste insipiência de conteúdos.

Sonata platónica

Sonata platónica

  Silenciei a euforia do gesto após a ingénua impulsividade no embalo cego da confiança das falsas palavras, e parti. Parti tão repentinamente... e quão repentinamente cheguei?! Descansei o meu brilho na casa torta e fechei portas à cidade, hoje sou jardim...

Formação sinodal

Formação sinodal

O nó górdio da Igreja está no desafio de desatar os nós da instituição para lançar as pontes de união indispensáveis para vivermos em comunhão missionária. Esta dinâmica passa necessariamente pela formação sinodal como tem sido atestado pelos relatos diocesanos.  

Espírito do tempo

Espírito do tempo

A fidelidade ao Evangelho exige, muitas vezes, caminhar “contra a corrente” ser “sinal de contradição”, como fizeram, desde logo, os primeiros cristãos.

Necessitam-se pessoas extravagantes

Necessitam-se pessoas extravagantes

Necessitamos hoje, mais do que nunca, de pessoas extravagantes. Imagino que seja esse o desejo de muitas pessoas, extravagante na saúde, extravagante no seu bem-estar e na riqueza, extravagante até na felicidade. Nunca nos contentamos com o essencial, queremos sempre mais e mais.

Abusos sexuais: um problema sintomático e sistémico, e o confronto entre modelos de igreja

2ª de 3 crónicas sinodais

Abusos sexuais: um problema sintomático e sistémico, e o confronto entre modelos de igreja

Não podemos deixar de nos interrogar sobre a enorme dificuldade de introspecção da Igreja e a sua opção por demasiadas vezes relativizar, esconder ou dissimular o problema. Ela decorre da sua própria organização e cultura clericalista, própria da Igreja administrativo-funcionalista; será particularmente difícil que ela própria proponha e leve a cabo uma reflexão que a vai colocar directamente em causa. Difícil, mas não impossível.

Viajar

Viajar

Viajar não é só o fetiche da visão, das fotos, dos vídeos, das paisagens guardadas na memória. Viajar é vestir-se de peles alheias, desmistificar culturas, compreender o outro, abraçar a diferença.

Poliedro pastoral

Poliedro pastoral

O sonho de uma Igreja missionária capaz de construir pontes e não muros pode refletir-se através de uma figura apresentada pelo Papa Francisco: o poliedro… Esta figura orienta-nos para saber que ser Igreja em saída significa ir em busca de todas as partes, a fim de...

Redescobrindo a dimensão carismática da igreja

Redescobrindo a dimensão carismática da igreja

Não negando a importância dos dons de liderança e ensino – que devem ser sempre vistos numa perspetiva de serviço e não de autoridade, o caminho da Igreja, enquanto comunidade do Povo de Deus, deverá sempre ser aquele que é proposto e guiado pelo Espírito Santo, onde cada membro tem um papel importante e essencial no exercício dos seus carismas graciosamente concedidos para a edificação da Igreja do Senhor.

S. João de Rei — Autenticidade

S. João de Rei — Autenticidade

O mês de Agosto, pelas mais variadas razões, sejam descanso obrigatório ou país oficialmente fechado para férias, é um tempo de pequenas descobertas. Vamos por aí fora, para algum canto recôndito ou lugar particularmente invisível, e encontramos experiências improváveis que nos marcam.

A Igreja quer ouvir-te

A Igreja quer ouvir-te

Este convite chega-me do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam). Fico surpreendido, tanto mais que vem acompanhado pelo nome do Papa Francisco. Desperta o meu desejo constante de acompanhar e viver o que acontece na Igreja Católica. Por isso resolvi dar-lhe resposta, que partilho neste artigo.

A arte da simplicidade e o minimalismo

A arte da simplicidade e o minimalismo

E logo eu que não sou nada de ler livros de estudos, auto-ajudas ou cientificos, deparei-me, certa vez, com um livro aberto em minhas mãos cujo título era A Arte da Simplicidade. Eu não tinha mais que uns 20 anos de idade e, ainda hoje, me lembro do quanto aquelas páginas me impressionaram, do quanto aquela descoberta me transformou.

Palavra de Deus e violência do Homem

Palavra de Deus e violência do Homem

Dizer que só as bases da nossa religião são as únicas infalíveis e que os rituais com que a exprimimos são os únicos que nos podem garantir o seguro caminho da plena realização de cada pessoa e da harmonia universal – é uma das causas principais dos conflitos, guerras e crimes da Humanidade.

Nossa Senhora da Boa Viagem em duas rodas, rogai por nós!

Nossa Senhora da Boa Viagem em duas rodas, rogai por nós!

Gosto de trabalhar em Agosto. Também gosto de guardar uns dias das minhas férias para viver na cidade que habito. Agrada-me tecer rotina longe das rotinas, quando todes constroem a sua casa longe de casa. Sempre gostei, mas este ano tem um sabor especial: marca o mês em que a rotina se volta a fazer de cabelos ao vento, na minha bicicleta, depois de uns anos sem pedalar.

Evangelizar nas redes sociais 

Evangelizar nas redes sociais 

  Acolhendo a desafiante exortação do Papa Francisco aos participantes no Congresso Mundial da Signis – Associação Católica Mundial para a Comunicação – que decorre em Seul, de 16 a 19 de Agosto de 2022, decidi-me a revisitar a minha presença nas redes sociais e...

A revelação ética mais importante da história humana

A revelação ética mais importante da história humana

Com Jesus Cristo, o alcance do amor de doação (ágape), incondicional e desinteressado, atinge o seu ápice com o amor ao inimigo («a ideia ética mais extraordinária da história humana»), que representa o que há de mais contrário à lógica da vontade amoral de afirmação do poder.

Na ressaca da abundância

Na ressaca da abundância

Fruir é o verbo do presente e andamos pelo mundo atrás de abundâncias: de coisas, de experiências, de bem-estar e de divertimentos, cada vez mais sofisticados e inacessíveis. Vivemos como se a felicidade estivesse fora de nós, nas coisas que corremos para comprar, nas pessoas com quem estamos, nas experiências que vivemos.

Férias — a alegoria das formigas

Férias — a alegoria das formigas

Hoje, e por estarmos no querido mês de Agosto, dou comigo a refletir sobre este lugar-comum da alegoria das formigas, que é o tempo de férias. Até temos a sorte de viver num país cuja esperança média de vida ronda os 80 anos; desses 80, somos forçosamente influenciados a trabalhar 48. E destes apenas três são tempo de férias.

É possível sonhar na velhice e alcançar

É possível sonhar na velhice e alcançar

Sonhar?! Sonhos! Uns realizam-se, outros não, mas um homem sem sonhos é um homem pobre, sem visão, sem propósitos. Muitas pessoas têm a ideia de que sonhar é algo somente para os jovens, talvez porque naturalmente têm ainda muito tempo para viver. Mas será isso verdade?! Será possível sonhar na velhice? Entrar na velhice é parar de sonhar, projetar e avançar? Ou o que o impede ou lhe diz que não pode sonhar?

