Entre Margens

O politicamente incorrecto

Num debate em contexto universitário, precisamente em torno da questão do politicamente correcto, Ricardo Araújo Pereira afirmou que, embora fosse contra o “politicamente correcto”, não era a favor do “politicamente incorrecto”.

Erradicar a pobreza… com Manuela Silva

«Nós queremos erradicar a pobreza», afirmou a profª. Manuela Silva, muito firmemente. Como se poderá concretizar esta «erradicação», à luz do pensamento de Manuela Silva? Talvez seja razoável considerar segmentos de ação…

A desvairada parvoíce do politicamente correcto

Já não há pachorra para isto. A ideologia do politicamente correcto tornou-se uma autêntica ditadura que não permite espaço para o humor, nem contextualização histórica, nem sequer uma pitadinha de bom senso. Estamos perante uma espécie de fascismo social e relacional.

Dizer “olha o fascista” resolve muito pouco

André Ventura entrou na Assembleia da República e, pela primeira vez, teremos uma organização partidária onde o populismo, a irresponsabilidade e a desinformação são parte fundamental do seu programa e das suas ideias. Vivemos dias difíceis e enfrentamos desafios que há muito têm lugar pela Europa e por algumas outras democracias liberais no mundo.

Manuela Silva: um olhar inteiro, justo e solidário sobre a Terra inteira

Esperávamos a sua partida, mas acreditávamos que talvez fosse possível ainda continuar connosco. A Manuela Silva iniciou segunda-feira (7 de outubro) uma grande viagem e deixou-nos. Hoje, já são muitas as notícias e os testemunhos sobre quem foi e como foram envolvidos aqueles que tiveram o privilégio de com ela privar. Já não há muito para dizer, ou talvez esteja ainda tudo para dizer, porque importa que tudo continue a ser dito.

Adela Cortina e o conceito ético de “aporofobia”

O nome de Adela Cortina é conhecido e respeitado na filosofia contemporânea, nomeadamente nos campos da filosofia política e da ética aplicada. Num dos seus recentes livros cunhou o conceito de “aporofobia”, dissertando sobre o modo como a pobreza é encarada na sociedade actual e como tal situação é incompatível com a democracia, pois esta implica e exige o direito à inclusão.

Igreja Católica: que dizes do absentismo eleitoral?

A abstenção foi, mais uma vez, a grande vencedora das últimas eleições. É uma das doenças da nossa democracia. Não se pode continuar a demonstrar a perplexidade por tão expressa falta de cidadania, só depois de se encerrarem as urnas de voto. É um mal que tem de ser atacado rapidamente, pois as suas causas já estão bem identificadas.

O Sínodo visto a partir da Amazónia

Como este Sínodo é sobre a Igreja na Amazónia e também sobre a ecologia, para além de representantes dos bispos do mundo inteiro, vão estar bispos sobretudo dos nove países da Pan-Amazónia. O maior grupo será o brasileiro, com nada menos que 58 bispos. Mas haverá também muitos outros convidados para participar, entre leigos, diáconos, padres e religiosos que trabalham nesta imensa região da Amazónia.

Crentes sem religião, à procura de Deus

Na abordagem ao fenómeno religioso há que respeitar toda a gente, os crentes de qualquer religião ou sistema filosófico, os agnósticos e os ateus. Mas a complexificação da vida contemporânea está a levantar novas categorias até hoje desconhecidas. É o caso dos crentes sem religião.

Tudo bem, nada mal…

Quando há uns anos passei o mês de Agosto em Moçambique, fui tocada pela alegria e sentido positivo do povo moçambicano. Lembro-me de saudar as “mamãs” – as mulheres mais velhas – que vendiam frutas e legumes na rua perguntando-lhes: “Como vai a senhora?” Invariavelmente a resposta era “Tudo bem, nada mal!”… Uma lufada de ar fresco.

China, uma imensa prisão

Uma consulta do sítio bitterwinter.org, especializado na temática da liberdade religiosa na China, de que é principal responsável o sociólogo italiano Massimo Introvigne, causa profunda impressão.

Ambientalistas e paradigmas – Tempos curiosos

Prevêem-se tempos difíceis, de muita destruição, que atingirão infelizmente uma grande maioria daqueles que menos responsabilidade tiveram na origem de tudo isto. Circunstâncias que talvez mudem um pouco somente quando todos aqueles que estão em baixo sofrerem as consequências na própria pele, o sentirem de verdade de forma crua e real, e se encontrarem numa situação em que nada mais têm a perder.

A minha amiga comida

Na mesa ao lado uma mulher mais nova, muito nova, seguramente com menos 30 anos e 20 de idade, sentou-se e encomendou um croissant com chocolate e um refrigerante. Tinha visivelmente excesso de peso. Era cliente habitual e a dose bem conhecida do empregado. Quando estava a terminar ele perguntou, aliás, se ia ao segundo.

D. Manuel Martins, o defensor de Setúbal que partiu há dois anos

No passado dia 24, terça-feira, fez dois anos que D. Manuel Martins partiu deste mundo. Para todos os que o admiramos, ele não nos deixou, apenas se transformou a dimensão em que esteve, neste mundo, durante 90 anos – 23 dos quais na região de Setúbal. No dia 26 de outubro de 1975, disse que passaria a ser de Setúbal. Nunca mais deixou de o ser.

Greta não está sozinha em Casa

Onde os vemos? Nas primaveras, em contestação nas ruas, nos novos movimentos desinstitucionalizados de protesto – anticapitalista, antiglobalização, anticorrupção, antiviolência, anti… –, nas greves estudantis, nas lutas contra a discriminação e as desigualdades, na vivência ou procura de uma liberdade que quebra velhos (pre)conceitos, a dar voz à emergência climática, nas opções alimentares, na generosidade do voluntariado…

O homem Jesus Cristo

Está na hora de sublinhar a humanidade de Jesus Cristo. A identidade do Cristo Filho de Deus esconde muitas vezes a sua condição humana, que é talvez aquela que mais deveria influenciar e inspirar homens e mulheres que assumem a fé cristã.

“Vamos decorar a rua da Páscoa para o Natal!”

Na continuação das duas crónicas anteriores sobre projetos de vizinhança na Rua da Páscoa em Lisboa, apresento outro que ganhou vida há um ano e pode ser o mote para outros projetos locais. Desta vez vou contar-vos como uma ideia que valorizou o coletivo e a beleza ajudou a desbloquear medos, ansiedades e sofrimentos.

Tempo de regressar à questão social

O Sínodo para a Amazónia de Outubro de 2019 revela-se da maior importância e atualidade. Daí que o Papa Francisco peça uma revisitação à sua encíclica Laudato si’, “porque quem não a leu não compreenderá nunca o Sínodo sobre a Amazónia. A Laudato si’ não é uma encíclica verde, é uma encíclica social que se baseia sobre uma ‘realidade verde’, a proteção da Criação”.

A (grande) importância de compreender o Iémen

O conflito no Iémen e as suas várias dimensões têm sido pouco discutidas e debatidas. Isso mudou ligeiramente após o ataque a duas refinarias sauditas, fazendo disparar o preço do petróleo. Para entender o que se está a passar não apenas no país, mas também na região, ficam aqui dez pontos e uma conclusão sobre um conflito que se arrasta há cinco anos.

Entre a Mata das Camarinhas e a greve do clima

Percorro diariamente, mais uma vez, a Mata das Camarinhas , entre Moledo e Caminha – um ritual de final de mês de Agosto que repito todos os anos.
Experimento aqui uma profunda comunhão com a natureza, com o mistério, como se entrasse numa catedral. Descubro-me balbuciando “Laudato Sí’” enquanto os meus pés calcam as agulhas dos pinheiros sobre o terreno bem arenoso.

