Entre Margens

Violência contra as Mulheres: origens novidade

Olhando para os dados neste contexto de pandemia, mais uma vez dei por mim a pensar de onde virá a persistência estrutural do fenómeno da violência doméstica e de género, esta violência que assenta num exercício de poder exacerbado, descontrolado, total, de alguns homens em relação às suas companheiras, em que elas não são mais do que um objeto de posse sobre o qual se pode tudo.

Credo

O Deus em que acredito não é pertença de ninguém, não tem registo, é sem patente. É polifónico, é um entrecruzar de escolhas e de acasos, de verdades lidas nos sinais dos tempos, de vida feita de pedaços partilhados e também de sonhos.

Vem Espírito Santo e renova a face da Igreja

Em abril de 2013, nas Jornadas de Teologia da Caridade, subordinadas ao Tema “A força evangelizadora da caridade”, promovidas pela Cáritas Espanhola, em Salamanca, conheci, ao tempo, o arcebispo de Tânger, Santiago Agrelo Martínez. Fiquei fascinado pela profundidade do seu pensamento, pela simplicidade no trato e pela suas coragem e clarividência pastorais.

A Senhora mais brilhante do que o Sol

Quem é afinal Maria de Nazaré, a escolhida por Deus para encarnar a nossa humanidade? Os Evangelhos referem-na poucas vezes. Esse silêncio dá mais espaço à nossa criatividade e até a um certo empossamento da Mãe de Jesus. Em torno da sua figura construímos aquilo a que poderíamos chamar “questões fraturantes” entre cristãos. Mais importante que dogmas e divergências é atendermos à figura de Maria. Quem é que ela é, ou pode ser, para nós?

Evangélicos e Chega: separar as águas

Em todo o debate público levantou-se novamente a questão da identidade evangélica, cuja percepção é complexa até para os próprios evangélicos e sobretudo para a maioria dos portugueses, cuja cultura religiosa é essencialmente católica-romana. Grande parte da percepção pública dos evangélicos deriva dos soundbites brasileiros e norte-americanos, onde há de facto lobbies evangélicos e ultra-conservadores, como a “Bancada Evangélica” ou o “Tea Party”. A isso, acrescenta-se a difusão dos canais de televisão e rádio neopentecostais, o que colabora para a criação de estereótipos sobre os evangélicos no seu todo.

“Fake religion”

Para que uma falsificação faça sentido e seja bem-sucedida tem que juntar pelo menos duas condições. Antes de mais, o artigo a falsificar tem de estar presente no mercado e em segundo lugar tem que representar valor comercial. Ora, o mercado religioso existe e está bem de saúde, para desespero dos neo-ateístas. E de cada vez que surge uma catástrofe, uma guerra ou uma pandemia mortal a tendência geral dos indivíduos é para recorrerem ao discurso religioso, procurando encontrar aí um sentido para o drama que estão a viver, porque o ser humano necessita de encontrar um sentido no que vê e sente acontecer à sua volta.

A criatividade lexical de uma pandemia

 Ao longo de três meses temos sido espectadores atentos de uma telenovela que nos envolve a todos – as notícias acerca da pandemia covid-19. Não irei debruçar-me sobre os diferentes capítulos deste romance de terror, nem sobre as reviravoltas a que tem sido sujeito e que levaram a que uma inicial epidemia aparentemente longínqua se transformasse em catástrofe mundial com profundas mutações no nosso modus vivendi. Gostaria de sublinhar a criatividade lexical deste fenómeno, no que respeita à criação de novos vocábulos bem como à utilização de termos usuais que, no entanto, ganharam um significado diferente neste contexto. 

Lares de idosos no fio da navalha

Por más razões, os lares saltaram para as primeiras páginas da comunicação social. Ao longo das últimas semanas, os mortos nestas instituições, legais e ilegais, motivados pela pandemia do covid-19, atingiram cerca de 40% do número total das vítimas mortais (e cerca de 50% em toda a Europa). Trata-se de um elevado número de cidadãos que permaneceram muito esquecidos dos poderes públicos, na fase mais aguda desta devastadora pandemia: a população mais idosa, a mais vulnerável à contaminação pelo vírus.

O trabalho num quarto só para si – e a semana de quatro dias (Opinião da reitora da Univ. Católica)

Nestes dias do grande confinamento, reler Virginia Woolf e o seu notável Um Quarto Só para Si (A Room of One’s Own) adquire um sentido renovado. Dum escritório só para mim, sinto-me afinal herdeira de um texto que se tornou quase projeto de missão: que para a independência da mulher, em particular de uma profissional criativa, como a mulher escritora, se exigia ter um rendimento fixo e um quarto só para si. Nos dias do grande confinamento, contudo, o quarto não é garantido – apenas alguns o têm só para si – e muito menos o rendimento é fixo.

Covid e educação: aproveitar as oportunidades

Estamos a viver um tempo inusitado, inesperado e imprevisível, que deixou também as escolas e o sistema escolar em apuros, sob um elevado stresse organizacional e profissional. A mudança é disruptiva, em vez de incremental, é reativa em vez de antecipatória, é imposta, em vez de desejada. Isto marca desde logo um tempo muito peculiar e sem precedentes. Um tempo que requer uma atenção redobrada.

O mundo precisa (mesmo) de um milagre

Sim, sinto que o mundo precisa de um milagre. Um milagre que seja a revelação de um Milagre, isto é, que seja a revelação do verdadeiro Milagre, para toda a humanidade. Porque, como disse em 2017 o excelente padre Anselmo Borges numa entrevista ao jornal DN, precisamente a propósito das tradicionais celebrações das aparições marianas de Fátima, não há senão um e um só milagre: o milagre do Ser. Sim, o milagre da Existência de Tudo, o milagre que é existir algo em vez do nada.

Pós-pandemia: que sociedade?

Enquanto continuamos nesta clausura mais ou menos voluntária, neste confinamento à escala global, neste “novo normal” que tomou conta das nossas vidas, importa começar a pensar como vamos viver em comunidade quando (e verdadeiramente ninguém sabe quando) estes tempos excecionais passarem.

Sinto falta – Um muçulmano à beira do fim de Ramadão

Todos nós sentimos falta de algo. Quem nunca vivenciou o sentimento saudoso de repentinamente a sua mente ver-se transportada para aquela memória imaterial e turva da nossa infância para a qual olhamos com tanto carinho? Neste tempo de isolamento social por causa da pandemia de covid-19, para o qual fomos arrastados sem opção de escolha, sinto falta de tanta coisa…

Vamos chamar os bois pelos nomes?

O vírus toca a todos. Dizem que é democrático e que para ele todos somos iguais, mas também nesta matéria se verifica o velho princípio orwelliano de que existem uns cidadãos mais iguais do que outros.
Helena Roseta diz que “a covid-19 é um grande revelador das desigualdades económicas, sociais, ambientais e até geracionais”. Está provado que as camadas mais pobres e excluídas da população são os mais vulneráveis à pandemia da covid-19. Os Estados Unidos atestam esta ideia de forma gritante.

Monstros lendários: a rainha corona, um bicho, um xitukulumukumba e uma zuzu são momomos

A geração dos anos 40 cresceu intimidada pelos pais, sobre a existência de um bicho que nunca chegou a ver. Mas foi um bicho que a educou de forma rígida. Viveu o tempo todo obedecendo cegamente aos pais, em tudo o que fosse necessário. Não foi uma geração questionadora, pelo menos no que a assuntos domésticos dizia respeito. Uma palavra dos seus pais era de ordem.

Prémios no Novo Banco: uma economia assim mata mesmo

O país está a confrontar-se com uma inesperada e muito difícil crise económica e financeira. Tudo indica que se irá agravar nos próximos meses e poderá ter uma duração imprevista, dada a sua extensão geográfica ser de ordem mundial. Esta situação acarretou, inevitavelmente, uma nova crise social cujas proporções se revelam muito preocupantes por, rapidamente, terem manifestações agressivas, quer em quantidade, quer nas necessidades primárias que um cada vez maior número de nossos concidadãos não consegue satisfazer.

Um estranho paradoxo

Vivemos um estranho paradoxo. As pandemias tenderão a ser controladas pela ciência. Mas tal não tem acontecido no caso da covid-19. O certo é que tem faltado uma liderança ética e política partilhada nos planos europeu e mundial. A voz do Papa Francisco, as encíclicas Laudato Si’ e Caritas in Veritate são ainda ecos que clamam no deserto. A xenofobia, o isolacionismo e a desconfiança são traços dominantes no sistema internacional. Mas será esta pandemia uma oportunidade para se criar uma nova consciência capaz de 1) Prevenir ameaças globais; 2) Garantir uma melhor partilha de recursos; 3) Compreender que os mais fracos são as maiores vítimas; 4) Pôr em prática um contrato ecológico; 5) Ligar sustentabilidade, equidade e justiça distributiva na sociedade e entre as diferentes gerações, bem como garantir a subsidiariedade?

Inquietude e pesar em compasso de espera

Estamos a viver um tempo estranho, em que, de repente, o nosso dia-a-dia deixou de ter a dimensão tranquilizadora, que é garantida pelo habitual cumprimento das tarefas de todos os dias e pelo encontro confiado com aqueles que enchem a nossa existência, no nosso habitual fazer pela vida. A habitualidade rompeu-se. Nada acontece da mesma maneira que antes. A fórmula de “trabalhar a partir de casa”, cuja prática procura ser generalizada, não constitui propriamente um hábito alternativo, e está longe de proporcionar a confiabilidade que, em geral, só o agir sedimentado assegura.

Gastar hoje em inclusão, para poupar no futuro em prisões

O Código Penal português é um documento de justiça, mas desequilibrado em algumas situações, quando as penas passam a execução. Por um lado, crimes graves podem tornar-se em penas suspensas se o réu culpado o tiver cometido pela primeira vez e a sentença for menor de 5 anos. Por outro lado, uma pena máxima para qualquer crime é de 25 anos, mas se alguém comete vários crimes, e estes forem julgados em processos diferentes, há lugar a penas sucessivas. Assim, temos em Portugal pessoas a cumprirem de seguida várias penas, esperando mais de 37 anos para verem o mundo do lado de fora dos muros.

