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Taizé, Encontro europeu de Jovens, Paris, Oração,
Uma das orações desta sexta-feira, com os primeiros participantes (voluntários que ajudarão no acolhimento) do Encontro Europeu de Jovens de Taizé, em Paris. Foto © Francisco Júlio, cedida pelo autor.

15 mil jovens em Paris

Escutar as vozes dos que sofrem e construir pontes, as “procuras” de Taizé para o encontro europeu e para 2026

| 26/12/2025

 

A Carta de Taizé para 2026 pergunta “O que procuras?” E propõe um conjunto de ideias concretas para aproximar as pessoas umas das outras, da natureza e de Deus. Quinze mil jovens começaram a chegar a Paris para o encontro promovido pela comunidade monástica ecuménica, que se inicia no próximo domingo, 28.

 

Escutar as “vozes dos que sofrem com conflitos mortais ou com a violência que enfrentamos nas nossas sociedades”; “manter contacto com pessoas que vivem em zonas de guerra”; e apoiar “todos os que lutam pela justiça em países com regimes opressivos ou com governos que promovem a guerra”. Na Carta de Taizé para 2026, o irmão Matthew, prior da comunidade iniciada em 1940 pelo irmão Roger, propõe uma reflexão sobre “O que procuras?” E sugere sete buscas: o silêncio, uma direcção, a alegria, um sentido, um mundo justo, comunidade, e a paz.

Os primeiros de cerca de 15 mil jovens que irão participar no encontro que se inicia no domingo, 28, começaram a chegar a Paris nesta sexta-feira. São sobretudo voluntários que irão ajudar no acolhimento e receberam já o texto da carta, onde o prior de Taizé começa por verificar: “Muitas pessoas buscam sentido para as suas vidas. Andam à procura de algo maior do que as promessas fáceis que tantas vezes enchem os nossos ecrãs.” Conta, depois, que ao longo do último ano, a comunidade monástica ecuménica (reúne irmãos de origem católica e de diferentes tradições reformadas) recebeu “em Taizé jovens da Ucrânia, da Palestina, do Líbano, da Nicarágua, de Myanmar e de outros lugares onde a guerra e o conflito são uma realidade quotidiana”.

“A sua fé e o seu anseio por uma paz justa e duradoura foram para nós uma inspiração”, refere o irmão Matthew. “Também ouvimos testemunhos de pessoas que trabalham em Gaza ou que têm lá família. Vemos a dor daqueles cujas pessoas queridas foram feitas reféns e escutamos o clamor dos que procuram justiça sob regimes opressivos.”

A Carta será agora distribuída e debatida pelos cerca de 15 mil jovens que, nestes últimos dias de Dezembro, participarão em Paris e na região da Île-de-France no 48.º Encontro Europeu de Jovens promovido anualmente por Taizé nesta altura. Será este texto, que pode ser lido na íntegra na página de Taizé na internet que animará as conversas dos jovens na pequena aldeia da Borgonha francesa e em outros lugares onde se realizarão encontros ao longo do próximo ano.

“Num contexto marcado pela guerra, por tensões geopolíticas e pela polarização, este Encontro transmitirá uma mensagem de paz, reconciliação e unidade”, diz um comunicado da comunidade, enviado ao 7MARGENS. “Jovens e responsáveis das Igrejas de diferentes confissões cristãs – católicos, protestantes, ortodoxos e orientais – vão dar em conjunto um sinal forte de diálogo e de unidade.”

 

Orações, encontros, cultura e festa

Taizé

Uma dos voluntários que ajudarão no acolhimento no Encontro Europeu de Taizé, em Paris, lendo o programa da preparação. Foto © Francisco Júlio, cedida pelo autor.

O domingo será o dia do acolhimento: a partir do meio-dia, os jovens são recebidos em vários pontos de Paris e da região. Deslocam-se, depois, para as paróquias de acolhimento, onde são distribuídos pelas famílias anfitriãs. Ao fim da tarde têm uma primeira refeição, seguida de uma oração também nessas paróquias.