Festas e romarias, uma nova religiosidade

Após a Páscoa e ao longo do verão, no interior do país, vive-se ao ritmo das romarias e das festas dos santos de secular devoção local. Quando, após a saída de uma grande parte da população ativa que emigrou nas décadas de 60-70 do séc. XX para a Europa, se pensava que estas festas se achavam comprometidas, surge agora a agradável surpresa de que elas aí estão de novo, embora vivenciadas de um modo diferente. Continuam a ser a “festa do povo” mas, nos últimos tempos, já com um novo figurino.

O Brexit dos pobres

Um Brexit puro e duro deixará um rasto de destruição nas vidas e famílias por todo o Reino Unido. Foi isso que a Igreja de Inglaterra disse, procurando ser fiel à sua responsabilidade profética.

Não aos casamentos prematuros: não andemos à deriva

As “tradições” acima narradas já tiveram o seu tempo. Devem ser abolidas, sendo importante que se encontrem rituais de passagem alternativos, que marquem a transição de rapariga para mulher, sem colocarem em causa a sua dignidade, nem o fundamento de se destacar que existe uma distinção clara entre o estado de uma menina e o de uma mulher.

“Todo o mundo é composto de mudança”

Li há dias uma notícia com o título: “Troca de padres não agrada a paroquianos”. Casos como este são excelente ocasião para esclarecer valores ou razões escondidas, concorrendo para o crescimento espiritual de todos (não só dos paroquianos).

A ecologia não é só reciclar – celebrando o “Tempo da Criação”

Do convite do Papa decorreram múltiplas iniciativas. Entre elas, a rede Cuidar da Casa Comum, uma plataforma aberta à participação ecuménica. O seu principal objectivo é não só dar a conhecer e aprofundar a Laudato Si’, mas também promover uma consciência operativa da urgência em cuidar da Terra e em proporcionar instrumentos de análise que permitam pensar o futuro do Planeta.

Democracia em risco de serviços mínimos

Na década de 1970, a luta pela democracia encontrava-se em alta. Em vários países do globo lá se foi implantando, apesar das sempre complexas vicissitudes deste processo. Nesta fase se incluiu, numa primeira vaga, Portugal e Espanha que vinham de duas ditaduras gémeas. Outros países foram aderindo na América Latina, inspirados na democracia brasileira.

Jaime Gonçalves, um bispo sempre a favor do povo

No processo do diálogo para a paz em Moçambique, há alguns episódios da vida do arcebispo da Beira, D. Jaime Gonçalves, dignos do interesse de todos nós. Este grande bispo, com quem trabalhei muito directamente, durante vários anos, merece umas palavras nestas minhas Memórias. Quando digo “mais”, significa que já me referi noutras ocasiões a D. Jaime nos livros que escrevi e noutros momentos da minha vida de jesuíta.

A questão racial nas igrejas evangélicas

A presença de evangélicos no espaço público e na vida política brasileira tem-se tornado significativa desde a década de 80, coincidindo com a redemocratização do Brasil, após um longo período de regime ditatorial. A sua presença no Congresso e na Câmara de Deputados tem instigado debates sobre diversos temas relacionados com os Direitos Humanos, contribuindo para que os evangélicos se tenham tornado um relevante grupo de manobra política em tempos de eleições.

O Papa poisará aqui os seus pés

A agitação cresce nas ruas da cidade de Maputo. Compram-se camisetas e capulanas com fotografias do Papa Francisco. Uma bola de ansiedade cresce dentro da cidade. O país todo prepara-se para se curvar ao Papa que chega nesta quarta-feira. Nas ruas, as conversas, que se deixam levar pelo vento, murmuram a vinda de Francisco.

O ciclo da vida

Muitos anseiam essa última emancipação, surpreendentemente sem temer o novo ser que resultará do ser que venceu a morte – e que o terá feito por ser escravo dos seus medos e das suas angústias. Mas há algo de assustador em tudo isto. É que, na ânsia de vencer o medo da morte, parecemos ter esquecido a lição mais infantil e, por isso, mais sábia de todas: é o ciclo da vida.

Crime contra a humanidade – o que é?

Crime contra a humanidade são as florestas a arder e um tesouro como a Amazónia estar em perigo. E sem olhar a tecnicidades, é-o também uma economia assente no consumo: que quanto maior, melhor. Chamam-lhe “crescimento”. Que quanto maior, mais dinheiro. Retira a uns a riqueza para a concentrar em outros e a atenção do Estado prende-se na ação de arrecadar mais impostos conforme o interesse que lhe convém, para equilíbrio de contas públicas.

A mulher de dois mundos

As mulheres movem-se hoje em dois mundos muito diferentes. Se num deles estão a conquistar as posições a que têm naturalmente direito, no outro permanecem acantonadas por condicionamentos culturais, políticos, sociais e religiosos.

Uma revolução antropológica

A “ideologia do género” parte da distinção entre sexo e género, a qual se insere na distinção mais ampla entre natureza e cultura. O sexo representa a condição natural e biológica da diferença física entre homem e mulher. O género representa a construção histórico-cultural da identidade masculina e feminina. Até aqui, nada de novo, ou ideológico. A novidade reside na afirmação ideológica de que o género assim concebido deve sobrepor-se ao sexo assim concebido; a cultura deve sobrepor-se à natureza. O género não tem de corresponder ao sexo, corresponde a uma escolha subjetiva, que vai para além dos dados naturais e objetivos.

Que quer dizer “boa educação”?

Por que é que os Evangelhos apresentam Jesus a dissuadir pretensos discípulos de se despedirem da família e até, para um deles, de cumprir o dever quase sagrado de sepultar o pai acabado de morrer? Como se pode falar de boa educação?

Um mar de gente que são pessoas

Estive no Mediterrâneo. Não foi a primeira vez, mas talvez tenha sido a primeira vez que me incomodou mergulhar, olhar no horizonte e perceber que ali tão perto existiam homens, mulheres e crianças que também o faziam por razões diferentes, à espera de uma boia que os salve ou de um porto que os acolha.

O monstro

A solidão é uma espécie de monstro que persegue tenazmente milhares de idosos em Portugal. O problema principal deles nem sequer são os cuidados de saúde, mas a solidão a que os entregamos cada vez mais.

Bicentenário do Báb: “Manifestante de Deus” e fundador da Fé Bahá’í

Uma das particularidades da religião bahá’í é ter na sua origem dois Profetas: o Báb e Bahá’u’lláh. E se na terminologia bahá’í os fundadores das grandes religiões mundiais são referidos como “Manifestantes de Deus” (porque manifestam características divinas), a origem dupla da Fé Bahá’í levou alguns autores a referir os seus fundadores como “Manifestantes Gémeos”.

A crise do capital, uma doença demolidora

Tenho para mim que o problema pode ser mais largo e profundo. Prefiro centrá-lo mais na longa e constante crise da doença destruidora do capitalismo mundial, nas suas mais diversas formas. Um sistema que, verdadeiramente, se encontra doente e não funciona em benefício da maioria da população.

A teologia das pedras

A tentação de lançar pedras sobre os outros é sempre maior do que a de nos colocarmos em frente a um espelho. Mas, cada vez que lançamos uma pedra contra alguém, no fundo estamos a magoar-nos a nós mesmos.

Um género de ideologia

Já houve quem escrevesse que a ideologia de género não existe. Já houve quem escrevesse que quem defende a igualdade de género esconde uma ideologia. Falemos, pois, da realidade e avaliemo-la à luz não de uma ideologia, mas de duas: a ideologia da igualdade e a ideologia dos que clamam contra a ideologia de género.

