AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Sarah Mullally, nova arcebispa de Cantuária. Foto The Archbishop of Canterbury
Sarah Mullally, nova arcebispa de Cantuária. Foto © The Archbishop of Canterbury

Em clima de pré-cisma

Entronização da líder dos Anglicanos será na festa da Anunciação do Anjo

| 14/12/2025

A Festa da Anunciação, em que o anjo Gabriel anunciou a Maria que seria a mãe de Jesus, em 25 de março, foi a data escolhida para a “instalação” da bispa de Londres, Sarah Mullally, como arcebispa de Cantuária e, inerentemente, primaz da Igreja de Inglaterra e líder espiritual da Comunhão Anglicana.

A tomada de posse, historicamente conhecida como “entronização”, terá lugar na catedral gótica de Cantuária, no condado de Kent, no sudeste de Inglaterra, que é a diocese mais antiga da Igreja Anglicana.

Mullally será empossada primeiro como arcebispa na cátedra da Sé e, em seguida, empossada na Cátedra de Santo Agostinho como Primaz de Inglaterra, ato simbólico que inaugura também o seu ministério na Comunhão Anglicana.

Não é ainda conhecido em pormenor o programa da entronização, até porque ela só em 28 de janeiro próximo passará legalmente a ser arcebispa de Cantuária, quando a sua eleição for confirmada, na catedral de São Paulo. A partir dessa data ela deixa igualmente de ser bispa de Londres, diocese cujos assuntos continua, neste momento, a gerir.

Um primeiro e grave problema que Sarah Mullaly tem pela frente é a oposição generalizada dos setores anglicanos que recusam a orientação inclusiva das comunidades LGBTQI+ e das uniões de pessoas do mesmo sexo, bem como dos que nunca aceitaram que as mulheres pudessem ser ordenadas presbíteras e, particularmente, bispas e arcebispas. Encontrar uma delas como referente da Comunhão Anglicana é para esses setores algo como a ultrapassagem de uma linha vermelha, ainda que dentro de normas assumidas pelos órgãos eclesiais de decisão.

A escolhida mostrou perfeita consciência das tensões e divisões desde o discurso que fez no dia em que se soube da indigitação do seu nome. “Em alguns lugares, os laços da nossa Comunhão Anglicana estão fragilizados. Há áreas de desacordo e desunião entre as nossas igrejas que precisam da cura de Deus”, disse ela, na primeira intervenção após o anúncio.

Para enfrentar a situação, pediu a Deus “sabedoria e discernimento”, prometendo “escutar as igrejas-membro, incentivar o apoio mútuo e promover a unidade”.

Nem duas semanas depois, a Conferência Global sobre o Futuro dos Anglicanos (GAFCON, na sigla em inglês), anunciou que um conjunto de primazes, sediados sobretudo em África e na Ásia, rejeitavam os instrumentos que fundam a Comunhão Anglicana (o arcebispo de Cantuária, a Conferência da Lambeth, o Conselho Consultivo Anglicano e a Reunião dos Primazes) e declaravam tomar como fundamento de comunhão a Bíblia Sagrada.

“Não podemos continuar a ter comunhão com aqueles que defendem a agenda revisionista, que abandonou a palavra inerrante de Deus como autoridade final e revogou a Resolução I.10 da Conferência de Lambeth de 1998”, dizia este manifesto que muitos entenderam como declaração de cisma.

O que se vai passar nos próximos meses, e em particular na entronização de Sarah Mullally, será um indicativo de quão funda se encontra a rutura e se há trabalho de diálogo e aproximação ainda possível.

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba

Ano jubilar-800 anos da morte (8)

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba novidade

O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This