O ano de 2025 foi “uma surpresa agradável” para o reitor do Santuário de Fátima, que não esperava um número de peregrinos tão elevado, o qual se refletiu num saldo positivo de cerca de 2 milhões de euros… Mas também não esperava que 2026 começasse com prejuízos nessa mesma ordem de valores, devido à passagem da tempestade Kristin. Ainda assim, o padre Carlos Cabecinhas não pensa em pedir ajudas estatais e o principal foco do Santuário, neste momento, é a ajuda aos mais afetados pelo mau tempo.
“A tempestade Kristin, na madrugada do passado dia 28 de janeiro, deixou um rasto de destruição no Santuário de Fátima, provocando danos severos tanto em edifícios como no património natural do recinto de oração, das zonas envolventes e dos Valinhos”, informou o reitor do Santuário ao final da tarde desta quinta-feira, 5 de fevereiro, durante a apresentação das estatísticas de afluência de peregrinos e das contas da instituição referentes a 2025.
“Do montante de prejuízos, mais de 200 mil euros correspondem à reabilitação de património em edifícios danificados. Porém, o maior montante de prejuízos — superior a 2 milhões de euros — corresponde à perda irreparável de mais de 500 árvores de médio e grande porte”, sublinhou, acrescentando que “a replantação e renovação desse património arbóreo representa um desafio que demorará décadas a alcançar”.
Reconhecendo que os colaboradores do Santuário “têm sido incansáveis nos trabalhos de remoção dos destroços, de limpeza e de reparação dos estragos”, o padre Carlos Cabecinhas expressou a sua “gratidão pela entrega e empenho, para que o Santuário esteja tão acolhedor quanto possível, depois da passagem desta tempestade”.
Mas apesar dos danos e prejuízos, “o Santuário de Fátima está, desde a primeira hora, empenhado na ajuda aos mais afetados”, sublinhou, adiantando que a instituição está a assegurar alojamento a mais de uma centena de agentes da proteção civil, especialmente bombeiros vindos de várias partes do país para ajuda às populações afetadas, no Centro de Acolhimento de São Bento Labre, habitualmente destinado a acolher os peregrinos que chegam a pé ao Santuário.
“Por outro lado, através da Cáritas de Leiria, procuramos dar ajuda imediata com doação de alimentos não perecíveis e de cobertores”, acrescentou. Entre os bens alimentares encontram-se várias embalagens de leite ─ incluindo leite para bebé ─, óleo, arroz, esparguete, açúcar, grão, feijão, salsichas, atum, cereais e bolachas. Em resposta a uma necessidade concreta identificada pela Cáritas de Leiria, foram também enviados 280 cobertores.
Além disso, “muitas têm sido as pessoas e instituições que se têm dirigido ao Santuário, porque querem dar o seu contributo, e a todos temos conduzido para as instituições que estão no apoio direto às populações”, adiantou ainda.
“Tivemos grandes prejuízos, como referi, mas não podíamos ficar indiferentes ao drama vivido por tantas pessoas à nossa volta e, por isso, conscientes da nossa responsabilidade social, estamos a prestar a ajuda possível”, afirmou o clérigo.
O ano de 2025 “confirmou a capacidade de Fátima de falar ao mundo”
O Santuário registou, em 2025, um aumento de quase 242 mil peregrinos face ao ano anterior, o que permitiu ultrapassar os números de 2019, ano que antecedeu a pandemia de covid-19. “Num ano que nos deixava algumas dúvidas sobre o número da afluência, uma vez que a grande peregrinação em Ano Jubilar é a Roma, para nós foi uma surpresa agradável termos toda esta quantidade de peregrinos em Fátima e obtermos este crescimento”, afirmou o padre Carlos Cabecinhas.
Patrícia Duarte, diretora do Gabinete de Comunicação do Santuário, falou de um ano “intenso e marcante”, com a morte de Francisco, a eleição de Leão XIV e a ida a Roma da imagem de Nossa Senhora de Fátima, venerada na Capelinha das Aparições, em outubro de 2025, no contexto do Jubileu. Para a responsável, este ano “confirmou a capacidade de Fátima de falar ao mundo, de o iluminar, de o manter a respirar”.
Ao todo, foram cerca de 6,5 milhões os fiéis que participaram em celebrações no Santuário, com o número de grupos registados nos serviços do Santuário a crescer também, em particular os que viajaram da Ásia, e a Indonésia e o Vietname a entrar para o top 10 dos países com mais peregrinos, superando outras nações asiáticas, como é o caso das Filipinas.
Espanha, Itália e Polónia continuam a liderar a lista de países com maior número de peregrinos organizados, seguidos pelos Estados Unidos da América.
Em termos nacionais, os grupos de peregrinos mais numerosos foram os das dioceses do Porto, Braga e Lisboa.
Além da dimensão celebrativa, os espaços museológicos e as casas dos Pastorinhos registaram forte procura, com mais de 1 milhão de visitantes.
Ainda com números provisórios, em 2025, na atividade operacional do Santuário foram apurados 24,88 milhões de euros de rendimentos, o que significa um ligeiro aumento em relação a 2024. Verificaram-se gastos no valor de 22,69 milhões de euros, o que representa um saldo positivo do exercício de 2025 de cerca 2 milhões de euros.