“Nome grande”, nome espiritual

Um indivíduo não existe por si só; ou seja, a sua identidade se encontra ligada à sua família, aos seus ancestrais, à sua espiritualidade e/ou, por vezes a um acontecimento. Quero com isso dizer que, quando lhe perguntam o nome, do ponto de vista da filosofia dos gitonga, o indivíduo deverá dizer o seu, o do pai e o do avô

Conversa à volta da fogueira

Todos concordam que os incêndios florestais são uma calamidade em qualquer parte do mundo. Mas o que poucos ousam dizer em voz alta é que são uma calamidade inevitável e que, por essa razão, há que aprender a viver com eles.

Cooperação na solidariedade

A importância estratégica do sector social e solidário foi assumida pelo Estado desde há várias décadas, tendo sido assinado em 1996 o Pacto de Cooperação para a Solidariedade Social, enquanto instrumento que visava “criar condições para o desenvolvimento da estratégia de cooperação entre as instituições do sector social, que prosseguem fins de solidariedade social, a Administração Central e as Administrações Regional e Local”.

Escrever com os polegares

No passado mês de Junho morreu o filósofo Michel Serres. A sua obra é vastíssima e profundamente original. De facto escreveu sobre filosofia, história das ciências, matemática, pedagogia, ecologia, ciências da comunicação, banda desenhada. Neste campo é de relevar a importância que atribuiu a Hergé e aos seus personagens, que analisou como objectos de estudo filosófico.

A obra de arte de Alan Turing

Foram os resquícios da mentalidade vitoriana que levaram a Inglaterra a sacrificar cruelmente um dos seus maiores. E um certo rasto puritano que pontificou durante séculos em terras de Sua Majestade.

Escutar, acompanhar e ajudar

Há uns dias a liturgia católica de Domingo convidava-nos e aprofundar o encontro de Jesus com Marta e Maria (Evangelho de Lucas 10, 38-42). Há nesse encontro um convite à disponibilidade interior que vulgarmente chamamos de “escuta”.

Cada um disse o que lhe ia na alma

Durante as entrevistas que fiz aos moradores, e antes de iniciarmos o trabalho de pintura em madeira com diferentes parcelas de céu que enfeitaram as portas da rua durante o mês de junho do ano passado, coloquei uma pergunta aos vizinhos sobre o que têm encontrado de belo na Rua da Páscoa desde que aí mora.

Bolsonaro cristão, Bolsonaro pagão

Há quem defenda que o governo de Bolsonaro, apesar de se afirmar cristão, em boa parte, inscreve-se todos os dias em campo oposto à respectiva ética. As comparações com a personagem Donald Trump são inevitáveis.

O sonho de um novo humanismo…

A Carta Convocatória para o Encontro “Economia de Francisco” (Economy of Francisco), a ter lugar em Assis, de 26 a 28 de março de 2020, corresponde a um desafio crucial para a reflexão séria sobre uma nova economia humana. Dirigida aos e às jovens economistas e empreendedores, pretende procurar e encontrar uma alternativa à “economia que mata”.

Criança no centro?

Há alguns anos atrás estive no Centro de Arte Moderna (Fundação Gulbenkian) ver uma exposição retrospetiva da obra de Ana Vidigal. Sem saber exatamente porque razão, detive-me por largos minutos em frente a este quadro: em colagem, uma criança sozinha no seu jardim; rodeando-a, dois círculos concêntricos e um enredado de elipses. Ana Vidigal chamou àquela pintura: O Pequeno Lorde.

Uma espiritualidade democrática radical

Não é nenhuma novidade dizer que o modelo de democracia que temos, identificado como democracia representativa e formal (de origem liberal-burguesa) está em crise. Disso, entre outras razões, têm-se aproveitado muito bem os partidos de extrema-direita. Mas não só eles. Surgem também críticas fortes desde a própria sociedade civil a este modelo.

“Albino não morre, só desaparece”? E se fôssemos “bons samaritanos”?

A primeira frase do título não é nova, nem em Moçambique, nem fora do país. Lembrei-me dela, quando li/vi que o secretário-geral da ONU, António Guterres visitou Moçambique, em Julho último. Desse périplo, dois eventos prenderam a minha atenção: a sua ida à Beira, para se inteirar das consequências do ciclone Idai, e o seu encontro com pessoas com albinismo, e onde destacou que ninguém pode ser descriminado por causa da sua aparência física.

Refugiados e salgalhada de desinformação

O objetivo deste texto é combater alguns mitos, facilmente derrubáveis, sobre a questão dos refugiados com meia dúzia de dados, de forma a contribuir para uma melhor e mais eficaz discussão sobre o tema. Porque não acredito que devamos perder a esperança de convencer as pessoas com os melhores dados e argumentos.

IPSS e desenvolvimento local

As IPSS caracterizam-se por dar resposta a necessidades que as populações identificam e experimentam no seu dia-a-dia, prestando serviços e gerindo equipamentos sociais ao mesmo tempo que, localmente, contribuem para a solução de problemas de emprego.

A guerra dos papas

Falo não da guerra dos papas entre si (que também as houve e bem violentas) mas entre os “adeptos” deste ou daquele, nas imensas bancadas onde toda a gente se pode refugiar e donde aprecia, a modos de júri conflituoso, o grande desfile dos sucessores de São Pedro.

A última das liberdades

Um estudo da OCDE recentemente publicado revela que Portugal está entre os dez países membros dessa organização onde o ensino não estatal é mais elitista. Esse estudo, com o título School Choice and Equity (“Escolha da escola e equidade”) analisa a questão da possibilidade de escolha da escola, pública ou privada, e da equidade quanto a essa possibilidade.

Jesus e a Alegria do Amor

O Concílio Vaticano II constituiu uma oportunidade para que alguns cristãos pudessem exprimir abertamente aquilo em que já acreditavam, mas que viviam como que em estado de tensão interior ou até com uma contradição traumática de difícil gestão. Cinquenta anos depois, há uma questão que continua a ser sentida e vivida como se não se tivessem passado já cinquenta anos: trata-se da rotura do matrimónio (entre leigos entretanto recasados) e da forma como isso é encarado pelos responsáveis da Igreja Católica.

Animais, respeito e substituições

Uma primeira nota tem a ver com o desequilíbrio que se foi instaurando à medida que fomos evoluindo e a urbanidade se foi sobrepondo à ruralidade. Pese embora todas as conquistas, deixámos muito lá atrás uma hierarquia de valores que nos ensinava a respeitar os animais, mesmo se por vezes com um carácter utilitário, sem nunca deixar que ocupassem o espaço relacional próprio dos laços entre seres humanos.

A arte de meditar

De há uns anos para cá temos vindo a assistir a um movimento de promoção e adesão à meditação, cujos ecos nos chegam através de partilhas ou de anúncios nas nossas ruas ou nas redes sociais. São modelos de meditação inspirados, na sua maioria, em práticas budistas ou hindus. A adesão é considerável, sobretudo entre as camadas mais jovens. Procura-se na meditação uma forma de fugir ao activismo e ao stress do dia-a-dia que, sobretudo no Ocidente, vai consumindo as nossas vidas, e também um meio de encontro consigo próprio. Fomos buscar este instrumento ao Oriente como se, mais uma vez, “do Oriente nos viesse a salvação”…

Viver poesia

Ser pai não é melhor do que ser poeta. Ou antes, é uma outra forma de o ser, porventura mais genuína e útil. Pode-se fazer Poesia escrevendo-a, mas o melhor de tudo ainda é vivê-la.

Cultura, valores, espiritualidade

O espaço onde o sentido da vida se exprime é no âmbito da Cultura. Há muitas definições de cultura. Aqui entendemo-la como a formulação do âmago de todas as nossas atividades, pensamentos e desejos, os critérios nucleares de construção das nossas vidas individuais e coletivas. É o lugar onde se nos mostra onde queremos chegar.