A diversidade que nos constrói

A diversidade que nos constrói

Em 1969 é inaugurado na Figueira da Foz um espaço de diálogo, academia, tertúlia, conhecimento, confiança, encontro da diversidade. Foi, durante muitos anos, numa sociedade sem liberdade de expressão, avessa ao pluralismo e valorização da diferença como tensão criadora, um local onde pessoas, mulheres e homens, se faziam encontro, partilha e onde quem chegava dava a sua visão e regressava mais rico em ideias.

Consultório, lugar de contrastes improváveis 

Consultório, lugar de contrastes improváveis 

Pela profissão que tenho deparo-me frequentemente com contrastes improváveis que só o não são porque já espero que não me procurem profissionalmente para me levar boas notícias, contar histórias alegres ou mesmo partilhar encontros gratificantes e vivências coerentes.

Não é ilegal fazer reféns?

Não é ilegal fazer reféns?

A esperança tem andado nas bocas do mundo, mas em tom menor. Cada vez mais como que se grita: dêem-nos razões para não perder a esperança! O Sínodo e o problema global da Ucrânia são dois exemplos de como vivemos um tempo que abala as convicções.

Guerra ou Paz

Guerra ou Paz

Quem deseja a guerra? Estou certa de que todos os seres vivos e em particular os seres humanos escolhem a paz. Só se formos loucos empenhados num desejo de poder que ultrapassa tudo e todos é que não o faremos.

Nem só de imagens vive o homem

Nem só de imagens vive o homem

Se a imagem do JWST nos mostra o universo como era há milhares de milhões de anos, as vivas cores e a diversidade de formas parece conter em si a potência relacional da criação. Olhar para aquela imagem mostra-me mais o que desconheço e me é dado a poder conhecer do que qualquer outra coisa. Só é uma imagem como todas as outras se auto-limitar o alcance interior daquilo que os meus olhos contemplam.

Sou uma mulher comum, mas estou viva

Sou uma mulher comum, mas estou viva

  Alivia-me o facto de saber que sou uma mulher comum... uma daquelas cuja submissão à normalidade alegra. Sou uma mulher comum, “Ah, que alívio!”... Sou uma mulher comum dentro de casa e dentro da vida... lavo a loiça e a roupa, zango-me com a minha filha por...

António Vaz Pinto – a ação com graça

António Vaz Pinto – a ação com graça

Desde o pensamento à análise dos acontecimentos recentes, além das artes, do cinema, da educação ou da saúde, tudo tinha lugar. «A ideia de construir (costumava dizer António Vaz Pinto) aproxima-se muito da ideia de gerar, produzir ser e realidade humana». E as ideias fluíam, naturalmente, num equilíbrio entre a urgência e a reflexão, tão necessário, e tantas vezes esquecido.

Crianças sem voz

Crianças sem voz

As recentes notícias sobre a criança de Setúbal, de 3 anos de idade, usada como arma de arremesso em virtude de desentendimentos entre a mãe e uma pseudo-ama, trouxe novamente a questão da violência sobre as crianças para a agenda pública.

Tempos sombrios: um apelo à responsabilidade e à precaução

Tempos sombrios: um apelo à responsabilidade e à precaução

A formulação “tempos sombrios” que dá o título a este texto, remete para o livro da filósofa Hannah Arendt, Homens em Tempos Sombrios, sobre as biografias de homens e de mulheres que viveram na primeira metade do século XX, contemporâneos do totalitarismo em ambas as suas formas: nazismo e estalinismo.

Saúde mental dos padres

Saúde mental dos padres

Este período de pandemia foi e tem sido difícil para muitos padres. Há dioceses, um pouco por todo o lado, que têm procurado fazer uma releitura da vida do presbitério e da força anímica dos seus presbíteros.

Para uma Igreja renovada

Para uma Igreja renovada

Foram momentos de muita esperança os que se viveram na Igreja Católica nos últimos meses, a nível universal, desafiados que foram todos os seus fiéis, sacerdotes e leigos a efectuarem uma reflexão sobre os caminhos que se viveram anteriormente, olhar para tudo o que foi feito e discernir aquilo que a Igreja, no seu conjunto, quer para o futuro. No fundo, tentar perceber, sob o impulso do Espírito Santo, o que é que a Igreja quer ser no meio da sociedade em que está inserida, de que forma pode continuar a sua missão de evangelizar, tudo em busca da criação de um mundo melhor para toda a humanidade.

O reino da dispersão

O reino da dispersão

Que fácil é o caminho que leva à dispersão e ao alheamento nos tempos de hoje. Somos sistematicamente distraídos com questões menores e reflexões superficiais, para não falar da facilidade com que nos deixamos engolir pelas solicitações de toda a parte. Não damos tempo à oração e à proximidade com Deus e isso leva-nos à dispersão. Só com paciência e procura conseguimos ouvir a Sua voz e deixar que o Espírito nos guie.

“Finalmente encontrei um cristão de verdade!”

“Finalmente encontrei um cristão de verdade!”

Não se é cristão porque se pratica a religião cristã, ou pela simples razão de ir à igreja, ou porque se pratica boas obras.
Não se é cristão porque se conhece bem a Bíblia, faz-se beneficência ou até se dá a vida em nome de Deus.
Tudo isto pode ser feito, e na verdade não é ser cristão. Parecer é uma coisa, ser é outra.   

Idosos descartáveis

Idosos descartáveis

Este ano, o Dia Mundial de Consciencialização da Violência Contra a Pessoa Idosa (15 de Junho) teve como lema “calar é ser cúmplice”. Segundo a OMS, um em cada seis idosos é vítima de algum tipo de violência. Diante desta brutal realidade, todos nos devemos interrogar a respeito deste fenómeno, muito conhecido no nosso país.

Descurar o corpo, danificar uma obra de Deus

Descurar o corpo, danificar uma obra de Deus

Passou Junho, mês em que, em Lisboa, houve três feriados no espaço curto de duas semanas; creio poder afirmar que meia cidade e arredores “fugiu” dos grandes centros para descansar, revisitar ou explorar mais algum canto do mundo ainda desconhecido.

As armas e a vida

As armas e a vida

Quando se discute esta questão da maior ou menor facilidade de acesso à posse de armas, e do mais ou menos restritivo regime legal desse acesso, não posso deixar de recordar vários casos com que lidei ao longo da minha carreira de juiz. Casos em que só o acesso a uma arma poderá explicar o seu desfecho trágico de perda de vida humanas.