Com pequenas variações, a dinâmica de segunda, terça e quarta é semelhante: de manhã, os jovens participantes reúnem-se para a oração nas paróquias de acolhimento e encontram-se, em pequenos grupos, para conversar com “testemunhas de esperança”; à tarde, o almoço é no Campo de Marte, junto da Torre Eiffel, seguido de oração em grandes igrejas do centro de Paris, indicadas no acolhimento; na noite de segunda-feira repete-se o cenário, mas nas duas noites seguintes a oração será na Accor Arena de Bercy; durante a tarde realizam-se ateliês temáticos em cerca de 50 igrejas de Paris (segunda e terça) e um encontro por países (quarta), antes da festa das nações, que decorre de novo nas paróquias na noite da passagem de ano, com um momento de oração pela paz e encontros interculturais. No dia 1, os jovens regressam aos seus países, depois de participar nas eucaristias de Ano Novo e de almoçar em casa dos milhares de famílias que os acolherão.

Mais de 170 pessoas dinamizarão ateliês sobre temas da actualidade – fé e espiritualidade, solidariedade e ecologia, justiça e paz, arte e cultura – cruzando a reflexão cívica com o compromisso pessoal. Um dos ateliês prevê visitas a Notre-Dame, cujo acesso, além dessa actividade, só será permitido a jovens que tenham pulseira, em função das paróquias de acolhimento. O programa completo está disponível na página de Taizé na internet.

 

“Reconstruir um mundo de comunidade, um mundo de cuidado”

Um dos irmãos de Taizé dando indicações sobre a informação a distribuir aos participantes no próximo domingo, dia de acolhimento do Encontro Europeu de Jovens de Taizé, em Paris. Foto © Francisco Júlio, cedida pelo autor.

No itinerário proposto na Carta para 2026, o irmão Matthew sugere uma relação entre as diferentes buscas: cada pessoa, cada ser vivo, a natureza e Deus estão interligados e em comunhão. “Na bela criação de Deus, o som do vento, o murmúrio da corrente e o canto dos pássaros podem envolver-nos e conduzir-nos para aquele silêncio interior onde a comunhão com tudo o que existe se torna palpável. Uma noite estrelada pode encher-nos de admiração. (…) E assim, este silêncio não é vazio. Torna-se um lugar de encontro. No silêncio não estamos sozinhos.”

Essa busca tropeça por vezes em dificuldades, mesmo quando o mundo parece tudo oferecer, “mas, lá no fundo, o que domina é o medo, a ansiedade e a depressão”. Por contraste, o “sentido da vida de Jesus não foi julgar a humanidade, mas permitir que cada ser humano compreenda que é amado por Deus” e que há um “caminho de um amor sempre maior”.

Um caminho que pede um envolvimento: “A injustiça – seja a devastação ecológica, as desigualdades, a violência, a opressão ou a guerra”, as realidades complexas sem solução evidente, as decisões que devem ser aceitáveis “para os outros, para o planeta e também para” cada pessoa, e o fazer comunidade “com os outros, com a criação, com Deus – depois do isolamento da pandemia, estaremos preparados para reconstruir um mundo de comunidade, um mundo de cuidado?”

Além das sugestões referidas no início, o irmão Matthew propõe ainda reservar diariamente um momento para o silêncio, começando por ler uma breve passagem da Bíblia; encontrar outras pessoas presencialmente para lhes “levar alegria”; pequenos encontros “em que cada pessoa fale sobre como descobre sentido na sua vida”; pensar com outros sobre que “passos concretos podemos dar para construir pontes”, aproximando-se “daqueles que vivem nas margens da sociedade”; e fazer experiência de comunidade, por exemplo, partilhando uma casa, ou rezando e fazendo refeições “em conjunto, especialmente com estudantes estrangeiros”.

 

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