O preconceito contra o ensino profissional não tem limites

Os Ministérios da Ciência e Ensino Superior e da Educação lançaram a campanha “não desistas de ti”. Ao entrar no “site” respetivo, pode ler-se, em letras gordas: “Hey, tu. Sim, tu. Tu podes fazer o que quiseres. A sério. E quando uma pessoa sabe o que quer tem algo para lutar. Por isso não baixes os braços e vai à luta. Não desistas de ti.” Depois, clica-se em baixo, em “vou à luta” e entra-se numa página sem qualquer graça, com uma listagem de cursos e de instituições, da Direção Geral do Ensino Superior.

“Avó, a rua do teu ateliê é bonita”

A rua é a Rua da Páscoa na freguesia de Campo de Ourique, em Lisboa, onde “mora” há 25 anos o meu ateliê de Pintura da Azulejos e Artes Plásticas e que levou a este comentário da minha neta mais velha num dos passeios a caminho do ateliê.

Cuidadores: propostas legislativas redutoras

A proposta de “cuidador” na legislação em fase de aprovação enferma, à partida, de um significado redutor ao “cuidado” do que são as normais relações familiares e de afeto que devem ser apoiadas, incentivadas e protegidas e não objeto de “classificações”, como “principal” e “não principal”.

Ku-txinga: dos hábitos às mudanças tradicionais

Há peculiaridades e subjectividades a preservar, até porque o modo de realizar esses rituais tem uma função social específica, para os seus membros. Se esses modos de fazer colocam em risco a vida das pessoas, estamos perante um hábito, uma cultura ou uma tradição que deve ser mudada. No caso de que se fala, trata-se de uma mudança e não de um corte da tradição.

Greve climática estudantil: Responsabilidade pelo futuro

Com a temática quase ausente da recente luta eleitoral para o Parlamento Europeu (PE), decidiram os jovens estudantes fazer uma greve climática para nos ensinar que a guerra contra as alterações climáticas, terá de ser vencida em todos os níveis, do local ao global, se quisermos continuar a viver no nosso planeta azul.

José Mattoso

A atribuição a José Mattoso (1933) do Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes constitui um justo reconhecimento de uma carreira exemplar de historiador, ensaísta, pedagogo e pensador a quem muito deve a cultura portuguesa.

A água do Jordão não é benta

O rio Jordão e a Terra Santa tornaram-se nos últimos anos um importante centro de peregrinação religiosa para alguns sectores cristãos. Uma moda que se pode inserir no processo de judaização que está em curso.

Iémen, a guerra esquecida

Acredito que as pessoas mais atentas e que gostam de ler sobre geopolítica e geoestratégia conheçam o Iémen. Mas, para a grande maioria, será um país desconhecido. É, aliás, pouco estudado, pouco trabalhado e pouco analisado. O que geralmente não se sabe é que no Iémen se vive a maior crise humanitária do mundo.

Nas margens da filosofia – Um Deus que nos desafia

No passado dia 11 de Maio, o 7MARGENS publicou uma entrevista de António Marujo ao cardeal Gianfranco Ravasi. A esta conversa foi dado o título “O problema não é saber se Deus existe: é saber qual Deus”. É um tema que vem de longe e que particularmente nos interpela, não tanto num contexto teológico/metafísico quanto no plano da própria acção humana.

Migração e misericórdia

O 7MARGENS publicou, já lá vão algumas semanas, uma notícia com declarações do cardeal Robert Sarah, que considerava demasiado abstracto e já cansativo o discurso de Francisco sobre estes temas. Várias pessoas, entre muitos apoiantes do Papa, têm levantado a mesma questão. E porque Francisco é exemplo de quem procura sem medo a verdade e tem o dom do diálogo estruturante, devem ser os amigos e apoiantes a escutá-lo criticamente.

A Teologia mata?

A pergunta parecerá eventualmente exagerada mas não deixa de ser pertinente. O que mais não falta por esse desvairado mundo é quem ande a matar o próximo em nome da sua crença religiosa.

A prova dos caracóis

Como o trabalho voluntário em ambientes de incerteza e risco nos pode levar a viver valores que defendemos, mas que dificilmente concretizamos.

O que vale a vida de Vincent Lambert

Uma verdadeira saga judiciária, com uma impressionante componente dramática, tem ditado o destino da vida de Vincent Lambert. Uma vida que tem estado à mercê de sucessivas e contraditórias decisões de instâncias médicas, judiciais e políticas. Uma saga que não terminou.

Os jovens e a abstenção

68,6%: foi esse o valor da abstenção a nível nacional para as eleições europeias de 2019. Pela Europa, em média, os valores são mais baixos e conheceram uma digna diminuição em relação às eleições de 2014. No entanto, é inequívoco que a Europa e Portugal têm uma tarefa grande pela frente. Mais grave se torna o cenário olhando para a abstenção jovem em Portugal.

Os mais velhos

Esta questão é central nos tempos de hoje e na sociedade portuguesa. Que estamos a fazer dos nossos velhos? Fazem parte dos “descartados” da sociedade, como afirma o papa Francisco? São meros “utentes” de instituições que anseiam por mais um lugar vago para continuarem a ter lucro? Têm de pedir desculpa por ainda existirem? É urgente pensarmos nesta ordem de questões e encontrar alternativas.

Educar para o silêncio

Para muitas pessoas o silêncio mete medo e é evitado a todo o custo. Mantermo-nos constantemente ocupados, na confusão e no barulho, evita que olhemos para dentro de nós e nos confrontemos com as nossas limitações e imperfeições, dúvidas e angústias, tristezas e medos. A sociedade frenética em que vivemos não ajuda em nada a desenvolver a capacidade de silenciar.

No Brasil atual: lembranças para não perder a esperança

Para se enfrentar tempos de desolação e incerteza, como os que se vivem hoje no Brasil com a vitória da ultradireita, convém olhar para a história da conquista dos direitos humanos de LGBT, negros e mulheres. A memória do passado permite ver o presente em perspectiva, mantendo vivos valores, utopias e esperanças.

No voto, a luta pelo nosso futuro

Ouço muitas vezes: “Não sei no que votar. Achas que vote?”. A minha resposta é SIM!
A maior parte das vezes sinto-me muito insegura para votar. Ter de votar num partido ou num representante de um partido não é tarefa fácil. A responsabilidade de voto é muita e a identificação com tudo o que um partido defende é pouca. A decisão é difícil. Mas não acredito que este seja o problema maior.

Definir a Europa das próximas gerações

As eleições europeias são um serviço a que somos chamados a responder na base da fidelidade da nossa crença. Não consigo falar de todas as crenças e seus ideias, posso falar da que conheço: a Bíblia. Não podemos dizer que este livro, ou “biblioteca”, é ideologicamente neutro.

A moda dos “currais” eleitorais já cá chegou?

A prática nefasta de “currais eleitorais” em muitas igrejas é uma realidade brasileira. Terá chegado finalmente a Portugal, ou trata-se antes de uma tradição antiga entre nós, mas agora sujeita a um sufrágio muito mais atento e exigente por parte dos cidadãos?

A União Europeia necessita de psicanálise

Importa olhar para o «subconsciente» da União Europeia e tentar perceber a causa de tão grande tormento. Dir-se-ia que a União Europeia necessita de fazer algumas sessões de psicanálise. Queiramos ou não, estejamos ou não de acordo, a realidade é que a União Europeia marcará o nosso futuro coletivo.

Vemos, ouvimos e lemos…

O centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen é especial, muito para além de mera comemoração. O exemplo de cidadania, de talento, de ligação natural entre a ética e estética é fundamental. De facto, estamos perante uma personalidade extraordinária que é lembrada como referência única, como um exemplo que fica, que persiste.