Saúde mental dos jovens: a urgência de um novo paradigma

Saúde mental dos jovens: a urgência de um novo paradigma

A saúde mental dos jovens tem-se vindo a tornar, aos poucos, num tema com particular relevância nas reflexões da sociedade hodierna, ainda que se verifique que estas possam, muitas das vezes, não resultar em concretizações visíveis e materializar em soluções para os problemas que afetam os membros desta mesma sociedade. A verdade é que, apesar de todos os esforços por parte dos profissionais de saúde e também das pessoas, toda a temática é, ainda, envolvida por uma “bolha de estigmas”, o que a transforma numa temática-tabu.

Por onde pode começar a sinodalidade?

Por onde pode começar a sinodalidade?

  Será que os grupos que se reúnem para realizar como comunidade este percurso sinodal se lembram do gesto mais simples e mais evidente que o ser humano consegue identificar à distância? Um gesto que pode iluminar uma sala inteira sem se acender a luz? Um gesto...

Jesus e a sua ética

Jesus e a sua ética

Discorrer acerca da ética de Jesus e dos seus ensinamentos, não é tarefa fácil. Das muitas leituras que temos hoje acerca dele, do seu pensamento e ensino, esquece-se por vezes o seu lado humano, a sua ética que permeava toda a existência humana, especialmente as relações que ele tinha com os que o circundavam.

Albino Cleto, bispo santo moldado pela serra

Albino Cleto, bispo santo moldado pela serra

Neste dia 15 de junho de 2022, ocorre o décimo aniversário do falecimento de D. Albino Mamede Cleto. Acolha-se a efeméride para evocar a memória de um homem de Deus, dedicado a servir o Patriarcado de Lisboa e a Diocese de Coimbra. Quem ainda se recorda dele?

Que tal Kyiv?

Que tal Kyiv?

Conheci uma cidade, num país e com um povo cheio de esperança, mesmo que em estado de alerta. A guerra na Ucrânia começou, para nós, há pouco mais de três meses. Para eles, nunca acabou.

Somos todos Simão de Cirene

Somos todos Simão de Cirene

A lei da eutanásia voltou ao Parlamento português, e com ela um escândalo, um autêntico sobressalto social: a provocação ao princípio da inviolabilidade da vida humana, que nos interpela como sociedade e nos obrigará a tomar medidas concretas para evitar tragédias.

Parabéns, Diocese de Setúbal

Parabéns, Diocese de Setúbal

Confesso que, no processo sinodal em curso, estou na posição de um otimista realista. Temo que as transformações mais urgentes não cheguem a acontecer, bem como que haja filtrações, por parte das comissões diocesanas, aos contributos dados pelos que aderiram ao desafio de Francisco.

“Abra a cortina, por favor!”

“Abra a cortina, por favor!”

Fechar a cortina não é a solução, mesmo quando o que vemos seja por vezes tão avassalador e nos faça sentir tão incapazes. Fechar a cortina não apaga absolutamente nada, ela só esconde a necessidade do outro e revela o nosso coração.

O nó górdio da eutanásia

O nó górdio da eutanásia

Talvez nem sempre nos esforcemos por encontrar o lugar próprio para um debate sobre a eutanásia. Eventualmente preferimos ou estamos habituados a um diálogo de surdos; aí cada um esgrime o seu ponto de vista de forma dogmática, mas não é possível um encontrar um espaço de diálogo entre as diferentes posições. Portanto, cabe-nos perguntar onde está o nó górdio da eutanásia? Por outras palavras, porque é que cada vez mais a eutanásia parece ser vista como algo moralmente aceitável?

“Como a si mesmo”: XXI, o século do desamor (1) 

“Como a si mesmo”: XXI, o século do desamor (1) 

Onde esta autora se permite aventurar, com a audácia dos ignorantes, em variados campos da vida e do saber que não domina, num possível exercício de psico-espiritualidade chinfrim. Arriscando o merecido espalhanço em grande estilo, mas sem por isso dar a jornada por perdida.

O padre mudo

O padre mudo

É uma historiazinha popular. Certo sacerdote, no momento da homilia, avança para o púlpito e declara: “Celebramos hoje o maior mistério, o da Santíssima Trindade; e como não percebo nada disto, não vai haver homilia.” (Referida no livro de Hans Küng Existe Dios? – tradução espanhola do original). Foi honesto como poucos. Porém, se é verdade que a existência do mundo e a vida também são um mistério, não é por isso que deixamos de nos interrogar, de recolher experiências e de especular.

Irrelevância, clericalismo e incapacidade de escutar

Irrelevância, clericalismo e incapacidade de escutar

Um texto de 30 mil caracteres, que pretende resumir a reflexão realizada por mais de 15 mil católicos da diocese de Lisboa durante seis meses, passa despercebido. Não gera debate, nem uma simples menção. Nada. Parece inacreditável. Mas não é. É, simplesmente, justo.

E quando o Papa nos ler sobre o Sínodo?

E quando o Papa nos ler sobre o Sínodo?

  O surgir da hipótese sinodal (com as características anunciadas para este caminho 2021-23) apareceu-nos como que o acender de um facho de luminoso gás (Ar-Sopro-Espírito) na imensa escuridão das noites desiludidas, por comuns pseudo-vivências, afinal queridas...

Tríptico e eco

Tríptico e eco

É nesse momento de suspensão, de silêncio, em que deixamos de procurar activamente, entrando delicadamente no espaço-sem-espaço e no tempo-atemporal, que “mergulhamos com ele até ao fundo” e nos aproximamos do clarão do farol que dissolve as trevas ao varrer a noite [não fosse este jogo de escondidas e pensaríamos nós um dia ter já um domínio total e um conhecimento perfeito daquele que nos procura] para que, pelos vislumbres da beleza da sua presença, nos sintamos chamados a ir procurando mais e sempre de modo renovado.

Enquanto há corrupção, há desesperança

Enquanto há corrupção, há desesperança

“Se o Estado é forte, esmaga-nos. Se é fraco, perecemos.” Terá sido assim que noutro tempo Paul Valéry (1871-1945) se referiu àquele que é um dos mais fraturantes assuntos da praça pública portuguesa ao longo da última década: a corrupção. 

O “irmão universal” está connosco

O “irmão universal” está connosco

O amor, o cuidado e o serviço levam-nos a entender a fé como um dom, que não se alimenta de valores abstratos, mas sim de uma relação entre pessoas concretas, feita de entrega, de troca, de experiências e de uma permanente aprendizagem. A chave das Bem-aventuranças está, pois, na relação entre as pessoas e no reconhecimento da dignidade de todos. A abertura da porta da fé corresponde, assim, à procura do amor.

