Escândalo em Jerusalém: A banda desenhada cristã

| 30 Jan 19

Escândalo em Jerusalém é o título do álbum de banda desenhada, da autoria de Coolus, Birus e Elvine, que ganhou o Prémio Internacional de Banda Desenhada Cristã, atribuído no âmbito do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, a mais famosa iniciativa do género realizada na Europa. A japonesa Rumiko Takahashi, autora de séries como Ranma 1/2, Urusei Yatsura e Maison Ikkoku, venceu o grande prémio do festival, sendo a segunda mulher a receber a distinção.

Realizado entre 24 e 27 de Janeiro, o Festival de Angoulême apresenta uma programação vasta e diversificada, em que se inclui o Festival da BD Cristã. Desde há três décadas, uma equipa ecuménica de católicos e de protestantes abre as portas da Catedral, da Igreja de S. Marcial e do Templo da Igreja à banda desenhada e premeia as obras que melhor representam uma nova linguagem para comunicar a fé.

O texto de apresentação de Escândalo em Jerusalém refere que o álbum “ilustra com humor a vida em Jerusalém no tempo da Paixão de Jesus”. Também distinguidos, foram Jesus em BD, de Bénédicte Jeancourt-Galignali, Li-An e Laurence Croix, que recebeu o Prémio Especial Juventude e Francisco, de Arnaud Delalande, Laurent Bidot e Yvon Bertorello, merecedor de uma menção honrosa.

O jornalista Gauthier Vaillant, do diário La Croix, chamou a atenção para um álbum não premiado, O mistério do ícone escondido, de Jean Evesque, a história de uma obra-prima da iconografia ortodoxa e de uma conversão improvável. O jornalista lamentou que esta obra mais adulta e graficamente mais audaciosa tivesse sido preterida pelo júri católico e protestante. 

Inspirado numa história verdadeira, O mistério do ícone escondido é adaptado de um extracto da recolha de testemunhos Sangue nas mãos, da escritora e jornalista católica polaca Maria Winowska. O ícone escondido representa o rosto de Jesus Cristo e foi pintado no século XV pelo célebre monge ortodoxo Andreï Rubliov e manteve-se durante séculos na intimidade de uma piedosa família russa. Quando visita a casa, em ruínas, e descobre o ícone, um descendente da família, membro activo do Partido Comunista e ateu, converte-se. Pagará caro por isso.

O livro descreve um mistério, diz Gauthier Vaillant, que é o da fé, da esperança, do encontro com Cristo, que irrompem do monocromatismo de cinzento azulado, de verde e de amarelo pálido e dos cenários austeros do campo russo com as suas árvores mortas e o do “inferno betonado de Moscovo”.

Outro álbum saudado pelo diário católico francês é Heimat, longe do meu país, de Nora Krug, um romance gráfico que investiga o passado de uma família alemã. Misturando a investigação jornalística e o jornal íntimo, a obra, Heimat é, escreve o jornalista Stéphane Dreyfus, uma busca do passado familiar da autora, susceptível de responder a questões como: “O avô Willi seria membro do partido nazi? Quem era o tio Franz-Karl, SS, morto em Itália aos 18 anos?” Nora Krug interroga os pais e os mais próximos, consulta os arquivos e encontra-se com historiadores que não querem esquecer as atrocidades cometidas pelos nazis. Para Stéphane Dreyfus, “com este fascinante e doloroso mergulho na memória dos seus, Nora Krug torna-se ‘arquivista da recordação’, historiadora do sensível”.

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