João e Francisco Pereira de Moura, um fraternal compromisso social cristão

Foi publicado recentemente o livro Testemunho de um Economista Social comprometido na humanização do mundo, editado pelo ITDC (Investiment, Training and Human Development Consulting), com prefácio de D. Manuel Martins, no que seria um dos seus últimos textos.
Em boa hora aconteceu esta publicação porque João Pereira de Moura, já nonagenário, é uma figura invulgar da administração pública, da vida política e do cristianismo social, em Portugal, na segunda metade do século XX.

Os espectros são sobretudo os longínquos outros

As vidas precárias “são vidas em relação às quais não faz sentido o luto porque já estavam perdidas para sempre ou porque, melhor ainda, nunca ‘chegaram a ser’, e devem ser eliminadas a partir do momento em que parecem viver obstinadamente nesse estado moribundo. A este estado moribundo das vidas humanas Butler chama desrealização porque transforma o humano em espectro.”

Reforma conciliar da Igreja, só a partir do injustiçado

Quando a carta de Tomás Halík (O sinal das igrejas vazias – Para um Cristianismo que volta a partir) começa por perguntar “Que tipo de desafio representa esta ‘situação de templos esvaziados’ para o cristianismo, para a Igreja e para a teologia?”, somos levados a crer que nos irá oferecer uma análise histórico-teológica movida por um “sentimento muito vivo e impaciente de mudanças” (Y. Congar, 1969). Porém, ela restringe-se ao intra-eclesial: nela não ressoa a interpelação da cultura moderna à Igreja.

O meu Credo

Como eu gostaria de recitar o Credo cristão (baseado no único e já tão esquecido “símbolo dos Apóstolos”, no “Pai nosso” e em muitas passagens da Bíblia). Quero respeitar Deus como Mistério totalmente indizível; bem como o Mistério da sua “presença” na História da Humanidade. Posições dogmáticas não respeitam nem Deus nem a inteligência humana – e só nos afastam deste Mistério que engloba todo o Universo e toda a Vida.

“Vidas precárias” ou os Outros. Humanos?

A motivação mais imediata destas reflexões foi o comentário de um dos assessores do Presidente Trump, em meados de março – cujo nome não retive –, que procurava explicar a grande percentagem de óbitos por covid-19 das pessoas afroamericanas, nos EUA.

Desigualdades sociais agravadas?

O Governo vem adotando medidas várias para a atenuação das consequências negativas da covid-19. Apesar disso, as consequências são muito preocupantes e poderão contribuir para o agravamento das desigualdades sociais.
Poderá afirmar-se que o contexto económico-social e as medidas adotadas pelo Governo foram mais favoráveis a quem se encontrava numa situação mais estável e, eventualmente, com níveis remuneratórios superiores à média; em contrapartida, os trabalhadores mais precários e os empresários mais débeis ficaram desfavorecidos, correndo muitos deles o sério risco de evoluírem para situações de pobreza mais ou menos acentuada.

Sinais de discriminação?

Aparentemente nos últimos dias ter-se-ão acumulado sinais de discriminação entre cidadãos, por parte de Governo e Presidência da República, o que é inaceitável. Mas nem a oposição sai bem nesta matéria.
Parece-me que há aqui qualquer coisa que não bate certo. Sabemos que uma adversidade inesperada como uma pandemia põe à prova qualquer sistema de saúde pública, mas também qualquer nível de governação, desde o local ao regional, nacional ou europeu, por exemplo. Trata-se dum teste duríssimo para quem decide e para as populações.

O inimaginável amanhã

“(…) A escrita favoreceu o aparecimento de poderosas entidades ficcionais que organizaram as vidas de milhões de pessoas e deram novas formas à realidade de rios, pântanos e crocodilos. Ao mesmo tempo a escrita fez com que fosse mais fácil para os homens acreditarem na existência de tais entidades ficcionais, porque acostumou as pessoas a experimentarem a realidade através da mediação de símbolos abstratos.” Diz isto Yuval Noah Harari, em Homo Deus, História Breve do Amanhã.

Dentro de muros (I)

Escrevo estas palavras em tempo de confinamento, dentro de muros que me separam fisicamente do mundo. São as ideias que nos devem libertar e unir.

Mesmo antes do estado de emergência começar, estive junto a um muro separador. Foi na fronteira de Tijuana, entre o México e os Estados Unidos da América (EUA). Estive no lado de dentro, mas também no lado de fora, dependendo de como vemos a realidade, estive dos dois lados da fronteira, entre o México e os EUA. E que privilégio esse, de saltar fronteiras, como se o muro a alguns nada fizesse. O problema é que faz a outros. É discriminador, ele.

Foi um bom centenário, “não é assim”, padre Júlio Fragata?…

O padre Júlio Moreira Fragata nasceu a 17 de Abril de 1920, em Seixo de Ansiães (Carrazeda de Ansiães) e faleceu a 27 de Dezembro de 1985, em Braga. Eminente figura como sacerdote jesuíta, como professor universitário, autor de obras de alto nível científico e conferencista em Portugal e no estrangeiro. Etc. (de verdade). Espera-se realizar a devida homenagem a 20 de Outubro, na sua terra natal. Entretanto, fantasiei o relato da celebração do centenário como se tivéssemos a sua presença física.

Tudo está ligado

A tese de que tudo está ligado tem aparecido recorrentemente na história da filosofia. E imediatamente lembro Espinosa e Leibniz, duas presenças determinantes nos diferentes cursos que leccionei sobre Filosofia Moderna. Em ambos, a ideia da relação de tudo com tudo ocupa um lugar central. O primeiro enfatiza a integração do homem na Natureza, enquanto parte da mesma. O segundo defende a ligação entre toda a matéria, sustentando que tudo está em tudo.

Papa Francisco, subsídios e trabalho

Na carta que recentemente dirigiu aos Movimentos Populares [ler carta aqui]o Papa Francisco advogou a criação de um “salário universal” para “trabalhadores informais, independentes e de economia popular” que se se vêem privados de rendimentos na atual situação de pandemia. Liga esse “salário” ao reconhecimento da dignidade desses trabalhadores.

Profetadas

Com a base de apoio progressivamente reduzida, o Presidente do Brasil estriba-se cada vez mais nos líderes religiosos do sector neopentecostal, fazendo tábua rasa do Estado laico e promovendo uma perigosa promiscuidade entre política e religião, que só pode vir a dar mau resultado no futuro.
Ouve-se e custa a acreditar, mas o “Polígrafo SIC” comprovou a veracidade dos factos relatados, no âmbito duma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social. Bolsonaro determinava uma “proclamação santa” anunciando um jejum religioso contra a pandemia do coronavírus, à qual teriam aderido os “maiores líderes evangélicos” do país. 

Não se pode adiar o último adeus – covid-19 e humanismo

Há comportamentos e acontecimentos que são analisados, conforme as circunstâncias em que se encontram. Concretamente, valorizam ou relativizam sentimentos consoante sejam os seus ou expressos por outros. Ao escrever no dia em que se assinala o 25 de Abril, dou como exemplo a valorização que fazem desta efeméride os que sofreram na alma e no corpo as consequências da luta pela Liberdade, e os que não chegaram a conhecer os tempos da ditadura. É uma questão de níveis de empatia e, em determinados casos, mesmo de compaixão (com+paixão), um valor humano nobre e fundamental que permite a alguém “meter-se na pele do outro”, ou ainda mais, sem retóricas inúteis sobre o sofrimento do outro, ser capaz de o assumir, de verdade, como seu. 

“Pfukùár” a humanidade

Vivíamos “aparentemente” felizes o limiar do ano 2020. O tal que, por ser capicua, dizia-se que prenunciava beleza, alegria, bem-estar e todas as boas coisas ligadas à estética. Mesmo quem não estivesse feliz, “entrava na onda” e era como se estivesse, porque a aura do início de um novo ano, de um modo geral, faz pensar que muita coisa irá mudar para o melhor. Alguns se esquecem, tal como se tem dito, que o dia que marca o ano novo é apenas mais uma data no calendário e que quem tem de mudar somos nós.

Maria de Sousa – ciência e poesia

Maria de Sousa (1939-2020) foi uma médica, bióloga e mulher de cultura e de ciência de exceção, que nos deixou vítima da terrível covid-19. Ensaísta de mérito, escreveu Meu Dito, Meu Escrito (Gradiva, 2014), onde se encontra a força e a alegria da sua personalidade única. Era professora emérita da Universidade do Porto e fez um brilhante percurso internacional no Reino Unido (onde foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian) e nos Estados Unidos.

Onde está Deus?

A propósito da pandemia que atinge agora o mundo inteiro, ressurge a incontornável questão: o que tem Deus a ver com isto; como pode um Deus bondoso permitir um mal como este?
De entre várias respostas que têm sido dadas a esta questão, parece-me de sublinhar a do padre Raniero Cantalamessa O.F.M., na pregação de Sexta-Feira Santa, perante o Papa Francisco.

Porque é que precisamos de beleza?

A arrebatadora frase de Fiódor Dostoiévski: “A beleza salvará o mundo” é quase uma provocação. Leva-nos a questionar uma certa ordem do mundo. Talvez por encararmos o ato de salvar como um sustento precário. Ao pensar nos inúmeros problemas existenciais que temos e nos dilemas que o mundo atravessa, vêm-nos à mente diversos cenários.

O 25 de abril: rito (religioso) ou ritualismo (político)?

Claro que o 25 de abril deve ser celebrado, como todos os momentos mais fortes e intensos das nossas vidas!
Viver numa espécie de “ritualismo político” é achar que o 25 de abril é monopólio de alguns (contra a participação de todos), que a sua celebração só pode ser feita naquele espaço concreto de Parlamento (porque o cerimonial é mais importante que a celebração) e que o confinamento à casa de cada um perde a sua dimensão simbólica porque há uma casa que se apresenta como mais fundamental que é a Casa da Democracia.