Humanizar não é isolar

Humanizar não é isolar

É incontestável que as circunstâncias de vida das pessoas são as mais diversas e, em algumas situações, assumem contornos improváveis e, muitas vezes, indesejáveis. À medida que se instalam limitações resultantes ou não de envelhecimento, alguns têm de habitar residências sénior, lares de idosos, casas de repouso,…

Uma renovação a precisar de novos impulsos

Uma renovação a precisar de novos impulsos

  A experiência que fizemos no Concílio Vaticano II constitui o rosto dos documentos tão ricos que ficam como acervo da sua memória, dizia frequentemente o bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade. Eu era seu colaborador pastoral. E pude verificar como...

O melhor seria

O melhor seria

Tive três filhos e perdi quatro. Por um deles, que não sobreviveu in utero, fui levada para uma ala da maternidade onde havia mulheres com os seus filhos, já nascidos ou prestes a nascer. Havia uma outra ala, a de quem estava para abortar.

Carlos de Foucauld: a liberdade do despojamento

Carlos de Foucauld: a liberdade do despojamento

Foucauld testemunhou que o encontro com o outro, mesmo que muito diferente de nós, não é forçosamente motivo de conflito e de guerra. Foi ele um dos primeiros a praticar o diálogo com os muçulmanos. O seu ermitério tornou-se a “fraternidade” para todos e ele redizia que queria ser visto como o irmão universal, “porque muçulmanos, berberes, judeus, cristãos…todos nós somos filhos de um só Pai”.

Sermos pessoas “Laudato Si’” sem esforço

Sermos pessoas “Laudato Si’” sem esforço

Há quase dois anos que em nossa casa deixámos de comprar iogurtes e começámos a fazê-los em casa. Um dia fizemos as contas e essa pequena mudança representa cerca de 1000 embalagens de plástico que deixámos de consumir. Se 1000 famílias fizessem como nós, seria 1 tonelada a menos de plástico. As grandes mudanças começam pelas pequenas.

Não quero senão

Não quero senão

Se aos olhos de alguém transpareço / noutros sorrisos me encontro / aprendi a voar nos abismos / da alma humana inacabada / entristecida de arrogâncias / falácias perpétuas sem rosto

A hermenêutica de Jesus (3): Jesus e as Parábolas

A hermenêutica de Jesus (3): Jesus e as Parábolas

O ensino das sagradas escrituras na época de Jesus era uma prática comum entre o povo judeu. Desde cedo, os rabinos ensinavam às crianças a leitura e escrita da Torá e a memorizar grandes porções da mesma. Entre as várias técnicas de ensino, estava a utilização de parábolas.

Entre a esperança e a decepção

Inquérito 7M sobre o Sínodo 2023 (4)

Entre a esperança e a decepção

Na sequência do inquérito sobre o final da fase diocesana do Sínodo em Portugal, feito pelo 7MARGENS, publicámos já comentários do franciscano capuchinho Fernando Ventura, da professora de Ética e teóloga Teresa Martinho e do teólogo e antropólogo Alfredo Teixeira. Fica a seguir o comentário da irmã Julieta Dias, da congregação do Sagrado Coração de Maria.

Arquivar o Povo De Deus

Inquérito 7M sobre o Sínodo (2)

Arquivar o Povo De Deus

Foi com choque e tristeza que li no 7MARGENS que “a quase totalidade das dioceses portuguesas decidiu divulgar apenas as sínteses diocesanas do processo sinodal em curso na Igreja Católica”. Diz ainda a notícia que “os contributos recebidos de paróquias, grupos, movimentos, comunidades religiosas ou pessoas individuais” não serão divulgados. Apesar de, por exemplo, na diocese de Aveiro se dizer que “o documento com a síntese diocesana será (…) o documento base para programar o próximo ano pastoral”, a diocese da Guarda afirma que “poderia ser falta de respeito o seu uso [dos contributos de grupos] sem consentimento dos mesmos intervenientes)”, pelo que “estes relatórios serão arquivados na Cúria diocesana”. O objetivo destas reflexões é que elas se difundam, que se pense em conjunto, não que processos sãos, participados, salutares, eclesiais, sejam arquivados.

Corajosamente

Corajosamente

Três versículos. Três breves versos, segundo s. João. Tão pouco! E, não obstante, para nós, são tanto, tanto! São um desafio a ouvir coisas breves, as migalhas dos dias presentes.

Carlos de Foucauld, antídoto contra a autorreferencialidade

Carlos de Foucauld, antídoto contra a autorreferencialidade

O Papa Francisco irá canonizar Carlos de Foucauld, no próximo domingo, 15 de maio, depois de este ter sido declarado venerável por João Paulo II  em 2001 e proclamado beato em 2005 por Bento XVI. Desde o início do seu pontificado, este Papa já procedeu à beatificação de 1400 pessoas e à canonização de mais novecentas. Esta sua opção, que convida a reparar na proximidade dos “santos ao pé da porta”, homens e mulheres comuns, assenta no discernimento de que a santidade não está reservada a super-humanos.

E a escuta dos de fora?

Inquérito 7M sobre o Sínodo

E a escuta dos de fora?

Noto pelo menos uma falta de referência à “escuta e participação”, nas palavras do Papa, “dos de fora, dos da periferia”. Eventualmente terão sido ouvidos, mas à primeira vista, fica a sensação de que na maioria dos casos, senão na quase totalidade, os que foram “ouvidos” foram os “de dentro”, os de sempre.

O casamento em desuso?

O casamento em desuso?

  No espaço de uma geração, muito mudou no modo como a sociedade encara o casamento. As estatísticas dos últimos anos dizem-nos que em Portugal mais de metade das crianças nasce de progenitores não casados (conviventes ou não). São cada vez mais os jovens que...

Procura-me e me acharás

Procura-me e me acharás

A brincadeira das “escondidas” que prevalece de geração em geração lembra-me das muitas conversas que tenho tido com pais. Sejam eles quem forem, muitos pais portugueses vivem a mesma angústia em seu interior: a falta de tempo para estarem com os seus filhos. 

Religião “versus” Evangelho?

Religião “versus” Evangelho?

Tenho sido adepto de que a dimensão religiosa está demasiado ausente na Igreja. Não é verdade que os actos de culto se reduziram muito a costumes sociais ou aos deveres de quem se diz bem-educado? Que temos de fingir dar importância a um credo sob vários aspectos mirabolante (o de Niceia-Constantinopla), com a pretensão de descrever Deus e sem nos fazer sentir a dignidade, responsabilidade e prazer de ser cristão?

Autorretrato

Autorretrato

Não é bonito dizer que tenho um familiar favorito, mas tal como Picasso fez na sua época áurea, vou quebrar os estereótipos e dizer que o meu bisavô é a melhor pessoa que alguma vez conheci.

A guerra da Ucrânia

A guerra da Ucrânia

Nas minhas cogitações tenho perguntado a mim mesmo porque é que o caminho do conflito enveredou apenas para a guerra e não para o caminho da persuasão. Se a Rússia quer anexar a Ucrânia, porque é que não tenta o acordo possível em vez da aniquilação?

