Quem daqui a dois anos visitar a catedral de Notre-Dame, em Paris, será surpreendido pelo ajardinamento e arborização que vão ser implantados numa parte da esplanada do monumento. Mas antes disso, as escavações da zona afetada estão a dar pistas interessantes sobre a história do local.
A Câmara de Paris, considerando a canícula que afeta os milhares de visitantes que pretendem entrar na catedral, com as cada vez mais frequentes ondas de calor, decidiu tornar o local mais aprazível. Serão plantadas 160 árvores e instalada uma fina camada de água refrescante, que correrá sobre a pedra.
Como acontece em qualquer cidade antiga, que se preocupa com a sua história, antes de construir é necessário escavar, para se certificar do que lá possa existir de relevante. É isso que tem acontecido desde o início do ano em curso. Mal a equipa de arqueólogos, antropólogos e geólogos se puseram em campo, surgiram achados preciosos com informações sobre as camadas da história da cidade – a Lutécia dos romanos.
O que faz vibrar um arqueólogo, em situações como esta? Responde Hugo Cador, num comunicado da edilidade parisiense: “Quando deparamos com objetos completos, como este jarro medieval ou este castiçal desenterrado das antigas latrinas que na época eram usadas como lixeira. Esse tipo de artefacto permite-nos reconstruir o quotidiano da época e caracterizar os diferentes usos do local: residências da elite, casas simples, locais de culto, lojas.”
As escavações não vão além de uma área de 30 metros de comprimento e quatro metros de profundidade, mas aos dois metros já tinham surgido vestígios de séculos tão diferentes como o século XII e XVII. [ver vídeo]
Para lá do espaço verde, do espelho de água e de novas comodidades, prevê-se criar também, no subsolo da esplanada, uma passagem subterrânea.
Através de estudos documentais, os arqueólogos sabiam que a organização do espaço em frente daquele tempo teve configurações muito diferentes ao longo do tempo e que, por exemplo, na Idade Média, na altura em que Notre-Dame foi inaugurada, havia mesmo uma multiplicidade de casas, organizadas dos dois lados de uma rua. “É também para reconstituir o conhecimento sobre esses períodos que se irá estudar as fundações existentes e, se for o caso, as respetivas casas”, explica a responsável por estas escavações, Camille Colonna.
Os objetos encontrados seguem para um laboratório, onde são submetidos a exame e análises de especialistas, que permitirão confirmar ou não as hipóteses levantadas no momento do achamento. Será o caso de uma preciosidade constituída por fragmentos de cerâmica pintados na parte interna, que se supõe medievais, que possuem marcas que não foram até agora decifradas por nenhum especialista.










