Será a décima missão do cardeal Konrad Krajewski na “martirizada Ucrânia”, desde a invasão russa. A poucos dias da Páscoa, o Papa volta a enviar o seu esmoleiro às zonas de conflito, desta vez para entregar quatro ambulâncias totalmente equipadas “para salvar vidas”. Enquanto isso, o Vaticano prossegue o contacto com autoridades ucranianas e russas, renovando os seus esforços de negociação da paz.
Krajewski irá entregar pessoalmente as ambulâncias, com o auxílio de um bispo ucraniano e outros dois motoristas locais, “para voltar a estar com as pessoas tão provadas pelo conflito, para rezar com elas e para ser uma expressão da proximidade do Papa”, em particular neste momento de “renascimento pascal”, informa um comunicado da Esmolaria Apostólica divulgado esta segunda-feira, 7 de abril.
O comunicado cita a Bula de Proclamação do Jubileu da Esperança, Spes non Confundit, para sublinhar que esta missão responde ao apelo aí feito pelo Papa: “que o primeiro sinal de esperança se traduza em paz para o mundo, mais uma vez imerso na tragédia da guerra”. Paz essa que “exige a busca de projetos concretos”. “A doação das quatro ambulâncias torna-se assim um sinal de esperança jubilar ancorada em Cristo”, sublinha a nota.
Um sinal que surge ao mesmo tempo que decorrem várias iniciativas do Vaticano para influenciar as negociações de paz. Na passada sexta-feira, 4 de abril, o secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais, o arcebispo britânico Paul Gallagher, teve uma conversa telefónica com o Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergey Lavrov. No centro do diálogo, estiveram a política mundial e as iniciativas voltadas para cessar as hostilidades, tendo sido reafirmada a disponibilidade da Santa Sé em continuar o compromisso humanitário nas questões relativas à troca de prisioneiros.
Cerca de três semanas antes, o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, falou com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Este partilhou então na sua conta de X que “a voz da Santa Sé é muito importante no caminho para a paz”, tendo agradecido publicamente ao Vaticano pelos esforços em prol da libertação de mais de crianças ucranianas levadas à força para a Rússia e pela mediação na troca de prisioneiros.
Os esforços da Santa Sé nas últimas semanas para envolver ambos os lados do conflito, principalmente através de canais diplomáticos oficiais, juntamente com esta nova missão humanitária de Krajewski, “indicam que o Vaticano está interessado em ter uma voz ativa” nas negociações, assinala o jornal Crux esta terça-feira. “E a equipa do Papa está a tentar abrir espaço para fazer isso em todas as frentes”.