Adorar a Deus em espírito e verdade

Uma pandemia como a que vivemos actualmente desafia a nossa fé por três razões. Primeiro, toda a confiança que possamos ter em Deus parece não nos livrar do contágio e da possível morte. Depois, obriga-nos a relegar para o plano individual aquilo que normalmente é vivido de forma pública e comunitária. Por fim, afasta-nos (no caso do catolicismo) daquilo que é a principal fonte da graça, o sacramento da eucaristia.

Uma epifania de Páscoa com Tintoretto

Passou a Páscoa. Este ano sob o sobressalto inimaginável de uma penitência literal. Na verdade, fomos todos chamados (os que são cristãos), mais ou menos involuntariamente, a defrontarmo-nos com uma inegável coincidência. A da redenção dos homens pela paixão de Cristo, com a dos padecimentos pela pandemia.

Proteger as comunidades ciganas no contexto da pandemia

A presença dos ciganos em Portugal remonta ao século XV, tendo esta minoria étnica permanecido na Península Ibérica desde então. As comunidades ciganas foram sempre perseguidas e excluídas, tendo sido iniciada por D. João III em 1526 a sua expulsão de Portugal, seguindo-se o decreto de 1538 de deportação para as colónias, em que os homens eram obrigados a trabalhos forçados nas galés.

Combate pela dignidade humana: olhar de frente a violência doméstica

Os números não nos enganam. Segundo os dados que vão sendo publicados, a violência doméstica tem aumentado muito, nos últimos anos, no nosso país. Agora, com esta situação de confinamento a que todos estamos forçados, devido à pandemia de covid-19, sem sabermos ao certo quando terá o seu termo, os psiquiatras e psicólogos não se cansam de nos alertar para os múltiplos casos de violência entre casais, fruto da constante proximidade das pessoas, ao longo de tantos dias.

Na linha da frente!

5.680 instituições particulares de solidariedade social. 340 mil trabalhadores. 800 mil utentes. 300 mil idosos. É este o Sector Social Solidário em Portugal: cuidar dos outros todos os dias, 7 dias por semana, 24 horas por dia.

Um leão chamado Corona

Segundo um site de notícias fictícias, a Câmara Municipal de Vizela iria soltar trinta leões nas ruas para obrigar as pessoas a manterem-se dentro de casa. Disparate, dirão uns. Que bela ideia, pensarão outros. Mas a receita é velha como o rei Salomão.

O movimento descendente como vocação cristã

Diz-se no Credo cristão: “(…) foi crucificado, morto e sepultado; / desceu à mansão dos mortos; / ressuscitou ao terceiro dia (…).” Jesus Cristo desceu aos Infernos ou “mansão dos mortos”; em hebraico, no Antigo Testamento, sheol significa morte e inferno.

Morrer da cura

Luís não chegou ainda aos quarenta. É solteiro e vive só. Habitando com os pais a mesma cidade, decidiu decretar a sua independência comprando há uns anos um exíguo apartamento. Está agora confinado em casa. Não pode visitá-los, pois tem medo de contaminá-los ou de ser contaminado por eles. Afinal, a mãe ainda trabalha num centro de saúde. Corporalmente, Luís está bem, diz. Mas a “alma” já não está a cem por cento.

Como reencantar o mundo depois do coronavírus?

É muito curioso notar como a palavra “viral” já faz parte do nosso vocabulário quotidiano de hiperconectados há algum tempo. Sobretudo na adolescência, no mundo da música e do cinema, do instagram e do facebook, dos youtubers e dos influencers, mas também na política, no desporto e na economia, todos aspiram a criar algo que se torne “viral”, isto é, que contagie ou conquiste o sorriso, a carteira ou a admiração de todos.

O mal: um desafio à filosofia e à teologia ou a dimensão trágica da existência

A oração do Papa Francisco pela humanidade expressou a vários níveis a situação existencial que estamos a viver: era um ser humano só, de uma vulnerabilidade extrema e que, assumindo ambas, solidão e vulnerabilidade, procurava viver e partilhar com o conjunto dos humanos os recursos que a sua história de vida punha à sua disposição para poder viver o momento atual, com sentido e num horizonte de esperança no futuro.

Paixão de Cristo, confortai-me

Há pequenas capelas junto ao rio Douro e aos seus afluentes, próximas das aldeias, denominadas Senhor da Boa Viagem, representando Jesus crucificado. Memórias de tempos em que se cruzava o rio nas “barcas de passagem”, “com o credo na boca”, quer os barqueiros quer os passageiros.  

Deus em quarentena

Como deveria ser em todos os 40 dias antes da Páscoa. Somos nós que precisamos de pôr Deus em isolamento: das ideias trapalhonas, relações humanas trapalhonas quando não trapaceiras, e de uma data de coisas que mais atrapalham do que ajudam. Para uma cuidadosa revisão.

Aprender a vulnerabilidade: Viver em pleno vento

Há dias, aceitei a oferta de um querido sobrinho meu que me foi fazer compras no supermercado. Dir-se-á que isto não tem nada de especial, dado que sou uma respeitável septuagenária. No entanto não estou habituada, confesso, a que cuidem de mim.

Não fazias falta nenhuma (ténue é a memória do homem)

Muitas teorias se têm lançado acerca da utilidade ou, pelo menos, da pertinência do novo coronavírus. Muitos textos, dissertações, vídeos impressionantes se têm produzido a acompanhar os relatos idiossincráticos dos pensadores pela sua cabeça e dos pseudopensadores, plagiadores fanáticos do material alheio.

Um tempo duas vezes suspenso

O tempo que estamos a viver está como que duplamente suspenso. Quer devido ao presente confinamento, quer por se inscrever na época pascal. A dúvida é saber em que condições vamos sair disto.

Comunicar na era do coronavírus

Byung-Chul Han é um observador perspicaz da sociedade contemporânea, por ele designada de várias maneiras, como “a sociedade do cansaço” ou “a sociedade da transparência”. Professor universitário em Berlim, ele analisa criticamente aquilo que designa como “o inferno do igual”, ou seja, algo de inevitável naqueles que a todo o custo pretendem ser diferentes mas que, na realidade, se aproximam por esse desejo comum – aliás não conseguido – de originalidade.

Deus sem máscaras

Assisti à cerimónia da consagração ao coração de Jesus e ao coração de Maria, proposta pelos bispos de Portugal, Espanha e outros países. Um ponto de partida para reflectir sobre oração e rito.

A ilusão do super-homem

As últimas semanas em Portugal, e há já antes noutros cantos do mundo, um ser, apenas visível a microscópio, mudou por completo as nossas vidas. Na altura em que julgávamos ter atingido o auge da evolução e desenvolvimento técnico e científico, surge um vírus.

Esse Deus não é o meu!

Os fundamentalismos alimentam-se do medo, do drama e da desgraça. Muitos deles sobrevivem ainda do Antigo Testamento, a fase infantil da revelação divina na perspectiva cristã.

As circunstâncias fazem os grandes líderes. Cá estão elas.

Faço parte de uma geração que reclama grandes líderes. Não tenho muitas dúvidas que esta reclamação é de quem vive num certo conforto. Não tive um Churchill porque não passei por uma grande guerra. Não tive um Schuman porque não era vivo quando a Europa esteve em cacos. Não tive um Sá Carneiro, Freitas do Amaral ou Mário Soares porque não era vivo quando Portugal ainda só sonhava com uma Democracia plena e funcional.

Apesar de tudo, a liberdade

Sinto a doença à minha volta e à volta dos meus. E, nesta reclusão involuntária, lembro-me de Trujillo e de suas altas torres. Não de todas, mas de uma que, na sua delgada altivez, se assumiu como mirante.

Uma experiência de sinodalidade – a Igreja Católica no Terceiro Milénio

Há dias, chamou-me à atenção, no 7MARGENS, um artigo intitulado Um sínodo sobre a sinodalidade para dar eficácia à ideia de participação. Li o artigo com entusiasmo, sobretudo, porque revivi a minha experiência de paroquiana numa igreja da cidade de Lisboa. Foram tempos de Alegria e Graça, os anos de 2000 a 2019, sob a “batuta” do padre e cónego Carlos Paes.

“Jesus chorou”

Esta frase do capítulo 11 do Evangelho de São João (Jo.11,35), faz parte do episódio da ressurreição de Lázaro e remete para o momento em que Jesus se encontra com Maria, irmã de Lázaro.

Oração, cidadania e solidariedade contra a pandemia

Esta sexta-feira, às 17h (hora de Lisboa), o Papa volta a estar em oração a partir do adro da basílica de São Pedro, perante uma praça vazia, naquela que será seguramente uma das imagens mediáticas que registarão este período difícil da humanidade.

O Sétimo Selo 2.0

A pandemia de covid-19 parece ser a nova peste negra da Idade Média. Se antes a Igreja aterrorizava os fiéis com o inferno, agora correm o risco de despersonalização através do isolamento social.

Covid-19: por que meter Deus ao barulho?

As pessoas religiosas têm tipicamente dois tipos de atitudes perante a tragédia da covid-19. Em primeiro lugar, os mais fanáticos chegam a defender que é um castigo de Deus (a ministra da Defesa do Zimbabué disse-o há dias). O problema é que, nesse caso, estamos perante uma inconsistência ou contradição lógica básica. Pois, suponha-se para fins argumentativos que há Deus e que a covid-19 é um castigo de Deus.

Sabemos (con)viver com a (fr)agilidade?

Vivemos um tempo singular. Somos, mais do que nunca, chamados a fazer sobressair, em nós próprios, aquilo que nos faz verdadeiramente pessoas: o cuidado que devemos uns aos outros, como a atitude de quem olha para os outros como espelho de si mesmo, a visão do próximo como aquele que é genuinamente diferente, numa diferença que se completa e nos torna verdadeiramente semelhantes na alteridade, unidos no essencial: a nossa dignidade de seres humanos, ao mesmo tempo únicos e (inter)dependentes uns dos outros.

