Assembleia de outono da Comece

“Esperamos mais da União Europeia”, disseram bispos reunidos em Bruxelas

| 10 Nov 2023

Bispos reunidos na Assembleia Plenária de Outono da COMECE. Foto Direitos reservados

A assembleia, que abordou  o papel da UE face às guerras no mundo, contou com a participação do chefe da Igreja Greco-católica Ucraniana e arcebispo de Kiev, Sviatoslav Shevchuk (o primeiro, à esquerda) . Foto © Joana Canas

 

Perante os conflitos que grassam no mundo, em particular na Ucrânia e na Terra Santa, os “episódios alarmantes de terrorismo” e o “aumento do antissemitismo”, o Presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (Comece), Mariano Crociata, manifestou nos últimos dias estar desiludido com as posições que têm sido adotadas pela UE e apontou as eleições do próximo ano como “um prazo crucial”.

“Este é um momento em que os grandes desafios que temos pela frente podem ser transformados em oportunidades para a União Europeia emergir com uma unidade mais forte e mais bem sucedida em relação às expetativas de hoje”, afirmou o representante dos bispos católicos europeus no discurso de abertura da Assembleia Plenária de Outono da Comece, que decorreu entre os dias 8 e 9 de novembro em Bruxelas. “Lamentavelmente, há indícios de que as coisas não estão a caminhar nessa direção”, acrescentou, citado pela agência SIR.

Expressando as preocupações dos líderes católicos europeus, – numa reunião que contou também com a presença do chefe da Igreja Greco-católica Ucraniana e arcebispo de Kiev, Sviatoslav Shevchuk – Crociata mencionou o problema da segurança, que “reaparece em intervalos regulares nos nossos países, com episódios alarmantes de terrorismo”, e também o “aumento do antissemitismo que ressurge especialmente nestas circunstâncias, bem como as atitudes polarizadas de apoio a um partido ou a outro, denunciadas pelos protestos de rua, ao mesmo tempo que perdem de vista a complexidade das situações e o sofrimento de todos os envolvidos, não apenas de alguns deles”.

“É também por isso”, continuou o Presidente da Comece, “que não podemos ficar insensíveis à importância e ao impacto das posições adotadas pela UE nestes conflitos, bem como em tantas outras situações que se desenrolam diante dos nossos olhos”. E concluiu: “Esperamos mais da UE do que vimos recentemente”.

Depois, recordando que as próximas eleições europeias se realizam já de a 6 a 9 de junho do próximo ano, Mariano Crociata assinalou que os cidadãos europeus merecem um Parlamento que seja “renovado e regenerado, também em termos éticos, após os acontecimentos que mancharam a sua imagem”. E acrescentou: “Sentimo-nos responsáveis ​​por fazer com que os nossos colegas bispos e os nossos fiéis sintam a importância da sua participação. Para além da substância, que é certamente importante, creio que há poucos como nós – e refiro-me aos bispos e à Igreja – que têm a oportunidade de promover o interesse geral de uma Europa que está unida não em benefício de uma pessoa ou de um partido, mas para o bem comum de todos os nossos povos e países”.

 

“As igrejas podem fazer um trabalho importante”, defende Silva Pereira

Pedro Silva Pereira discursa na Assembleia Plenária de Outono da COMECE, 9 novembro 2023. Foto Direitos reservados

“Só se conseguirmos vencer a batalha pelos valores é que teremos melhores políticas e talvez resultados eleitorais não tão maus”, afirmou Pedro Silva Pereira, vice-presidente do Parlamento Europeu. Foto © Joana Canas

 

Na perspetiva de Pedro Silva Pereira, vice-presidente do Parlamento Europeu, que também marcou presença na assembleia, os bispos têm, de facto, “um papel a desempenhar ao explicar às pessoas o que está em jogo” nestas eleições.

“Normalmente, – lamentou – a participação nas eleições europeias é inferior à de outros tipos de eleições, porque as pessoas acreditam erradamente que estas eleições são menos importantes do que outras”. Pensar assim é, segundo o eurodeputado socialista português, “um erro grave”. E “as igrejas podem fazer um trabalho importante para explicar às pessoas que a participação é muito importante”, reiterou.

Até porque, sublinhou Silva Pereira, estas eleições “também têm a ver com conteúdos, políticas e valores”. “Haverá um debate político. Mas para além do debate político, todos seremos chamados a confrontar-nos entre o egoísmo e a solidariedade, o humanismo e o ativismo, sobre o que inspira a política. Só se conseguirmos vencer a batalha pelos valores é que teremos melhores políticas e talvez resultados eleitorais não tão maus”, disse em declarações a agência SIR, após a sua intervenção no encontro.

O antigo ministro referiu ainda o importante papel que as intervenções do Papa Francisco têm desempenhado na agenda política europeia. “As questões da paz, as questões da pobreza e das desigualdades, as questões das alterações climáticas e a questão da migração. Em todas as principais discussões políticas e divisivas na Europa, o Papa Francisco tem sido uma voz de grande inspiração e espero que ele possa ser ouvido um pouco mais”, concluiu Silva Pereira.

 

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