
A Conferência Episcopal Espanhola fez saber que já convocou uma assembleia plenária extraordinária para a próxima segunda-feira, 30 de outubro, com o objetivo de analisar este relatório. Foto © Conferência Episcopal Espanhola.
A Provedoria de Justiça espanhola entregou esta sexta-feira, 27 de outubro, ao Congresso dos Deputados, o “Relatório sobre os abusos sexuais no âmbito da Igreja Católica e o papel dos poderes públicos”, no qual se estima que 1,13% da população adulta em Espanha tenha sido abusada quando era menor de idade no seio da Igreja Católica, o que corresponderá a cerca de 440 mil dos 38,9 milhões de adultos espanhóis.
Durante a apresentação do estudo, solicitado há um ano e meio pelo Congresso, o provedor espanhol de Justiça, Ángel Gabilondo, “evitou os números a todo o momento”, assinala a revista Vida Nueva. No entanto, confirmou que um inquérito realizado a 8.013 pessoas revelou que 11,7% afirmam ter sido abusadas sexualmente antes de ter completado 18 anos, e que 1,13% dizem que os abusos ocorreram no contexto da Igreja. Há 0,6% que indicam que os abusadores foram padres ou religiosos, número que – extrapolando – corresponderá a mais de 200 mil pessoas e que é “semelhante ao encontrado em estudos realizados noutros países”, indica o relatório.
Gabilondo informou ainda que a unidade de atendimento às vítimas, criada no âmbito deste estudo para recolher testemunhos, recebeu 487 denúncias de abusos que aconteceram desde 1940 até ao presente, tendo o pico ocorrido entre 1960 e 1970, coincidindo com “os anos da ditadura franquista”, e começando a decrescer a partir dos anos 80.
Três em cada quatro vítimas relatam ter sido apalpadas, 22% reportam masturbação passiva e 16% ativa. Foram reportados 115 casos de violação.
Qual deve ser a resposta da Igreja
O relatório de mais de 700 páginas, que foi disponibilizado online, refere que a “resposta da Igreja Católica, pelo menos a nível oficial, foi caracterizada durante muito tempo pela negação ou minimização do problema” e que só “pouco a pouco”, à medida que os casos foram sendo conhecidos e como “consequência das diretrizes emanadas pela Santa Sé, os representantes da Igreja em Espanha foram tomando medidas e posições mais firmes, ainda que mais orientadas para a prevenção do que para a reparação”.
“Algumas vítimas tiveram que enfrentar não só a negação e ocultação, como até pressões e reações dos seus representantes, nas quais foram responsabilizadas pelos abusos sofridos”, pode ler-se.
Defendendo que as vítimas “merecem ser escutadas, atendidas e correspondidas”, o provedor espanhol de Justiça deixou várias recomendações à Igreja. Entre elas, a criação de um “fundo estatal para o pagamento de compensações a favor das vítimas”, a promoção de um “ato público de reconhecimento e reparação simbólica” e a abertura por parte das dioceses e institutos de vida consagrada do “acesso à informação contida nos arquivos”. O relatório conclui também que é necessário “prestar a máxima atenção tanto aos processos de seleção” dos membros do clero, “como à sua formação, para deteção de abusos”.
A Conferência Episcopal Espanhola fez saber que já convocou uma assembleia plenária extraordinária para a próxima segunda-feira, 30 de outubro, com o objetivo de analisar este relatório.
Paralelamente, está a decorrer um estudo sobre os abusos na Igreja encomendado pela própria conferência ao Escritório Cremades & Calvo Sotelo, o qual pediu para “prorrogar o prazo de entrega dos trabalhos”, pedido esse que será também avaliado durante a assembleia extraordinária.