Europeias 2019: Não nos tires as tentações

Estamos em crise, sim. Que bom. Porque é tempo de escolher e definir caminhos. Ao que parece, a última braçada de bruços perdeu balanço e é a nossa vez de dar o próximo impulso. Com a liberdade de questionar o inquestionável, herdámos o peso da responsabilidade. Mas desde quando desligar o automático é mau?

Um protestante português no Sri Lanka

João Ferreira d’Almeida é o responsável pela obra literária mais divulgada de sempre na língua de Camões, com quase 200 milhões de exemplares distribuídos da tradução da Bíblia de sua lavra. Mas é, em simultâneo, um dos mais desconhecidos autores ou literatos de todo o espaço lusófono.

Progresso e regressão

“Está na altura de incluir na agenda política o combate à pornografia” – não, esta frase não é de algum político moralista e ultraconservador. É de um embaixador especial do Governo sueco para o combate ao tráfico de pessoas.

É possível amar um terrorista?

A perseguição religiosa toca a todos e é uma das que causa mais vítimas em todo o mundo, talvez porque o fanatismo religioso é o pior de todos. Curiosamente fala-se pouco no Ocidente da cristianofobia, que origina, provavelmente, a maior das perseguições.

Breves considerações sobre a “filosofia de género”

De 2009 a 2013 coordenei um projecto de investigação intitulado As Mulheres na Filosofia. No mesmo período leccionei na FLUL cadeiras ligadas à Filosofia de Género. É pois com alguma estranheza que constato a visão negativa que por vezes acompanha esta temática. Daí entender que vale a pena tecer sobre ela algumas considerações.

Crise económica e espiritualidade da vida

Uma Espiritualidade sã e holística não pode deixar de criticar os chamados “valores burgueses”, conservadores, os chamados valores do “individualismo”, da “liberdade” (sem equilíbrio da igualdade), do “consumismo”, do “materialismo”, do crescimento de uma hiper-tecnologia imune à crítica do humanismo e, além disso, anti-natureza, etc. Mas também terá que criticar a hipocrisia do que foi o chamado modelo de “socialismo real” (ou “irreal?), burocrático, incapaz de resolver sadiamente a dialética entre oferta e procura, de estagnação com controlo centralizado de tudo…

Deus não é sócio de César

A confusão entre César e Deus – isto é, entre o secular e o religioso – sempre gerou problemas ao longo da História. A atracção fatal pelo poder levou os homens a confundirem ambos os planos de intervenção, por vezes com graves consequências.

Proteção social: ser guarda do seu irmão

Há uma “cultura muito nossa”, em que cada português se sente “guarda do seu irmão” e em que, no exercício da cidadania, por caridade ou solidariedade, muitos não rejeitam fazer o que está ao seu alcance na construção coletiva para um melhor devir de cada um e de todos.

Entrevista… entre vistas… entre olhares

A realização de entrevistas é sempre um desafio muito grande que os alunos encontram no contexto dos seus trabalhos académicos. Na verdade, são um desafio enorme em qualquer fase da nossa vida de investigação e ninguém pode, em rigor e com seriedade, dizer que possui “traquejo” suficiente a ponto de ignorar cuidados especiais na condução desta técnica.

A Páscoa como escândalo

A falta de compreensão do sentido da Páscoa tornou-se generalizada no mundo ocidental, apesar de a celebrar, por força da tradição e da cultura. A maior parte dos que se afirmam cristãos revela enorme dificuldade em entender o facto de a época pascal ser a mais significativa no calendário da fé cristã.

Jesus Cristo, o estrangeiro aceite pelos povos bantus

Jesus Cristo é uma entidade exterior aos bantu. É estrangeiro, praticamente um desconhecido, mas aceite pelos bantu. Embora se saiba de antemão que Jesus é originário do Médio Oriente e não português, povo que levou o Evangelho para África. Parece um contrassenso?

Papa Francisco: “Alegrai-vos e exultai”. Santidade e ética

No quinto aniversário do início solene do seu pontificado, a 19 de março de 2018 (há pouco mais de um ano), o Papa Francisco publicou a Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, “sobre a santidade no mundo atual”. Parte do capítulo V da Constituição do Vaticano II, Lumen Gentium. Aí se propõe a santidade para todos os cristãos, entendida em dois níveis: a santidade como atributo de Deus comunicada aos fiéis, a que se pode chamar “santidade ontológica”, e a resposta destes à ação de Deus neles, a “santidade ética”.

Coerência e comércio de armas

Quando se aproximam as eleições europeias, é particularmente oportuno refletir sobre aqueles valores em que assenta a União Europeia, em cuja génese está um propósito de construção de uma paz duradoura e de respeito pelos direitos humanos. A incoerência das políticas de governos europeus no que a tais valores diz respeito não pode deixar de contribuir para a descredibilização do projeto de unidade europeia, que hoje tão fragilizado está.

Homens e Animais – uma apologia filosófica do bom senso

É com este apelo irónico à distribuição equitativa de bom senso que Descartes inicia o seu Discurso do Método. Note-se que o bom senso tem sido muitas vezes encarado como inimigo dos filósofos. Não nos lembraríamos de fazer filosofia a partir de opiniões consensuais, nem consideraríamos filosófico um discurso linear que se impusesse a todos numa primeira leitura.

A Inquisição acabou no papel mas não nas cabeças

Da mesma forma como não podemos esquecer os horrores do nazismo, do estalinismo, do maoísmo, dos kmervermelhos, do fascismo e de tantas outas ditaduras sanguinárias de direita e de esquerda, também não podemos esquecer esse maldito Tribunal do Santo Ofício, vulgo Inquisição, que de tribunal nada tinha e de santo muito menos.

Experimentar a comunidade

“O bailado desagregador e subversivo da Festa”
Não era só aos domingos que o meu coração batia de Alegria, também comecei a ir lá em algumas tardes da semana.

Papa Francisco em Moçambique: bênção ou nem tanto?

Há cerca de um mês começou a circular nas redes sociais o “segredo” revelado pelo padre Giorgio Ferreti, pároco na catedral do Maputo e membro da Comunidade de Santo Egídio: “Ainda neste ano o Papa Francisco estará connosco!”.
Logo se desenharam opiniões contraditórias sobre a oportunidade, ou não, desta visita ainda neste ano, sobretudo antes das eleições previstas para Outubro próximo. Desde o anúncio oficial da viagem para os dias 4-6 de setembro, as opiniões cruzam-se.

Acompanhamento, proximidade e cuidado

É sempre mais fácil criarmos critérios, normas, leis e termos uma espécie de formatação ou modelo nos quais tudo tem que se encaixar. Talvez ao padre Aureliano fosse mais fácil levar um texto, mas perderia a capacidade de escuta, que é a primeira realidade de quem quer acompanhar. Escutar para perceber as motivações que cada um traz dentro de si, angústias e problemas, ou sonhos e esperanças, ou ainda caminhos de vida ou opções a realizar.

Um estranho Rio que corre ao contrário

Pode parecer estranho, mas num país com uma população tão diversificada como é o Brasil, a intolerância religiosa cresce e assume contornos preocupantes. Mas parte do problema parece estar nas lideranças mediáticas neopentecostais.

Duas interrogações eclesiológicas

Aqueles que, em 1975, receberam a exortação apostólica
Evangelii Nuntiandi (O anúncio do Evangelho), do Papa Paulo VI, não deixaram de ler – na referência que o texto fazia às Comunidades Eclesiais de Base (as CEB’s “tornar-se-ão sem tardar anunciadoras do Evangelho”, nº 58) – o reconhecimento por parte da Cúria Romana da necessidade de renovar o modelo organizativo eclesial.

Na corda bamba

É fascinante ir descobrindo como a vida é cheia de contrastes e como eles nos fazem falta. Sem a noite não desejaríamos o dia, sem chuva não apreciaríamos o sol, sem o mal não reconheceríamos o bem, sem tristeza não sentiríamos alegria…
Alegria e tristeza.