Sociedades fechadas, autocracia e modelos de perfeição

Sociedades fechadas, autocracia e modelos de perfeição

Há muito em comum entre todos os sistemas (políticos e religiosos) que se baseiam numa qualquer ideia de perfeição, julgando-se donos de toda a verdade e mandatados para a expansão, mesmo que seja à custa da vida dos outros. A invasão da Ucrânia pela Rússia dá-nos matéria de sobra para a análise do padrão do autoritarismo, que alia a visão unilateral do mundo à manutenção da sociedade fechada, justificando assim os massacres e todas as formas de opressão.

Abril. O mês que também é do Jornalismo

Abril. O mês que também é do Jornalismo

Em fevereiro de 1978, Saramago sabia muito bem, no seu conto Cadeira, o que era o 25 de Abril: via da janela “que há muito tempo que não tínhamos um tempo assim.” Mais de 40 anos depois, fica aqui a minha aposta: dessa janela, viam-se facilmente as “luzes de aprendizagem e da razão” de que Kennedy falava. Tinham sido os jornalistas a acendê-las – e é por isso que também lhes devemos a liberdade. Obrigado.

O ângulo morto da invasão

O ângulo morto da invasão

Escrever sobre o momento atual não é fácil. Há palavras envenenadas, kits carregados até à exaustão de chavões reveladores de uma cegueira ideológica incompreensível, ignorante e/ou perversa, de uma arrogância cultural, mesmo quando, aparentemente se querem fazer análises complexas.

Uma jornada pela paz na Sexta-Feira Santa

Uma jornada pela paz na Sexta-Feira Santa

Vindas de todo o país, foram mais de 700 pessoas a tomar parte nesta jornada, dinamizada pelo impulso inquieto e empreendedor do padre Almiro Mendes, pároco de Canidelo e Afurada, na passada Sexta-Feira Santa. Teve o seu início junto do Santuário de Nossa Senhora da Urtiga, num largo emoldurado por cartazes alusivos à paz, com uma intervenção daquele presbítero em que sublinhou a necessidade de «tecer os caminhos novos do Amor, deixando ódios e violências». Estava dado o mote para o cantor Miguel Bandeirinha galvanizar a participação massiva dos caminhantes, executando de forma empolgante o cântico «É preciso renascer, deixai ódios, violências».

Perdermo-nos em Deus como antídoto ao “burnout”

Perdermo-nos em Deus como antídoto ao “burnout”

Há quem pense que o percurso sinodal da Igreja Católica representa um desafio para uma evangelização nova por andarmos a competir com o Facebook. Talvez seja por isso que muitas pessoas acreditem que “se não os podes vencer, junta-te a eles”.

Entre a Solidariedade e o Esquecimento

Entre a Solidariedade e o Esquecimento

Agora olhamos para as vidas totalmente construídas que tudo deixaram para trás para salvar o corpo; conhecemos histórias de horror que podiam ser as nossas e se diluíram num abrir e fechar de olhos; compadecemo-nos e desabamos ao olhar imagens de tremenda violência que a todos ameaçam; queremos ajudar, o melhor que sabemos e podemos, a quantos, de algum modo, nos tocam mais de perto, “vá-se lá saber porquê”. Entretanto, o Estado e múltiplas organizações não governamentais vão criando soluções mais ou menos permanentes para os que tudo perderam, dizendo que não há limites para receber refugiados e para os apoiar, como se, atualmente, só estas pessoas em sofrimento existissem. 

Uma Igreja em reforma

Uma Igreja em reforma

Com a nova constituição apostólica Praedicate Evangelium há um campo novo que se abre para a responsabilidade do laicado. É antigo o princípio de que “a Igreja deve estar sempre em reforma”. Importa, assim, tirar todas as legítimas consequências quanto ao método sistemático de uma Igreja em saída.

Ensaio de um testamento vital

Ensaio de um testamento vital

À luz da Páscoa: que celebra as dores e angústias da nossa última cena no teatro da vida; o silêncio vazio da morte; e finalmente a experiência daquela Luz simbolizável pelas auroras boreais, aquela Luz desejada por todas as noites humanas – dei por mim a pensar nos testamentos vitais. Mais exactamente, como eu desejaria o cenário e actuação de todos os figurantes ligados à minha última cena.

A verdade libertará

A verdade libertará

Felicito os bispos pelo discernimento assertivo que demonstraram ao constituir esta comissão, pelas pessoas escolhidas e por lhes terem confiado uma missão que, ao contrário, do que alguns possam ainda pensar, dará maior credibilidade à Igreja.

Adultos. Com A grande, sff. (I)

Adultos. Com A grande, sff. (I)

Vivendo este tempo sem medo, descobrimos uma beleza desconfortável nessa marca de água da contradição: promete fracturas, e revela possibilidades. E morde, morde muito. No limite, a beleza está no convite exigente a posicionarmo-nos perante o que acontece no mundo e nos nossos pequenos mundos quotidianos e, com toda a radicalidade, perante nós próprios e perante Deus. É uma imensa porta para a esperança, basta querermos abri-la.

O resgate do silêncio

O resgate do silêncio

O silêncio permite escutar. Escutar o interior, escutar o outro e até o meio envolvente. Relembro com alguma saudade os tempos de quarentena da pandemia quando abrir a janela significava silêncio e contemplação. Ou quando a ausência do ruído citadino trouxe a fauna de volta ao seu habitat. Mas foi-nos ensinado que o silêncio é sinónimo de solidão. No entanto, para quem a enfrenta no meio da multidão, a ausência de sonoridade é a salvação da alma. E finalmente, quando o silêncio é encontrado, a nossa alma pode gritar o que lhe faz doer.

Difíceis atalhos

Difíceis atalhos

A terra prometida na sedução da liberdade, o encontro nas adversidades de um deserto e a luz de esperança nos socalcos da finitude. As narrativas judaico-cristãs da época revelam-nos a morte e a superação como experiências de passagem. O deserto destes textos lembra que todos os dias são experiência concreta e metáfora da própria existência. 

Uma exposição imaginada

Uma exposição imaginada

Abrimos às seis da tarde com mais ou menos cinco ou dez minutos de atraso, já que a antecedência não costuma ser usual neste tipo de eventos. A antecipação da inauguração para esta tarde foi pensada com a expectativa de entrar na galeria e descobrir novos livros nas estantes da livraria, a poucos passos da entrada. Lá fora caem pingos de chuva, já não tão carregados pelos tempos de Primavera que começa a despontar.

Evangélicos no poder: “pureza” ou escondimento?

Evangélicos no poder: “pureza” ou escondimento?

Maria Angélica Martins parte da História para lembrar que os evangélicos não são tão “irmãos em Cristo” como fazem crer; historicamente existem incontáveis conflitos e disputas teológicas internas. E traz o caso de Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação, no Brasil, que não foi o único calvinista a assumir uma pasta do governo Bolsonaro.