“Vemos, ouvimos e lemos…”

Num tempo de medo e de incerteza pela ameaça do novo coronavírus, importa não perder a cabeça fria. Com afirmou José Gil há dias, a lição que estamos a ter deve preparar-nos para o tema da salvaguarda do Planeta e da Humanidade. A exortação apostólica pós-sinodal do Papa Francisco é, assim, de leitura obrigatória.

A Guiné Bissau e o futuro incerto

Estava em Bissau dia 27 de fevereiro a participar numa missão da ONGD Afetos com Letras, quando Umaro Sissoco Embaló, tomou posse como Presidente da República, sem que houvesse decisão do Supremo Tribunal de Justiça a um recurso interposto por Domingos Simões Pereira, o outro candidato, por alegadas irregularidades eleitorais.

A vez do teletrabalho?

Há males que vêm por bem. Talvez esta seja uma grande oportunidade para encarar a sério a questão do teletrabalho, nas profissões e funções que o permitam. E depois há imensas vantagens para todos mas, entre outras medidas, isso passa por baixar significativamente os custos do acesso à internet para todos os cidadãos.

Em tempo de Covid-19

Hesitei no título que haveria de dar a este artigo; pensei na alternativa: “Afinal quem é o homem do século XXI?” Poderia dizer: esse deslumbrado, contaminado pela pressa, controlador de tudo em nome da sua total autonomia, da liberdade que quer levar ao extremo, da autodestruição omnipotente, do ridículo sabor de querer ser Deus.

Uma questão de justiça

A Universidade de Georgetown, de Washington, realizou um estudo que pretende contabilizar a ação da Igreja Católica no âmbito da promoção social (saúde, educação, combate à pobreza, etc.) no mundo inteiro.

A experiência da vulnerabilidade

A situação que presentemente vivemos com o Covid-19 preocupa-nos, angustia-nos e faz-nos pensar na fragilidade das nossas vidas, levando-nos a viver na carne a experiência da vulnerabilidade. Aproveito a quarentena que nos foi imposta para reler algumas obras alusivas a situações catastróficas, nomeadamente aquelas que põem à vista o melhor e o pior da humanidade. Entre elas lembro, como particularmente significativo, o romance de Albert Camus, “A Peste”.

Religiões, vírus e responsabilidade de todos

Passou pouco mais de um mês sobre uma tertúlia em que se falou de media e religião, comunidade e fé, no arranque de um novo ano civil. Ouvíamos já os primeiros relatos de um novo vírus e as implicações da sua propagação na longínqua China.

Encanto e tristeza

Escrevo com vontade de pintar. É dessa possibilidade que construo esta crónica. Há dias recebi em nossa casa uma amiga que não via há algum tempo. Encontrámo-nos primeiro no meu ateliê de pintura…

Coronavírus? E os gafanhotos, pá?

Anda tudo concentrado nesta pandemia do coronavírus que pouca atenção se presta à praga de gafanhotos que começou na África Oriental e se propagou à China, ameaçando com uma crise alimentar sem precedentes.

A espiritualidade terá escapado à pastoral?

“A espiritualidade terá escapado à pastoral?” é a pergunta forte da teóloga canadiana Pierrette Daviau. Talvez seja verdade que a ação pastoral da Igreja que marcou o pós-Concílio em Portugal olhou com suspeita – e até com alguma rudeza – para âmbitos mais litúrgicos e espirituais.

O reconhecimento de um Justo

Passou recentemente nos cinemas o filme de Terrence Malick A Hidden Life (em português, Uma vida escondida). A tradução de hidden por “escondida” é simplista, pois a vida do personagem central do filme não é a de um homem que se esconde mas, sim, de alguém que paulatinamente vai percebendo a perversidade dos ideais nazis e a incompatibilidade dos mesmos com a fé cristã.

Lembrar as mulheres refugiadas

neste dia quero sobretudo lembrar (e perdoem-me todas as outras, nomeadamente as que são vítimas) as que não têm voz, aquelas que não engrossam as manifestações de rua ou o espaço da comunicação, mas que calam a revolta e sofrem em silêncio a razão da sua luta. Elas fazem parte dos mais de 70 milhões de pessoas forçadas a deixar as suas casas por motivos de guerra, perseguição, violência e violação aos direitos humanos.

O exemplo da “Brotéria”

Em 1965, quando a revista Brotéria passou a assumir-se como uma revista de cultura, inspirada na “grande abertura conciliar”, o padre Manuel Antunes, S.J. afirmou: “Procurando sentir e fazer sentir que somos de uma pátria e que ao seu sentido estamos ligados, a Brotéria não ignorará que o facto cultural, constituindo um sistema de valores suscetíveis de difundir-se, transcende as condições de espaço e duração.

Ainda de volta à eutanásia

Foi com alívio que vi serem aprovados, por maioria de votos, os cinco projectos-lei para despenalização da eutanásia, apresentados por cinco dos partidos com assento parlamentar. Do seu debate na Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias, resultará um só diploma a votar no Parlamento. Aí se decide se terá ainda lugar, ou não, um referendo (espero que não).

Terrapatetismo

Os terraplanistas estão ao nível dos amantes dos extraterrestres. As pessoas têm direito às suas alucinações mas, por favor, sejam higiénicos, tirem a Bíblia e a religião do assunto.

A Justiça como bem-aventurança

Os nossos encontros diários ou a leitura de notícias são boas ocasiões para trazer situações que nos levam a questionar como vão a nossa consciência e sentido de compromisso. Poderíamos apelidar o binómio: consciência e compromisso, de sentido de justiça. A Teologia da Libertação procurou reafirmar a centralidade da justiça na denominada “opção preferencial pelos pobres”.

Bem-viver e bem-morrer

Ouvi há dias, na Antena 1, os meus amigos e afilhados de casamento, o Rogério e a Ana, sobre a doença com que ele se debate, a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). Além de meu camarada de armas – estivemos os dois em Angola, na guerra –, o Rogério Santos, escritor e professor universitário da Católica, é um investigador inveterado da rádio, continuando a produzir livros e a manter brilhantemente no Facebook uma aturada história da rádio em Portugal, apesar da ELA.

A Baixa Pombalina vai ser dos turistas

Tem sido notícia que a Baixa Pombalina, em Lisboa, vai ficar quase sem carros, a não ser os dos residentes e pouco mais. Na verdade, ninguém contesta que o planeta tem de ser preservado, mas não com medidas pseudo-populistas ou apenas na moda, balofas e impensadas para a dimensão que têm.

Os cristãos a fazer “apagão” ao racismo e à discriminação

Em 2015, a catedral de Colónia, uma das catedrais mais representativas e proeminentes na Europa, tomou uma decisão para assinalar a sua recusa da intolerância extrema simbolizada, à época, pelo movimento Pegida (Plataforma contra a islamização da Europa), que daria origem à AfD, o partido de extrema-direita em ascensão na Alemanha. A decisão foi simples: apagar as luzes que, durante a noite, iluminavam esplendorosamente a catedral. A diocese católica de Colónia aderia, assim, ao movimento cujo mote era: “Sem luz para o racismo”.

Olhar a mulher com Alfredo Cunha

O Tempo das Mulheres, em exposição no Museu de Lisboa (Torreão Poente da Praça do Comércio) até 29 de março, oferece um conjunto de fotografias de mulheres com o comentário de Maria Antónia Palla. A objetiva de Alfredo Cunha percorreu diversas regiões do globo, diferentes épocas e vivências culturais. A exposição divide-se em quatro tempos: infância, juventude, idade adulta, e terceira idade; numa alusão aos tempos que percorrem a vida e se constituem como marcos da sua evolução.

Da eutanásia às Cinzas

Viveremos (os cristãos), nesta quarta-feira, a imposição das Cinzas, lindíssima celebração pela qual muitos cristãos (incluindo eu) têm verdadeira devoção, sejam quais forem as interpretações, significados pessoais (ou teológicos) desse gesto: para mim, é sagrado. Passada a Quarta-Feira de Cinzas iniciaremos a caminhada quaresmal.

Liberdade, igualdade, paternidade

Liberté, égalité, paternité – foi um slogan usado em manifestações contrárias à legislação em discussão no Parlamento francês, que vem permitir o acesso à procriação artificial fora do quadro de um casal composto por um homem e uma mulher e com propósito intencional de privar a criança a nascer da figura paterna.

Uma pedagogia ao serviço da paz e da não-violência

Suscitar nos jovens uma atitude de inconformismo, uma ação enérgica e um compromisso vital em prol da justiça, da paz e dos direitos humanos é não só um desafio fundamental, mas urgente. A paz há-de dar frutos se encetarmos uma verdadeira pedagogia da não-violência. Uma não-violência que, mais do que nunca, deverá derrubar os discursos do ódio, do racismo e da intolerância.

Hanau: isto não foi o Capuchinho Vermelho

De vez em quando, a morte passa-nos por perto. Hanau fica a trinta quilómetros de onde moro e é conhecida por ser a cidade natal dos irmãos Grimm, aqueles que compilaram contos populares alemães como o Capuchinho Vermelho ou a Branca de Neve. Muitos deles são histórias terríveis que eram contadas às crianças para ganharem a noção da maldade humana e não serem enganadas facilmente.

A lição de Merkel

As eleições de Outubro de 2019 na Turíngia, estado da antiga República Democrática Alemã, ditaram um resultado que se vislumbraria difícil de solucionar. A esquerda do Die Linke ganhou as eleições, seguida da direita radical da Alternativa para a Alemanha (AfD) e da União Democrata Cristã (CDU), de Angela Merkel. O Partido Social-Democrata (SPD), não foi além dos 8,2% e os Verdes e os Liberais (FDP) ficaram na casa dos 5%.

Maria e Marta – como compreender dois nomes num congresso mundial

Foi nesse congresso que, pela primeira vez, tive a explicação relativa a dois nomes, Maria e Marta, cujo significado fiquei de procurar, desde 1983, ano no qual nasceram as minhas primas Maria e Marta. O facto é que, quando elas nasceram, o meu avô materno, impôs que fossem chamadas por esses nomes. Despertou-me curiosidade a insistência, uma vez que já as chamávamos por outros nomes.

