
Irme Stetter-Karp (à direita), copresidente do Caminho Sinodal, ficou de fora na lista do Papa para a assembleia sinodal de outubro. Foto © Synodaler Weg / Maximilian von Lachner.
Uma dezena de mulheres do fórum Mulheres nos Ministérios e Cargos na Igreja do Caminho Sinodal alemão divulgou uma carta aberta em que criticam o Papa Francisco por não ter incluído Irme Stetter-Karp, presidente do Comité Central dos Católicos Alemães e copresidente do Caminho Sinodal, entre os que escolheu para participarem na assembleia sinodal de outubro. Reagindo a esta carta, o grupo Maria 1.0 regozijou-se com a não indicação de Stetter-Karp e aplaudiu a escolha papal do cardeal Muller e do bispo Oster.
Na carta aberta, dirigida aos cardeais Jean-Claude Hollerich SJ (relator deste Sínodo) e Mario Grech (secretário-geral do Sínodo dos Bispos) e à Irmã Nathalie Becquart XMCJ (subsecretária do Sínodo), as participantes do fórum Mulheres reconhecem ser importante o facto do Papa Francisco ter apontado “Helena Jeppesen-Spuhler, entre as mulheres de língua alemã com direito ao voto, que apresentará” as “preocupações [do Caminho Sinodal alemão] à assembleia sinodal de outubro”, mas afirmam a sua “deceção” perante “a recusa em incluir Stetter-Karp como representante do catolicismo alemão”, porquanto “as duas mulheres seriam um complemento uma da outra”.
Helena Jeppesen-Spuhler é suíça de língua alemã e integra o grupo de dez europeus não-bispos apontados pelo Papa para participarem na assembleia de outubro. Há duas décadas que Jeppesen-Spuhler trabalha com a Action Carème suíça e em 2022 participou da assembleia sinodal da diocese de Basel e da assembleia nacional suíça de Einsiedeln. Em fevereiro de 2023, fez parte da delegação da Igreja Católica suíça ao encontro continental europeu em Praga.
De acordo com o jornal digital FSSPX de 25 de julho, a carta aberta refere ainda que Irme Stetter-Karp, “como Presidente do ZdK e Presidente do Caminho Sinodal, apresentou com empenho e coragem as preocupações da grande maioria da Assembleia Sinodal Alemã na reunião de Praga”, nomeadamente aquelas que respondem “a apelos urgentes de reforma: participação e separação de poderes; igualdade de género na Igreja; e igualdade de direitos para pessoas queer”.
Em resposta, o grupo católico alemão Maria 1.0, um círculo de mulheres comprometido com “a unidade da Igreja universal e com a fidelidade ao magistério papal”, regozijou-se com o facto de Stetter-Karp não ter sido escolhida pelo Papa, dado que ela “como presidente do ZdK e copresidente do Caminho Sinodal alemão, mostrou repetidamente que não está realmente interessada numa Igreja verdadeiramente sinodal” e se tem batido para que “o aborto seja acessível em todo o país”.
Na mesmo documento, as mulheres católicas do Maria 1.0 saúdam a nomeação pelo Papa do cardeal Gerhard Müller e do bispo Stefan Oster, um dos quatro bispos alemães que se opõem ao Caminho Sinodal, afirmando que estes “representam realmente muitos católicos na Alemanha”.