Tecnologia e Espiritualidade em tempo de crise

A Espiritualidade não pode ser uma Espiritualidade de refúgio frente a um mundo ameaçador, muito instável e até violento. A Espiritualidade, pelo contrário, é uma atitude mental e afetiva que orienta a nossa pegada neste Planeta de maneira responsável, positiva, propositiva e alegre.

Senhores Bispos

Abusos sexuais na Igreja? Pedofilia? Já sabemos. A Comunicação Social anuncia, disserta, desenvolve. A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) já se pronunciou. Alguns bispos evocaram, nos seus documentos quaresmais. O assunto não morreu, o tema ressuscita a cada dia. É mais que universal. Monstruoso.

Do diálogo inter-religioso às teologias pluralistas

No futuro iremos certamente ver confissões religiosas a desenvolver teologias pluralistas. O caminho passa, acredito, por evitar o sincretismo e procurar uma transformação profunda na forma como as pessoas entendem o universo das religiões e o lugar que a sua religião ocupa nesse universo. As teologias pluralistas devem igualmente transmitir a ideia de que nenhuma religião em particular é a protagonista principal da história religiosa da humanidade. Esse protagonismo apenas pode ser atribuído ao próprio Criador.

O que (quem) vemos, quando olhamos as margens?

Cristo não temeu a margem: não nos feriu, não nos gritou, não nos condenou, não se envergonhou de nós. Por isso, neste período quaresmal, crentes e não-crentes, tentemos aprender com Ele, com o Seu exemplo, algo que nos ajude a transformar as nossas margens em autênticos encontros com a Humanidade.

Matar é cobardia, coragem é conviver!

Imaginemos que um islamita armado entrava num domingo na Sé de Lisboa e assassinava cinquenta católicos, entre adultos e crianças. Foi o que fez o supremacista branco Brenton Tarrant. Só que os mortos são muçulmanos, abatidos em duas mesquitas de Cristchurch (Nova Zelândia). Para alguns é mais fácil a cobardia do assassinato do que a coragem da convivência.

Espíritos dos antepassados e santos canonizados, mediadores entre Deus e os Homens

Na tradição católica o acesso a Deus pode ser feito ou por via direta, na qual o crente se dirige a Ele, ou por intermediação de santos canonizados. Enquanto que na cultura bantu, o acesso a Deus é realizado, na maior parte das vezes, por intermediação dos espíritos dos antepassados, os eleitos, e em raras ocasiões por via direta: Homem-Deus. Entretanto, tanto numa, como noutra tradição, existe a crença num Deus único, mas em três pessoas: Pai, Filho, Espírito Santo.

Os bodos de S. Sebastião na Beira Baixa

É dentro deste espírito que ainda hoje, nas terras beirãs, em várias épocas litúrgicas do ano (Natal-Páscoa, Espírito Santo e Nossa Senhora da Assunção), se realizam alguns bodos que teimam em permanecer vivos. Sinal de que as populações os incorporaram na sua vida, tornando-os uma parte significativa e indestrutível da sua história religiosa local.

Reconciliação e fraternidade…

Mais do que uma cerimónia formal, a assinatura do Documento sobre a Fraternidade Humana, em 4 de fevereiro de 2019, permitiu a afirmação de uma cultura de paz baseada no respeito mútuo, na liberdade de consciência e na necessidade de uma compreensão baseada no conhecimento e na sabedoria.

O bullying através da internet

É urgente ter dados reais sobre o cyberbullying em Portugal, que estimo ser bem superior ao que tem vindo a ser descrito. Apesar de ser um problema transversal às várias idades, os jovens, pelas suas características, são mais atreitos às consequências nefastas do cyberbullying.

Hospitalidade a refugiados em Portugal – um sinal de esperança

“Estamos ao serviço?” Ou, como reformulou no final do encontro o coordenador geral da PAR, André Costa Jorge: “Somos a sociedade civil, que papel queremos ter no contexto da hospitalidade em Portugal?” Esta pergunta, colocada pelo sucessor de Rui Marques na Plataforma de Apoio aos Refugiados, ajudou a redefinir a missão da PAR, hoje diferente da de 2015, quando nasceu.

Automação: o futuro que nos bate à porta

Estas mutações podem, e numa perspetiva mais otimista, trazer também inovação social. Deixo, para terminar, um exemplo recente de um café que no final do ano abriu na cidade de Tóquio. No café não existe qualquer pessoa, mas apenas robots que servem e se relacionam com os clientes. Contudo, e aqui reside a inovação, como os robots necessitam de vigilância à distância, esse trabalho é feito por pessoas com mobilidade reduzida a partir de casa.

Fascista é a tua tia!

Qualquer alma que se atreva a opor às ideias do extremismo político de esquerda tende a ser apelidado de fascista. O mesmo se pode dizer da direita, que chama comunista a tudo o que mexe. E assim se vai fazendo o branqueamento da verdadeira besta negra do fascismo.

Deus é silêncio

Cada vez me sinto mais entusiasmado com o silêncio. Numa ida à livraria, pesquisando pelos livros de religião, esoterismo ou desenvolvimento pessoal, facilmente se percebe que é um tema de moda. Retiros, yoga, meditação, propostas de orações, etc., etc. Para os cristãos, o silêncio não é a perceção de uma ausência, como se o vazio da mente fosse uma meta desejável, mas é antes a contemplação de uma Presença.

Que faremos desta Quaresma?

“Agora, parece-me ridículo, quando o Papa Francisco insiste, contra tempos e marés, na renovação da Igreja ao serviço da transformação do mundo na pátria da alegria, se exija que ele faça um milagre de transformar a Igreja e a sociedade, por decreto, dispensando o empenhamento de todas as pessoas de boa vontade.” A opinião de Frei Bento Rodrigues.

Nas margens da Filosofia – O prazer de ensinar

É habitual pensarmos na reforma como um fim de carreira mas, embora me tenha aposentado, há quatro anos continuo ligada à vida académica e à investigação. As solicitações sucedem-se e o trabalho mantém-se quase ao mesmo ritmo. A diferença está na ausência de leccionação, o que me leva a pensar com saudade nas muitas aulas que dei e que constituíram momentos gratificantes na minha vida. Daí a minha discordância relativamente a Espinosa no que respeita à sua recusa em ser professor.

A família é essencial e a família somos todos nós

A multiculturalidade é cada vez mais realidade com que devemos aprender a viver e, para isso, é fundamental propiciar, facilitar e cooperar no processo de integração ou de inclusão de quem nos procura, aproveitando o seu saber e mais-valia para construir pontes e nunca obstáculos. No entanto, vivemos numa sociedade que, infelizmente, ainda se alimenta de pré-conceitos discriminatórios, seja em razão da nacionalidade, da raça, da etnia ou da religião.

Sacerdócio e abusos sexuais

No conto O rei vai nu, os cérebros dos súbditos continuavam, apesar das evidências, a vestir o rei. Vendo o monarca na sua condição vulnerável de mortal em tudo semelhante aos que da margem do cortejo o aclamavam, recusavam-se a admitir o inegável: que toda a ostentação de poder é ridícula. Não vã, contudo. Eles continuavam a precisar dela e a alimentá-la com o seu aplauso. Pois, sem a segurança proporcionada por tal poder, sentir-se-iam órfãos e incapazes de tomarem o protagonismo do seu próprio destino.