Sempre mais sós (Debate Eutanásia)

Reli várias vezes o artigo de opinião de Nuno Caiado publicado no 7MARGENS. Aprendi alguns aspetos novos das questões que a descriminalização da eutanásia ativa envolve. Mas essa aprendizagem não me fez mudar de opinião. Ao contrário do autor, não creio que a questão central da eutanásia agora em discussão seja a do sofrimento do doente em situação terminal. A questão central é a da nossa resposta ao seu pedido para que o ajudemos a morrer.

Opção pela morte?

Li recentemente, numa notícia na Ecclesia que “eutanásia e suicídio assistido não acabam com o sofrimento, acabam com uma vida”. Parece um slogan próprio de grandes marchas públicas. O autor (D. Nuno Almeida, bispo auxiliar de Braga) propõe que a Assembleia da República deve votar “não à eutanásia e suicídio assistido»”, porque se trata de uma “interrupção voluntária do amor e da vida”.

Eutanásia: Não podemos passar sem o referendo

Vemos, ouvimos e lemos o que se tem dito nestes dias sobre a eutanásia. Mas não vemos, não ouvimos, nem lemos argumentos sobre a essência da questão que está em cima da mesa. Trata-se, pura e simplesmente, de saber se devemos dar ao Estado a possibilidade de matar um cidadão alegadamente a pedido do próprio, em nome do seu próprio interesse individual.

O sofrimento como elemento axiomático da reflexão sobre a eutanásia

Após umas notas na página do 7MARGENS no Facebook, pedem-me para lhes dar forma de artigo a fim de poder ser publicado. Está bem. Por alguma razão, que não estará fora do entendimento de quem venha a ler estas linhas, lembrei-me de ir buscar à estante o disco Requiem for My Friend, do compositor contemporâneo Zbigniew Preisner. Há muito que penso que gostaria de o ter no meu funeral e, por maioria de razão, se algum dia eu for sujeito a eutanásia, no momento da passagem.

Eutanásia ativa: não, não creio!…

É possível e desejável auscultar os eleitores através de referendo sobre se consideram, ou não, que o tema deva ser objeto de legislação por parte da Assembleia da República durante esta legislatura. Assim se garantirá ao Parlamento a total legitimidade de que...

Eutanásia: Para que os que não vêem, vejam…

Foi elucidativo e frutuoso o diálogo entre a deputada Isabel Moreira, constitucionalista, e o padre José Nuno, porta-voz do Grupo Inter-Religioso Religiões-Saúde, levado a cabo pela TVI24, quinta-feira, 13 de Fevereiro, no Jornal das 8 (aqui um pequeno excerto; até às 20h do próximo dia 20 ainda é possível, para quem tem operador de televisão digital, ver o debate na íntegra).

Eutanásia, hora do debate

Seja qual for a posição de cada um, a reflexão e o debate sobre a eutanásia é uma exigência de cidadania e não uma discussão entre alguns, em círculo fechado, mesmo se democraticamente nos representam. Quando está em jogo o tipo de sociedade que desejo para os meus netos, não quero que outros decidam sem saberem o que penso.

“Qual é o mal de matar?”

A interrogação que coloquei como título deste texto foi usada por Peter Singer que a ela subordinou o capítulo V do seu livro Ética Prática. Para este filósofo australiano, a sacralidade da vida humana é entendida como uma forma de “especismo”, uma designação que ele aplica a todas as teorias que sustentam a superioridade da espécie humana.

Auschwitz, 75 anos: uma visão do inferno

O campo da morte de Auschwitz foi libertado há 75 anos. Alguns sobreviventes do Holocausto ainda nos puderam narrar o que lá sofreram, antes de serem libertados pelos militares soviéticos, em 27 de janeiro de 1945. Tratou-se de um indescritível inferno, um lugar onde toda a esperança morria ao nele se entrar. Onde cada uma das vítimas foi reduzida a um número, tatuado no braço. Dizia-se então, quando se entrava através de um portão com a frase “o trabalho liberta”, que de lá só se podia sair através do fumo de uma chaminé.

Eutanásia e liberdade individual

Muitas das reflexões sobre a legalização da eutanásia terminam defendendo a importância de se estender o acesso a cuidados paliativos. Notícias dos últimos dias davam conta de que 70% dos portugueses não têm acesso a este tipo de cuidados. Ora, eu começo por aí, defendendo o mesmo.

As entrevistas de Anselmo Borges, uma motivação para a reflexão

Conheci o padre Anselmo Borges através das suas crónicas, nos anos 1980. Lia as crónicas no jornal que estava sempre em cima de uma mesa na sala dos professores de uma escola secundária – na minha fase agnóstica – e achava-as surpreendentes. Com a lide profissional, doméstica e leituras, cinema, yoga, meditação, esquecia-o. Mas na semana seguinte, lá estava a ler a crónica de novo.

Mário Murteira, sócio-economista cristão: laicalidade na laicidade

Mário Murteira, falecido há poucos anos, era doutorado pelo hoje designado Instituto Superior de Economia e Gestão, e professor catedrático do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa; distinguiu-se como notável economista na segunda metade do século passado. Muito próximo do padre Manuel Antunes e integrado na corrente dos «católicos progressistas», que nunca exibiu, foi um verdadeiro economista social, no sentido mais amplo e exigente, com boa fundamentação filosófica e humanista.

O prisioneiro de consciência mais breve da história

A história que partilho de seguida é sobejamente conhecida. Tem cerca de dois mil anos, mas reflete uma atualidade bastante grande, pois tudo funciona, hoje, praticamente da mesma forma que na altura. É a história do prisioneiro de consciência mais breve da história.

Viver na Cidade

Há muita gente a viver na cidade mas, no entanto, poucos se dão ao trabalho de a escutar. O que implica não só que conheçamos a sua topografia, mas também que estejamos atentos à multiplicidade de gentes que a habitam e à diversidade de modos como o fazem. Porque a cidade é uma grande casa, que simultaneamente se nos apresenta como um lugar de convivência, de conflito e de solidão. É nas cidades que se traçam fronteiras entre pessoas…

Nossa Senhora da Boa-Morte

Descobri que “boa-morte” é a tradução literal e exacta de “eu-tanásia”. E mais: existe uma Santa Atanásia (=imortal) mas não conheço nenhuma Santa Eutanásia e muito menos Santa Tanásia (ou Santa Morte, que pelos vistos já não será tão bom…).

A História não é para mulheres

Há cem anos, uma jovem mulher sueca desembarcou em Belém do Pará, onde ajudou a construir a maior igreja pentecostal do país. Depois foi perseguida, internada num hospício e apagada da História.

Ecumenismo: Todos queremos o mesmo e todos somos importantes

Entre 18 a 25 de Janeiro de cada ano celebra-se a Semana pela Unidade dos Cristãos. Tenho o privilégio de viver naquela que muitos chamam a cidade do ecumenismo em Portugal – o Porto. Neste ano, na zona do Grande Porto houve orações quase todos os dias: todas aquelas em que participei foram co-presididas; alguém de uma Igreja fazia a leitura, de outra a oração dos fiéis, outra diferente da que recebe dirigia a homilia, etc. E em todas participaram fiéis e ministros de diferentes igrejas, com todo um calendário ecuménico apresentado para o resto do ano.

Quando o Papa pediu desculpa

1. A notícia reza assim. O Papa Francisco, de 83 anos, teve um encontro tenso com uma peregrina no último dia do ano de 2019, durante uma caminhada na Praça de São Pedro. A mulher, que não foi identificada, inesperadamente agarrou a sua mão e a puxou na sua direção, causando evidente alarme. Vê-se um Francisco claramente descontente, que se liberta dando umas palmadas no braço da mulher.

Transformar a economia social e solidária

As transformações profundas, às vezes silenciosas, com as quais as sociedades se confrontam – digitalização, automação, inteligência artificial, conceito de trabalho e relações laborais –, geram não só novos comportamentos, mas sobretudo novas formas de nos relacionarmos com o outro e com o mundo. À Economia Social (ES), não sendo imune a essa nova realidade, é-lhe também exigido que se transforme de modo a encontrar novas respostas sem que nessa procura e transformação perca a sua identidade.

Uma narrativa que nos constrói

Na Carta Apostólica Abriu-lhes o entendimento, o Papa Francisco institui uma nova celebração na liturgia: no terceiro Domingo do Tempo Comum, passa a celebrar-se o Domingo da Palavra de Deus. Apelando assim a que todos os fiéis criem o hábito de ler, refletir e rezar com a Bíblia, indo também ao encontro da prática de outras famílias cristãs como os ortodoxos ou protestantes, num ímpeto ecuménico que vem marcando o seu papado.

A grandeza do ínfimo

Há obras de arte que nos incomodam e nos comovem. Creio aliás que uma pintura, uma escultura, um poema, um romance, uma partitura ou outro meio expressivo encontrado pela espécie humana que não incomode e comova nunca passará de um artefacto, por maior que seja a perícia técnica do executante. É o caso de “Uma Vida Escondida”.

Essa coisa do pecado

O conceito de pecado no Cristianismo, à luz do senso comum, é quase sempre individual, e por isso extremamente redutor. Não há espaço para os pecados sociais ou contra a natureza.

Na casa dos meus avós: rituais e tabus que nos inculca(va)m valores

Começo este ano com um assunto muito pessoal. E lembrando a obra Na casa de meu pai: a Africa na filosofia da cultura, de Kwame Anthony Appiah, roubo-lhe o título. Essa obra aborda questões filosóficas, etnográficas, antropológicas, entre outras e será esse o foco do meu texto. Será também na base da sugestão que é lançada pelo autor, no capítulo 4, que tentarei deixar alguns traços da identidade africana vividos na primeira pessoa.