Resistência não violenta em tempos de guerra?

Resistência não violenta em tempos de guerra?

Poderá parecer descabido, ou simplesmente utópico, falar de resistência civil, isto é, de formas não violentas de resistência e combate a um poder ilegítimo e opressor, no momento em que assistimos à guerra da Ucrânia, em que é nítida a existência de uma potência agressora e de um povo que se defende militarmente com bravura. Mas disso se tem falado em diálogos entre representantes de várias comissões Justiça e Paz europeias, sem se alcançar ainda pleno consenso.

Não, a História não se repete

Não, a História não se repete

    A História não tem um progresso retilíneo. Como escreveu Reis Torgal na “Carta a um jovem investigador” publicada em 2021, é mais adequado aceitar a ideia de um progresso em espiral que “nos leva a considerar que o processo civilizacional tem recuos e...

Os bodes expiatórios dos populismos religiosos

Os bodes expiatórios dos populismos religiosos

Os recentes fenómenos populistas, que surgiram recentemente na América, tanto nos Estados Unidos, como no Brasil, e agora na Rússia, revelam uma estreita correlação entre política e religião. De facto, esses tipos de populismos hipotecam valores essenciais da fé, em nome de outros interesses.

Ucrânia e o Direito ao Lugar

Ucrânia e o Direito ao Lugar

Tantos tiveram de abandonar o seu lugar de vida, perderam o seu “direito ao lugar” – bebés e crianças de colo, mulheres grávidas, velhos que mal podem caminhar, não sabendo quando e se poderão voltar, se a sua casa estará intacta ou destruída, se as escolas funcionarão, se os hospitais os poderão receber, se poderão voltar a levar os filhos ao parque infantil perto de casa… Alguns não querem abandonar o seu lugar, a sua casa, e ficam, sujeitando-se à fome, ao frio, à privação, ao desconhecido e à morte. Mesmo os que ficaram perderam o “direito ao [seu] lugar”, um direito básico do ser humano.

Deus ajuda a quem se ajuda

Deus ajuda a quem se ajuda

À pandemia seguiu-se a seca e rebentou Putin. O mais grave, porém, é que todos nos comportámos como sentinelas ensonadas – até por conveniência pessoal. Ao pedir ajuda a Deus, será que damos a devida importância ao reconhecimento da culpa que nos cabe – por actos, pensamentos e omissões?

O Desporto ao serviço do desenvolvimento e da paz

O Desporto ao serviço do desenvolvimento e da paz

Tocados pela guerra da Ucrânia, vivemos numa época de incertezas e de apelo à paz. Já percebemos que mesmo estando longe, esta guerra toca-nos e condiciona as nossas vidas. Sentimos, e percebemos, que só valorizamos um bem, ou um valor, quando estamos privados de o “saborearmos”. Em abril de 2022 esse valor chama-se paz! E é com o maior sentido que no dia 6 de abril se assinala o Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz. Esta data foi escolhida pelas Nações Unidas, sinalizando o dia de início dos jogos olímpicos da era moderna, em Atenas, no ano de 1896, no sentido de valorizar o desporto como promotor da paz.  

Escolher um dos lados, desobedecer aos pais

Escolher um dos lados, desobedecer aos pais

  Para além de “Não fales com estranhos”, “Nunca respondas aos teus professores” e “Não abras a porta a ninguém” um dos ensinamentos que mais me foram repetidos durante a infância foi “Não escolhas lados”. Os meus pais sempre me ensinaram que não me devo meter em...

O renascer religioso na China

O renascer religioso na China

As violações dos direitos humanos na China superam em gravidade o que sucede na Rússia, como é próprio de um regime totalitário em confronto com um regime autoritário. É o que se verifica no que à liberdade religiosa diz respeito e basta evocar, a propósito, o caso mais extremo da repressão dos uigures (já equiparada a um genocídio), uma repressão que também envolve a violação da liberdade religiosa.

Nem sempre O entendo, não me canso de O procurar

Nem sempre O entendo, não me canso de O procurar

Relembro os Pais que perderam filhos, e todos os filhos sem Pai. Alguns são meus amigos, e mesmo aos que não são, desejo ardentemente que fosse possível, com um abraço, dividir com eles o pesado fardo do vazio. Trago à memória os Pais em guerra. Os que não conheço, mas sei, que se metem com os filhos em barcos, porque qualquer futuro é melhor do que um passado de violência, mesmo que isso signifique afundar o presente no mar da travessia mediterrânica. Os que entregam os filhos ao violento destino de matar ou morrer por razões que só um irracional conhece.

A aventura do regresso às origens

A aventura do regresso às origens

Postos a caminho pelo Papa Francisco, que colocou o “povo de Deus” no eixo do processo de discernimento sobre a Igreja no Terceiro Milénio, deparámo-nos espantosamente com a raiz do próprio cristianismo: essas comunidades de vida e de fé, tão próximas que eram “um só coração e uma só alma”, e tão cheias de amor a Deus.

Pobreza, uma palavra que dói

Pobreza, uma palavra que dói

Nos tempos que vivemos, com a pandemia ainda viva e os efeitos nefastos da guerra, provocada pela invasão da Rússia à Ucrânia, não há palavra mais salivada do que solidariedade. Sobretudo, quando nos referimos a cerca de dois milhões de ucranianos que, de mala na mão, tiveram que fugir das suas habitações confortáveis, rumo ao desconhecido.

30 dias depois…

30 dias depois…

Vindo de muito longe, vejo insinuar-se-me no coração, pelo ecrã da televisão, esse caldeirão de fel e fogo que um ‘puto’ de olhos hérulos acendeu na Ucrânia. No preciso momento em que tal aconteceu, acenderam-se também os restantes corações dos filhos de Noé. Foi há 30 dias que este tsunami começou.

Caminhar juntos com S. Óscar Romero

Caminhar juntos com S. Óscar Romero

Talvez muito poucos católicos saibam quem foi este santo arcebispo da Diocese de San Salvador, entre 1977 e 1980, capital do mais pequeno país da América Central, que é El Salvador. Os seus diocesanos eram gente pobre e oprimida.

Oiça-se a cultura!…

Oiça-se a cultura!…

O monstro da guerra não se dissimulou e a resistência apareceu e reagiu. Mesmo para os que julgavam poder aparecer como supostos libertadores, aconteceu o que tantas vezes ocorre em circunstâncias semelhantes – o sentido de comunidade, a defesa da casa, a solidariedade prevaleceram. Afinal, a guerra é a calamidade composta de todas as calamidades, que a todos atinge, em que “não há mal algum que se não padeça ou se não tema”.