O sínodo contra a pedofilia soube a… poucochinho

Avassalador, é o que se pode dizer do escândalo dos abusos sexuais perpetrados por sacerdotes católicos, dada a sua dimensão. Francisco convocou um encontro para enfrentar a questão e comprometer as lideranças religiosas. Mas o resultado parece… poucochinho

Um lugar para todos

Era uma manhã de sábado, não havia escola nesse dia, o que já em si era magnífico, pois a escola não me encantava.
Entrava-se pelos grandes portões do jardim e ali tudo era mágico! Um jardim sobre o Tejo, com estátuas que “brincavam” com grandes árvores e umas mesas compriiiii…das com tintas e pincéis muito bem arrumados e uma imensidão de folhas de papel para serem pintadas. Parecia um sonho!

IPSS, Casas do Povo e coesão social e territorial

O drama dos incêndios que, em 2017, ensombrou a consciência de todos de um tom tão negro como negras ficaram as terras e as casas que os incêndios devastaram em tantas zonas do país, agravando a tragédia irremediável dos que morreram pelas chamas e dos que os ficaram a chorar, evidenciou-nos o que já devíamos saber: vivemos num país injusto e desigual.

“Isso é lá entre eles…”

Dias depois do encontro em Roma – oficial e tristemente destinado a abordar APENAS a questão dos “menores abusados” –, creio que ainda é isso o que a alta hierarquia (bispos e cardeais) ainda pensa: “Isto não passa de um ajuste de contas entre lobos”, “isto é lá com eles”. Outros murmurarão, tendo Francisco em mente: “Meteu-se nelas, agora que se salve!”

Sete margens – onde passa o rio que dá vida

Levou-me então de volta à margem do rio. Quando ali cheguei, vi muitas árvores em cada lado do rio. Ele disse-me: Por onde passar o rio haverá todo o tipo de animais e de peixes. Porque essa água flui para lá e saneia a água salgada; onde o rio fluir tudo viverá…

A ADSE no seu labirinto

Teseu conseguiu atravessar todo o terrível labirinto sem ser destruído pelo Minotauro por se ter limitado a seguir o fio com que Ariadne tinha assinalado o percurso seguro. A evocação deste bem conhecido episódio da mitologia clássica bem pode justificar-se quando nos deparamos com a actual questão que envolve a ADSE.

A culpa não é minha!

O tema da culpa está muito presente nas religiões desde sempre, em especial no cristianismo. O sentimento de culpa é tão forte e desagradável que as pessoas, logo desde a infância, procuram remeter a culpa para os outros, de forma instintiva, sacudindo a água do capote.

Pleno emprego, com mais desemprego?

Em 1969, o Prof. Mário Murteira (MM) publicou o seu livro Economia do Trabalho (Clássica Editora), onde recordou que existirá pleno emprego, «numa acepção simples e simplista (…), quando não exista desemprego generalizado» (p. 60); portanto ele coexiste com o «desemprego friccional», resultante da rotatividade normal de trabalhadores. Aqui se pretende analisar quais as perspetivas de pleno emprego sustentável no nosso país.

Escutar a morte entre câmaras e microfones

Em Guimarães, decorre até domingo, dia 24, o congresso A Morte – leituras da humana condição; o jornalista Manuel Vilas Boas interveio na mesa redonda sobre A decisão jornalística: Quando a morte (não) é notícia; aqui se regista o texto da intervenção.

Em Cristo para a vida do mundo

Enquanto esperamos as conclusões do encontro no Vaticano, sobre os abusos sexuais, e nos dispomos a levar à prática as indicações que nos vão ser dadas, apressemo-nos a lutar contra o clericalismo como uma boa maneira de acabar com todas estas formas de abuso.

Homossexualidade e clero católico

A questão da homossexualidade de muitos padres católicos não é para mim irrelevante, porque discordo da contradição intrínseca que consiste na existência de um clero obrigado a papaguear um discurso condenatório da homossexualidade, quando esse mesmo clero também é, em percentagem decerto discutível, constituído por muitos homossexuais.

Qual é o problema de Neto de Moura com as mulheres?

Esta mentalidade ainda subsistente entre nós tem que ser combatida nas escolas, na comunicação social, nas artes, nas universidades e nos meios religiosos. A violência no namoro é assustadora. Mas as instituições do Estado não podem ficar a ver a banda passar.

Terapia pela Arte, caminho alternativo para a cura

“O meu percurso artístico levou-me a descobrir as vantagens da arte e do processo criativo na minha vida. A minha dedicação à pintura aprofundou o meu percurso de autoconhecimento e ‘auto-cura’, tendo rapidamente sentido os seus efeitos terapêuticos.” A opinião de Filipa Carvalho no Sete Margens.

Deus pode ir de férias…

“A denominada Teologia da Prosperidade começa a dar lugar à Teologia do Coaching em determinados círculos cristãos. Substituiu-se a fome pela vontade de comer. Sendo assim, Deus pode ir de férias…” A opinião de José Brissos-Lino.

Cantos de sereia

Confesso que fiquei impressionado com a retórica brilhante do discurso de posse do novo ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, do governo de Bolsonaro, Ernesto Araújo ( (www.youtube.com/watch?time_continue= 15&v=-u8bkWLPq-g), um diplomata de carreira....

Quando os cristãos se encontram…

“Um pouco por todo o país por ocasião da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, surgiu em 2010 o que foi designado pelos seus organizadores simplesmente como… ‘Encontro Cristão’.” A opinião de Timóteo Cavaco.

Adolescência, autonomia e identidade

Se o motivo da consulta é acne, por exemplo, problema muito comum na adolescência, a nossa perspetiva não é tratar a acne mas sim aquele adolescente concreto que, por acaso, naquele momento da sua vida tem acne.

A arte como um abraço – Descobrir

“Com a arte aprendi a viver melhor sobretudo quando os processos de criação artística são partilhados e levam cada um(a) a descobrir-se com gratidão.” A opinião da pintora Ana Cordovil.

O Papa Francisco e a reabilitação da política

1. Quando, na mensagem para o Dia Mundial da Paz (1 de Janeiro), regista dez “vícios” no exercício político, que diz serem “a vergonha da vida pública”, o Papa Francisco reassume a prioridade da reabilitação da política. Francisco teme o enfraquecimento do “ideal duma...

Voltar

Vamos. Mas não sem pensar em voltar. Pelo menos comigo, é assim. E diria que, para qualquer outro expatriado, como agora se lhes chama, será igual. Fazer planos, cenários; perceber as possibilidades. Faz parte da condição de o ser.

E a nossa hospitalidade para com a Casa Comum?

Hospitalidade, saber ser acolhido e acolher, foi o tema reflectido nas orações da noite e nas reflexões dos jovens em pequenos grupos, ao longo do encontro europeu anual da “Peregrinação da Confiança” em Madrid; essa foi a proposta da comunidade de Taizé para o tema a ser desenvolvido nos encontros durante o ano de 2019.

Novo ano – Ho Chi Minh à vista!

O meu regresso de Natal a Portugal fez-se este ano ao longo de três semanas e desdobrado por vários espaços físicos e emocionais. Tenho a sorte de trabalhar a partir de casa, o que me permite ficar em Portugal todo esse tempo. Por outro lado, nos últimos anos, a...

Novo ano – As novas aldeias

A partir do momento em que se tem filhos, a passagem de ano assume novos contornos. Ou alguém nos fica com a descendência e conseguimos saborear um pouco da irresponsabilidade anterior à paternidade, ou temos normalmente que procurar ambientes “family friendly”.No...

Novo ano – Quando reparei era católica

Quando reparei era católica. O reparo não me fez saber o que ser católica é, assim como, por definição, quem eu supostamente era ou me apresentava ser. Apenas ia à missa todos os domingos, com uma pequena pérola em cada lóbulo, presente da avó pelo batizado. Reparei...

Novo ano – O meu 2018 foi assim

A minha vivência, em 2018, foi marcada pela morte de D. Manuel Martins, que ocorreu no final de setembro de 2017. Sem beliscar em nada a plena convicção de que apenas aconteceu uma separação física, fez-me e está a fazer-me muita falta a sua palavra conselheira e...