Bispo Jacques Gaillot: o que permanece

Faz por estes dias 25 anos que Jacques Gaillot, arcebispo de Évreux (n.1935), foi dispensado da sua diocese, por intervenção e denúncia de católicos conservadores, manifestantes contra as suas causas sociais, os seus testemunhos e defesas formais em tribunal pelas “periferias,” pelos cidadãos sem documentos, pelos mais frágeis na sociedade. Parténia foi a sua “virtual” diocese sem fronteiras, em sequência. Hoje vive em Paris, com os padres Sanatarianos.

Franz Jägestätter

Foi com imenso agrado que vi o filme de Terrence Malik Uma vida escondida, sobre a vida de Franz Jägestätter, um camponês austríaco (beatificado em 2007) que, por razões de consciência, recusou prestar fidelidade a Adolf Hitler (em quem via incarnada a subversão completa dos valores cristãos) e assim servir o exército nacional-socialista, recusa que lhe custou a vida.

Taizé: continuar o caminho deste novo ano

Estive presente em mais uma etapa da peregrinação da confiança – o encontro europeu anual promovido pela comunidade de Taizé. A cidade que acolheu este encontro foi Breslávia (Wrocław), na Polónia, e nele estiveram presentes mais de 15 mil jovens de todo o mundo.

Arte e Esperança

Tenho tido a sorte de acompanhar, desde 2016, a apresentação dos Projetos Partis (Práticas Artísticas para a Inclusão Social) na Gulbenkian e em todos respiramos com emoção a frescura da criação artística onde os protagonistas são pessoas normalmente esquecidas por nós.

Os dois papas. E o povo, pá?

Esta estranha convergência entre os defensores da ortodoxia e os que a abjuram dá que pensar. Ambos desvalorizam Francisco, uns em nome dos dogmas e os outros em nome da crítica aos ditos.

Não façam do racismo um mantra

Tal como o feminismo ou os direitos de qualquer minoria, o combate ao racismo pode ficar a perder quando se torna uma espécie de prática religiosa sectária, sem discernimento nem bom senso.

Celebrando os 90 anos de Maria de Lourdes Pintasilgo

No passado dia 18, se Maria de Lourdes Pintasilgo (MLP) fosse viva, celebraria os seus 90 anos. Nesse dia, na sede da Fundação Cuidar o Futuro, na Praia Grande, esteve reunido, ao redor da lareira, um grupo de amigos e amigas relembrando as múltiplas facetas da vida de Maria de Lourdes.

A violência doméstica

No início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, e em boa hora, a Comissão Ecuménica do Porto decidiu invocar que a violência doméstica não entre “nas nossas casas e todos vivam em paz”, por um amor livre e comprometido, gratuito e que sabe receber, intenso e equilibrado, apaixonado e consciente, mais entregue do que pedido, mais doado do que um direito.

Ditadura da esperteza ou psicopatia

Vivemos na era do destemor e do medo; da aceleração e da lentidão; das raivas e das guerras, mas também do desejo de paz; da ambição de conhecimento e da real ignorância sem qualquer sabedoria.

Beleza e ecumenismo

A junção de beleza e ecumenismo evoca a luxuriante diversidade num jardim. A beleza tem afinidades com a surpresa: é a vitória sobre o banal, o monótono.

Cultura: novas histórias e paradigmas…

“Torna-se necessária uma evangelização que ilumine os novos modos de se relacionar com Deus, com os outros e com o ambiente, e que suscite os valores fundamentais” – afirma a exortação pastoral Evangelii Gaudium. Na mesma linha em que o Papa João XXIII apelava ao reconhecimento da importância dos “sinais dos tempos”, o Papa Francisco afirmou que: “É necessário chegar aonde são concebidas as novas histórias e paradigmas, alcançar com a Palavra de Jesus os núcleos mais profundos da alma das cidades.

Um imperativo de coerência

Ao renunciar, num ato de humildade e, seguramente, após longa reflexão, Joseph Ratzinger declarou não se encontrar em condições físicas compatíveis com o exercício das funções de Papa. Após a renúncia, o colégio dos cardeais eleitores escolheu Jorge Mario Bergoglio, o atual Papa Francisco, alguém que tem procurado atender as necessidades da Igreja, ouvir os fiéis e responder às suas inquietações. Revelou-se uma feliz surpresa para a Igreja, apesar dos movimentos de contestação que surgem em várias frentes.

Esquecer Simulambuco

Como português que sou senti-me um pouco comprometido em Simulambuco, quando visitei Cabinda no mês passado. Portugal falhou aos cabindas talvez porque o que tem de ser tem muita força. É o caso do petróleo.

Confessional

Que há passos e despassos, acertos e desacertos, conluios e cisões na Igreja-instituição-Vaticano, todos e todas vamos sabendo, mais os que frequentam as missas em conversas de bastidores e mais ainda os leitores de jornais e os que assistem a noticiários no mundo inteiro. Não é esse aqui o ponto.

A Guiné-Bissau merece uma oportunidade

O resultado destas eleições presidenciais, cujos dados foram divulgados no dia 1 de janeiro, com a vitória de Sissoco Embaló, levantam desafios que passam por um lado, pela rápida decisão sobre o recurso ao Supremo Tribunal de Justiça por alegadas irregularidades, instaurado pela candidatura de Domingos Simões Pereira, e pela divulgação do resultado final e oficial das eleições de 29 de dezembro.

Cidadania e Moral – viagem educativa rumo à construção da cidade

Uma das maiores conquistas que podemos alcançar em termos pedagógicos diz respeito à construção de pontes entre disciplinas e áreas do saber. Pontes e não muros. Porque pedagogia é “caminhar ao lado do outro”. Construir pontes que permitam encetar o diálogo e compreender a complementaridade na diversidade de aprendizagens sobre o humano. A busca de sentido para essa diversidade de aprendizagens transparece nas interrogações e interpelações iniciais dos discentes: “Os que vamos aprender? para que serve o que vamos aprender?”. Esta busca levará, cada um, ao encontro da bússola que há-de guiar e conduzir à construção da feli(z)cidade.

Onde estás, comunidade cristã?

Talvez não devesse contar esta história. Mas aceito as palavras de Jesus, que se me calar até as pedras falarão. E de facto de uma experiência sem importância, tocamos no fundamental da Igreja, o ser Comunidade.

Trump e os evangélicos

A prestigiada revista americana fundada por Billy Graham em 1956 defendeu, a 19 de Dezembro passado, a destituição de Donald Trump, uma atitude inédita que está a provocar algum desconforto nos meios evangélicos.

A difícil arte de amar

É inegável que cada um de nós sente carência de ser amado de forma inteira e incondicional. Ninguém sobrevive à aterradora sensação de não ter quem o espere quando regressa a casa, console as lágrimas mais sentidas e rejubile consigo nas maiores vitórias.

Educação 2018: progredimos muito, alguns desafios persistem

Foi recentemente publicado o “Estado da Educação” relativo a 2018, documento que o Conselho Nacional de Educação (CNE) edita todos os anos e em que propõe uma leitura atualizada da evolução de um conjunto de indicadores de análise da educação em Portugal. Destaco aqui seis aspetos.

O negócio da canábis

É de esperar que venham a ser de novo discutidos na legislatura que agora se iniciou projetos de legalização do cultivo, posse e venda de canábis para uso pessoal (dito “recreativo”). Suspeita-se até que algumas plantações em larga escala já autorizadas no nosso país não tenham em vista apenas a venda para fins medicinais (hoje já legalizada), mas a venda para fins recreativos.

Quanto tempo dura um crime?

No passado mês de Dezembro a Helena Araújo publicou no 7MARGENS um texto intitulado “O terror nazi: Todos devem saber tudo”. Nele se debruçava sobre a necessidade de divulgar alguns dos crimes mais horrendos cometidos por humanos. E digo humanos e não humanidade para enfatizar que aqueles que os perpetraram não são abstracções, são homens habitantes de um país, possuidores de um nome, ligados a uma história de vida. Reiterando este seu desiderato, reforço-o com outra exigência – a de não esquecer.

Elogio de um submarino

António Fournier (1966 – 2019), nascido numa ilha, foi um desses instrumentos pontifícios que ainda nos fazem crer na humanidade, com esperança contra toda a esperança. Conheci-o, quase por acaso, numa rua da Baixa de Lisboa e logo me apercebi disso. Professor da Universidade de Turim, aproveitou essa condição de emigrante para se transformar num veículo de comunicação entre a cultura portuguesa e a cultura italiana, entre as suas literaturas.

O labirinto do tempo

Há uma tendência geral para considerar a viragem para um novo ano como uma espécie de dobradiça da história. Por isso se formulam tantas intenções no início de cada unidade de tempo a que chamamos ano, mas que, regra geral, não resistem mais do que duas ou três semanas, no regresso às rotinas do costume.

Pequeno exercício de memória ou liberdade de expressão

Ainda tão próximo o dia de domingo passado, em celebração da Sagrada Família, encontro a carta de 16 de Dezembro de 2014, escrita pelo Movimento Nós Somos Igreja a D. Manuel Clemente, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, que tinha convocado para 2015 um Sínodo Diocesano, na mesma altura em que também em Roma se vivia o período entre as duas sessões do Sínodo dos Bispos sobre a família. Em tempo de preparação para o Sínodo, o NSI exprimia-se a manifestar apoio, proximidade, envolvimento com os nossos bispos, no exercício dos seus ministérios.

Na Beira, após o ciclone Idai: um Natal incompleto e de superação

O dia do Natal é marcado por muita alegria, partilha, confraternização e união. Este ano, não é assim para muitas pessoas: muitos dos nossos irmãos que foram vítimas do devastador ciclone Idai, em Moçambique, este Natal fica marcado por sentimentos de dor, consternação e saudades de todos e de tudo o que perdemos durante a intempérie.

Crescer como construtores de paz

Tenho 18 anos e participei no primeiro congresso internacional de formação para jovens líderes embaixadores de paz que decorreu em Madrid, de 13 a 15 de Dezembro, promovido pela rede Living Peace.

Injustiça social: “ukati, ovaxini vangahona vasati?”*

Marleen faz referência a uma injustiça social. Ao facto de se colocar “por cima dos ombros da mulher” a responsabilidade pelo casamento e pela família. Devo referir que, tradicionalmente, no Sul de Moçambique, o casamento de um homem e de uma mulher, na maior parte das vezes, é um compromisso entre as famílias dos dois. O que Marleen refere na música é que a família de uma determinada esposa se sente orgulhosa, pelo facto de a filha se ter casado.