A primeira vez com medo da guerra

A primeira vez com medo da guerra

A guerra na Ucrânia é para nós, jovens, a primeira ameaça militar à porta do Ocidente protegido que conhecemos desde sempre. Não sentimos na pele a instabilidade da Guerra Fria nem o pavor do 11 de setembro, mal nos recordamos da Guerra do Iraque e foi de longe que assistimos à Primavera Árabe. O discurso facínora de Putin é a primeira imagem concreta que temos da malvadez imprevisível, impiedosa e sem Humanidade.

A leveza da razão

A leveza da razão

Nunca ninguém irá mudar o mundo, o mundo está em permanente mutação por si só e cada um de nós mudando com ele. A única coisa que podemos efetivamente mudar é a nossa visão e consciência do mesmo. Num livro que reúne correspondência entre Gandhi e Tolstoi, este último alegava que a única permanência era a da controvérsia.

Uma cultura sinodal leva tempo

Uma cultura sinodal leva tempo

A escuta sinodal continua e tem prazo. Mas se a sinodalidade deveria ser o modo de sermos Igreja, quando terminar o Sínodo dos bispos sobre esse assunto e passarmos a outro, deixará de haver escuta sinodal?

O que há de errado em ser preguiçoso?

O que há de errado em ser preguiçoso?

Enquanto ouvíamos a leitura das Escrituras, não sei se vimos, mas entrámos numa nuvem. Clara como um rasgão, era dessa nuvem que saía uma voz. A sua sombra é luminosa, como este lugar o é, a esta hora.

Está bem?

Está bem?

Pai querido – tão perfeito
Que possuis todo o amor de Mãe:
Queremos reconhecer a dignidade do teu Nome
E que sejas o nosso inspirador e orientador
Pois a tua vontade é a felicidade perfeita.

O que aconteceu ao ser humano?

O que aconteceu ao ser humano?

Dois casos relativamente recentes provocaram indignação e revolta em muita gente. O primeiro foi o episódio de um conhecido fotógrafo suíço, René Robert, de 86 anos, que caiu inanimado numa rua do centro de Paris e morreu de hipotermia. O segundo foi o caso do primeiro-ministro inglês, acusado de ter permitido resgatar do Afeganistão 200 cães e gatos, mas deixado pessoas para morrer.

Igreja Católica: do centro às periferias

Igreja Católica: do centro às periferias

O Papa Francisco vem abrir um novo capítulo nesta caminhada: faz o convite a que a Igreja deixe a ilusão do centro e assuma as margens como seu lugar natural. As margens a que, de modo manifesto, na globalidade ela não quer pertencer. Por que razão havia de querer, se estar no centro foi aquilo que quase “sempre” quis?

Aborto e valores europeus

Aborto e valores europeus

  O Presidente francês Emmanuel Macron, no discurso de abertura da presidência francesa do Conselho da União Europeia, anunciou o seu propósito de incluir entre os direitos reconhecidos pela Carta Europeia dos Direitos Fundamentais o direito ao aborto. Considera...

Ver mais longe com os cedros do Líbano

Ver mais longe com os cedros do Líbano

Para os tempos que vivemos, talvez um pouco de botânica e de literatura ajudem a temperar esta turbulência que nos impede de ter uma perspectiva mais tranquila sobre o mundo. Começo por uma imagem bíblica de beleza natural, a do cedro do Líbano. Esta árvore de grande porte é um sinal de longevidade e vitalidade.

A hermenêutica de Jesus (2): Jesus e o seu manifesto

A hermenêutica de Jesus (2): Jesus e o seu manifesto

A hermenêutica de Jesus, tal como exposta ao longo dos evangelhos, extrapola muitas vezes a rigidez da letra das próprias escrituras, remetendo para novas interpretações, novos significados. Não foi isso que também muitos dos profetas fizeram ao longo do tempo?

A boa notícia do KAICIID em Lisboa

A boa notícia do KAICIID em Lisboa

No meio de tantas notícias tão cheias de angústia por causa da guerra na Ucrânia, vi domingo no 7MARGENS a notícia da transferência da sede do Centro Internacional para o Diálogo Interreligioso e Intercultural (KAICIID) da Áustria para Lisboa. É uma notícia portadora de paz e de esperança. Significa que o KAICIID se quis demarcar de toda e qualquer conotação ideológica ou política, que poderia advir da sua posição num país próximo do conflito, para marcar a sua total independência em relação com a guerra e assumir inequivocamente o seu papel de promotor do diálogo, seja qual for o motivo da guerra.

Média, religião e política

Média, religião e política

Um levantamento recente feito no Brasil mostra que dos 10 influenciadores cristãos mais seguidos na rede social Instagram, oito são evangélicos e dois são católicos. Do mesmo modo que no passado líderes religiosos marcaram presença nos canais tradicionais de rádio e TV, hoje participam das mais diversas redes sociais.

O compromisso político como vocação

O compromisso político como vocação

Sou a minha circunstância. Cresci na fé, como jovem adulto, com a noção de que ser cristão é sempre um compromisso militante, expressão chave dos meus anos de Ação Católica. E, na minha vida, esse compromisso militante significou invariavelmente um compromisso político, um envolvimento sem disfarces nem reservas com a construção da sociedade a partir de escolhas coletivas contrastantes.

Padre Mário: um cristão de partilha

Padre Mário: um cristão de partilha

Quem conheceu o padre Mário de Oliveira, de Macieira da Lixa, sabe bem que este era um cristão de partilha; mesmo depois de a sua diocese não o ter nomeado para funções pastorais, foi com desassombro que assumiu a teologia da libertação e ao lado de muitos outros, em exemplo de vida e de coerência próprias. Deixa-nos um legado de vários livros onde expõe as suas opiniões sobre a Igreja, que ele amou até ao fim da sua vida.

Falar da guerra às crianças

Falar da guerra às crianças

Ainda não refeitos das sequelas da pandemia de covid-19, estamos perante uma situação que muitos julgávamos improvável ou mesmo impossível. A guerra começou porque sim. Muito se foi falando da saúde mental das crianças e jovens durante a pandemia. Agora, em tempo de guerra, não se sabe como falar com elas, sobretudo com as mais pequenas.

Na partida de um  bispo sinodal para Deus

D. Tirso Blanco, do Lwena (Angola)

Na partida de um bispo sinodal para Deus

Entrou na plenitude de Deus um homem santo, um santo bispo, bispo exemplar desta caminhada sinodal que estamos a viver, D. Tirso de Jesus Blanco, que tive o privilégio de conhecer. Lwena e D. Tirso estão no meu coração. Que ele esteja na plenitude resplandecente de Deus. Eu sei que ele velará, na dimensão em que se encontra, pela sua amada Lwena.

Glossário dos tempos incertos

Glossário dos tempos incertos

Guerra. Em meia dúzia de dias a vida mudou, sobretudo para os ucranianos, mas também para os europeus e, presumo, mudará em breve para uma boa parte do mundo democrático. Assistimos, incrédulos e em direto, à morte de inocentes e à supressão da ordem política legitimada. Porém, nada disto aconteceu por acaso.