O que é que aconteceu ao Natal?

Há dias foi a festa de Natal da escola dos meus filhos. Uma escola pública muito bem conceituada, onde os professores e os pais se envolvem para tornar possível um espetáculo de duas horas e meia, que enche um cinema inteiro. O palco estava muito giro, decorado com...

Não haverá Natal para os reclusos

Os reclusos estão privados da assistência religiosa devido à greve dos guardas prisionais. Se a greve se estender até janeiro, como se prevê, então os reclusos não poderão ter a celebração eucarística de Natal. Até 2014, a assistência religiosa fazia parte dos...

Santos, Vaticano II e opção preferencial pelos pobres

Em memória de momentos vividos por muitos, penso que é justo revisitar a própria memória. Ou seja, em vez de remendá-la, transformá-la em testemunho. Retomo este meu texto de Novembro de 2012, a repensar fragmentos do percurso do Movimento Nós Somos Igreja entre nós....

Verdade, mentira e tortura

Entre as primeiras palavras de Jair Bolsonaro, uma vez confirmada a vitória nas presidenciais brasileiras – antes da oração de graças pela sua eleição e do discurso de propósitos –, ouvimos uma citação do Evangelho segundo S. João: “e conhecereis a verdade, e a...

Editorial 7M – Um dia feliz

Editorial 7M – Um dia feliz

Hoje é dia de alegria para os católicos e para todos os homens e mulheres de boa vontade. Em São Pedro, um homem que encarna e simboliza boa parte do programa de Francisco para a Igreja Católica recebe as insígnias cardinalícias. É português, mas essa é apenas uma condição que explica a nossa amizade e não é a fonte principal da alegria que marca o dia de hoje. José Tolentino Mendonça é feito cardeal por ser poeta, homem de acolhimento e diálogo. E, claro, por ser crente.

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Breves

Nobel da Economia distingue estudos sobre alívio da pobreza novidade

O chamado “Nobel” da Economia, ou Prémio Banco da Suécia de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, foi atribuído esta segunda-feira, 14 de outubro, pela Real Academia Sueca das Ciências aos economistas Abijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer, graças aos seus métodos experimentais de forma a aliviar a pobreza.

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Boas notícias

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Entre margens

O politicamente incorrecto

Num debate em contexto universitário, precisamente em torno da questão do politicamente correcto, Ricardo Araújo Pereira afirmou que, embora fosse contra o “politicamente correcto”, não era a favor do “politicamente incorrecto”.

Cultura e artes

“Aquele que vive – uma releitura do Evangelho”, de Juan Masiá

Esta jovem mulher iraniana, frente ao Tribunal que a ia julgar, deu, autoimolando-se, a sua própria vida, pelas mulheres submetidas ao poder político-religioso. Mas não só pelas mulheres do seu país. Pelas mulheres de todo o planeta, vítimas da opressão, de maus tratos, de assassinatos, de escravatura sexual. Era, também, assim, há 2000 anos, no tempo de Jesus. Ele, através da sua mensagem do Reino, libertou-as da opressão e fez delas discípulas. Activas e participantes na Boa Nova do Reino de Deus.

A beleza num livro de aforismos de Tolentino Mendonça

Um novo livro do novo cardeal português foi ontem posto à venda. Uma Beleza Que nos Pertence é uma colecção de aforismos e citações, retirados dos seus outros livros de ensaio e crónicas, “acerca do sentido da vida, a beleza das coisas, a presença de Deus, as dúvidas e as incertezas espirituais dos nossos dias”, segundo a nota de imprensa da editora Quetzal.

Sete Partidas

Hoje não há missa

Na celebração dos 70 anos da República Popular da China (RPC), que se assinalam no próximo dia 1 de outubro, são muitas as manifestações militares, políticas, culturais e até religiosas que se têm desenvolvido desde meados de setembro. Uma das mais recentes foi o hastear da bandeira chinesa em igrejas católicas, acompanhado por orações pela pátria.

Visto e Ouvido

"Correio a Nossa Senhora" - espólio guardado no Santuário começou a ser agora disponibilizado aos investigadores

Agenda

Out
17
Qui
Apresentação do livro “Dominicanos. Arte e Arquitetura Portuguesa: Diálogos com a Modernidade” @ Convento de São Domingos
Out 17@18:00_19:30

A obra será apresentada por fr. Bento Domingues, OP e prof. João Norton, SJ.

Coorganização do Instituto São Tomás de Aquino e do Centro de Estudos de História Religiosa. A obra, coordenada pelos arquitetos João Alves da Cunha e João Luís Marques, corresponde ao catálogo da Exposição com o mesmo nome, realizada em 2018, por ocasião dos 800 anos da abertura do primeiro convento da Ordem dos Pregadores (Dominicanos em Portugal.

Nov
8
Sex
Colóquio internacional Teotopias – Sophia, “Trazida ao espanto da luz” @ Univ. Católica Portuguesa - Polo do Porto
Nov 8@09:00_19:30

Fundacional para a percepção e expressão do mistério, a linguagem poética é lugar de uma articulação paradoxal, nada acrescentando à representação descritiva do mundo [Ricoeur]. Encontrando-se o positivismo teológico em crise, paradigma que sempre cedeu demasiado à obsessão pela verdade, tem-se vindo a notar um crescente interesse pelo estudo teológico de produções literárias como lugares de redenção da linguagem referencial, própria do discurso tradicional da teologia. Na sua performatividade quase litúrgica, a linguagem poética aproxima o objecto do discurso teológico do seu eixo verdadeiramente referencial: “a transluminosa treva do Silêncio” [Pseudo-Dionísio Areopagita].

Cátedra Poesia e Transcendência | Sophia de Mello Breyner [UCP Porto], em parceria com a Faculdade de Teologia e o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, organiza um congresso no âmbito das hermenêuticas do religioso no espaço literário, com especial incidência sobre a sua dimensão poética.
O colóquio terá lugar na Universidade Católica Portuguesa | Porto, nos dias 8 e 9 de novembro de 2019, e dará particular atenção aos seguintes eixos temáticos: linguagem poética e linguagem teológica: continuidades e descontinuidades; linguagem poética e linguagem mística: inter[con]textualidades; linguagem poética e sagrado: aproximações estético-fenomenológicas.

Nov
9
Sáb
Colóquio internacional Teotopias – Sophia, “Trazida ao espanto da luz” @ Univ. Católica Portuguesa - Polo do Porto
Nov 9@09:00_19:30

Fundacional para a percepção e expressão do mistério, a linguagem poética é lugar de uma articulação paradoxal, nada acrescentando à representação descritiva do mundo [Ricoeur]. Encontrando-se o positivismo teológico em crise, paradigma que sempre cedeu demasiado à obsessão pela verdade, tem-se vindo a notar um crescente interesse pelo estudo teológico de produções literárias como lugares de redenção da linguagem referencial, própria do discurso tradicional da teologia. Na sua performatividade quase litúrgica, a linguagem poética aproxima o objecto do discurso teológico do seu eixo verdadeiramente referencial: “a transluminosa treva do Silêncio” [Pseudo-Dionísio Areopagita].

Cátedra Poesia e Transcendência | Sophia de Mello Breyner [UCP Porto], em parceria com a Faculdade de Teologia e o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, organiza um congresso no âmbito das hermenêuticas do religioso no espaço literário, com especial incidência sobre a sua dimensão poética.
O colóquio terá lugar na Universidade Católica Portuguesa | Porto, nos dias 8 e 9 de novembro de 2019, e dará particular atenção aos seguintes eixos temáticos: linguagem poética e linguagem teológica: continuidades e descontinuidades; linguagem poética e linguagem mística: inter[con]textualidades; linguagem poética e sagrado: aproximações estético-fenomenológicas.

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