Natal sem tempo

Sempre que quero explicar aos meus alunos o que é o Natal, socorro-me da língua inglesa. Não sendo eu professor de tal idioma, os miúdos estranham, mas depois lá vão entendendo as veredas tortuosas por onde me proponho levá-los. Normalmente, ao fim de alguns minutos, abrem os olhos ou a boca e começam a entender.

Há qualquer coisa no Natal

Mesmo abstraindo-nos das trocas de presentes, das reuniões de família na Consoada, e de mais algum folclore natalício, a verdade é que a quadra desperta um conjunto de sentimentos positivos nas pessoas em geral e sobretudo nas crianças.

Julia Kristeva e os 10 princípios do Novo Humanismo

No passado mês de Novembro pude pela primeira vez abraçar Julia Kristeva quando do reconhecimento com o grau de doutora honoris causa pela Universidade Católica Portuguesa. Queria conhecer ao vivo esta mulher que tanto me tem inspirado ao longo dos anos. Agradecendo-lhe a referência que são para mim os Dez Princípios do Novo Humanismo, Kristeva invetivou-me: “Il faut continuer!” (Precisamos de continuar!)

A tradição do Madeiro nas Beiras

  Com o aproximar da festa do Natal, uma grande parte das populações das aldeias e vilas da raia, de Trás-os-Montes às Beiras, envolve-se numa milenar festa comunitária, tendo como centro uma fogueira, colocada às portas das igrejas, para ser acesa antes da Missa...

A revelação de um apaixonado

No nosso íntimo, imaginávamos um deus omnipotente. A proximidade divina com a nossa matéria-prima, a desmedida do Seu amor tira-nos o chão. Queríamos um justiceiro e Deus troca-nos as voltas revelando-Se um apaixonado.

Beckett e o Advento

O que é que o dramaturgo Samuel Beckett tem que ver com o Advento? Talvez nada. Ou talvez tudo. Depende de quem ou do que estamos à espera.

Ditosa sejas, Senhora do Ó!

Tal como acontece com outros passos dos Evangelhos, as narrações da Infância de Jesus em Mateus e Lucas apresentam leituras diversificadas. Os nascimentos excepcionais são alegorias que pretendem explicar o mistério que envolve o nascimento de alguém que supera o padrão humano.

Porque quererá alguém estudar teologia?

O livro que estamos aqui a apresentar comemora os 50 anos de uma Faculdade de Teologia, e da única que existe em Portugal. Quando li o livro achei que era uma óptima oportunidade para tornar explícitas várias perguntas. São perguntas que me parecem importantes, nomeadamente: para que serve estudar teologia? E, o que é exactamente estudar teologia? Não é preciso ser-se professor de teologia para achar estas perguntas difíceis, e aproveitar e agradecer a oportunidade de lhes tentar responder em público.

O terror nazi: “Todos devem saber tudo”

Uma notícia que li esta semana no Der Spiegel descreve cenas de puro horror. Mas o mundo não pode esquecer o que aconteceu há 75 anos num dos países mais evoluídos do mundo. Temos de saber, temos de estar bem conscientes daquilo de que podemos ser capazes quando atribuímos a pessoas de certos grupos categorias que lhes sonegam a dignidade dos humanos.

Teocracia? Não, obrigado!

Ainda estamos a tempo de aprender que nenhuma teocracia é melhor do que a outra. Não importa se é islâmica, judaica, cristã ou outra qualquer. Definitivamente, não.

Taizé e os jovens: uma experiência que marca

Ao longo dos anos em que tenho participado nos encontros de Taizé, no âmbito da minha docência na disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, acompanhando e partilhando esta experiência com algumas centenas de alunos, tenho-me interrogado acerca do que significa aquilo a que chamamos “espiritualidade de Taizé” – que, no meu entender, é o que leva, ano após ano, milhares de jovens, a maioria repetidas vezes, à colina da pequena aldeia da Borgonha (França).

A escultura que incomoda a Praça de São Pedro

Foi na Praça de São Pedro, dentro desses braços que abraçam o mundo inteiro, que o Papa Francisco quis colocar um conjunto escultórico dedicado aos refugiados, o “anjo inconsciente”. De bronze e argila, representa uma embarcação com algumas dezenas de refugiados, tendo à frente uma mulher grávida ao lado de uma criança, de um judeu ortodoxo e de uma mulher muçulmana com o seu niqab.

Tem graça: ainda vou à missa!

Tem graça: ainda vou à missa! É o que fico a pensar, depois de ouvir certas conversas… Por isso, apreciei muito a sugestão do Conselho Diocesano de Pastoral, de Aveiro: «escutar as pessoas sem medo do que disserem». Mas… E se as pessoas têm medo de dizer o que lhes vai na alma? E não seria igualmente importante perguntar «Por que é que vai à missa»?

O elogio da frugalidade – por um Natal não consumista

O livro do sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard, Le Système des Objets[1], é uma reflexão sobre a sucessão de objectos de vária ordem, que se produzem a um ritmo acelerado nas civilizações urbanas. Interessa-lhe sobretudo o tipo de relação que os consumidores estabelecem com essa avalanche de gadgets, de aparelhos e de produtos de várias espécies. Ao relê-lo para efeitos de um trabalho académico, encontrei algumas páginas que me levaram a pensar nesta fase de consumismo desenfreado que, quer queiramos ou não, nos acompanha na época do Natal.

Aprender a dizer amor

Jorge Jesus, treinador do Flamengo, o mais falado clube nos últimos dias, afirmou: “No Brasil aprendi a dizer amor… Em Portugal é uma complicação para dizer amor. Quero desfrutar desse amor”. Sim, mas porque será tão difícil aos portugueses dizê-lo?

A fraternidade na Igreja Católica

Não faz muito ou até mesmo nenhum sentido uma Igreja Católica densamente hierarquizada como ainda hoje a Igreja se apresenta. Muito pouca gente acredita nisso. O mundo despojou-se e os formalismos felizmente perderam terreno.

Jornalixo

Chamemos-lhe jornalismo “criativo”, em vez de fake news ou jornalismo de fabricação, tabloide ou mesmo de sofreguidão. Independentemente da nomeação, é coisa que não nos interessa. De todo.

Católicos na Praça Central

Praça Central é, segundo a CNAL, um grande espaço de reflexão sobre questões do Cristianismo, Sociedade e Cultura de e para os leigos na Igreja Católica. Estive presente na recente Praça Central que se realizou em Santarém no passado dia 23 de Novembro.

Chamas, fuligem, humanidade

Fito as imagens das igrejas queimadas no Chile e recordo. Trago de novo ao coração lembranças dolorosas: a iconoclastia que irrompeu em tantos momentos do devir humano; o saque de igrejas em demasiadas épocas da História, levado a cabo até por “paladinos” da cristandade que de cristãos pouco tinham…

O Carter que dá cartas

Jimmy Carter foi Presidente dos Estados Unidos entre 1977 e 1981 mas é um caso à parte na política americana. Cristão convicto e comprometido, nunca utilizou a fé para fazer política, ao contrário do que é corrente nos Estados Unidos, onde a Modernidade chegou pela mão da religião, ao contrário da Europa, que escolheu a via do secularismo.

Multiculturalidade e condição feminina: algumas questões

Admitimos sem problema que as sociedades são regidas por diferentes valores e que há maneiras próprias de viver num mesmo espaço. O que nem sempre é pacífico, pois há certos direitos que embora se imponham como legítimos quando tomados cada um por si, poderão entrar em colisão quando se trata de convivência intercultural. Exemplificamos com a reivindicação dos direitos das mulheres, que frequentemente se torna um factor de antagonismo e de dissidência.

As cartas de D. António Barroso…

“António Barroso e o Vaticano”, de Carlos A. Moreira de Azevedo (Edições Alethêia, 2019), revela 400 cartas inéditas, onde encontramos um retrato de corpo inteiro de uma das mais notáveis figuras da nossa história religiosa, que catalisa a rica densidade da sua época.

A morte não se pensa

Em recente investigação desenvolvida por cientistas israelitas descobriu-se que o cérebro humano evita pensar na morte devido a um mecanismo de defesa que se desconhecia.

O regresso da eutanásia: humanidade e legalidade

As Perguntas e Respostas sobre a Eutanásia, da Conferência Episcopal Portuguesa, foram resumidas num folheto sem data, distribuído há vários meses. Uma iniciativa muito positiva. Dele fiz cuidadosa leitura, cujas anotações aqui são desenvolvidas. O grande motivo da minha reflexão é verificar como é difícil, nomeadamente ao clero católico, ser fiel ao rigor “filosófico” da linguagem, mas fugindo ao «estilo eclesiástico» para saber explorar “linguagem franca”. Sobretudo quando o tema é conflituoso…

Manuela Silva e Sophia

Há coincidências de datas cuja ocorrência nos perturbam e nos sacodem o dia-a-dia do nosso viver. Foram assim os passados dias 6 e 7 do corrente mês de Novembro. A 6 celebrou-se o centenário do nascimento de Sophia e a 7 completava-se um mês sobre a partida para Deus da Manuela Silva.

O barulho não faz bem

Nos últimos tempos, por razões diversas, algumas conversas têm-se dirigido maioritariamente para o facto de se habitar na cidade, suas comodidades e seus incómodos.

“Unicamente o vento…”

Teimosamente. A obra de Sophia ecoa. Como o vento. Como o mar. Porque “o poeta escreve para salvar a vida”. Aquela que foi. Que é. A vida num ápice. Luminosa e frágil. Do nascente ao ocaso. Para lá do poente. Celeste. Na “respiração das coisas”. No imprevisível ou na impermanência. A saborear o que tem. A usufruir do que teve. Na dor e na alegria.

