O poeta e escritor catalão Carles Torner é o novo presidente do Movimento Internacional de Intelectuais Católicos/Pax Romana (MIIC), após ter sido eleito por unanimidade na assembleia mundial da organização, que decorreu nos dias 15 e 16 de novembro em Alfragide (Amadora). Figura de destaque no diálogo entre fé e cultura e na defesa dos direitos humanos, Torner assumiu o compromisso de continuar a promover uma cultura de paz, pensamento crítico e cooperação intercultural num mundo marcado por profundos desafios.
Fundada em 1921 em Friburgo (Suíça) como Movimento Internacional de Estudantes Católicos (MIEC), a Pax Romana nasceu com o objetivo de criar laços entre estudantes e intelectuais católicos do mundo inteiro e promover uma cultura de paz no período pós-Primeira Guerra Mundial. Em 1947, foi reestruturada como MIIC-ICMICA, Movimento Internacional de Intelectuais Católicos – Movimento Católico Internacional para os Assuntos Intelectuais e Culturais, e é hoje uma federação de movimentos presentes em cerca de sessenta países e uma ONG com estatuto consultivo junto das Nações Unidas.
Foi através do movimento estudantil que Carles Torner chegou à Pax Romana, recordou o próprio no discurso que antecedeu a eleição, citado pelo jornal Catalunya Religió. Desde há 30 anos, Torner colabora também com a Fundação Joan Maragall, uma instituição criada em 1989 pelo arcebispado de Barcelona como um espaço de encontro, debate e reflexão entre o cristianismo e a cultura contemporânea, e que a partir de 2016 integrou o movimento Pax Romana.
Na área literária, o novo presidente do movimento – que sucede no cargo à uruguaia Ana Maria Bidegain – tem-se dedicado em particular à promoção da tradução de literaturas indígenas e de outras regiões, e apoiado outros escritores, jornalistas, ensaístas e poetas que sofrem repressão e estão presos em diferentes partes do mundo. “A minha vida como escritor é inseparável da minha vida com a minha comunidade de base e, de facto, com o que a Pax Romana representa, tanto o MIEC quanto o MIIC”, afirmou.

A antiga e a nova equipa internacional do movimento, com Carles Torner (terceiro da dta,) após a eucaristia final. Foto © Celeste Silva
Carles Torner, 62 anos, destacou que a sua candidatura tinha subjacente uma visão que combina espiritualidade e compromisso social: “Apresento a minha candidatura com a convicção de que a vida internacional da Pax Romana é essencial para a vida de nossas federações”, e em articular num “mundo que sofre com vários poderes autoritários que buscam destruir essa visão de mundo”.
O escritor sublinhou ainda a importância da sinodalidade na vida do movimento: “Este é um momento muito especial; estamos envolvidos num exercício prático de sinodalidade que define a nossa maneira de ser Igreja”, referiu.
A eleição de Carles Torner marca, segundo o periódico catalão, “o início de um novo capítulo para a Pax Romana, no qual reforça o seu compromisso com o diálogo e o envolvimento global, ao mesmo tempo que redefine a sua estratégia de comunicação”, agora com “um presidente que alia experiência internacional, consciência comunitária e visão coletiva”.