O futuro só a Deus pertence

O futuro só a Deus pertence

“O futuro só a Deus pertence” – não saberia quantificar o número de vezes que esta frase tem ecoado junto dos meus pensamentos. À medida que a invasão russa na Ucrânia se intensifica, rezo – rezamos – rezemos para que se alcance a paz, para que não deixemos morrer a esperança de que é possível viver num mundo seguro. O futuro é incerto.

Visita Pascal 2022? Vamos lá sinodalizar?!

Visita Pascal 2022? Vamos lá sinodalizar?!

É tempo de nos ouvirmos, de conversarmos, de partilharmos ideias e sugestões, para discernirmos juntos as melhores escolhas. Façamo-lo no âmbito dos nossos conselhos pastorais e vicariais, no diálogo franco com as pessoas da comunidade e mesmo com aquelas que nos parecem mais distantes e têm uma palavra a dizer. Através das redes sociais, também podemos escutar e dizer o que nos vai na alma. A conversar é que a gente se entende!

Poetas sociais e a felicidade como efeito colateral

Poetas sociais e a felicidade como efeito colateral

A felicidade como efeito colateral foi referida pelo psicólogo judeu Viktor Frankl no seu livro Em Busca de Sentido, que retrata a sua vivência nos campos de concentração. Diz Frankl: “Não procurem o sucesso. (…) Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.”

Repensar o modelo da Igreja a partir da realidade

Repensar o modelo da Igreja a partir da realidade

Confesso que não me tenho sentido entusiasmado com o dinamismo sinodal em curso na Igreja em Portugal, apesar de ainda haver muito caminho por andar. A minha pouca motivação vai mais longe, pois estende-se aos objetivos do próprio Sínodo. Não tenho dúvidas que esses objetivos correspondem aos anseios do Papa Francisco e eu estou, incondicionalmente, solidário com ele. Por isso, não deixarei de dar o meu modesto contributo.

Da ortodoxia à piedade

Da ortodoxia à piedade

Creio que de alguma forma já nos deparámos com uma religião fria e vazia. Para os que assistiram a períodos de reavivamento espiritual há uma lembrança dos tempos sérios da devoção. Para outros, a devoção dos antigos chegou em forma de uma tradição, marcada por rituais muitas vezes sem significado espiritual. Nós, provavelmente, nos enquadramos numa ou noutra categoria.

A presença de Simone Weil

A presença de Simone Weil

A Pessoa e o Sagrado, de Simone Weil, de 1943, acaba de ser publicada pela editora Guerra e Paz. A Moraes encomendou a M.S. Lourenço esta tradução, que não se concretizaria, não por discordâncias internas (ao contrário do que se pensou), mas por cautelas teológicas… Cabe explicar que, antes do Concílio, as autorizações eclesiásticas eram necessárias para obras de carácter religioso.

Triangulações cristãs em tempos de guerra

Triangulações cristãs em tempos de guerra

O triângulo vermelho é conhecido na história do cristianismo português como o símbolo das Associações Cristãs da Mocidade, parte integrante de um movimento internacional, de origem anglo-americana e de inspiração evangélica, que preconizava o desenvolvimento espiritual, intelectual e físico da juventude.

Dois provérbios e a abstenção das legislativas

Dois provérbios e a abstenção das legislativas

Costuma dizer-se que o Natal é quando o Homem quiser, mas depois das últimas eleições legislativas quase que se pode alterar o provérbio para “O Natal é quando a abstenção quiser”. Não houve bacalhau, é pouco provável que alguém se tenha deliciado com sobremesas da avó enquanto acompanhava as projeções e também ninguém correu até aos centros comerciais para comprar as típicas meias ou velas de última hora. Mas, em tudo o resto, a noite eleitoral foi tal e qual um serão de Natal.

Divagações de um pai preocupado

Divagações de um pai preocupado

No espírito da Igreja Sinodal que nos convida a caminharmos juntos existe espaço para a partilha aberta com parrésia. Talvez por esse motivo se tenha avançado com maior fulgor as preocupações legítimas dos LGBTQIA+, como noticiado no Sete Margens, e mais tarde as questões abordadas na Conferência Episcopal Alemã como o celibato opcional, diaconato feminino ou escolha dos bispos. Como pai, aquilo que diz respeito ao sacramento da ordem penso que será de reflectir profundamente, mas no que diz respeito às orientações sexuais, estes acontecimento deixaram-me preocupado.

Teu será o riso, santo e contagiante

Teu será o riso, santo e contagiante

Diante de certas imagens, que fazem ainda as palavras? Retraem-se, como quem sabe que ficaria sempre aquém. «Não tenho sequer sentimentos para esta infinita dor!» É a expressão de um homem da multidão, em Marrocos, que, no seu desolado ‘De profundis’, esperava a ‘devolução’ do Rayan. Há, de facto, imagens que dispensam as palavras.

Envelhecer ou chegar longe na vida

Envelhecer ou chegar longe na vida

Envelhecer é algo de que muitos não gostam de ouvir falar. Os mais novos porque consideram que isso nunca lhes vai acontecer. Os mais velhos porque adiam sistematicamente esse confronto, na esperança de que, sem saberem bem como, também não lhes aconteça. De facto, não é coisa agradável de se refletir, mas a sua negação é um processo mais insano, contrariamente ao verdadeiro e corajoso enfrentamento.

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Breves

 

"Nada cristãs"

Ministro russo repudia declarações do Papa

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, descreveu como “nada cristãs” as afirmações do Papa Francisco nas quais denunciou a “crueldade russa”, especialmente a dos chechenos, em relação aos ucranianos. Lavrov falava durante uma conferência de imprensa, esta quinta-feira, 1 de dezembro, e referia-se à entrevista que Francisco deu recentemente à revista America – The Jesuit Review.

À espera

[Os dias da semana]

À espera novidade

Quase todos se apresentam voltados para o sítio onde estão Maria e José, que têm, mais por perto, a companhia de um burro e de uma vaca. Todos esperam. Ao centro, a manjedoura em que, em breve, será colocado o recém-nascido. É tempo agora de preparar a sua chegada, esse imenso acontecimento, afinal de todas as horas.

Bispo Carlos Azevedo passa da Cultura para as Ciências Históricas

Novo cargo no Vaticano

Bispo Carlos Azevedo passa da Cultura para as Ciências Históricas novidade

O bispo português Carlos Azevedo foi nomeado neste sábado para o lugar de delegado (“número dois”) do Comité Pontifício para as Ciências Históricas, deixando o cargo equivalente que desempenhava no Dicastério para a Cultura e a Educação, da Santa Sé, que há poucas semanas passou a ser dirigido pelo também português cardeal José Tolentino Mendonça.

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