“Cristianocídio”

Quando falamos de liberdade religiosa no mundo temos que falar, antes de mais, em perseguição, e sobretudo sublinhar que os cristãos são os mais perseguidos de todos. Sem qualquer dúvida.

A Guiné-Bissau e o futuro

Há uma nova crise política na Guiné-Bissau. O país volta a estar em suspenso depois de um complexo processo que culminou com as eleições legislativas em março deste ano, permitindo o normal funcionamento da Assembleia Popular e a tomada de posse de um Governo legítimo que viu aprovado no Parlamento o seu programa.

Voltámos ao tempo da outra senhora?

Lê-se e não se acredita. Uma educadora de infância numa escola pública da Madeira viu a directora prejudicar-lhe a avaliação anual por se ter recusado a ir receber um bispo à igreja. Será que o tempo voltou para trás?

Conta Satélite da Economia Social: avaliar o peso do setor social no país

O Instituto Nacional de Estatísitica (INE) divulgou no Verão os resultados da terceira edição da Conta Satélite da Economia Social, relativa ao ano de 2016. A disponibilização de informação estatística atualizada destina-se a permitir efetuar uma avaliação da dimensão económica e das principais caraterísticas da Economia Social no nosso país.

O sentido dos ritos

Era uma igreja bonita e simples, como são as pequenas igrejas rurais. Um adro pequeno, algumas árvores e casas em volta. Os bancos estavam demasiado próximos, indicando a tentativa de aproveitar bem o espaço – afinal, estamos no Minho e o mês de julho é, tradicionalmente, de casamentos. Na sua maioria, ainda são na igreja, o noivo esperando nervoso à porta, a noiva de branco conduzida ao altar pelo pai.

Presença luminosa…

“Pensar o futuro contempla uma dupla preocupação: promover o entendimento em torno dos objetivos a alcançar num horizonte temporal alargado e contribuir para a construção de uma visão prospetiva, no que se refere à identificação de potencialidades e riscos decorrentes de mudanças demográficas, tecnológicas, económico-financeiras e outras”. A complexidade estava no seu horizonte, na linha dos ensinamentos de Edgar Morin, mas nessa preocupação estava fundamentalmente a consideração dos problemas concretos das pessoas. Manuela Silva (1932-2019) deu-se inteiramente às causas dos outros, na defesa intransigente da dignidade da pessoa humana.

Julia Kristeva, pensamento abrangente, uma inspiração

Em boa hora teve a Universidade Católica Portuguesa a iniciativa de, na cerimónia de abertura do ano académico do passado dia 10 de outubro, atribuir o doutoramento honoris causa à professora Julia Kristeva, por proposta da Faculdade de Ciências Humanas. Tive o privilégio de estar presente neste merecido doutoramento de uma mulher cujo pensamento abrangente e comprometido tem sido uma inspiração para mim.

A importância de uma estátua

É inaugurada neste domingo, 20 de Outubro (Dia Mundial das Missões) em Cernache de Bonjardim, uma estátua, em bronze, erguida à missionação portuguesa. O monumento representa a figura do antigo missionário e bispo do Porto (1899-1918) D. António Barroso (1854-1918) e revela os 320 nomes dos padres missionários, que saíram, como ele, do Real Colégio das Missões, entre 1856 e 1912, nos governos liberais e no início da República.

Foi então que conheci a Manuela Silva…

Em 2004, depois de quatro anos em Itália e acabadinha de regressar de um ano na América Latina no meio dos mais pobres, e tendo aí conhecido uma Igreja que andava envolvida nas revoluções sociais e a lutar ativamente pela justiça, mesmo quando para isso se tornava incómoda e alienava a simpatia dos poderosos, fiquei desanimadíssima com o que encontrei em Portugal. A Igreja cheirava-me a mofo. Foi então que conheci a Manuela Silva…

Um poeta na Capela Sistina

O Papa Francisco acaba de colocar o Colégio Cardinalício em risco, ao incluir nele um poeta. Devia saber que os poetas são gente perigosa em qualquer parte, mesmo entre cardeais… O tempo o dirá.

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”: temos que fazer constar

Em função de um estudo que li sobre uma das culturas moçambicanas, a macua, um povo de Nampula, escrito por Helena Assunção, em 2018, comecei a delinear um sonho: o dia no qual mais elementos do Património Cultural Imaterial do meu país ascendam, à semelhança da timbila e do nyau, à categoria de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Enzo Bianchi, um verdadeiro cristão (Opinião)

Enzo Bianchi, um verdadeiro cristão (Opinião)

Quem conhece o Enzo Bianchi, quem já se refletiu naqueles olhos terríveis de fogo, como são os olhos de um homem “que viu Deus”, sabe do seu caráter enérgico, por vezes tempestuoso, firme, de quem não tem tempo a perder e que por isso urge falar sempre com parresía, isto é, com franqueza, com verdade. Enzo habitou-nos a isso, habituou os monges e as monjas de Bose a isso. O exercício da autoridade, a gestão do governo e o clima fraterno da Comunidade sempre tiveram a sua marca, esta marca.

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Breves

Igreja Católica contesta alteração da lei de biotecnologia na Noruega

Um comité de especialistas da diocese de Oslo acusa a alteração à lei da biotecnologia, aprovada na semana passada pelo parlamento norueguês de “abolir os direitos das crianças” e “abrir caminho à eugenia”, dando a possibilidade de, mediante testes pré-natais precoces, fazer abortos nos casos em que o feto apresente patologias ou seja de um sexo diferente do desejado pelos futuros pais.

Vaticano transformado em colónia de férias no mês de julho

A pensar nos funcionários da Santa Sé que têm filhos pequenos, o Papa Francisco decidiu abrir aos portas do Vaticano para receber as crianças durante o mês de julho. A organização da colónia de férias ficou a cargo do Governatorato e será animada pela comunidade de Salesianos do Vaticano.

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Boas notícias

“Conhece um judeu”: projeto inovador quer dar “voz e cara” à comunidade judaica na Alemanha

“Conhece um judeu”: projeto inovador quer dar “voz e cara” à comunidade judaica na Alemanha novidade

Pode parecer estranho, mas é verdade: muitas pessoas na Alemanha, em particular as mais jovens, nunca conheceram judeus, a não ser pelos livros de História. Para aumentar a exposição e o contacto com esta comunidade, que atualmente corresponde a menos de 0,2% da população daquele país, o Conselho Central de Judeus lançou o projeto “Conhece um Judeu”, que vai apresentar judeus a não judeus e pô-los a conversar.

É notícia

Entre margens

Violência contra as Mulheres: origens novidade

Olhando para os dados neste contexto de pandemia, mais uma vez dei por mim a pensar de onde virá a persistência estrutural do fenómeno da violência doméstica e de género, esta violência que assenta num exercício de poder exacerbado, descontrolado, total, de alguns homens em relação às suas companheiras, em que elas não são mais do que um objeto de posse sobre o qual se pode tudo.

Credo

O Deus em que acredito não é pertença de ninguém, não tem registo, é sem patente. É polifónico, é um entrecruzar de escolhas e de acasos, de verdades lidas nos sinais dos tempos, de vida feita de pedaços partilhados e também de sonhos.

Vem Espírito Santo e renova a face da Igreja

Em abril de 2013, nas Jornadas de Teologia da Caridade, subordinadas ao Tema “A força evangelizadora da caridade”, promovidas pela Cáritas Espanhola, em Salamanca, conheci, ao tempo, o arcebispo de Tânger, Santiago Agrelo Martínez. Fiquei fascinado pela profundidade do seu pensamento, pela simplicidade no trato e pela suas coragem e clarividência pastorais.

Cultura e artes

Diálogos com Paulo Freire

Trata-se de dois livros inspirados na filosofia de Pauloreire, a quem de há largos anos chamo meu “Mestre”: o primeiro, de Christopher Damien Auretta, Diz-me TU quem EU sou: Diálogo com Paulo Freire. O segundo, do mesmo autor com João Rodrigo Simões: Autobiografia de uma Sala de Aula: Entre Ítaca e Babel com Paulo Freire (Epistolografia).

“Travessia com Primavera”, um exercício criativo diário

O desafio partiu da Casa Velha, associação de Ourém que liga ecologia e espiritualidade: um exercício artístico e criativo diário, a partir da Bíblia. Sandra Bartolomeu, irmã das Servas de Nossa Senhora de Fátima, apaixonada pela pintura, aceitou: “Algo do género, entre a oração e o desenho – rezar desenhando, desenhar rezando ou fazer do desenho fruto maduro da oração – já emergia em mim como um apelo de Deus, convite a fazer do exercício do desenho e da criação plástica meio para contemplar Deus e dar concretude à sua Palavra em mim”, diz a irmã Sandra. O 7MARGENS publica dez aguarelas resultantes desse exercício.

A poesia é a verdade justa

“A coisa mais antiga de que me lembro é dum quarto em frente do mar dentro do qual estava, poisada em cima duma mesa, uma maçã enorme e vermelha”, escreve Sophia de Mello Breyner na sua Arte Poética III. Foi destas palavras que me lembrei ao ver o filme Poesia do sul coreano Lee Chang-dong, de 2010

Hinos e canções ortodoxas e balcânicas para a “Theotokos”

Este duplo disco, Hymns and Songs to the Mother of God reúne, como indicado no título, hinos bizantinos (o primeiro) e canções tradicionais (o segundo), dedicados à Mãe de Deus. O projecto levou três anos a concretizar, entre a recolha, estudo e gravação, como conta a própria Nektaria Karantzi na apresentação.

Sete Partidas

Retrospectiva

Regresso algures a meados de 2019, vivíamos em Copenhaga, e recupero a sensação de missão cumprida, de alguma forma o fechar de um ciclo ao completarmos 10 anos de vida na Dinamarca e nos encontrarmos em modo de balanço das nossas vidas pessoais, profissionais e também da nossa vida interior. Recordo uma conversa com uma querida amiga, onde expressei desta forma o meu sentimento: “a nossa vida aqui é boa, confortável, organizada, segura, previsível, mas não me sinto feliz.”

Visto e Ouvido

Aquele que habita os céus sorri

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