Relatório da ONU

Erradicação da pobreza extrema é o único ODS cumprido em Portugal

| 17 Jun 2024

O secretário-geral da ONU, António Guterres, a dirigir-se aos participantes do Fim-de-semana de Ação pelos ODS. Foto © UN Photo/Cia Pak.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, a dirigir-se aos participantes do Fim-de-semana de Ação pelos ODS. Foto © UN Photo/Cia Pak.

A erradicação da pobreza extrema é o único objetivo de desenvolvimento sustentável (ODS) plenamente cumprido em Portugal, de acordo com o relatório sobre o Desenvolvimento Sustentável divulgado nesta segunda-feira, 17, pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (SDSN, na sigla em inglês). No mesmo documento, prevê-se que apenas 16% das metas dos ODS sejam cumpridas globalmente até 2030.

A nível global, a evolução dos ODS tem estado estagnada desde 2020 com os objetivos da erradicação da fome, da promoção de cidades e comunidades sustentáveis, da proteção da vida marinha, da proteção da vida na terra e da promoção da paz, justiça e instituições sólidas com tendência decrescente.

Outra conclusão deste trabalho é o de que o ritmo de progresso dos ODS varia significativamente de país para país. As nações nórdicas continuam a liderar a concretização dos ODS, com os países emergentes do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) a registarem progressos significativos, enquanto as nações mais pobres e vulneráveis têm ficado para trás. Tal como em anos anteriores, os países europeus – nomeadamente os países nórdicos – estão no topo do Índice ODS 2024. A Finlândia ocupa o primeiro lugar, seguida pela Suécia, Dinamarca, Alemanha e França. No entanto, mesmo estes países enfrentam desafios significativos no cumprimento de vários ODS.

Desde 2015, o progresso médio dos ODS no grupo BRICS e BRICS+ (que além dos anteriores agrega o Egipto, Etiópia, Irão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos) ultrapassou a média mundial, enquanto a Ásia Oriental e do Sul emergiu como a região que fez o maior progresso em direção aos ODS. Em contrapartida, o fosso entre o desempenho médio dos ODS a nível mundial e o desempenho dos países mais pobres e mais vulneráveis, incluindo os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID), aumentou desde 2015.

O desenvolvimento sustentável continua a ser um desafio de investimento a longo prazo, pelo que a reforma da arquitetura financeira mundial se revela mais urgente do que nunca, refere o relatório. De facto, os desafios globais são diversos e exigem uma maior cooperação mundial entre países, defende o documento.

A última grande conclusão do relatório é a de que as metas dos ODS relacionadas com os sistemas alimentares e fundiários estão ainda numa fase muito embrionária.

 

Portugal ainda longe


Pobreza, sem-abrigo, Lisboa, rua,

Pessoa sem-abrigo em Lisboa. Foto © Miguel Veiga

Portugal, em 16º lugar na classificação de cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, tem uma pontuação de 80,2, numa lista que é liderada pela Finlândia (86,4), escreve a Lusa, reproduzida pelo Expresso.

O país fica ligeiramente acima da média regional (77,2) e o cumprimento de mais de metade dos 17 ODS é definido como “alcançado” ou “em progresso”. O cumprimento dos objetivos foi avaliado com quatro cores: verde, amarelo, laranja e vermelho, numa escala que vai desde ODS atingido (verde) à continuação de grandes obstáculos (vermelho) para cumprir as metas da ONU até 2030.

O único objetivo dado como atingido por Portugal neste documento foi a erradicação da pobreza extrema, registando-se ainda avanços noutras três áreas, nomeadamente igualdade de género, energia limpa e acessível, e cidades e comunidades sustentáveis, embora ainda se considere que nestas três dimensões permanecem desafios a superar. Foram registados também progressos moderados pelo país em sete ODS: saúde e bem-estar, água limpa e condições sanitárias, trabalho digno e crescimento económico, indústria/inovação e infraestruturas, redução de desigualdades, ação climática e parcerias para os objetivos. As áreas da saúde e do trabalho são classificadas a amarelo, traduzindo a existência de desafios no cumprimento das metas estabelecidas.

Porém, apesar da evolução, as áreas de ação climática e das parcerias são ainda classificadas como grandes desafios (vermelho) e os ODS de água limpa e condições sanitárias, redução de desigualdades e indústria/inovação e infraestruturas surgem a laranja. Ou seja, persistem desafios significativos ao seu cumprimento. O relatório indica também uma tendência de estagnação no desempenho relativamente a seis objetivos, entre os quais o fim da fome, qualidade da educação, produção e consumo responsável, vida aquática, vida terrestre, e paz/justiça e instituições fortes. Não houve registo geral de retrocessos no cumprimento dos ODS até ao final desta década.

Se apenas um objetivo foi considerado cumprido (cor verde), o documento aponta cinco ODS que, em Portugal, estão no nível vermelho, ou seja, o mais baixo. Entre estes encontram-se o fim da fome, produção e consumo responsável, ação climática, vida aquática e estabelecimento de parcerias para o cumprimento das metas.

Na análise ao apoio ao multilateralismo da ONU, Portugal encerra a lista dos 100 primeiros com uma pontuação de 69,6, numa classificação liderada por Barbados (92,0) e fechada pelos Estados Unidos da América, na 193ª posição da lista (15,8).

A SDSN funciona desde 2012 sob a égide do secretário-geral da ONU e mobiliza a experiência científica e tecnológica global para promover soluções práticas para o desenvolvimento sustentável, incluindo a implementação dos ODS e o Acordo de Paris sobre o Clima.

 

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